Identificação Profissional... as escolhas e o caminho! 2ª Parte


           Não saberia expressar de outra forma o sentimento de ser um fotojornalista... preciso escrever para falar a respeito. É quase um desabafo! "Eu levei 30 anos pra saber o que queria realmente fazer da minha vida... e os próximos anos para garantir que a fotografia será perfeita para uma pauta!"
        Um amigo, depois de ver algumas fotos deste dia, me perguntou sobre o risco e o reconhecimento do trabalho. O risco é grande, mas o reconhecimento pode ser dividido em duas partes. Se vc pensa que existe reconhecimento financeiro no fotojornalismo, enganou-se! Não existe... tem agência pagando 4 reais por uma foto de qualidade, perfeita! O repórter fotográfico se contenta muitas vezes com um elogio de um editor, chefe de redação, colega de trabalho... pq dinheiro, virou lenda neste ofício. E a pergunta é: "Vc faz paixão por dinheiro?" Bom, em alguns casos parece ser possível, aqui, é muito raro. 
Eu tive todas as oportunidades do mundo que meus amigos, colegas de escola. Eu só não tive a sorte de nascer sabendo o que eu queria fazer como profissão. Um dia, um degrau fotográfico por vez, bateu o sino da razão... e então eu descobri o que eu seria. Eu sou um fotojornalista... dos bons ou não, não me atreveria a me auto afirmar, mas posso garantir que a profissão é esta. Eu nasci pra isto... 
Outro amigo, me disse: "Mas tu não fica chateado pq levou tanto tempo para descobrir o que fazer de trabalho para ser feliz?"
Alguns segundos mais tarde eu disse: "não, pq agora tenho o restante da vida para fazer o que gosto! Quantos são os que ainda não descobriram?"
Encerro por aqui, mas recomendo... faça o que vc gostaria e, seja feliz!

Litoral de lua cheia e sol que racha...


Foi dias atrás, fui pescar no período de lua cheia e me deparei com uma noite que prometia ser iluminada. A lua surgia de um lado e, ao oposto partia o sol que torrou o dia. Na beira de praia, de um final de semana de água cristalina, havia restos de uma embarcação "morta" pelo mar. Era a proa de um pequeno pesqueiro, que serviu também de referência para eu pescar. No balde estavam o peixes que capturei com o anzol, de frente para o mar o caniço montado na espera, ao fundo direito sobre as pequenas dunas se punha o sol, em frente à esquerda prateava a lua que agora faria as vezes de lampião. A brisa era forte... quase um ventinho, mas não incomodava. A promessa de dia seguinte era de dia quente, enquanto encerrava a pescaria pensava no banho de chuveiro de campanha. A simplicidade é um sabor que o aventureiro sabe apreciar. E de frente para o mar, na verdade, estamos no colo materno. Não há lugar mais confortável neste mundo do que a visão de frente para o mar. É a vida que aflora, longe da cidade de concreto. Depois do banho tomado, faz uma gororoba e de barriga cheia desliga a lanterna. É hora de dormir, pro dia nascer feliz outra vez. A noite, janela aberta, nada de ventilador e lá não precisa... faz até um friozinho a noite. O nome deste lugar deveria se chamar felicidade. Felicidade é um estado de espírito que não tem preço, não tem investimento, não tem comparação, tampouco contra, apenas prós!

Parque Nacional da Lagoa do Peixe... cuidar é preciso!

Barra da Lagoa do Peixe, 2015. 
No final de ano de 2014 e início de 2015, aproveito o momento de baixo movimento de trabalho para descansar e pescar. O litoral do RS é ótimo para isto... não apenas para pescar, mas para fotografar e exercitar o clique com a natureza. Na região da lagoa do peixe não é permitido pescar, se vc for fazer uma visita, deve fazer sem equipamentos de pesca, mas vc pode levar sua máquina fotográfica e desta forma fará grandes recordações. O local é lindo, selvagem... tem forte presença de aves endêmicas e migratórias. É possível ver peixes e outros animais na água, bastando que a sorte esteja do seu lado, pois águas cristalinas não são sempre uma realidade no litoral do RS. Quando a gente visita um local protegido e compreende a natureza local, entende pq deve existir uma reserva de proteção ambiental. Acho que os governos deveriam promover o turismo sustentável destas regiões, para que desta forma, mais pessoas pudessem compreender e defender o ambiente protegido. Se não isolarmos estes locais, brevemente serão como outros... a este exemplo, posso citar a semelhança entre a barra de Tramandaí e a barra da lagoa do peixe. A barra da lagoa do peixe é isto... e a barra de Tramandaí é aquela nojeira de prédios que todo mundo conhece. Pense...

Ora, raios...

Janeiro de 2015.
No último dia 13 de janeiro, presenciei de longe, na Zona Sul de Porto Alegre, a maior tempestade de relâmpagos que já tive oportunidade de ver. Era um show de luzes piscantes em meio a nuvens, anunciando a chuvarada que apareceu horas depois. Estando muito distante, não foi possível fazer a imagem que eu gostaria, ainda desta forma, fiz um clique de raio que cortava o céu. Utilizei, por motivo da distância, uma teleobjetiva para registrar. 

