Identificação Profissional... as escolhas e o caminho! 1ª Parte

Crédito: Eduardo Aigner
           A identificação profissional é uma estrada que o ofício constrói. Olhando de hoje para trás eu me vejo em algum lugar, quando no passado era apenas um profissional em aprendizado com a máquina na mão. Ainda não aprendi tudo, e receio que isto jamais aconteça. Conhecimento é uma arte que se vive diariamente, onde outros profissionais e clientes ensinam a ciência sem perceber. Me sinto mais a vontade para trabalhar, confiante de que vou fazer um bom trabalho. Sei que tenho muito a melhorar, mas a experiência vai depositando tijolos em nossas construções. Assim me sinto!
         Alguns dias atrás fui procurado pelo Portal Imprensa, através do repórter Lucas Carvalho. Carvalho procurava por profissionais exclusivos da bicicleta, que experimentavam as dificuldades da vida profissional de repórter sobre este aspecto único da prática. A verdade é que não existe uma receita de bolo para descrever uma caminhada, todas serão diferentes, e assim as dificuldades mudarão de acordo com o cenário e o indivíduo. Gostaria de dizer que chegar até foi fácil... pois não foi, nem desencorajo ninguém, pq isto é uma tarefa para a proposta e para cada um decidir. Cheguei algum lugar? Não sei... acho que apenas conheceram meu trabalho, nada de especial! Continuo simples, continuo tentando, continuo esperando por novas oportunidades do crescimento interior. 
         A foto desta postagem foi tirada pelo talentoso colega e amigo Eduardo Aigner, fotojornalista experiente e dedicado, cuja a estrada é maior que a minha. A imagem foi um presente que ele ofertou a mim por outras fotografias. Em dado momento estava ele na mira da minha objetiva, agora minha vez... assim nascem amizades. Quem as faz sabe o valor no cotidiano do trabalho ou do lazer, a vida se simplifica. 



Texto: Roberto Furtado

Valorizando os presentes... é a vida!


 Em alguns momentos eu me vejo sozinho sentado em uma cadeira em frente a esta estranha máquina de escrever. Na oportunidade em questão, remexo os arquivos pessoais da estrada que fiz, releio e revejo textos e fotos que fiz em outros momentos. Estas lembranças são frações do tempo que deixei para trás, tempos bons, tempos que compuseram minha estrada de vivente e carreira profissional. Eu andei em muitos lugares deste mundo, nem tanto quanto eu gostaria de ter estado, mas muito mais que algumas pessoas que foram a tantos shoppings gastar o suor convertido em dindin. E não há mal algum nisto, aliás, isto move o mundo de hoje... mas definitivamente, não me vejo assim. Prefiro gastar as solas dos meus calçados e conhecer pessoas, cenários e culturas. Prefiro olhar para um horizonte selvagem e saber a hora certa de eternizá-lo. São razões que eu não posso garantir a um terceiro, mas posso afirmar que existe uma razão para cada um. Eu conheço pouco a pouco as minhas, luto diariamente para matar a minha fome de comida, fome de esperança, fome de conhecimento interior... não me apego a materiais que me dão status social. Não coleciono automóveis, agora nem mesmo bicicletas, pois aos poucos me desfaço das mesmas. Os carros, há tempos não me interessam... as bicicletas são dindin preso em forma de magrelas, e sonhos trancados para alguém. No dia em que eu bati esta foto, talvez minha foto de número 120.046, me vi esperando por algo que não existe. Respostas de algum lugar... e foi quando descobri que todas as respostas estavam sendo descobertas dentro de mim mesmo. E parte destas respostas ainda não estavam completas e possivelmente ficariam assim pela eternidade... faça valer a pena. Seja feliz... um abraço!

"As flores de plástico não morrem!"


