Infinito é o horizonte...



Acho que em duzentos quilômetros fui a única pessoa que vi... pelo espelho do carro! Nesta época do ano, na condição que estava, ninguém arriscaria ir até lá. Ninguém, menos eu... Eu me vi sozinho e refletindo sobre a imensidão que é aquela extensão, duas vezes a distância entre Porto Alegre e o Balneário Pinhal, porém de areia, vento, conchas e alguns faróis solitários. Ali, naquele momento, lembrei o que eu era... um eterno aventureiro, um solitário. Acho que algumas vezes eu passei tantas horas calado, que ao voltar, cheio de memórias dos cenários, sentia vontade de falar ou escrever de forma incansável. É como se estivesse transbordando de arquivos... 
Já pensei várias vezes como seria mudar de vida e ficar fotografando a vida selvagem e escrever meus textos... imagino que produziria muitos livros. Talvez eu faça isto um dia... sinto que nunca chegou a hora disto, talvez, nunca chegue. Em outra oportunidade... eu fiquei cansado de dirigir pela beira da praia e fazia um pouco de frio, embora não houvesse vento, mas o calor do sol era suficiente para me manter aquecido. Eu deitei no pé de uma duna, encaixado numa poltrona de areia morna, ali eu adormeci. Nunca esqueço disto... eu me sinto em casa neste lugar. Sinto falta da minha família, sendo único motivo pelo qual entendo isto jamais pudesse funcionar. Se é apenas sonho ou se pode ser algo a realizar, pois não sei. Também não tenho certeza que trocaria todas as horas de conforto por uma casa simples sem luz... sim, lá não tem estrada, nem energia, menos ainda água encanada. Tudo seria fruto de um improviso! Será que a gente aguenta isto depois de conhecer todo conforto como um morador da selva de concreto? Acho que não...
Então, fico com estas fugas pra lugar nenhum, longe da civilização, curtindo um som no caminho e depois o ruído do vento. O horizonte lá parece ser realmente infinito... me conforta de uma forma que jamais pude substituir. E se penso em algo mais quando estou lá... sim, penso! Penso em todos que gosto... principalmente nela!