Quantos são os degraus para aprender fotografia?

Chris Martin flutua entre os fãs. Foto: Roberto Furtado

A longa exposição para obter uma expressão da luz com a
velocidade dos automóveis. Foto: Roberto Furtado
Aprender

      Muitas pessoas pensam que o conhecimento é dominado com o passar do tempo, mas a verdade é que o aprendizado é eterno. Quanto mais aprendo, mais percebo o tanto que ainda preciso aprender... e este tanto é cada dia mais importante. A busca pelo conhecimento é inesgotável... não há limite para aprender! E se tratando de individualidade, mergulhamos em aprendizados específicos nos diferenciando uns dos outros. Não somos melhores que outro alguém, mas podemos estar em um adiantamento em relação aos demais. O caminho do aprender, de cada um, eleva o dedicado aprendiz ao próximo degrau de uma escadaria que jamais terá final. É possível que se o homem pudesse viver mais, carregasse consigo uma carga de conhecimento que um dia se pareça com a plenitude, embora isto me pareça impossível se tratando de conhecimento. E eu resolvi escrever este texto para que meus amigos e colegas da fotografia, pudessem refletir sobre o quanto querem dedicar suas vidas para algo. Há muitas formas de utilizar a fotografia e podemos pensar nela como uma das linguagens mais amplas que existe. Um idioma é compreendido por muitas pessoas, mas a fotografia é compreendida por quase todas! A fotografia é uma linguagem universal! Em meio há temas infinitamente variados, a fotografia se transforma em amor, protesto, memória, causas, diversão temporária ou permanente. E para cada um ela terá uma profundidade, motivação ou importância. 

Degraus da fotografia

       O conhecimento específico de uma ciência é encontrado pelo observador/aprendiz por suas afinidades e necessidades. Para aqueles que fotografam momentos da própria família ou amigos utilizando um celular, sabemos que esta prática pode ser melhorada, sempre, mas com a finalidade objetiva na medida desta necessidade. É importante saber questões de alinhamento, composição e luz de uma forma muito superficial no entendimento de que estes conceitos existem, mas não na profundidade de como ou porquê, exceto se assim desejarem os praticantes. O conhecimento não é uma imposição, cada um vai atrás de quanto precisa e quer. Desta forma se observam amadores altamente qualificados a exercer fotografia, mas que jamais o fizeram por possuir outra atividade profissional. Ser amador ou ser profissional não define grau de conhecimento, mas a persistência e profundidade no assunto são determinantes. Como linguagem tão ampla e importante para nos conectar com o mundo, podemos compreender que todos nós sabemos um pouco sobre a imagem no papel de observadores e na medida em que nos interessamos, passamos a produzir algo nesta linguagem para oferecer aos outros observadores nossa expressão. Ideias ou mensagens são ofertadas através de fotografias, assim a imagem é utilizada por tantas formas da comunicação... pelo jornalismo, publicidade, arte, etc. No nível mais abrangente utilizamos o poder descritivo da imagem para contar como foi nosso final de semana ou rotina de trabalho, talvez um encontro inesperado através de uma selfie. A fotografia pode ser explorada conforme o objetivo. O conhecimento depende disto... de quanto precisamos aprender sobre fotografia. Podemos melhorar nossas imagens de domingo em família, podemos registrar casamentos, podemos vender mais um produto com uma imagem influente ao consumo, talvez conquistar alguém ou contar uma superação. Não há limite ou obrigação, se tratando de fotografia cada um encontrará sua profundidade ao seu tempo. Os degraus são diferentes para cada um e não importa quantos você subiu... importante é que esteja satisfeito onde estiver com o que tens naquele momento. 
    Dentro da universidade, na graduação de fotografia, pude perceber que a diferença entre os acadêmicos é um abismo. Somos tão diferentes uns dos outros para pensar, sentir e nos relacionar, que a manifestação fotográfica possui tendências incrivelmente variadas. Isto nos faz pensar que há alguém mais apto para tal produção fotográfica e que jamais estaremos concorrendo uns com os outros, embora esteja o mercado cada vez mais exigente e competitivo. Cabe lembrar que o nível de conhecimento e/ou aprimoramento criativo se difere em cada um, seja praticamente ou como observador, e que esta percepção é responsável pelas escolhas. Assim, clientes em potencial, muitas vezes, precisam ser orientados pelo profissional, pois não é obrigação deles entender de fotografia. É papel do próximo, nas relações entre profissional e consumidor, ser compreensivo, atencioso e paciente, favorecendo o resultado destes trabalhos.