Ele era topógrafo...

Sobremesa - Produção fotográfica e fotografia: Roberto Furtado, 2019.
Quando chega esta época do ano fico a pensar no meu avô... de alguma forma, consegui não guardar a data de partida, mas não esqueço a época do ano. Lembro que eu estava no fim de um semestre de engenharia... As palavras dele foram sempre muito marcantes para mim. E sei que ele queria estar próximo de muitas histórias que eu veria... lembro de coisas simples, como nossas idas ao supermercado, a pé, um ritual para ele depois da aposentadoria, na busca do café e pãozinho da tarde. Ele sabia a hora que o pão estava novo! Uma das vezes, paramos na avenida Teresópolis, reparamos na obra que transformaria aquela avenida na terceira perimetral, hoje, ela parece uma avenida antiga para os jovens nascidos no final da década de 90, mas ela é uma obra deste século. Ele olhou pra obra e me disse: "Estou louco pra ver isto pronto!" Não viu... Ele gostava destas coisas por passar a vida toda trabalhando nisto, ele era topógrafo, mediu muitas estradas, canais, propriedades... trabalhou em obras importantes. 
Ele foi a minha referência... Hoje, encerrando mais um ciclo, inevitável pensar nele, também por ser esta época do ano que ele se despedia. Em memória a ele, faço meus pensamentos, como se fosse uma prece. Pra que tudo continue calmo e bom nos próximos ciclos. A fotografia... bom... foi meu último trabalho acadêmico na graduação. Uma produção de sobremesa, luz de janela + luz de iluminador de led, com tripé, 2 segundos exposição. Montado por mim, fotografado por mim, tratado por mim, e deveria estar bom. Não sei... dei para o meu irmão, pois faz duas semanas que não corro meus 5 km de cada dia. 

A paz de um fotojornalista...

Cânion Fortaleza, 2019.
Separar o olhar profissional dos pensamentos pessoais é impossível, claro! Nesta caminhada de reflexões foi preciso paciência... ir e vir, voltar, caminhar outra vez, mudar as parcerias, estudar, dizer não para muita coisa! Foi preciso viver pra entender... o que existia e o que existe, também do que depende. Hoje sei o significado... de saber a hora de parar de fotografar algo belo e apenas observar. O processo de presenciar algo fantástico não pode ser superado por uma fotografia ou video, mesmo que espetaculares. Viver um momento e ser testemunha em tempo real, muitas vezes, traz com esta experiência uma oportunidade e contexto que jamais serão passados ou interpretados pela captura. Não existe fotografia perfeita, não existe video perfeito... perfeita é a vida em tempo real! Durante toda minha estrada guardei algumas informações que foram processadas pelos 43 anos que ganhei de presente. Aqui, nos últimos quatro dias convivi com outras pessoas, em cenários e situações que já havia vivido antes... borboletas, flores, cânions, natureza vibrante! Uma de minhas interações era um menino curioso de oito anos que a cada novo cenário lançava suas perguntas. Questões muito simples ou mesmo questões geniais, que nós, adultos, esquecemos de alimentar pelo passar do tempo. Deixamos para trás nossos olhares da pureza e da imaginação... perdemos com o tempo. Ao perceber como foi produtiva uma convivência carregada de outro olhar, percebi o quanto fui enriquecido, como adulto, como profissional. Todo olhar do homem se transforma em carga para o seu trabalho... E parecendo não estar tudo relacionado, como antes pensava, descobri que entender isto se transformou em paz para mim, como fotojornalista, também.

Liberdade é um post sem nome!


É comum pensar em sair por aí... a liberdade nos tenta! O Diário do Andarilho foi um natural ajuntamento de palavras e imagens. Não imagino ter tanto para expressar e manter isto aprisionado... também tenho sede de sair por aí justamente para alimentar isto. E não consigo entender quem pode desbravar um horizonte e fica sentado na cadeira ou numa cama quente. O frio, também o calor, pede uma aventura... que saia, vá ver o que tem logo depois do conhecido. Assim, como todo viajante e aprendiz... não fomos feitos para ficar em caixas fechadas, fomos feitos para subir em carrinhos de rolimã no topo de uma ladeira! A combinação estudo e trabalho é uma opção temporária... não há tempo para ir quando se combina duas atividades. E ir é fundamental... esta entre linhas ou explícito em páginas de Amyr Klink, Saint-Exupéry, Richard Bach, dentre outros notáveis viajantes do espaço e tempo. Em uma contagem regressiva, o que realmente queria... prestes a surgir! Ambiciono, nem que seja por uma semana livre da espera e do aprisionamento de algumas horas, um real direito de ir e vir. O telefone não vai tocar durante sete dias, nem aula haverá, ou tarefa para honrar... será, por todo direito, uma breve pausa com enriquecer de horizonte. Um lugar onde as linhas se juntam... do horizonte entre chão e céu, com direção ao infinito e distante da estrada que não termina, talvez nuvens que colidem com o chão. Um feixe de lanterna, um iluminar das estrelas... talvez sons de automóveis que surgem e somem no silêncio da noite. Há muita coisa para imaginar quando se quer... mas eu não consegui pensar em um bom nome para este post. Então... decidi que chamaria, simplesmente, de liberdade!

