Lugar algum... ou melhor, lugar nenhum!

Litoral do Rio Grande do Sul, 2014. Fotografia: Roberto Furtado

Viver é algo muito relativo... tenho certeza que há pessoas capazes de viver intensamente mesmo que dentro de suas próprias casas e, outras capazes de não viver nada mesmo estando no paraíso que ilustro nesta postagem. Sonhar... sonhar é preciso, sonhar, iludir-se, usar a imaginação! Pessoa sem imaginação é uma pedra! Como deve ser chato não ser capaz de sonhar ou imaginar. Como deve ser estagnada esta vida de inexistência reflexiva! Me contento com aquilo que posso na materialização da realidade, mas sonho, dormindo ou acordado e tal me faz realizar as perguntas que preciso para encontrar um caminho. Mesmo que este caminho seja fisicamente nenhum... e nenhum lugar é um algo tão especial. Quando um dia eu mostrei uma imagem como esta acima e uma pessoa disse: "afinal, pq tu gosta tanto deste lugar se não há nada lá?" 
E sem saber como explicar para uma tábua de madeira pq 2 + 3 é igual a 5 ou quem sabe até afirmar como é gostoso o amor, disse: "Ora, deve ser pq fui criado na praia...". E de outra forma a pessoa jamais entenderia. E se há tanta insensibilidade, há também tantos motivos para viver e experimentar o sabor do mundo com os olhos. A imagem acima é de lugar nenhum... fato!

O engraxate

Praça da Alfândega, Centro de Porto Alegre, 2014.
Não há, de forma alguma, algum ofício capaz de substituir o outro... Diante a sociedade que preza e valoriza apenas as profissões desdobradas e pertencentes a cultura do poder e do dinheiro, resta apenas fazer o que se ama. E se vc diz que ama tal profissão que aos olhos de tantos é desmerecida, de certa forma, louco parecerá. Assim, médicos e engenheiros, e principalmente as profissões embasadas na escola do direito, tornam-se mais honradas do que o engraxate. Evidente que a profissão de engraxate não é envolvida de escolaridade, mas ainda sim uma nobre profissão. Aquele que cuida da aparência dos calçados, outra aparência, valorizada pelos profissionais que se auto valorizam em demasia... uma certa ironia! Calçados valorizados e brilhosos por suor de pessoas desvalorizadas. Estranho, mas assim é toda uma sociedade que se contradiz... se há um sapato brilhoso, se há uma fotografia disto, por outro lado não há repórter fotográfico ou engraxate com o devido respeito. Tão estranha esta sociedade do engraxate...

Fogo em Reserva Ambiental se alastra pelo campo e ameaça casas na região

Foto: Roberto Furtado

Ontem, dirigia pela ERS-040 retornando do litoral quando me deparei com fumaça na estrada. Havia também agitação de alguns moradores em trânsito pelo local. No sentido litoral - capital, quem olhava a direita da estrada, visualizava um rio de fogo no meio do campo. E as sirenes do bombeiros denunciavam o problema... havia risco de incêndio nas propriedades próximas da ERS-040, pois o vento soprava nesta direção. Ao fundo, uma reserva ambiental com espécies endêmicas já estava com prejuízo ecológico, fora atingida. Os bombeiros tentam conter algo descrito por um morador: "este incêndio é incontrolável, precisamos de mais ajuda!"

Os arenitos do Farol caído...



Longe da capital Porto Alegre e de difícil acesso, a região do Farol Caído é um local diferente no litoral brasileiro. Muitas pessoas tentam conhecer a região pelas histórias que cercam o local, pelo cenário e até mesmo pela dificuldade para chegar. Houve algumas vezes que não foi possível chegar neste lugar, pois a faixa de areia entre as duas e o mar praticamente inexistia. As opções não eram muitas, então era comum ver visitantes retornando sem olhar para este cenário, mas nesta última sexta feira, depois de agitado, o mar recuou e denunciou uma praia transitável e mostrou bem os arenitos. Os arenitos são vistos somente nesta região. A formação é frágil, embora esteja presente no local há cerca de muitos anos. As modificações na costa, conhecidas nesta região do Brasil, estão descobrindo as estruturas que antes era "tapadas" por areia... o mar faz o restante do trabalho, lapidando e mostrando esta obra prima natural. Para visitar a região é preciso ir até o vilarejo do Bujuru, acessar a "estrada do CTG" e sair na beira da praia num lugar conhecido como "João da Praia", lá, se as condições marítimas e climáticas estiverem boas, até mesmo veículos normais trafegam sem problemas. Pegando a praia a direita saindo pelo João da praia, ruma-se ao sul por cerca de 8 km. É importante que o motorista ou guia seja experiente, pois esta beira de praia tem suas pegadinhas. Carros já foram perdidos na região, há também lendas de pessoas desaparecidas, embora ninguém confirme isto oficialmente. 


Texto: Roberto Furtado