Vai fazendo...

Fila para abastecimento do cartão Tri na rua Uruguai, Porto Alegre, 2015.

Acidente, Zona sul, POA, 2015.
         Zona de conforto é pra quem esta confortável... aliás, depende muito do que se entende por zona de conforto. Fazer o que vc gosta não é zona de conforto? 
Tenho feito muitos trabalhos que vejo mais como um exercício do que como cotidiano pesado de trabalho. Enquanto puder fazer, farei... tem aquela questão, vive de que? Quem paga a conta... quem paga a conta por enquanto, neste meio é "outros trabalhos" bem pagos, melhor remunerados. Se por um lado vc mastiga biscoito velho pra fazer fotojornalismo das ruas, esta realidade bem "mendiga", por outro lado tem trabalho que paga 20 vezes o valor de uma foto de jornal. Atende o telefone, faz o trabalho de 20 vezes, dá atenção pro cliente, finaliza... pronto, agora vai se divertir com a parte mal paga. É dose? É... nem tudo é o que se espera, mas diante de uma situação de mercado e nem tantas oportunidades, segue fazendo. Enquanto isto, depois de cada clique vai amadurecendo... chega ao ponto, de semelhantes ocasiões, que vc já nem olha pela câmera. Vc sabe que configuração esta, conhece intimamente a objetiva combinada na câmera. Aponta sem olhar e pau... tá feita a foto, horizonte nivelado, referências preservadas, composição igual a que vc imaginava. Os olhos de quem combina vontade do trabalho com prazer de fotografar são sempre únicos. Se formam muitos bons fotógrafos, alguns nem tão rápidos, nem tão produtivos, nem tão dramáticos, sempre há um melhor que outro em tal aspecto. Todos são únicos... mas quem toma chuva no lombo, sol na cabeça e migalhas que mal pagam um café da tarde por uma foto, sabe bem o que representa. O importante é saber o quanto vc é capaz, quanto pode em relação a maioria, quanto esta disposto a pagar. Me pergunto apenas, quanto aguenta ou mantem esta linha um bom profissional? Estou a cerca de oito anos fotografando bicicletas... pouco se pensar nos meus 38 anos de vida, muito se pensar que no RS ninguém fez por tanto tempo. Referência... eis o grande trunfo! Não me importo... não! Faz pq gosta... nem por isto abuse, nem por isto pense que estes profissionais farão, até pq há muito mais de princípios! Prostituição fotográfica é uma camiseta que nem todos vestirão... há belos exemplos de profissionais trabalhando por menos e escolhendo o que querem fazer pelo princípio, não pelo valor de uma pauta.

Pelas ruas... Rua dos Andradas

Centro de Porto Alegre, 2014.
Há tempos que vejo o centro de POA de uma forma diferente. Os rostos, os calçados... trajetórias retilíneas ou ziguezagueantes. É um sincronismo da sociedade... cada um faz como quer, vive como pode, corre atrás de algo. As ruas... elas me deixam tão feliz, tão esperançoso! Me pergunto quanto irei mudar até chegar a velhice. E então, daqui a uns 40 anos, gostaria de repetir esta foto simples para ver o que mudou além de mim. É a vida... ela tem fluxo, sentido, rumo indefinido!

As oportunidades especiais...