Caminho bom...


Outro dia caminhava com os pés machucados pelos dias de trabalho e refletia sobre a estrada que eu estava... uma estrada de chão batido, bem úmida, com mosquitos em fartura! E tinha este sol querendo passar pela serração baixa. Trabalhei com os pés molhados por alguns dias seguidos. Tinha dores do excesso de caminhada e bolhas, mesmo que fosse um corredor, senti isto. Já acho que correr 10 km com os pés secos é sereninho. Foi dureza todo aquele caminhar... mas estava feliz, muito feliz. Por ter trabalho, por fazer o que gosto, por ver que fazendo as coisas do jeito certo dá pra acontecer. Aprendi muita coisa... aprendi que devemos fazer escolhas pelo caminho. Trabalhos e pessoas devem ser deixados para trás quando não acrescentam... pode ser duro, mas é preciso! Isto faz parte do caminho... sofrer fisicamente ou mentalmente é uma construção continua e de muito valor. Este dia marca a última mensalidade da faculdade que estou concluindo! Administrar trabalho e estudo é difícil... é mesmo! A minha sorte é que me planejei e não deixei o TCC para o final... fiz antes! Pra não ter o peso que teria o final do semestre. Durante o caminho olhei para todas estas questões com desconfiança... se teria feito as melhores escolhas. Agora, parei para olhar de outro ângulo. Olhei para trás... e vi uma etapa concluída. Que marca muita coisa... e só eu sei quanto isto representa. Representa liberdade... crescimento profissional e espiritual! E foi nesta caminhada que eu ouvia o som do solo com o pisar dos meus pés doídos que refleti sobre tanta coisa... e vi esta imagem e pensei, "colocaram isto aí pra mim, agora, pra eu fotografar! Afinal, sou um fotógrafo..." e sou também um redator, sempre fui! Fui e passei por várias provas de fogo... cheguei aqui, com cicatrizes e dentes quebrados, ombro totalmente luxado, pernas e pés cansados. Eu virei um corredor da vida... um fotógrafo / fotojornalista, de bom humor e vida leve. O céu é o limite e eu sempre fui assim... muito forte. O restante do caminho vai ter que ser mais duro que eu... ou não vai ser páreo para mim!

Agradeço aos participantes da minha caminhada, todos! Em especial aos que tiveram paciência, carinho, cumplicidade. 

Comunicar-se

Um caminhante pela noite, sob o céu de Cambará, 2019.
O que há de mais notável na escrita é que a prática leva a gente a uma evolução, mas mesmo com este aperfeiçoamento ocorre a fixação da característica do autor... a evidência da personalidade. Quanto mais escrevemos, mas fácil é começar... um ponto de partida seria a maior dificuldade dos que se aventuram em expressar-se? Talvez, mas a prática parece permitir que adentremos nos assuntos com maior facilidade. Ao mesmo tempo que parece fácil falar desta forma, não seria tão simples assim ganhar a atenção do leitor. E aí surge a pergunta sobre para quem escrevemos... para quem? Bom, acho que na verdade escrevemos para nós mesmos, tentando ser claros para que ocorra uma conexão nossa aos demais possíveis leitores. Talvez estejamos procurando por afinidade com pessoas, algo que nos faça parecer mais sociáveis, pois autores vivem algum tipo de solidão ou solitude. A escrita é uma forma de comunicação, talvez a dificuldade em lançar palavras no tempo real seja driblada por autores através de linhas e conjuntos de palavras. Cada vivente encontra um caminho para ser "ouvido"... comunicar-se é uma questão de reconhecer-se e externalizar o conteúdo.

Olha pra ver...

