A longa exposição

BR-116, Canoas, RS, 2018. Foto: Roberto Furtado
       Faz algum tempo que olho a longa exposição de uma outra forma... alguns anos atrás eu só queria fotografar a velocidade no tempo em que acontecia. Congelava tudo para evitar um borrão, que hoje é a poesia para mim. Ontem, fui para a estrada depois da aula... e fiquei as margens da BR em Canoas. Fiquei ali respirando a umidade da noite e pensando como a luz se comporta. Por vezes tenho impressão que as coisas que não estão vivas são subestimadas por nós e que talvez estejam vivas de uma forma que não compreendemos. O movimento da luz... borrados pela longa exposição, na verdade trajetória de movimentos de elétrons. Algo tão estranho e que banalizamos com o cotidiano. A vida é formada por elétrons... tal e qual a luz. Tão estranho como coisas tão elementares resultam em coisas tão diferentes, e então percebemos que a física e a química estão em tudo que temos. E mesmo assim nos achamos o centro de tudo... 
Fiquei lá por alguns segundos, fiz alguns experimentos que resultou na imagem acima... e a cada dia quero fazer mais, sempre saindo com a câmera e o tripé, como se fossem objetos simples de serem transportados. Não são moedas no meu bolso... são tralhas pesadas. Fiquei planejando uma viagem que poderia fazer sozinho mesmo, pois é tão difícil sincronizar a disponibilidade das pessoas próximas. 
A longa exposição passou a fazer parte da minha vida quando lapidei a paciência... 30 segundos esperando por uma construção. Parece rápido? Então experimente trancar a respiração por 30 segundos... muitos não conseguirão! Há muitas formas de evoluir e chegar no lugar que desejamos, mas me parece que escolhi algo que me diverte durante a caminhada. Eu corro, eu fotografo, eu conto os carros passarem... É bem bom este lance de longa exposição.