Sapatos grandes para ir mais longe... pneus maiores no uno!


Os sapatos do automóvel... pneus, que garantem o deslocamento eficiente. Vc compra um automóvel popular e ele vem com o pneus mais barato que pode haver no mercado. Foi então que decidi que colocaria pneus de melhor qualidade e medida, pois estou sempre na estrada. Na estrada de chão e em trechos de areia fofa, quanto maior o "pisante", melhor o automóvel passa pela areia. Das originais rodas 13" e pneus de medidas 175 70 R13, substituí por rodas de 14 polegadas e pneus 185 70 R14. O carro é um mille firre way, 2013, último fabricado neste modelo. Em princípio, tive receio que o consumo fosse ficar muito alterado, mas percebi que a forma como vc dirige muda também, ficando melhor para a condição que vc precisa. Ao que parece, ficou com praticamente o mesmo consumo. Um dos motivos, talvez, pq a relação de marchas ficou mais longa, devido ao aumento de diâmetro dos pneus. Em velocidades próximas de 100 km/h, das estradas permitidas, ele apresentou pouco esforço para se manter nesta faixa. Antes, evidente era a maior rotação do motor para trafegar em 100 km/h. A velocidade ideal do uno, para baixo consumo é de mais ou menos 75-85 km/h. Fiz médias com ar condicionado ligado, trafegando dentro dos limites de velocidade, em trechos com até 60% de estrada e o restante em uso urbano, obtendo valores de 15,8 km/l em regiões planas e 14,7 km/l em regiões de oscilação de altitude. Fiz por diversas vezes, observando que o ar ficou ligado em 50% das utilizações do uno. A observação que fiz sobre o consumo pelas regiões de beira de praia, pois em algumas vezes rodei mais de 100 km por praias desertas, me deixou surpreso. Como se anda muito devagar na beira de praia, por ser um terreno acidentado com valetas inesperadas, não houve alteração de consumo. Creio, que nestas condições, devido ao pouco esforço e baixa rotação, não ocorreu mais do que 16 km/l. Bem verdade que o mille fire é um campeão de economia, mas até eu me surpreendi. Rodas grandes, neste caso, favoreceram o automóvel... tanto para passar na areia fofa, como no consumo. Foi observado o percentual de diferença de 6,41%, ou seja, o automóvel marcará menos velocidade e kms percorridos que antes. Deve-se considerar que já existe uma faixa de segurança, tanto que se vc estiver munido de algum recurso de avaliação, seja uma lombada eletrônica ou mesmo um GPS, observará que o carro sempre marca menos que as medidas oferecidas por outros meios. Nesta oportunidade, conferi que a diferença desapareceu... o mille fire esta andando praticamente exato de acordo com o velocímetro. 
Acho relevante descrever que o automóvel ficou mais macio, não percebi nenhum problema de estabilidade, mas com a elevação da altura, mesmo que seja apenas pelos pneus, todo cuidado é necessário. Com esta "melhoria", consegui fazer de forma mais eficiente minhas aventuras em terrenos acidentados. Não evita-se atolar em alguns casos, mas diminuiu o problema. 

Sede da revista 'Charlie Hebdo' foi alvo de terrorismo...

Rio Grande do Sul, 2014. Fotografia: Roberto Furtado. 

   Haverá um dia, se a espécie humana não acabar antes, em que os homens respeitarão de toda maneira o livre direito de andar, expressar, viver, deixar quieto, etc... Não há justificativa de valor que encerre a vida de pessoas, tampouco a força por tentar calar. Jornalistas são seres humanos... falam, erram, acertam também! Acima de tudo, geram reflexões... pq matar? Evidentemente, mata quem é burro, ou quem não dá valor a vida... nem alheia, nem própria, simplesmente não dá valor a vida. Não basta termos que conviver em meio a histórias de acidentes? As atrocidades intencionais jogam pelo ralo histórias de famílias, amores, talvez uma carreira brilhante...
Quem ama sabe, quer guardar, proteger, brindar por uma iludida eternidade. 
Triste fiquei por saber, mais uma vez, que jornalistas deixaram de coexistir, por um motivo tão mesquinho, idiota, do poder de tirar vidas que ninguém têm! Deixo alguma reflexão para que um dia, talvez, a vida tenha mais valor...

"Estamos sós e nenhum de nós, sabe exatamente onde vai parar..." Engenheiros do Havaí

"Imagine there's no heaven
It's easy if you try
No hell below us
Above us only sky
Imagine all the people
Living for today..." John Lennon

A Federação Nacional dos Jornalistas, também brasileira, publicou comunicado em seu site: "A FENAJ repudia a violência contra jornalistas, alertando a sociedade para o perigo da intolerância (seja política, religiosa ou de qualquer natureza) e do obscurantismo, que tem gerado ataques às liberdades de expressão e de imprensa em todo o mundo".