Gal Costa em Porto Alegre



       
        A interprete baiana Gal Costa esteve em Porto Alegre e esta foi uma oportunidade especial para os gaúchos. Gal interpretou clássicos de Lupicínio Rodrigues, sambista gaúcho falecido em 74. O evento fez parte das atividades da semana de aniversário de Porto Alegre, que completa 243 anos. O palco foi o auditório Araújo Vianna, que traz grandes lembranças e sentimentos aos gaúchos. O auditório foi lotado e o público em sua maioria possuía faixa etária acima de 30 anos, embora se percebesse a presença de jovens, possivelmente entusiastas da boa música. A luz favoreceu aos profissionais da imprensa, pois compunha perfeitamente o entorno de "show". 
Lupe, como era conhecido Lupicíno Rodrigues, boêmio e praticamente autor do estilo dor de cotovelo, compôs centenas de músicas que hoje são esquecidas da origem, mas que facilmente são reconhecidas. Uma delas, o clássico hino do Grêmio, "até a pé nós iremos"... e outras dezenas canções absorvidas por artistas. 
A coleção de imagens deste show de relevância ímpar estão na agência Raw Image. Como profissional, fotografar Gal Costa, assim como outros grandes artistas, tornou-se uma realidade especial para mim. Este blog tem por finalidade compartilhar minhas experiências com colegas, familiares e amigos. Talvez mais do que divulgar um trabalho de fotojornalismo, alimentar a cultura e a reflexão. 

A fiscalização das vias brasileiras

Rota do Sol, 2014.
Todo mundo gela quando vê a polícia rodoviária com alguma coisa na mão... logo se olha para o velocímetro e se pisa no freio sem muito pensar. Quantas vezes percebemos isto? Comigo aconteceram muitas vezes, mesmo que a velocidade estivesse abaixo do mínimo. Há muitas polêmicas sobre este assunto, mas no fim todo mundo sabe que é necessário um serviço de fiscalização para que os "rachadores" do asfalto não sejam tão espaçosos. É segurança para todo mundo... nesta data, estava trabalhando na estrada e encontrei a polícia fazendo o controle. Pedi permissão e fiz fotos como esta... as imagens deste trabalho estão com a Agência Futura Press.

O fim do fotojornalismo? Uma forte mudança pela frente...

Estádio Olímpico, Porto Alegre, 2014.
           Qualquer situação que seja supor sobre o futuro se torna um ato de especulação... não há certeza alguma até que o fato aconteça. Isto, qualquer jornalista sabe... "acho que vai ser assim ou pode ser que seja", não passa de uma imaginação ou talvez até de um gesto instintivo do autor. Me preocupa muito o que tenho visto... os velhos do fotojornalismo estão encrostados de certezas, principalmente sobre o futuro. Existencialismo é uma necessidade... sobrevivência! Muitos dizem que a fotografia, pura e singular, jamais vai terminar. Contudo, não tenho esta certeza. Estou vendo de perto a fotografia degradada nos jornais e revistas, também em sistemas ditos como mídias online. As imagens não podem ser mais pobres, sobretudo em qualidade do recurso... A mídia tem pauta, manda lá o jornalista, um repórter, empunhado de bloquinho de papel, caneta bic e um celular fantástico que faz fotos e joga na rede toda informação desejada. Muito prático... pois eu acho que isto é também encarar de frente o fim do fotojornalismo verdadeiro, aquele que, facilmente é identificado por crianças... um profissional com cara de cansado, cujas as mãos agarram um retratador poderoso, vulgarmente conhecido como máquina fotográfica. É um vivente que ganha mal pra burro, mas que esta se lixando para isto... ele pode até reclamar, mas não vai viver outra vida e não larga o trabalho que adora para viver outra profissão que pague o dobro. É... este é o fotojornalista que vive um momento complicado, ele esta vendo o fim ou mesmo a transformação. Quando alguém disse, um dia, que a fotografia sairia do rolo de filme 35mm para um arquivo digital, muitos disseram que isto seria loucura. Hoje, já bem disponível esta o video... um enquadramento passageiro pelo alvo e dezenas de frames do assunto em questão estão disponíveis para capa de jornal. Sim, o cinegrafista vai substituir o fotógrafo... vão atribuir mais uma função ao cinegrafista, de achar o frame certo e fragmentá-lo para impressão no jornal. Depois desta... o repórter e o cinegrafista serão um só, talvez na corrida pelo ganha pão que enxuga vagas de trabalho. E verdade seja dita, para que serve um profissional que pode ser substituído pelo outro. Ao que parece, fotografia em essência vai existir somente em festas sociais e publicidade, cuja qualidade não pode ser substituída ou realizada por filmadoras. Já imaginou separar frame de video do momento de um brinde de casamento? Ou da alta qualidade de campanhas publicitárias... sim, seremos extintos. Todos nós... e deve acontecer também com os cinegrafistas, afinal, eles serão substituídos pelos celulares dos repórteres. Encerro este manifesto de uma forma muito tranquila... sei que há inúmeros erros gramaticais e etc, afinal, lembro-vos, sou um repórter fotográfico, não um redator!