Muitas vezes fui questionado por colegas e outros profissionais sobre alguns tipos de trabalho. Conheci muito profissional, nem tão experiente, nem tão bem aparelhado, que se negava a fazer os trabalhos que não pagavam tão bem. Algumas vezes ouvi de colegas, algumas coisas tipo: "Por cem reais eu nem saio de casa!" ou "não quero que ninguém pense que meu trabalho vale só isto!"
É complicado arriscar o pescoço ou investir em trabalhos "baratinhos", mas este mesmo tipo de trabalho pode crescer junto com tua experiência. Fiz muitos trabalhos no segmento da bicicleta... hoje, ao todo, imagino que eles passem de 300 pautas. Muitos destes foram coberturas fotográficas, onde mais de 500 imagens foram produzidas. Fui muito mal pago em alguns destes trabalhos, mas eles me levaram a uma experiência que nenhum dos meus esnobes (e também despreparados) colegas saberiam fazer. Hoje, sou cobiçado neste segmento, como profissional de trabalho garantidamente bem executado. Ainda assim, cobro o valor justo de mercado, mas sei que ainda falta muito para ser valorizado se compararmos este segmento aos demais como futebol, política e grandes produções publicitárias. Contudo, o mercado esta crescendo... só que eu já estou aqui. Compreende? Meu nome já esta girando nestas pistas da bicicleta. Já fui entrevistado como um dos maiores fotojornalistas do segmento da bicicleta, já cobri eventos internacionais, também nacionais de relevância para a indústria e para a cultura da bicicleta. O reconhecimento veio em forma de convites... Já vi e fiquei sabendo que orçamentos menores que os meus, foram rejeitados pela concorrência do meu nome. E uma das perguntas mais frequentes que já ouvi como freelancer: "Vc tem experiência no ramo?" ou "Quantos eventos específicos da bicicleta vc já cobriu?"
Diante a perguntas como esta, para quem já tem experiência, sobra serenidade de resposta... "eu já fiz 300 eventos de bicicleta!"
Vou contar pra vc o maior segredo... eu não tive medo de estar presente, de propor e de aceitar propostas que muitos se recusariam. Já fiz sozinho, pautas que muitos fariam apenas acompanhados de dois ou três colegas. Quando o orçamento é curto e isto é comum no Brasil, a diferença entre existir a pauta feita por vc, e não acontecer a pauta pq não havia recursos por parte do organizador, pode ser mais uma estrela no teu histórico. Se tenho 300 estrelas para contar, devo isto ao meu suor, pq ser repórter fotográfico não é ser um empresário de bem de consumo... as pessoas não estão comprando carros, jóias ou outros bens. Elas estão comprando fotográficas... mesmo que este trabalho represente em aumento em vendas, ou no registro que permite a captação de recursos para um projeto, as pessoas querem sempre economizar em produções fotográficas. E no fim, quem fez... fez, quem não fez é só mais um frustrado e inexperiente do mercado. Saibamos nos valorizar, mas nem tanto, pq quando não temos nada, não podemos ter uma valorização enganosa. Fotógrafo mal preparado, sem carro, sem material, sem experiência, não é mais que mais um em meio a milhares. Alguém experiente sempre vai ter uma saída, mesmo para um imprevisto! Se vc é cliente ou se vc é colega... saiba avaliar, estar preparado é também maturidade! Alguns trabalhos não comprarão teu luxo, mas pagarão tuas despesas para crescer até lá... e isto não é uma escola incrivelmente bem paga?

As mídias pagam... mas então? Faz quem quer...


        Não sei se sempre foi tão mal pago, mas hoje é especialmente mal pago... o trabalho de repórter fotográfico, muitas vezes como freelancer e contratado por agências, transformou-se na prostituição de uma profissão que antes tinha uma boa reputação.  As agências estão pagando somente se vendem o material, geralmente por uma miséria. Tem agência pagando menos de 5 reais por uma boa foto... Os jornais, pagam 30 reais, talvez 40, se for algo realmente bom e exclusivo. 
A referência sobre o fotojornalista ser a prostituta da fotografia é pq se vende por qualquer coisa. Destruição total da reputação! Tem tantos profissionais fracos, inclusive não registrados, que aos demais resta um esforço sem alteração de resultados. Ao comparar trabalhos realizados no Brasil com trabalhos realizados no exterior, percebe-se que um grande problema desta profissão esta na cultura brasileira, pois de outra forma não seria respondida a questão de uma imagem valer 70-200 dólares para um jornal no exterior contra os 5-30 reais no Brasil.
Quem entra no fotojornalismo tem duas certezas... que vai padecer e que faz uma coisa que ama! Se em algum momento vc pensar que pode sentir falta do dinheiro que o fotojornalismo não vai te dar, então nem entra nesta. A culpa é de quem mesmo? A culpa é nossa... a gente aceitou, os mais velhos primeiro, nós agora, o editorial dos jornais e revistas estão se esforçando nisto há tempos. O jornal sempre tem um dono... que quer pagar menos, que pressiona a redação ao pagamento reduzido, etc. A mídia prefere "ganhar" uma foto de celular de um leitor do que comprar uma foto profissional. E aliás, sabe muito bem a mídia, que normalmente é composta por jornalistas, que um fotojornalista leva anos para ser formado, embora nem mesmo exista nível superior para isto, exceto a faculdade de Jornalismo. Só que as empresas querem pagar o repórter fotográfico com salário de acordo, não com nível superior, pq o valor praticamente dobra.
O que acontece é o esquecimento total de um ofício pela educação, prostituição da profissão... "dá dinheiro trabalhar com casamento!", é a frase mais falada entre os fotojornalistas, e muitos, depois de anos insistindo, vão para o lados das festas familiares. Lamentável é ver alguém apto e apaixonado por um ofício debandar para algo muito diferente do que objetivou no início. É uma verdade tais fatos, mas é uma realidade bastante brasileira. É alimentar negativamente um sistema da informação.