Céu de Cambará, 2019.
Fazia algum tempo que eu não me aventurava por aqui... passei a escrever coisas curtas nos stories do instagram e, com isto reduzi as investidas do escrever aqui no blog. Também percebi que ando pensativo com certas coisas não tão importantes, e outras praticamente desapareceram do meu caminho. Talvez o blog fosse como uma válvula de escape para tudo que eu tinha na mente que ficava pulsando e tentando sair de dentro da cabeça. De alguma forma entendi muita coisa nos últimos três anos... não apenas conheci os meus valores, mas também me aprimorei numa velocidade muito maior de tudo que havia vivido antes. Muita coisa me fez bem... talvez, por isto, tenha escrito menos. Escrevo menos, mas ainda escrevo, como se estivesse com ideias mais limpas, mais direcionadas. Lutei muito pelas pessoas que queria ter na minha vida... hoje, aprendi uma coisa importante. Elas ficam se quiserem... não importa quanto esforço seja empregado. E vale pra gente também... a gente dá mais valor pra quem valoriza, mas isto também não segura a gente. É uma estrada com duas mãos, dois olhares, tem que procurar a outra perspectiva pra entender o outro... olha pra ver! Muitas coisas mudam, mudaram e mudarão... temos dificuldades em aceitar o fluxo de pessoas, mas a verdade é que elas pertencem ao fluxo. Vão e ficam de acordo com o vento e esforço delas para permanecerem próximas de vc... foi legal como muitas pessoas vieram, também é legal como muitas se vão, embora seja difícil sempre em aceitar a partida. A gente associa com perda... mas não é! Perda acontece quando as coisas acabam mal... aí fica aquele lance chato, de parecer que o afastamento tem motivo, um tipo de fracasso. Eu, depois de entender isto, sempre tento conversar... tento ser compreensivo, tento ser paciente, tento entender, tento dividir a responsabilidade. Dividir a responsabilidade é que faz a gente saber quanto é importante e quanto o outro importa... duas mãos, dois olhares, dois sentimentos, duas mentes, olha pra ver! Se o jeito é a partida... que seja, sempre valeu, sempre vai valer, cada momento compartilhado faz parte de uma bagagem do que somos!

Empreendedorismo é uma questão de fazer

Arroio Dilúvio junto do Guaíba, por do sol da cidade de Porto Alegre. Foto: Roberto Furtado
Este texto é um trabalho para a disciplina de Empreendedorismo (EAD).

A verdade é que o presente momento é bastante desafiador. Ao entrarmos em uma fase de grande concorrência devido as demissões coletivas e frequentes da indústria e do comércio, nos deparamos com uma série de questões difíceis de lidar. Dentre elas podemos apontar esta concorrência de mercado e profissionais desesperados para fechar negócio. Logo, este é um problema que derruba o valor do trabalho dos profissionais autônomos. É possível contornar algumas dificuldades, explicando aos solicitantes do trabalho que há uma questão de qualidade, comprometimento e outras vantagens existentes nos profissionais que cobram um valor maior. É importante que fique claro, que em muitos casos pode não haver um motivo para se cobrar um valor maior, mas em outros há. O trabalho com custo elevado pode ter um motivo importante, como investimento em equipamento e estrutura de melhor qualidade. Aliás, investir e oferecer mais... isto é empreender! As dificuldades presentes do momento pedem um bom jogo de cintura, uma inovação, uma metodologia persistente e eficaz. Não é garantia que isto traga resultados esperados, mas é um caminho para diferenciar um trabalho de todos os outros. As políticas públicas precisavam ser mais favoráveis, pois sabe-se que empreender no Brasil é sinônimo de enfrentar burocracia, tributações elevadas, sem contar com a pressão piscológica que vive o cidadão, seja empregado ou autônomo, pois as redes sociais e os jornais estão sendo bombardeados, quase que diariamente, com notícias pessimistas sobre o mercado e a estabilidade da economia. Com estas especulações nota-se a variação da bolsa de valores, instabilidade em combustíveis e outros consumíveis que resultam em alterações dos valores de mercado. Por este motivo seria bastante importante o Estado oferecer um cenário estável para que o empreendedor encontrasse condições favoráveis... bem, agora chegamos na questão. Temos condições favoráveis? Não, não temos... e o que podemos fazer? Podemos trabalhar com esta condições e criar alternativas para que possamos nos desenvolver dentro deste cenário. Partindo do princípio que a maioria dos profissionais não faz isto ou esta acomodado usando alguma receita de bolo, precisamos perceber o que há no mercado que não esta sendo atendido ou algo que possa a vir ser consumido por esta população (nosso alvo). Falando de profissionais de fotografia (meu curso), penso que devo oferecer algo incomum, pois se eu oferecer o que todos estão fazendo, precisarei trabalhar na faixa de valor que os demais estão fazendo. Então, se eu criar algo novo, como um pacote de fotografias com estilo diferente e com algum tipo de "vantagem" ao olhar do cliente, possivelmente vou conseguir conquistar esta venda. É desta forma que vejo empreendedorismo... eu vejo o ato de empreender como um ato de me fazer necessário, de me adaptar e ser quem esta ali pra atender o cliente. Empreendedorismo é uma questão de fazer, fazer a diferença!