Perspectivas sobre o mercado fotográfico 20.11.2018

Disciplina de Fotografia em Cores 02/2018

Profª Elisabete Teixeira / Aluno Roberto Furtado

Pesquisa: Perspectivas sobre o mercado fotográfico

O segmento corporativo é uma aposta na continuidade, possuindo desafios de inovar e criar imagens que contem histórias das empresas através de revistas e jornais internos, também para utilizam em pautas externas sobre o investimento destas empresas em tecnologia e recursos humanos. Foto: Roberto Furtado / Revista Vide Bula

Renan Costantin aposta no mercado
da publicidade e no corporativo.
Foto: Roberto Furtado
O mercado de trabalho é visto com receio quando o assunto nas rodas de conversa entre os profissionais da fotografia. As variações do mercado são notadas pelos profissionais antigos e experientes, mas também são vistas com um grande desafio para os jovens e recém chegados ao mercado. A estrada do mercado da fotografia é marcada com bons e maus momentos, com o fechamento de grandes estúdios e abandono do ofício por parte de profissionais reconhecidos no mercado. Um mercado que sofreu com a crise mundial, também com a evolução do filme 35mm para o sistema digital. As crises econômicas atuam diretamente na decisão de investimento do consumidor aos trabalhos do profissionais, mas há formas de observar esta grande dificuldade. Enquanto alguns profissionais costumam manter uma linha de trabalho sem alterações, outros entendem que é preciso investir em si mesmos, inovar dentro da proposta de trabalho e gerar mudanças para cativar o cliente. Para Renan Costantin: 

"A fotografia é uma ferramenta de grande importância para as empresas, portanto é preciso adaptar-se e seguir as tendências de mercado, oferecendo algo sempre atual ao cliente. Não podemos passar 10 anos produzindo o mesmo resultado! Devemos observar, evoluir e surpreender o cliente com a intenção de alcançar não apenas o cliente, mas também o que ele busca com este investimento. Investir em fotografia é desejar um retorno para um negócio!" 

Observando a posição de Renan, entendemos como alguns profissionais perdem ou ganham mercado. Muitos profissionais esperam que a continuidade do trabalho seja suficiente para manter o mercado, mas isto não acontece. Assim como Renan, alguns fotógrafos interagem com a necessidade do cliente para que seus trabalhos sejam necessários e atuais, desta forma eles mantem o mercado e criam o interesse de outras empresas no trabalho. Enquanto outros apenas apostam na continuidade, sem inovar, reduzindo o fluxo de trabalho e o faturamento, profissionais como Renan encontram a luz no caminho, tão importante para a fotografia e para a sobrevivência neste mercado concorrido. E se falarmos em mercado concorrido, não podemos deixar de falar que as crises econômicas e a onda de demissões geram redirecionamento de parte de profissionais de outras áreas para a fotografia. Quem nunca ouviu antes as frases: "Comprarei um automóvel e farei uber!", "ou farei um cursinho de fotografia e fotografarei aniversários para fazer uma grana!" Questões como estas colocam profissionais no mercado e desafiam os antigos e dedicados. 

Rogério Silveira atua há muito tempo
no mercado da moda e publicidade e
observa as mudanças com atenção.
Foto: Roberto Furtado
Outra questão importante sobre estes desafios da fotografia e o mercado foi a mudança do sistema de filme fotográfico para arquivo digital que gerou impacto no mercado nos últimos anos. A verdade é que o mercado cresceu, mas também se popularizou, entregando ao mundo câmeras fotográficas digitais automáticas que apresentam bons resultados sem nenhum conhecimento. Assim, clientes em potencial desapareceram, aproveitando-se da qualidade das imagens e do baixo custo. A verdade é que este perfil de cliente não compreende tão bem a questão da qualidade profissional, que traz criatividade aos trabalhos, não apenas nitidez. Em muitos casos, também podemos observar que economizar é mais importante para uma grande maioria. A recordação e o resultado são percebidos e lamentos ao longo do tempo, mas isto é uma questão de construção deste olhar sobre a fotografia. É possível que em alguns anos as pessoas vejam estas faltas de fotografias através das imagens perdidas dos arquivos, levadas pelo tempo em algum dano de HD de servidor ou mesmo perdas de usuários em bancos de imagens (nuvens). Fotografias devem ser impressas... assim como negativos, arquivos digitais se perdem, provando que a fotografia impressa é a melhor garantia de uma recordação existir no futuro. 
O trabalho com fotografia é uma constante luta por conhecer, aprender e se relacionar com o meio que possa contratar o profissional. É praticamente impossível se manter em qualquer mercado sem que exista uma evolução do profissional em relação a evolução da tecnologia e tendências de mercado. É preciso ser especializado, mas é também preciso conhecer outros mercados. Rogério Silveira, fotógrafo de moda e publicidade, percebeu esta necessidade para crescer há muitos anos atrás:

"Em dado momento, percebi que era preciso experimentar e observar outras áreas. Foi então que tentei "resetar" o que eu entendia de fotografia, que era basicamente voltado para o fotojornalismo, e fui trabalhar em um grande estúdio especializado em publicidade. Lá, o fotógrafo chefe, me disse para esquecer tudo que eu via no jornal e ficar aberto para uma nova fotografia. Aprendi muito e passei a trabalhar neste segmento desde então!"

O interessante nos depoimento de Renan e de Rogério é que ambos estão no mercado há algum tempo, mas embora tenham encontrado condições de trabalho e momentos diferentes, perceberam que o caminho para crescer e superar estava em uma observação de como as coisas iam acontecendo. O mundo é dinâmico, prático, mas ao mesmo tempo exigente. Rogério é do tempo da fotografia com filme fotográfico, e Renan já começou na fotografia digital, ambos perceberam que a fotografia era um negócio, embora estivessem ligados a prática pelo amor a fotografia. Eles mantiveram o foco no trabalho, na necessidade de seus clientes e não no que eles entendiam sobre fotografia. Manter-se aberto, como eles fizeram, permite que o fotógrafo esteja preparado para encontrar todo tipo de mercado e adaptar-se ao novo.

Quando comecei a fotografar encontrei um mercado em mudança, era justamente o momento em que a fotografia com filme fotográfico sucumbia para o sistema digital. As grandes produções de moda ainda eram realizadas com câmeras de médio formato e/ou câmeras de grande qualidade para ampliações. A qualidade das digitais não profissionais ou semi profissionais era tão ruim que só era possível trabalhar com flash e ISO baixo. Então para trabalhar era preciso investir mais ou ficar girando em trabalhos de baixo valor. Aos poucos, as câmeras ficaram melhores e com propostas de valores mais de acordo com o mercado. O ISO melhorou muito nas profissionais, especialmente nas câmeras full frame, permitindo produzir alguns trabalhos com baixa luminosidade, que trouxe também uma boa forma de explorar luz e sombra sem ter tanto problema de ruído. Vantagens que a tecnologia vai apresentando no decorrer do tempo. Estas vantagens devem ser observadas, inclusive, para mudarmos a linha de trabalho. Toda inovação desperta interesse do público. Nos mercados existentes da fotografia, todos eles se percebe a necessidade de inovar e o resultado que se apresenta com esta mudança. Fixar-se no mercado é uma questão de olhar para o mundo e não pensar apenas em fotografia.


Referências

https://www.lightstalking.com

https://www.dpreview.com

https://fhox.com.br/