Manifestação e o olhar do repórter...

Batalhão de Choque da PM em frente ao Santander durante a manifestação.

Vários grupos se uniram e formaram milhares de pessoas por causas sociais diversas, pacíficos!
"Everybody knows what's going wrong with the world
I don't wanna even know what's going on in myself..."
Letra de The The - Slow emotion replay

Há pessoas que preferem não pensar, não ver, não ouvir... É mais fácil ser distante das questões do mundo... pq muitas delas, aparentemente não possuem solução, mesmo assim a gente nasce pra fazer aquilo que foi incumbido. De onde vem a ordem? Talvez a ordem venha de cima! Não tenho a resposta nem para esta ou para outras questões que certamente atingem vc. E digo, se vc tem muitas respostas, pergunte de novo...sua resposta pode estar errada. Ninguém sabe tudo, muito menos sobre as questões do mundo. E eu vejo o povo e a polícia como ferramentas de algo que esta oculto... ambos são manipulados por algo que não aparece na televisão. Eu acredito em ambos, mas ambos não acreditam um no outro... sem teoria da conspiração, somos fatos!
O comportamento dos manifestantes e da polícia militar foi exemplar e por enquanto, os lados sem mantem distantes e ao mesmo tempo unidos. A pergunta que fica é sobre o que há por trás disto? Os jornalistas devem lembrar do papel que exercem sobre este universo... descreva o fato, não seja sensacionalista... ou se for, que não seja para vender! ok? A interferência pode ter consequências nas manifestações... seja responsável ao opinar, criticar ou apontar!

Nada é como antes... mas tudo é muito bom no presente!

Farol Cidreira, 2007. Foto: Roberto Furtado
   Revendo e falando novamente com amigos dos velhos tempos do colégio e praia, me vi em um túnel do tempo. Uma jornada que nos auto descreve... somos o que vivemos! Não vi o tempo passar tão depressa, e acho que foi pq eu vivi intensamente de lá pra cá. Fiz tantas coisas que esqueci de olhar para trás, esqueci de relembrar por um longo período. 
Hoje, próximo de completar 39 anos, lembro dos tempos em que eu tinha 14, 15, 16... 18 anos se tanto! Vinte e poucos anos é tempo para tudo mudar. E nada é mais como antes, nem os amores seriam, tampouco a diversão de colégio faria sentido. As ondas que peguei, beijos que ofertei, abraços dos amigos "inseparáveis" que agora nem sei onde andam. Tudo é tempo, tudo é momento, tudo é uma fração de amor de um período sem volta. Vivemos o momento, ele já foi! Não voltará, e mal algum fará que desta forma seja! Algumas coisas continuam lá, guardadas em um cantinho, alguma caixa velha junto do coração. Fisicamente, há coisas para lembrar... um farol, uma casa velha, o velho colégio Cruzeiro do Sul onde estudei. Tudo dentro daquela velha caixa... sorrisos, aromas, palavras soltas. O tempo não vai voltar, mesmo assim lembro. Queria tanto poder passar 5 minutos no túnel do tempo e lembrar de algumas coisas, inclusive de mim mesmo em frente ao espelho do banheiro enquanto escovava o longo cabelo. Sim, naquele tempo eu era cabeludo, motivo de sucesso em meio as meninas. Se soubesse que o cabelo, que hoje eu já não mais teria, talvez tivesse feito mais fotos. Eu era tímido... sempre fui! 
Agora preciso sair... vou visitar um cliente, mas eu volto a falar sobre as velhas caixas guardadas e as coisas que nelas estão. 

