Capa... primeira impressão!

Revista Bicicleta, Brasil, 2013
Na Revista Bicicleta consegui colocar muitas das minhas intenções em prática. Consegui fotografar e até mesmo escrever como eu gostaria. A capa de uma revista é uma ambição para muitos fotógrafos do jornalismo, pq eles sabem que a capa é detentora de todo um conjunto de obra, normalmente matéria(s) principal da edição em específico. Por três vezes eu vi minhas fotografias em uma capa, mas esta foi a que mais gostei... fui também o autor da matéria sobre fixas. Normalmente o repórter fotográfico se limita a apenas fotografar. Escrever é um ofício mais amplo... mas quis a vida que fosse assim, lei dos homens, onde fotojornalistas podem escrever apenas "eventualmente". Mal sabe a lei dos homens que escrever é uma vocação... e possuir o conhecimento para expressar é uma arte para poucos em cada campo. Um jornalista que me entrevistou dias atrás, perguntou: "Mas você escreve também? Sendo repórter fotográfico..."
Respondi com firmeza, mas com humildade: "Se eu não escrever este assunto, quem vai escrever? Você conhece algum jornalista capaz de escrever este assunto sem que possa ser corrigido pelos conhecedores do assunto?"
Então, ele reforçou uma pergunta que antes para mim já seria evidente: "Você entende de bicicletas, muito mesmo?"
Confesso que fiquei um pouco incomodado, mas respondi: "Desculpe-me se pareço arrogante com o que vou dizer, mas não conheço colegas no Brasil que sejam capazes de escrever o que sei. Evidentemente, minha formação não concluída de engenharia mecânica, certamente contribuiu muito para meu enriquecimentos profissional... e isto não se aprende em jornalismo, se aprende em engenharia!"
O fato de um profissional não ser formado em jornalismo não significa que ele não tenha conhecimento suficiente ou superior para escrever sobre um determinado assunto, existe até mesmo uma lei que garante este direito, do ano de 1978, se não estiver enganado. Jornalistas são transmitidores de notícias, eles podem se aprofundar, mas raramente poderão falar sobre determinado assunto de forma melhor do que aquele que domina um assunto. Escrever é um dom... talento! Não tem faculdade no mundo que tire este adjetivo da outra pessoa pq vc fez uma faculdade! "Nunca esqueça isto... seus atributos não anulam atributos alheios!"
Fico perplexo quando alguém insiste em duvidar da capacidade alheia simplesmente pq ocorre uma diferença de formação entre vc e este alguém. Ao fim deste capítulo eu falei ao colega, sou repórter fotográfico, eu nasci para isto, meu registro profissional esta aqui, sou sindicalizado e escrever é algo que nunca ninguém vai poder impedir... é inevitável, pois escrever é complemento da imagem!
Acho que não consegui criar uma impressão positiva, o que certamente resultou no meu "descartamento" como opção para uma vaga de profissional, mas nem tudo deve ser como as pessoas acham ou querem!

Surreal

Porto Alegre, RS, 2013.
A interpretação é subjetiva... eu jamais pensei em realizar uma fotografia para criar contestações sobre a construção do assunto fotográfico, mas muitas vezes isto se torna inevitável. A arte se mistura em qualquer forma de produção autoral... onde vc coloca suas considerações, experiências e forma de pensar, mesmo que seja sobre uma pintura ou fotografia, então acaba gerando uma forma artística de descrever o assunto. Muitas vezes a realidade sai de um contexto de viabilidade existencial, isto pode ser também chamado de surreal. Afinal, o que quer dizer a imagem que representa uma pé, um cachorro e uma fonte luminosa? Poderia ser um elo de luz entre humanos e caninos? Sim, talvez... 
O branco e preto também gera algumas propositais influências da reflexão, normalmente remete a nostalgia, passado, ou incertezas. 
A verdade é multifacetada no campo fotográfico... eu diria que é preciso experimentar, avaliar, intencionar algo! Criar um impacto, reflexões, também atingir um máximo pessoas, pois a linguagem tem tal finalidade. Soltar informação no vento permite a disseminação de reflexões transformadoras. Obviamente isto é um pensamento idealista, onde é claro meu desejo de uma mudança para nosso futuro, seja político, econômico, também cultural. A educação do brasileiro esta nivelada ao chinelo de dedo... é surreal querer um país melhor nestas condições tão pertencentes ao perfil américa latina. Antes que alguém pergunte ou pense... eu estou realmente sóbrio, não bebo, não uso qualquer tipo de droga, apenas uso o que tenho logo abaixo do cabelo! Cabelo escasso, bem verdade... 

