A Rota dos Faróis, milagres e sinais do TCC

Farol do Albardão, 2018.
               Encerrei o semestre nesta segunda feira... fiz o que pude e o que não pude pelo TCC. O tempo é precioso e complicado. Em uma estranha "coincidência" alguns colegas fizeram um curta metragem sobre o tempo, apresentaram depois da minha banca. Eles deitaram e rolaram... foram ótimos! Já escrevi tanto sobre o tempo, muito refleti sobre ele... do que não temos, do que perdemos, mas a amiga mais próxima que tenho hoje, sempre me diz que tempo "a gente não perde, a gente ganha com quem ou o que queremos!"
A verdade é que um trabalho pode ser mais do que ir, realizar e entregar o produzido. Eu percorri, até então, milhares de quilômetros pra fazer isto, mas sei que isto também não muda o resultado de imagens obtidas. É possível ir e encontrar más condições e resultados aquém do esperado, mas eu tenho uma sorte fotográfica e minhas habilidades para saber se devo arriscar ou não. De forma que quase todas as vezes que saí sem hora marcada, apenas motivado por fazer uma leitura do clima, encontrei a imagem que eu queria. No dia em que fiz a imagem acima, a previsão dizia: "Chuva, tempo encoberto!" E conversando com minha mãe eu disse: "Esta previsão não esta certa... frio e vento, não vai ter tanta umidade assim, acho que vou ter boas fotos!"
Chegando lá no Chuí, encontrei a melhor condição que poderia para fotografar um farol durante a madrugada. Um céu limpo e ar cristalino... Depois, no Hermenegildo, chegando na praia eu vi que o mar estava embalado de sul. Fui tomar um café num mercado, com padaria, destes de cidade do interior. Me serviram o melhor café do mundo, com torrada (pão de sanduíche com frios). Durante a conversa com o dono do mercado, ele e disse: "Rapaz, não dá pra ir pela beira da praia até o farol do Albardão! E não tem outro jeito de chegar nele..." Bom, então se não dá pra ir, resolvido está! De qualquer forma resolvi seguir até o fim da vila e cheguei na praia. Era dose de adrenalina... era mar lavando de tempos em tempos, ciclos curtos, mas a praia parecia boa. Chegando na metade do caminho estava tão ruim que pensei em voltar, mas como bom persistente pensei: "Não vim até aqui pra desistir agora..." (Até o fim, Engenheiros do Hawaii). Então, confia Roberto! Lá pelas tantas a coisa ficou tão preta que eu só enxergava três coisas na minha frente... Se as ondas vinham antes ou depois de passar de carro, no conhecido reflexo extrapolativo; A textura da areia pra saber onde era trajeto para o carro; E o horizonte pra alcançar o farol! 
Ontem, quando uma das professoras da minha banca falou sobre como era ver o farol de longe, eu sabia a resposta, mas eu sabia também que ali não era mais o momento de falar. Eu olhava o farol de longe, com ar limpo, com cerca de 10 km de distância, porque a previsão dizia que ia chover e o céu estaria encoberto, só que não! Quando faltava poucos km pra chegar no albardão... o carro apagou ao passar pela água, não sei se encharcou o filtro do ar, ou se molhou algo, mas morreu em plena operação de aceleração, isto que o motor vinha todo tempo em alta rotação. Apagou e não aceitou a partida... a água molhava os pneus e vi o carro assentar o meia altura da banda de rodagem naquela areia mingau. Fora do carro avaliando a situação... percebi que estaria bem encrencado. Sem sinal de telefone, sem sinal de fumaça! Calculei que o Farol do Albardão estava perto... era uns 5 km de caminhada, não era muito para mim. Corro cinco em 22 minutos, em condições ruins levaria 40 minutos, se tanto. Ainda assim, pensei... o carro aqui pode não ter 40 minutos. O motor esta quente ainda, talvez tenha secado o que molhou! Se eu entrar e bater o arranque, será um milagre... se ele desatolar, sera outro! Não