Uma Ghost bike para Joel Fagundes

         Sentar pra escrever sobre coisas felizes é bastante fácil... a bicicleta nos dá isto, mas agora o assunto não é tão produtivo por estar alimentado por tristeza. Pensei bastante sobre o que escreveria, pois as pessoas que conheço merecem esta atenção, esta palavra confortante. No entanto, estou forçadamente incumbido de dizer algo que a situação precisa. Sinceramente, gostaria mesmo é de saber como mudar estes resultados. Não quero falar sobre ciclistas ou pedestres que morrem pela ação irresponsável de terceiros. Não se trata de automóveis, se trata de irresponsabilidade. Existe uma frase que não é minha, não sei nem mesmo a origem... durante o desarmamento em forma de campanha, aqueles que protestavam sobre o direito de possuir armas em suas residências diziam: "Armas não matam pessoas, pessoas matam pessoas!"
        Este final de semana, jovens drogados, segundo os jornais, entraram em discussão, uns mataram o outro, passaram várias vezes com o automóvel por cima e depois enterraram o corpo nas dunas de Xangrila. Não usaram uma arma para matar, usaram um automóvel, que em outros papéis justos, também serve de viatura de polícia, ambulância, transporte escolar, ou do cotidiano para fazer comida na mesa. O que mata uma pessoa é o mau uso de algo... a faca que corta o pão, mata na mão de alguns. A cerveja na mão de outros, também mata, em exemplos diferentes... uma garrafa de cerveja já matou pessoas. Certa vez, em um bar, durante minha juventude... vi uma garrafa ser arremessada, atravessou o bar e encontrou os lábios de uma bonita jovem. Não preciso dizer que aquilo arrebentou com a boca da garota. Era dentes, sangue, um horror! Pessoas machucam pessoas, pessoas matam pessoas... a questão é como controlar isto? Deveria uma pessoa ter a chance de matar pela segunda vez? Não dá pra adivinhar que um condutor munido de volante mate alguém antes da primeira vez, exceto se todos fossem muito bem vigiados, mas pela segunda vez? Esta certo isto? Deixaremos este taxista voltar as ruas para continuar este maravilhoso trabalho de transportar e talvez matar pessoas? 
         Gostaria de coração que tudo isto fosse uma história inventada... preferia ter que falar sobre tecnologia da bicicleta, ou como é bom andar de bike, mas quis o trágico destino encontrar Joel. Joel Fagundes, 62 anos... sei que era arquiteto, tinha família e tal. Ontem, eu vi muito mais que isto... vi que ele era querido por todos que estavam ali. Não havia comportamento de revolta, ou se havia, estava muito bem controlado no coração de cada um. O que havia era sofrimento, as pessoas que não aceitavam a não convivência com Joel. Quem ama, quer! Quando não pode, sofre, simples assim! Para quem mata, a vida segue... para quem perde, fica a marca impressa no asfalto, sem direito a devolução. A vida não é nada justa! Me desculpem se agora, mesmo sem conhecer antes, vejo Joel como uma baixa de guerra. Eu prefiro, agora, imaginar que Joel foi um soldado da paz, que ele, junto com outros, estão fazendo parte de uma "turma pacífica" que deram suas vidas por outros que querem paz. A morte de Joel foi em vão por todo entorno, da tragédia, mas eu sei que ele é mais algum peso que o sistema vai carregar e uma hora não vai ter forças para ir contra. Quando o céu abrir e a bicicleta for justa e aceita, ela terá também a mão de Joel. Eu só tenho um pedido a fazer neste momento... que a dor seja "acalmada" na vida de quem ele pertencia. Acalmada porque ela é inevitável, não se consegue esquecer isto! Não aceitamos que os amores de alguém sofram por atos de um vivente irresponsável...  