Em algum lugar do passado... estão as fotografia que fiz e guardei, mesmo que não fizesse diferença que fossem tiradas hoje ou amanhã. As flores, elas podem ser observadas hoje ou amanhã, em sua época. As flores apresentam estranha existência... sua beleza, colorido e perfume conduzem os ciclos da natureza dos animais, garantem alimento em troca de uma "reprodução" que conhecemos por polinização. As flores tem aspecto sedoso, brilho estranho que parece aveludado em alguns casos, cores vivas, simplicidade em outras exemplos.  As flores são presentes, símbolos do bem...
As flores morrem rápido, elas não duram como flores de plástico. As flores de plástico não tem brilho, perfume, "vivacidade" como as flores de verdade. As flores plásticas imitam algo impossível de imitado pelas mãos do homem... elas jamais terão "argumento" suficiente para pedir a mesma coisa! Já pensou presentear um amor com flores de plástico? 
Nós queremos dominar o indominável... nós queremos fazer o impossível e não aceitamos. "As flores de plástico não morrem" e tampouco exercem o mesmo fascínio. Elas não se comparam a coisa alguma feita pela natureza, de acordo com minha própria natureza. 

A mobilidade ineficiente... nas rodovias, no trem, em qualquer lugar!

BR-116, proximidades de Sapucaia, RS. Foto: Roberto Furtado, 2014
Ao contrário do que muitos pensam, faz-se obras no Brasil para melhorias do fluxo das rodovias brasileiras. A verdade é que a venda de automóveis é exageradamente grande para o crescente número destes automóveis. O resultado é este aí... filas quilométricas de tranqueiras automotivas. Em algum lugar próximo deste lugar, desloca-se o trem (trensurb), ainda ineficiente para absorver toda população, que evidentemente também é crescente. Digamos que as políticas voltadas ao trânsito e a mobilidade nas regiões centrais, são no mínimo distantes, dos ideais sendo observados o crescimento populacional, desenvolvimento e necessidades mínimas de qualidade para incentivar a população a experimentação de opções alternativas. Opções que começam com conforto e segurança... desta forma, não são tão irrelevantes assim para quem trabalha diariamente e precisa de tais melhorias. Como fica o trabalhador?

Os olhos...

Foi depois de um tempo de longa espera que as coisas "transpareceram" para mim. Eu cresci achando que podia fazer qualquer coisa, e não sendo coisa alguma... eu sei que há muitos como eu por aí, na verdade, uma grande parte da população. Eu procurei ser e saber o que eu podia, fui, tentei... me matriculei e cursei por um tempo os cursos de Direito, Medicina Veterinária e Engenharia Mecânica. No último, quase acreditei que teria vocação, depois de muitas disciplinas... desisti. Eu não tinha certeza de nada e nada podia fazer além de tentar. Talvez eu devesse ter caminhado para longe antes de tentar qualquer coisa, pois todo mundo que não possui certeza tem em sua vida algo que chamei de "jornada espiritual". Eu passei até hoje nesta jornada, e penso que seguirei por ela até os últimos dias. Eu sou assim... 
Mesmo que a sensação de incertezas seja uma companheira estranha e de certa forma saudável, persisto em pensar que ela traz algum sofrimento, sempre. As respostas vem por perguntas... assim como cicatrizes que são oriundas de feridas. Eu levei trinta anos para saber o que eu era e sou... e foi a persistente mania em escrever que me levou a acreditar na fotografia. E da fotografia vieram novas perguntas, novas propostas da reflexão e novos caminhos. Em uma entrevista, Sebastião Salgado disse em poucas palavras... o fato de ele ter um filho com necessidades especiais fez dele um profissional com olhar diferente. Talvez, de outra forma a realidade, seria ele outro profissional. Penso, que de toda forma ele têm plena razão... de outra forma não seria um grande profissional, com olhar assíduo e permissivo para novos trajetos da reflexão que o conduzem ao olhar. Eis que os homens são felizes quando algo não parece plenamente perfeito, assim entendo, e atribuo o sofrimento, mesmo que mínimo e temporário cíclico, uma porta aberta ao sucesso dos pensamentos. O olhar, os olhos... são estes que nos trazem para perto de tantas realidades. A ligação da visão ao atributo da sensibilidade, e sensibilidade é uma inteligência, são frações indispensáveis do que constrói a fotografia e toda ciência envolvida. Pasme... para ser forte é preciso coragem! E homens sem sensibilidade não podem ser corajosos, caso contrário, não são homens, são animais movidos por um instinto incapaz de separar ódio e compaixão. 

As ruas que vejo... da liberdade!

