Meus 20 e poucos minutos

Meu terceiro par de tênis pra correr em 9 meses. Com Galaxy J7, foto: Roberto Furtado. Direitos reservados.
              O tempo... tenho aprendido coisas importantes sobre o tempo. O tempo que tive, tenho e que talvez, terei. Um tempo pra usar comigo mesmo, um tempo para eu namorar minha família, meus amigos, minha realidade. Tenho aprendido coisas muito importantes sobre o tempo, desde que passei a ter tempo. Desde que aprendi a dizer não... desde que me tornei um só. Eu vivo solidão no tempo quase certo... pois errado ou certo é diferente para cada um. Então saio pra conversar com amigos, café, bar, muro do por do sol em frente ao Iberê Camargo. Por vezes dou uma escapada e vou até a praia com desculpa de pescar, mas eu vou mesmo é conversar com velhos amigos da pescaria. Aliás, como gosto daqueles caras. Recentemente resolvi correr... Eu corro... corro atrás de algo que nem sei explicar, mas tento detalhar para que não pareça raso. Vivo na cidade de Porto Alegre, pensando que não é bem o lugar que eu gostaria de morar, mas é nela que fui criado e aqui estão todos do meu convívio. Pedalei, fotografei, circulei como um turista, procurei por bares e cenários, situações que me trouxessem algum sentimento novo. Olhava para as pessoas e achava tão chato o modo como elas viviam... me incomodava aquilo, de ver as pessoas fazendo as mesmas coisas todos os dias, rotinas de trabalho. Sempre me achei diferente... imaginava que profissão seria aquela que me fizesse encantado, feliz! Então, me tornei fotógrafo... e o tempo, passou a ter significado diferente. As frações do tempo se transformavam em fotografias de alguma história, minha, de alguém, de algo. A minha vida fora do trabalho era chata... eu não gostava de como as coisas estavam se montando, se engessando. Então, comecei a planificar o que eu queria. E eu queria ser livre, pensar que podia escolher. Queria refletir, num tempo onde eu poderia ficar resguardado de tudo. A corrida me deu o direito de viajar no tempo e ficar isolado sem influências. Corro por 5 km, calado, pensativo, ouvindo minha música e sonhando acordado. Correm meus devaneios, minhas ideias! Em 20 e poucos minutos aprendi o valor do ferrolho, uma cápsula temporal que me faz valorizar o dia, também organizar algumas ideias. Eu corro... cada dia mais rápido, com dor, sem dor, mal estar nem abafa toda empolgação que tenho por correr. A energia da corrida é tão explosiva em mim que muitas vezes vou pra pista pensando em correr devagar... e quando vejo estou fazendo média de 14 km/h. Meu corpo nem condiz com meu desempenho... sou pesado, não tenho pernas longas, embora sejam muito fortes. Meu corpo reclama... dói, passa, torna a doer, nem me importo. Aprendi a conviver com a dor que vai e retorna... o prazer de correr é tanto que não sei dizer se é pelo bem estar físico do dia seguinte ou se é a psicologia dos 20 e poucos minutos. Ah... este terço de hora me deixa tão bem por 48 horas. É tão pouco que ofereço ao meu corpo por tanto benefício... meus 20 e poucos minutos são uma grande experiência.