Texto e fotos: Roberto Furtado

Operação policial... cobertura fotográfica exclusiva e reflexões

Casal foi preso sob acusações de tráfico de drogas, posse de armas e receptação de furtos e roubos; 2015.
Acompanhei uma operação policial, na condição de repórter fotográfico, que tinha como objetivo prender um traficante de drogas. O sucesso da operação é uma realidade que esta em jornais, sites e redes sociais, mas há, além desta legenda, outras questões. O crime não compensa... fácil é viver de ilícito e querer manter-se no anonimato, mas há descompensações. O traficante mais pobre que existe deve ganhar 3 ou 4 vezes mais que qualquer jornalista e, deve trabalhar centenas de vezes menos. A prostituição da vida, que para meu entendimento é vender a própria história para um caminho sem volta onde o resultado não é a paz e nem a liberdade, desenvolve uma trajetória incerta sobre o futuro distante e com riscos altos para a família do autor. Aqui, envolveu-se na história, sem a menor intenção e compreensão, um jovem de 13 anos que assistiu os pais serem presos por posse de drogas, armas e objetos roubados. Havia na casa de posse do casal, um veículo siena 2014 totalmente desmontado, uma moto de motor e chassis raspados, munições, drogas variadas como maconha e crack. No freezer havia pedaços de uma capivara, que caracteriza crime ambiental que não pode ser atribuído ao autor por falta de um orgão responsável nas proximidades. Havia, quase uma dezena de aves silvestres em gaiolas, incluindo um falcão. Duas peles, de capivara e ratão do banhado, estavam pela casa, também uma cabeça de jacaré acima de uma porta.
Quem comete um crime, se inclina em favor de novos crimes... fato! De tráfico, para receptação de roubos e furtos... para posse de armas, para captura e matança de animais protegidos. Onde esta o limite de cada humano? Se não é a tal marginalidade a resultante ou a promotora das questões, o que é? Porque algumas pessoas, tal como este que vos escreve, ganham pouco para se manter e mesmo assim escolhem uma estrada limpa, e outros vão para o que há de pior ou quase?
Trabalhei, nesta oportunidade, com a permissão de registrar o que estou acostumado... garantir a eternidade do fato. Na oportunidade em questão um fato triste e feio do comportamento humano, mas até para crescer é preciso olhar de perto o desequilíbrio social e, neste momento se percebe que é mais fácil ir para perto de uma criança que assiste a um desenho animado. Crianças... o que nos transforma de crianças para adultos tão complicados? Era mais fácil quando andava de bicicleta ou assistia desenhos animados. Agora, até os videogames são complicados e violentos. E os olhares sob o crime são críticos, mas a estrada até então não é vista como parte do caminho deste destino. Culpa de quem? De quem escolhe, mas será que o lar não é alimento da alma para esta trajetória? Não há livro no sistema: "Como não criar um bandido!"
Me vou agora para o que faço com alegria, exercer mais uma vez o ofício, mas nesta oportunidade, serão bicicletas. Alegria de adultos sobre a bicicleta... outra escolha de um ser humano, onde a resultante é fruto de outras maneiras de conviver em sociedade. Nem tudo é perdido enquanto há opção, enquanto outras escolhas são praticadas. 

Repórter fotográfico no Planeta Atlântida 2015 - segunda parte



Teve uma hora que a música calou, entre um show e outro, uma pequena pausa para organizar tudo e entrar a próxima atração. Nesta hora, chovia, muitos correram para se abrigar. Foi então que vi uma garota indo em direção ao painel próximo do palco central. Por ela a luz passava, revelando a silhueta e a solidão. Algo muito sutil, muitas vezes imperceptível. Vi naquele momento a oportunidade de fazer algo diferente pela fotografia do evento. Uma imagem com problemas de luz, mas luz diferenciada... luz que cortava o ar descrevia o chuvisco, visível na foto ao lado. Qualidade fotográfica não é exatamente nitidez, tampouco iluminação abundante, mas sim a história contada por um único frame, congelado! Um pé no ar, outro no chão, detalhamento de passadas, de movimento. Parado, mas evidente que pela fotografia que descreve um movimento... algo que só os observadores, leitores de um frame descritivo, podem ver ou sentir. Se há ruído, qualidade ruim do ar pela presença de umidade no contraluz, bem, isto é um artifício que se deve usar. Se a condição é esta... pode ser uma pena para uns, uma dádiva para outros. Prefiro usar o recurso que tenho, com as condições oferecidas, e assim, eternizar o que precisa ser feito. Ano que vem tem mais Planeta, mas no passado vai ficar picando estas imagens, cada qual em um olhar fotográfico. O olho de um repórter é constituído de razões inexplicáveis que acarretam no exercício de uma função. Se interessa a este olhar é pq tem motivo ou suas explicações. 

Quando morre um fotógrafo?