Greve dos Vigilantes

         A greve é algo muito interessante... se pensarmos nos motivos, daremos razão sempre para quem pede e torna a greve real. Como não se sentir sensibilizado com profissional que recebe para sobreviver, cerca de 1200 reais por mês e, que em troca oferece a segurança de um local com arma em punhos. É a velha situação de matar ou morrer... um dilema que não é opção. Uma vez escolhido e de arma em mãos, inalterada será a circunstância do confronto. Mate ou morra... com sorte, apenas ferimento. Não estou dizendo, em hipótese alguma, que é fácil para o empregador manter tais profissionais. Contudo, vos lembro que eles trabalham de forma terceirizada para os banqueiros... que se não estão ricos, ficam, ou se mantem, as custas de suor e risco. Mas enfim, não estou aqui para refletir... sou um repórter fotográfico e meu dever é retratar a realidade, mesmo que alguém goste ou desgoste, sou portador da notícia retratada. Sou, muitas vezes, visto como intruso, como um urubu, como um abutre. Eu sou apenas mais um profissional, mal reconhecido, muitas vezes, pq só o que é valorizado é aquilo que traz poder. Mas eu acho tão estranho, pq eu pensei que "querer é poder..."

Protesto "vem pra rua" de Porto Alegre contra o governo


Foi no domingo 15 de março de 2015... uma das manifestações mais interessantes que já presenciei. Acordei cedo, pois mais uma vez eu trabalharia para a Sociedade Audax de Ciclismo. Das 4:30 da matina na zona sul de Porto Alegre para a largada da prova em São Leopoldo. De lá, acompanhando os ciclistas que pedalariam 200 km ao término da prova, fomos a Rolante e Santo Antônio da Patrulha. Ao estar liberado, retornando passei por Novo Hamburgo onde a BR-116 estava bloqueada por manifestação contra o governo. Passando por ruas laterais, engarrafadas, segui para Porto Alegre, pois queria fotografar o protesto da minha cidade. Sou um jornalista, tenho minha "finalidade profissional", mas neste dia eu faria também um registro pessoal... eu coleciono fotos de protestos. Podemos dizer que é uma finalidade profissional também, mas existia um querer fotografar além do ofício. Eu queria ter justamente o retrato de um momento onde 100 mil pessoas se posicionavam a respeito de algo. Sem ideologias políticas ou partidárias, pois não sou militante ou torcedor, empunhei a máquina registradora do tempo e garanti o que eu gostaria de recordar quando chegar aos 90 anos. E se meus olhos e me mente permitirem, estarei olhando para estas imagens lá por 2050 relembrando o lutei para ser. O luto para ser alguém que expressa a realidade, entre conflitos internos e externos, caminho para um ideal jornalístico. Eu vi milhares de pessoas protestando em minha cidade, depois de trabalhar por mais de 12 horas voltei para casa... e vi em mim a satisfação por fazer algo que amo. Amo o ofício... pague pouco, seja desconfortável, duro e não reconhecido, é meu exercício de trabalho. Lutarei por ele... estarei em dois lugares se possível, ou quão difícil seja!