Na parede de uma casa na Rua Lima e Silva. 2014.
O cenário de uma capital é sempre uma grande fonte de informação e reflexão. As ruas que vejo são uma oportunidade para exercitar a mente, mesmo que tudo pareça contrário a razão. A arte e as ruas me parecem uma necessidade do homem que busca a liberdade... e a liberdade parece que não é tão real como sempre presumi. A liberdade é um sentimento de ir e vir, de tomar decisões quanto a si mesmo, sobre nossos anseios pelo mundo. Receio de que a liberdade seja uma versão dos desejos que não se realizam. Não há como coexistir em uma sociedade com o conceito verdadeiro da liberdade. A liberdade deveria significar uma total ou plena decisão por optar. Como alguém pode viver com total opção de liberdade quando de alguma forma esta submetido ao sistema? Se vc compra comida ou se vc trabalha, então esta sujeito as leis e impostos, também as formalidades padronizadas. Há como viver plenamente em algum lugar, de alguma forma, totalmente independente do Estado e dos conceitos pré estabelecidos? Evidentemente não... não é a resposta para parte de nossas decisões. Nem tão ruim assim, nem por isto nem tão liberta são nossas escolhas, sem espaços para certas respostas... mesmo assim, liberdade pode ser a escolha por pensar nestes assuntos. De caminhar pelas ruas e fotografar ou observar arte, intenções, coloridos ou o belo branco e preto. As ruas que vejo não são tão livres assim dos modelos impostos por uma sociedade, menos ainda as pessoas, tampouco a necessidade de ir e vir no aspecto segurança nas ruas de Porto Alegre. A liberdade... descobri da forma mais difícil, ela não existe em sua plenitude conceitual, mas me permite falar a respeito, que não deixa de ser uma ação 100% livre. Eu penso, eu escrevo, eu fotografo o que eu quiser... 

Pelas ruas... Sarmento Leite e General Lima e Silva


Não nega o perfil a cidade baixa com seus encontros de ruas e pessoas... mente livre? Parece... deve ser! O que muda de bairro para bairro? Dinheiro, poder, vivência, histórias? Bairro boêmio, sentimentos, estranho calor passado por seus moradores. O que poderia dizer a respeito? Acho que  fotografias jamais poderão dizer o que acontece em lugares assim... enfim e tal, quem sabe! Porto Alegre é cheia de curiosidades... é realmente incrível se afastarmos ela da violência, da política corrupta e dos evidentes jeitinhos que podem ser apontados pelos visitantes. Porto Alegre é demais... demais estranha!

Os últimos desejos da Kombi... grande despedida!

"Grandes sonhadores passam a vida inteira desejando fazer ou ser algo grande..." Eu diria que um homem com um propósito de criar um projeto utilitário, que se justificou durante 60 anos, conseguiu mostrar ao mundo e deixar sua marca. No projeto foram transportados sonhos e histórias, projetos e esperança! Esta despedida da Kombi, veículo produzido pela VW, não poderia ter sido mais feliz como foi feito. Ela descreve e se encaixa perfeitamente a vida de andarilho de muitos aventureiros. O foco sempre são as pessoas... pessoas amam pessoas, pessoas sonham, pessoas constroem coisas e situações! Grandes sonhadores passam a vida inteira desejando fazer algo realmente diferente e de sentido. Uma parte destas pessoas consegue, a outro, jamais materializa, infelizmente falamos de um percentual tão pequeno. Se por um lado uns poucos sonhos se tornam realidade, outros milhares existem e são alimentados por uma motivação que existe dentro de nós. E mesmo que os sonhos não se transformem em realidade, o simples fato de existirem nos permite viver melhor. A Kombi dos aventureiros se vai... os sonhos ficam, novas estradas devem surgir, novos sonhos serão construídos. 

Precisa-se de carpinteiro...


Pelas ruas vão as pessoas e as marcas ficam... são feitos e dizeres, de toda natureza. Pelas ruas vai o olhar de um sedento registrador de fatos e atos, são parábolas do tempo. Irreversíveis, incorrigíveis, impensadas, motivadas pelo presente, perpetuadas para sempre pela caixa mágica. As imagens podem não ter relação para todos, tocam apenas alguns, talvez elas possam mudar o mundo, possivelmente não! Nas paredes residem grafites, placas e emoções... dali jamais sairão, mas precisa-se de carpinteiro!