Quando morre um fotógrafo... esta é  pergunta que todo profissional já se fez. E a verdade é que todo mundo pensa na inexistência como uma estrada garantida em algum momento entre a velhice ou uma fatalidade antes do tempo. Prefiro pensar que morto esta quem nunca fez nada de bom, quem não deixou sua marca... Quem foi legal nesta vida marcou alguém de forma positiva. O autor leva o maior prêmio da estrada. As imagens deixadas por um profissional movido por paixão, sempre estão disponíveis aos que cercaram esta vida. Imagem é breve descrição através de um olhar específico, ímpar! Um repórter fotográfico não morre nem mesmo quando seu último clique é também o término da sua estrada...

Um repórter fotográfico morre somente:

1-quando ele não realiza sua vocação;
2-quando ele não aceita a tragédia que esta retratando (por dom sensibilidade especial).

Bom, esta é a minha forma de ver a morte de um fotógrafo...

Repórter fotográfico no Planeta Atlântida 2015

Vocalistas das bandas Melody e Jamz
  Bem... os que me conhecem, sabem que trabalho para algumas agências como freelancer. Me orgulho muito desta atividade profissional que escolhi. Posso dizer que pude escolher outras, bem mais rentáveis, inclusive a possível carreira de engenheiro mecânico que deixei para trás. Nem tudo nesta vida é possível fazer, especialmente quando se descobre o amor por algo, que esta em alguma direção oposta. Esta foi a história da fotografia na minha vida e, então, aos poucos me tornei um fotojornalista... e ainda estou lutando para crescer profissionalmente. 
Palco central do Planeta, mesmo com chuva, cheio!
  Acredito que o crescimento profissional, a lapidação do ofício, ocorrerá até o fim dos meus dias, quando então, os jovens estarão ao meu lado me ensinando as tendências de um tempo ao qual já não pertencerei. Acho que é desta forma que as pessoas deveriam ver seus ofícios, mas eu vejo quase que a totalidade estagnada após uma longa carreira de estudo, no exemplo de mestres e doutores, paralisados após a pós graduação. Infelizmente, isto é uma tendência natural dos profissionais... a gente fica estagnado, exceto se batalhar para impedir isto. Eu vou falar um pouquinho sobre isto... 
Todo mundo quer mandar um recado?
    No planeta, tal de Atlântida, vi muitas coisas que me permitiram avaliar o universo do jornalismo, pois deste depende integralmente meu crescimento como fotógrafo.  Aliás, não gosto de ser chamado de fotógrafo... sou fotojornalista. A diferença é sutil, mas eu não faço fotografia de aniversário, sem diminuir ou aumentar qualquer uma das atividades que empunham a máquina fotográfica. Se trata de ser visível por uma atividade que exerce... mas até mesmo os fotógrafos do meio jornalístico, chamam-se de "fotógrafos". Cada um tem o entendimento que quiser... Evidente que isto é livre, mas eu prefiro saber o que sou do que ser descrito por apenas empunhar uma máquina fotográfica...
Até pq, empunhar máquina, qualquer um faz... difícil é saber o que o cliente ou chefe da redação precisará! No planeta, vi dois tipos muito distintos de profissionais... os que lá estavam, com a faca nos dentes ou sangue nos olhos pra realizar o ofício; e aqueles que estava de alguma maneira procurando a zona de conforto, acomodados, alguns destes até esnobes. O ser humano almeja, alguns mais ou menos, todos de uma maneira diferente. Eu entrei nesta pelo ideal, não pelo dinheiro, embora precise muito do dindin, como a grande maioria. Não falarei tudo que penso sobre o ofício em uma única postagem.

Planeta Atlântida

    Sem dúvidas que este foi o maior e mais bonito espetáculo da música aqui na região sul do Brasil. Não tenho palavras suficientes para descrever e agradecer pela oportunidade oferecida, mas ainda assim tentarei. Cada artista que subia ao palco, deixava a todos arrepiados. Era artistas... são ídolos, simples assim! Música é algo que toca o coração, empilha esperança, alimenta a alma, derruba medos e traz confiança. Música é um pequeno texto sincronizado com o tom certo para convencer vc de alguma coisa... isto é música! Música é o que o mundo precisa, pra pensar e melhorar, mas não basta a música, é preciso querer! É preciso que os jovens queiram mudar, crescer, valorizar o que é bom. E a esperança que tenho é o que acredito... vai melhorar! O planeta foi show... perfeito! Cada um com suas preferências musicais, mas o planeta foi perfeito. Há o que melhorar? Sempre há, mas esta excelente! E enquanto houver algo assim de qualidade, haverá um profissional para eternizar tais momentos. É fato...