Ponto de vista

Las Vegas, USA, 2013.
É estranho pensar nas situações do cotidiano do Brasil e comparar o mesmo perfil que se vê nos Estados Unidos. O que pode ser dito é que lá o dinheiro gira... o solicitando do trabalho paga muito pelo trabalho e o valor retorna para ele. Fato que se comprova com os ciclos e abundância de trabalhos. Têm menos profissionais lá do que no Brasil? Não, pelo contrário... têm mais! O que acontece? Não sei ao certo, mas me parece que o dinheiro gira melhor. No Brasil o empreendedor gosta de fazer a conta de quanto não pagou por serviços de terceiros... nos EUA um empreendedor do mesmo segmento faz uma conta diferente, de quanto dinheiro retornou no fim do balanço. Eu não sou especialista financeiro... não tenho experiência de economia para afirmar isto. Só o que posso dizer é que no Brasil os profissionais liberais da comunicação, a exemplo da fotografia, trabalham para fazer volume... nos EUA, trabalham pra fazer qualidade. Isto pode ser compreendido facilmente por um profissional de área qualquer. Se vc trabalha por qualidade, significa que não precisa preocupar-se com volume... faz volume quem trabalha para um mercado pobre ou despreparado, e faz qualidade quem nem tem preocupação com o resultante arrecadado. Ou seja, profissionais de países de primeiro mundo trabalham com materiais melhores, mais tranquilos, fazem o retorno aos seus clientes... já no Brasil, 20 reais é motivo para choradeira. Se fala em crescente economia, mas se esquece que para que a economia cresça é preciso que o dinheiro gire. Gire de verdade... empreendedor que faz poupança é um exemplo clássico de que apenas suga o sistema, preocupado apenas com o imediato rendimento. Ponto de vista é algo que nos faz pensar... eu penso um pouco! Vc sabe quando este país vai sair deste modelo assustador?

Pra ver o mundo... sexto sentido?

Sapiranga, RS, 2013.

Itaara, RS, 2012.
Algumas pessoas já disseram para mim em determinadas ocasiões: 

"Tu estava no lugar e na hora certa!"

Devo concordar com parte da afirmativa, pois se vc não estiver lá quando o assunto acontece, então ele jamais poderá ser visto por você. A verdade é que muitas coisas acontecem diariamente, porém insistimos em não ver as coisas. Somos doutrinados a não ver! Sei que o olhar tem muita relação com o talento fotográfico, que é uma expressão visual, mas olhar é algo que pode ser alimentado. Se vc tem observação pode ser fotógrafo, olheiro, consultor, assessor, etc. Esta atividade da observação não se resume a uma única profissão...
Aliás, pra ser repórter fotográfico tem que ter um algo mais do que ser fotógrafo, como já disse pelo menos umas 100 vezes. Hoje em dia eu não tenho o medo ou receio da substituição que assombra a muitos colegas... eu seio que sou único, assim como conheço vários colegas insubstituíveis no mesmo ofício. Todos nós temos habilidade diferentes... percepções, conhecimentos e interesses diferentes. Fotografar é o ato de apertar um botão... mas a máquina jamais fará tudo por vc. Se o repórter fotográfico não souber avaliar ou descrever um acontecimento, então ele não é um bom jornalista... ele é apenas um fotógrafo, e nem merece o título de função específica! Penso e vivencio uma série de situações... mas eu sempre digo. Se vc quiser saber exatamente o que aconteceu, pergunte a um repórter fotográfico. Mesmo que ele não estivesse no local no momento do incidente, ele vai falar com as pessoas, observar os fatos, presenciar uma trajetória histórica que vai trazer a verdade ou quase. Ser um vivente com boas noções de física, química, também um excelente observador é 85% de um repórter fotográfico, pq o mundo é feito destas ciências. Ciência é o ato de experimentar, degustar, ter capacidade de avaliar... você pode cheirar, tocar, perceber, então pare, olhe e escute! Eu diria que o repórter fotográfico possui um sexto sentido, isto faz dele diferente de outros profissionais... o repórter fotográfico é um predador! A presa é o assunto... a espada é a máquina fotográfica!