custa tentar mais uma vez... sentei ao volante e coloquei meus pensamentos naquela aventura. Virei a chave devagar, como se fizesse alguma diferença... para minha surpresa o motor virou e pegou, sem falhar. Então pensei, só falta ele sair aqui sem ter que calçar as rodas com os tapetes de borracha. Engatei a marcha ré, pois o carro tem tração dianteira, e a ré é a relação de marchas mais curta do automóvel, tirei o pé da embreagem vagarosamente. Senti que o carro moveu-se patinando as rodas, mas foi. Incrivelmente, estávamos eu, e a cápsula de transporte, livres do atoleiro. Ali vi... confie nos milagres, mesmo que não estejam nos livros. Nunca subestime os sinais... confie nos teus instintos, sempre me disse dona Silvia, minha mãe. Aliás, te amo mãe! Os sinais apareceram em toda minha caminhada deste trabalho... foram pequenos milagres. Foi o carro que desatolou e voltou a funcionar, foi o acolhimento oferecido pelos meus professores, sugestões que deviam ou não deviam ser seguidas. Tropecei em algo durante o meu trabalho que achei muito estranho, mas ninguém deu muita bola. Meu nome tem as inciais R e F, Roberto Furtado, igual a Repórter Fotográfico, da mesma forma acontece com Rota dos Faróis. Acho estranho... mas como não esta nos livros, nem pode ser provado, fato que não existe e é apenas coisa da minha cabeça. Até parece que estou falando de astrologia... né? A ciência tem uma estranha forma de rejeitar tudo que não pode ser provado, mas a ciência não compreende a fração da nossa evolução e existência. Eu a aceito, mas observo com a atenção da dúvida... "a dúvida é o preço da pureza e é inútil ter certeza!" (Infinita Hawaii, Engenheiros do Hawaii). Não dá pra saber e nem esquentar a cabeça com tudo! Eu tive muitos sinais... até aqui, nem lembro quantos foram os que me acertaram no rosto e me deixaram surpreso. Acho que minhas fotos não são tão expressivas assim, conheço outros colegas, muitos, melhores que eu... mas não se trata de ser melhor. Se trata de ir lá e fazer... desde que me tornei profissional da fotografia, sempre fui lá e fiz. Se havia um briefing, ele foi atendido. Eu me vi como alguém que cresceu nas ruas se tratando de fotografia... aprendi a fotografar com uma teoria de curto prazo, então fui para fora de casa, longe do calor e do abrigo e mergulhei no meu sonho. Virei um autodidata da fotografia... ainda que tenha aprendido muitas coisas na faculdade de fotografia, com alguns professores que admiro. Se aprendo por conta, ou se fotografo cada dia melhor, bem, isto não faz de mim melhor que ninguém. Eu só quero conquistar meu espaço, mas mais importante que isto... sentir que eu cresço a cada dia. Com relação a Rota dos Faróis, fica evidente para mim... este é o começo, apenas. Sempre digo... "o céu é o limite, mas por isto comprei asas!" Ter maturidade é saber assumir os erros, também olhar para dentro e perceber se estamos ou não sendo tão eficazes em todas as tarefas. Pode ser o apertar do disparador, ou escrever sobre coisas ou como falar com as pessoas! Pode ser uma dica entre linhas, talvez um sinal que bate no rosto. A vida é um festival de oportunidades... Tento fazer da faculdade meu lugar de aprender, mas mais do que isto, tento fazer dela minha casa. Abraço meus colegas, digo mil bobagens pelo único motivo. Aos 42 anos já entendi uma parte bem pequena da vida... que diz respeito ao tempo que se ganha. Os segundos são valiosos demais, "vivi cada segundo" e "vou deixar que o destino mostre a direção!" (Cidadão Quem)
Aos meus professores, muito obrigado.  Sei que não sou muito bom com este trato presencial, mas minha timidez e outras imperfeições respondem por esta dificuldade. E dificuldades existem para superarmos... e isto é o que venho fazendo desde que nasci. Tento...