Na direção certa...

Tempestade de raios nas imediações do Farol da Solidão, RS, em 2019. Foto: Roberto Furtado
Algumas vezes sou questionado sobre o escrever... não sei exatamente do motivo sobre escrever, tampouco quando comecei e o que pensava quando o fiz a primeira vez. Escrever foi algo natural... como falar, como olhar para algo e fotografar, impulsionado por algum gatilho, reação em cadeia! Não sei... há muito sem resposta! Certa vez conclui, e já escrevi sobre isto, que muitas das respostas são realizadas apenas para que uma fração seja respondida. Acho que é assim mesmo... e o escrever é também uma necessidade do autor, que na verdade é um vivente como qualquer outro. Busca-se uma resposta para alimentar a continuidade, talvez uma paz, talvez um amor... seja o que for, sempre se torna o próximo degrau, pergunta ou resposta! Na companhia de dois amigos... vi o mundo entardecer. Ainda perguntei para a esposa deste amigo com quem fui de carona: "Temos hora para voltar? Eu queria fotografar o anoitecer, para estas imagens da longa exposição!" 
Me tornei um praticante da fotografia com tempo maior... me apaixonei por algo que talvez seja nada mais que o próprio mundo visto em outra proposta de captura. Os lugares são os mesmo, as pessoas também, mas a ausência do rei sol me permite explorar outras luzes... e a luz das tempestades passaram a ser minhas preferidas. É um desenho que se cria entre nuvens e raios, também sobre os objetos e cenários parcialmente iluminados. É engraçado como meu mundo se transforma naqueles minutos... são pequenos espaços temporais que me mantem focado como se estivesse em um espaço dimensional diferente, livre de qualquer interferência que esteja a dois metros de mim. 
Olhei para o horizonte e vi que um raio caía... então fiquei olhando, e outro foi despejado no mesmo lugar. E então outro... e eu fiquei pensando sobre aquilo do raio não cair no mesmo lugar. E como continuou numa sequência... pensei em mostrar que dois ou três poderiam aparecer na mesma imagem. Dispondo apenas dos máximos 30 segundos de exposição, armei o tripé, calculei a fotometria e fiz uns testes para vez como ficava. A lente era bastante angular, mas era exatamente o que eu queria... imensidão! Então... em um dos disparos consegui aprisionar o feito da tempestade, dois raios quase juntos que tocavam o solo e as nuvens. Alguns quilômetros mais ou menos... estava o farol da Solidão, visível na imagem ampliada, a esquerda dos raios. Uma pequena luz que orienta os pescadores, navegadores, também aos poetas... 
A direção certa é uma referência como o tempo e o espaço... sorte? Também... o que define sorte? Aprendi que perguntas são feitas para que possamos responder algumas e para engavetar as demais. Perguntas guardadas se juntam a outras, também ficam em espera pelo melhor momento. É possível que uma pequena quantidade seja respondida, a outra de forma alguma, mas como dia aquela letra dos engenheiros: "...a dúvida é preço da pureza e é inútil ter certeza..." E com pensamentos me vou aos ciclos, de ter um ofício que me faça razão, um hobby que me dê alguma ilusão, também pensamentos para que eu possa ser um pouco melhor que o dia anterior. Não consigo deixar de pensar na minha mãe, família e amigos... coisa boa ter vocês, que especial!