Primata... eu vi você!

Bugio, na Granja Armadilhas, Itapuã, Viamão, RS, 2014. 
Bom... vou começar pelo que mais importa! Passei um dia ótimo, domingo de diversão e trabalho! A galera do downhill daqui de Porto Alegre foi sensacional. Turma amiga, me ajudaram, foram meus parceiros de diversão neste local muito bonito. Itapuã pertence ao município de Viamão, e é um paraíso próximo da Lagoa dos Patos. Enquanto eu fazia a trilha junto de um dos rapazes, percebemos a movimentação nas árvores e vimos os autores... primatas! Dois bugios caminhavam sobre as árvores e nos olhavam atentamente. Fiz esta foto para que ficasse o registro para a galera que não viu... e para quem não estava lá. Quem não foi, infelizmente perdeu... teve chuva, teve sol, teve primatas, teve churrasco, teve muita história e diversão. 

Da primeira postagem ao arco-íris...

Porto Alegre, RS, 2013.
Da primeira postagem para cá tive algumas surpresas de visitação no Diário do Andarilho... eu fico aqui, tentando juntar os fatos sobre o efeito da busca, interesse das pessoas, ou outro motivo que interfere nestes resultados. Não importa muito se a visitação é baixa ou alta, pq diferente de tudo que andei fazendo, agora me importa que estou falando sobre tudo, todas as coisas... de um perfil informal, talvez em alguns casos de forma mais jornalística, mas sempre de acordo com o meu interesse. A primeira postagem utilizei uma foto de um pôr do sol com chuvisco e na direção oposta tinha este belo arco íris que fiquei devendo. Agora tá na mão... e pra facilitar o entendimento, segue o link da postagem em questão: 


Por aí... reflexões de um repórter fotográfico!

Itaara, RS, 2012.
A grande vantagem de ser um repórter fotográfico é poder desfrutar de cenários de locais distantes da morada. Algumas vezes me deparei com estes porquês, pois evidentemente este ofício é pouquíssimo reconhecido financeiramente, embora de extrema importância. Se ocorre alguma desvantagem, o outro lado da moeda é impagável. Presenciar cenários como este é um privilégio para poucos... tanto, que muitos tentam fazer. Obviamente, nem todo fotógrafo ou pretendente a tal oficio é um repórter fotográfico. A atividade diferencia um profissional de outro... pode ser um enquadramento, descrição de uma história em um único frame, também o manuseio de equipamentos bem mais complexos que estes que invadiram o mercado, denominados de semi-profissionais. As digitais superzoom e as reflex de corpo de "plástico" invadiram o mercado fazendo um penca de pseudo profissionais, certamente que eles não sabem lidar com a situação, pois deste pseudo ofício não surge sustento, jamais. Ser um profissional passou a ser na minha visão, um ofício que exige um equilíbrio muito grande entre vida pessoal e vida de trabalho. Onde vc será mandado a lugares distantes, muitas vezes para ganhar um mínimo e ainda por cima parecer equiparado a outros que estão a seu lado, mesmo que vc seja registrado como jornalista de função específica, mesmo que seja sindicalizado, mesmo que seu trabalho esteja anos luz a frente dos paralelos. A verdade é que se trata de um ofício que exige de conhecimento de física, onde o autor é também autodidata e paciente, também incansável na busca do aprimoramento. Eu encontrei uma paz de espírito muito grande depois de anos de trabalho... são horas de reflexão, aproximadamente 200 eventos esportivos. Digamos que já não sou mais um "guri", talvez eu esteja próximo de me tornar um "monstro" da fotografia que sempre sonhei em ser. Ainda não... ainda tenho chão pela frente, mas estou cada dia mais próximo. Tenho somente a agradecer a todas as oportunidades passadas que são tijolos de minha construção. Como sempre disse no Bikes do Andarilho, no fechamento de cada postagem, "Roda pra frente..."

