Observe e questione a fotografia

Questione, encontre respostas e aperte botão para mudar o meio onde estiver!
           A tarefa de estudar fotografia através dos moldes acadêmicos me trouxe muitas impressões... percebi que fotografia é mais do que todo um conjunto de atividades que compreendem a prestação de serviços com fotografia. A fotografia como atividade profissional traz informações que se espalham entre os cantos e os meios em que vivemos. A comunicação é tão ampla sob o olhar de cada um e assim podemos pensar que ela se representa conforme o perfil de cada vivente deste sistema. O uso do celular, referências, um briefing bem passado é necessário... tantas questões para executar um trabalho adequado e que esteja a altura da expectativa do cliente. Somos dirigíveis, mas o olhar somos nós quem colocamos sobre o assunto. O briefing bem elaborado é um talento do solicitante do trabalho. Não dá pra executar um trabalho de fotografia sem uma boa descrição do que deve ser feito, também sem a existência de noção por parte deste solicitante. Um espetáculo pode ser fotografado de duas formas... de uma forma livre e não contestável, sem briefing ou referências; Ou bem dirigido e recomendado por alguém que entende realmente do assunto, que vai sim exigir que você seja o melhor que puder. É comum que a escolha de luzes, em espetáculos e convenções, seja realizada por profissionais da iluminação que geralmente não entendem nada de fotografia. Também é comum que eles sejam orientados por pessoas que definem as luzes sem entender nada de iluminação, menos ainda de fotografia. Neste caso, o fotógrafo corre um sério risco... de não ter a luz que precisa para executar um trabalho de qualidade e com isto ser responsabilizado por tais faltas. Luzes marcadas, sobras que causam efeitos escurecendo parcialmente o rosto de artistas ou palestrantes. Tudo isto resulta em dificuldades ou mesmo em prejuízos aos fotógrafos. Para executar bem um trabalho precisamos conhecer este lugar de execução, também é preciso conhecer estas pessoas com quem trabalharemos. Se estas condições ideais são viáveis ou não, devemos entender que nem sempre tudo esta ao nosso alcance, mas em muitos casos tornamos possível algumas melhorias. O trabalho de fotógrafo vai além de ser um portador de máquina fotográfica e conhecer a operação deste equipamento. Ele deve estar inserido em um mundo onde a observação permite que ele traga mudanças e estas sejam a diferença nos resultados. Orçamentos medíocres, descrevem solicitantes mesquinhos, talvez até inexperientes, e tais configurações de trabalho exigem muita atenção. Ou seja, o profissional vai trabalhar mais por um valor menor... o que não é adequado, tampouco deveria ser uma opção por falta de trabalho. As vezes ficamos tão preocupados em preencher nossas agendas e ter muitos clientes que esquecemos sobre nossas escolhas e o valor deste trabalho. Nós precisamos lançar as perguntas e encontrar respostas... "um profissional que não questiona já esta fora do mercado", disse-nos um professor durante uma aula de engenharia.
Como queremos ser vistos, ou como nos imaginamos podem ser tarefas difíceis de elaborar e responder. Todas as perguntas devem ser confrontadas em relação a prática, pois a idealização entra em dificuldades com ela, seja por questões econômicas, ou de mercado competitivo, talvez por medos pessoais, questões culturais de um cenário. Há muito para perguntar e estas perguntas devem ser realizadas. Não é possível encontrar o ideal em tudo... não é! O que pode ser feito, muitas vezes, é uma adaptação ao que temos de condições que ligam ideais e alternativas, observando nossas necessidades morais e comportamentais, também nossos gostos. É preciso organizar tudo, como em um jogo para fundir as necessidades de um trabalho com aquilo que nos encaixamos, pois devemos ser naturais em nossa construção. Há um limite para nos impor mudançass! Até onde somos capazes de nos adaptar sem que nos afete o prazer do trabalho? Perguntas assim também devem ser realizadas. Meus objetivos... pois, eu os conheço. Se falo deles para alguém, talvez nem seja preciso. Muitas vezes eles estão estampados em minhas ações. O que somos? O que queremos da fotografia? Encontrei todas as minhas respostas do momento, ou quase! Contudo, respostas são reações de questionamentos, e assim, questionamentos são realizados a todo instante. A verdade é que a gente começa pela intuição... vai na direção do que gosta, percebe os problemas e soluções. Aos poucos, com o exercício, emprega a autenticidade no trabalho, corrige a caminhada, se adapta e atende a necessidade do cliente, mas por vezes se vê obrigado a dizer não. Nem tudo é possível... somos dotados de formato e também temos nossas condições. Eu não fotografo casamentos, nem aniversários, tampouco faço ensaios tradicionais... encontrei minha identidade como fotojornalista, me direciono, talvez, para um fotógrafo documental, ou outras linhas que podem ser pensadas como arte, embora muito distantes disto ainda. A fotografia é livre, possui muitas opções e demandas, também é um mercado a ser explorado. Muitos de nós estão repetindo velhos caminhos esquecendo que há conceitos para criar, há outros olhares para oferecer! Precisamos conversar... com as pessoas, com o mundo, com as coisas no que diz respeito à luz. O que pode ser experimentado? Quero ser visto como alguém que mudou as peças de lugar e que tornou-se este lugar melhor. Como ser lembrado? Pelo que? Quais são os objetivos? Sei cada uma destas respostas... parte delas pertence a minha estratégia e cada um precisa ter uma! A fotografia precisa fazer sentido para alguém!
As ações de questionar, falar e ouvir são essenciais... comunicar-se é que nos liberta no mundo e nos prende uns aos outros, garantindo a máxima eficiência que podemos oferecer.