Tranqueira em Porto Alegre

Avenida Nonoai, Porto Alegre, RS, 2014.
Engarrafamentos em Porto Alegre não são mais novidade... isto é assim todos os dias! Não estaria na hora de tomar providencias para a redução de veículos nas ruas em mesmo horário? Seria necessário piorar, aumentar o consumo de combustível para que então fosse tomada medida de solução? Enquanto isto... ciclistas são atormentados todos os dias no trânsito de um Porto nada Alegre. 

Olhe sempre para o céu...

Ninho das Águias, Nova Petrópolis, RS, 2014.
Algumas vezes estamos tão focados em uma tarefa ou pensamento que esquecemos de olhar em outras direções. E as vezes... a resposta esta justamente em outro enquadramento da reflexão! Em mata fechada, para descobrir a direção, olhe sempre para o céu!

Andarilho na cozinha - Camarão ao molho branco

 De vez em quando eu apronto destas... Esta é uma receita muito simples, mas a pedidos de amigos faço um relato simples de como preparar camarão. Não preciso dizer que ingredientes de qualidade fazem um bom prato para um cozinheiro que entenda um mínimo de culinária. Na panela ao lado, coloquei um pouco de óleo de oliva e cebola picada. Frita esta dupla um pouquinho, só pra um ceder ao outro o sabor... e o aroma vai ser bom para deixar o autor inspirado. 
Depois de fritar a cebola no óleo de oliva, "joga" o camarão, devidamente descongelado e lavado na panela. O camarão vai perder líquido para este meio, você deve mexer lentamente enquanto se forma o caldo. A formação deste líquido é de grande importância para o preparo do todo. Isto pq ele será usado para temperar o camarão e posteriormente o arroz que você vai utilizar, mas a gente chega logo nesta etapa. Um momento por vez... 
Este caldo vai servir de gradiente para temperar o camarão... quando o caldo estiver formado, vc insere o tempero que estiver acostumado ou que agradar seus convidados. Algumas pessoas utilizam temperos prontos (meu caso), outras gostam de fazer esta parte também... eu prefiro facilitar! Depois que o tempero e o sal estiverem devidamente espalhados, mexa um pouco de tempos em tempos, pois alterando a posição do camarão vc garante que ele seja temperado pelo caldo. É importante que vc fique atento ao cozimento do camarão.
Se vc comprar um camarão pré cozido, ele já deve ter a cor alterada... geralmente eles ficam mais alaranjados, realçados. E a alteração de coloração no cozimento do preparo deve se alterar muito pouco. A atenção que vc deve ter no preparo é manter o camarão em sua forma ainda "macia", pois cozinhando por mais tempo, ele acaba ficando meio "borrachudo". Algumas pessoas até preferem desta forma, mas isto é de gosto e dizem que o prato mais refinado é com o camarão ao ponto. Sinceramente, gosto de todos os jeitos!
Quando vc perceber que o camarão chegou ao ponto, retire o caldo e coloque em outra panela, que vai ser a panela do arroz. Este caldo vai ser adicionado de água e vai cozinhar o arroz. Antes de inserir sal, vc deve confirmar quanto já esta temperada a água do arroz. Acredito que não precise ser colocado mais nenhum tempero, pois este caldo já é bem temperadinho. Durante o cozimento do arroz vc pode voltar para a panela do camarão e seguir os próximos passos. O próximo passo é produzir o molho branco!
Uma caixinha de creme de leite para uma porção de 500 gr de camarão esta de boa proporção. O creme de leite não pode ser "fervido" ou cozido por longos períodos, pois isto pode alterar as propriedades do mesmo e mudar o rumo do seu projeto! Você coloca o creme de leite em fogo brando, vai mexendo, e pode adicionar o que estiver ao alcance para dar um toque no molho branco. Eu costumo usar queijo ralado, pois geralmente tem sabor forte e "contagia" o creme de leite com facilidade. Se no prato que vc pretende preparar vai dispensar o queijo ralado, então na primeira etapa de preparar o camarão pode colocar um pouco mais de sal. Se vai adicionar queijo ralado ou outro que também seja salgado, deves contar previamente com isto, para que desta forma não fique excessivamente salgado!
Com o molho branco pronto, chegou a vez de adicionar o champignon. Geralmente eu compro em embalagem já fatiado, pois facilita o preparo e é menos uma coisa pra vc cuidar. A esta altura do preparo vc pode desligar o fogo. Se o arroz estiver pronto, então está finalizado o projeto. Para quem gosta, salsa seca e moída vai bem. Uma batatinha palha também agrega o prato, mas isto já é firula e cada um sabe como gosta de saborear camarão. Se tudo deu certo até aqui... teus convidados vão ficar muitos felizes.

Moinho

Picada Café, RS, 2014.
Durante muito tempo pensei que fosse normal admirar moinhos... eu fui aquacultor um dia, produzia peixes ornamentais em pequena escala para um produtor, mas muito mais do que os amadores poderiam imaginar. Sempre tive fascínio por água e pela vida que nela "reside". Depois trabalhei com bombas submersas e fiz sistemas hidráulicos muito complexos para um simples interessado. Tudo funcionava, com perfeição! Eu fiz sistemas que outros jamais foram capazes de mexer e que funcionavam sozinhos, renovando água com um simples apertar de botão, nivelando-se por conta. Sistemas que davam gostinho de ficar assistindo funcionando...
Um dia minha mãe disse que um de nossos antepassados, um homem de nome David, havia sido um construtor de moinhos. Eu achei pouco mais que curioso, e atribuí este meu interesse a um possível elo temporal que talvez seja passado pelo DNA, ou outra forma que ainda não compreendemos. Ainda assim, são apenas devaneios em "voz alta", mas já que na oportunidade lembrei, publiquei a foto desta bela roda dágua que vimos em Picada Café, distando cerca de 80 km de Porto Alegre, se tanto. Vale a pena pegar a estrada e conferir estes cenários... são históricos, talvez sejam pouco mais que histórias e sejam elos temporais! 

Pelas ruas... Avª Venâncio Aires e Rua General Lima e Silva

Porto Alegre, 2014.
As ruas de um Porto Alegre, meio confuso... meio esquecida por alguns, talvez desvalorizada por necessárias revitalizações. Porto Alegre anda carente de obras públicas de qualidade, de controle eficiente contra o vandalismo, evidenciado por pichações. Aqui, na imagem, importante esquina de duas ruas tradicionais da cidade. Cidade que teoricamente receberá a copa, turistas internacionais. Ora, como será esta hospitalidade se não conseguimos dar um mínimo de segurança para as ruas. Nossos turistas serão assaltados? Como será viável receber pessoas em meio ao caos?

Pelas ruas... Avª Érico Veríssimo e Rua Alcides de Oliveira

Porto Alegre, 2014.
As ruas de uma cidade são muito mais do que simples lugares por onde passamos... frequentemente, passamos de carro, alguns de bicicleta e até mesmo a pé, mas poucos são os lugares que passamos paramos para observar. Neste dia, resolvi descer do carro e me permiti observar a esquina. Dia de verão, de Fevereiro, pouco movimento, calor intenso embora algumas nuvens. As ruas se encontram em postos estratégicos nem tão organizados assim como imaginamos, as construções são vistas ao fundo, placas nomeiam as vias. As placas que indicam seus "proprietários", cortam o céu e auxiliam qualquer transeunte perdido. Na correria do dia a dia perdemos momentos reflexivos de uma esquina qualquer! Ser andarilho é algo muito maior do que simplesmente usar os pisantes para se transportar... é ser alguém capaz de aproveitar o que a liberdade permite. A liberdade é uma relação entre elo temporal, lugar e mente aberta. 

As águas do litoral gaúcho e catarinense

Itajaí, SC, 2013.
Em algumas oportunidades que tive, fui visitar meu amigo de infância e a esposa no litoral norte de Santa Catarina. Eles, por opção, mudaram-se para este lugar que é realmente belo e almejado por muitas pessoas, me incluindo neste coletivo. No Estado de Santa Catarina é habitual e cultural consumir peixe e outros frutos do mar nas refeições. Há peixe de todo tipo, siri, camarão, lula, mariscos e ostras... uma infinidade de opções para todos os bolsos. De nobres a modestos consumidores... Muitos dos peixes, embora nada nobres, são extremamente saudáveis e saborosos, cada qual em sua forma de preparo! É um privilégio do degustador quando possui um bom cozinheiro a sua volta, pois o resultado sempre é muito melhorado. O preparo é tudo... e muitas vezes um talento, como se mostrou meu amigo em questão, Rodrigo. 
Quando eu era criança e até mesmo adolescente, passava as férias na praia do Pinhal e me perguntava pq não tínhamos um mar tão verdinho e cristalino como este da foto. No Rio Grande do Sul o mar é quase todo igual... as pessoas acham, em sua maioria, que o único mar diferente é o mar de Torres, que faz divisa com SC. A verdade é que nossas praias são muito diferentes... temos mar diferentes de acordo com a região, mas a cor da água é quase sempre de cor marrom ou cinza, adicionado a turbidez, que predispõe o entendimento do banhista de que o mar é poluído, pobre, ou outro adjetivo diminutivo da grandeza litorânea. Não temos tantos morros que adentram aos mares e que formam belas paisagens, nós não temos este perfil de mar em nossa costa. E não é demérito, pois se quisermos, visitamos nossos irmãos de SC que estão sempre nos aguardando para o necessário turismo. Outro dia, quando estivemos lá, almoçamos um peixe maravilhoso, preparado em um restaurante a beira mar. Foi mais barato do que costumamos gastar aqui para jantar de um casal. Fomos bem atendidos por um gaúcho que lá trabalhava. Bem atendidos, satisfeitos, e sem gastar os tubos! Se você for almoçar o mesmo peixe em Porto Alegre ou no Rio de Janeiro, certamente não pagará o mesmo valor e menos ainda ficará tão satisfeito como em alguns restaurantes que conheci em Santa Catarina. Não falo da ilha de Florianópolis, onde o turismo foi controlado por gananciosos. Falo de restaurantes de praias menores, menos badaladas, ainda sim muitos chiques e sofisticados, como nos arredores de Balneário Camboriú. Vale a pena passar uns dias nas terras vizinhas e desfrutar destes cenários e da culinária. Isto é algo inegável, mas o que me deixa triste é ver amigos e conhecidos desejando que o mar gaúcho seja igual ao catarina. Poucos sabem, mas muitas são as embarcações catarinas que "invadem" o litoral gaúcho atrás de peixes variados, como tainhas, pescadas, corvinas, cações, estes últimos, sendo alguns de espécies protegidas por ameaça de extinção. Nossas miraguaias são pescadas e beneficiadas como bacalhau, nossas arraias viram bolinho de siri. O pescador catarina é um implacável predador de peixes... eles alimentam o mercado interno e externo com pescado gaúcho. Pescam também em suas próprias águas? Sim, pescam, mas a grande verdade é que muitos dos peixes encontrados em mercados e restaurantes catarinenses provém de águas gaúchas. E porquê eles vem pescar nestas águas turvas ou barrentas como alguns gostam de dizer? Estas águas marrons possuem uma infinidade de micro e macro organismos que servem de alimentos para muitos peixes. Muitas são as espécies de peixes que utilizam nossa Lagoa dos Patos como berçário, a exemplo da tainha, corvina, bagre e miraguaia. Você sabe aquele camarão farto que aparece nos meses de janeiro, fevereiro e março? Sabe de onde ele vêm? Mesmo quando encontrado nos restaurantes de outros Estados brasileiros, este camarão, em sua grande parte, é de origem gaúcha! O camarão da lagoa dos patos... então antes de falarmos de nosso mar, de como gostaríamos que ele mudasse de cor, que tal pensarmos de onde vem grande parte do pescado da região sul do Brasil. Em sua maioria percentual, ele é originário de águas gaúchas marrons!

Necessário colorido

Fachada da SMIC, repartição pública da Prefeitura de Porto Alegre, 2014.