Repórter fotográfico: Funcionário X Freela

               Durante algum tempo eu quis trabalhar para um jornal... na verdade, toparia ainda a experiência por um período. Me incomoda um pouco, depois de experimentar a liberdade, saber que precisaria fazer as coisas somente nos moldes estabelecidos, deixando de lado uma grande parte que todo autor precisa, tal iniciativa livre e gratuita. Fotógrafo, ou mesmo o repórter fotográfico, necessita de espaço para criar. A mente precisa estar aberta... e de fato, restrições tendem a impedir este processo criativo. Alguns profissionais talentosos por natureza, conheço alguns, fazem deste ofício como funcionários em excelente destaque. Eles são bons funcionários e, mesmo que "emoldurados" pelo sistema, ainda possuem a tal liberdade que tenta aflorar quando não estão sob pressão. O exercício de funcionário tem suas garantias... salário fixo, benefícios e seguranças. Freela passa pelo trabalho diário de correr atrás da pauta que se divide em duas tarefas... realizar a mesma da melhor maneira, e de alguma forma obter o sustento com este trabalho. Funcionário não tem preocupação de para quem vai vender... evidente e comum em qualquer profissão. O freela é uma gama variada no sistema... vc vê freela passando fome, e freela que trabalha 5 dias no mês e vive como alguém não precisa trabalhar no restante dos dias. Tem freela que faz um único trabalho no mês para ganhar 6 paus... e funcionário mal chega nos três mil. Por outro lado, ter trabalho que pague tão bem não é fácil, têm umas histórias por trás disto. Ninguém vira fotógrafo do dia para a noite e então começa a desfrutar deste conforto. E conforto assim não é rotina, tem meses e meses... e assim como há clientes de todos os tipos. Trabalhos especiais exigem valores especiais... para profissionais especiais. O mar é uma oportunidade para quem quer conhecer o horizonte, mas para chegar até lá, muita água vai passar. Uma vez, conversando com um fotógrafo renomado, em conversa muito agradável sobre a profissão, ele me disse: "Já vi muito fotógrafo bom passando trabalho... e já vi muito fotógrafo moderado ou ruim ter trabalho bom sem esforço! Fotografia é um negócio! Ser bom fotógrafo não é garantia de sucesso!"
Diante de questões como estas, penso que fotógrafo bem sucedido é aquele que consegue atingir uma média alta em seus adjetivos. Não é fácil ser bom ou quase bom em tudo... existe sempre um lado que peca. Pode ser o trato, resposta frente a problemas, detalhismo, etc. Pra ser bom freela tem que ser bom em tudo, de outra forma apenas de mantem, apenas evita-se a fome. Pra ganhar mercado é preciso ser "grande" nas intenções e observações. Eu conheço poucos assim... e naquela conversa que citei antes, ouvi também: "Apenas uns 3% dos profissionais conseguem algo diferente... o restante é comum!". E foi ali que tive mais medo neste mundo... onde eu me encaixaria? E aos poucos a gente vai conquista confiança e aprendizado, da dita experiência vem um degrau por vez que alimenta o investimento em si mesmo. Então vc começa olhando para trás e enxerga a si mesmo como um andarilho que tem histórias para contar. E nestas histórias vc percebe que consegue se manter com toda dificuldade do autônomo e que só há duas possibilidades ou o próprio cruzamento das duas para garantir sua existência no mercado... sorte e/ou competência! Entre funcionário e freela... funcionário nunca fui neste ofício, mas gostaria de experimentar, inclusive para alimentar meu livro. Contudo, sei o que sou... sou freelancer. E como a própria palavra diz... sou livre!

Motorista passa mal e derruba poste...

As imagens estão disponíveis em Raw Image. É proibida a cópia ou reprodução das imagens. 
Na tarde desta segunda feira... um motorista passou mal, subiu com parte do carro na calçada e foi derrubando o que tinha pela frente. Estive no local para registrar... O automóvel ficou bastante danificado após derrubar a sinalização de trânsito e um poste de madeira da rede de energia. 

Ameaça de bomba... SQN!

As imagens estão disponíveis em Raw Image. É proibida cópia desta ou de qualquer imagem. 
Hoje fiz fotos da ameaça de bomba... um suposto artefato explosivo encontrava-se ao lado de uma lixeira na rua Marques do Herval, quase esquina com a Félix da Cunha. Depois de detonados dois explosivos junto do artefato, os profissionais do Gate constataram que não se travava de explosivo verdadeiro. Era só uma brincadeirinha de mal gosto de algum malandro. 

Pelas ruas.. Loureiro da Silva e Gen. Lima e Silva

Porto Alegre, 2014.
As ruas... elas sempre me deixam confortável! Carros indo e vindo, pessoas, bicicletas... detalhes tão pequenos de uma foto perdida por automóvel atrás de poste de sinalização, se perdem! Ainda assim são imagens, são pequenos fragmentos de um local, uma cidade. Quem quiser vai lá ver, quem quiser fica apenas com a foto, mas eu recomendo sair para as ruas, pois nada é tão forte quanto o coletivo de sensações. Do som, ao cheiro do vento... imagem é apenas complemento!

E da minha natureza... tal de fotojornalismo!


Este conto sobre o sapo e o escorpião descreve bem a "natureza" do fotojornalista... é da minha natureza ser persistente, resistente e seguidor do ideal. Talvez, responda também pelo cansaço que a profissão oferece, de tipos diferentes. Fotojornalista corre atrás do trânsito, com velocidade e peso nas costas, contra a maré que todos fogem quando o assunto é protesto. Cansa também pela falta de reconhecimento do sistema, mas tu pode olhar bem a mão do PM... ela segura com força o escudo. No dedo há também uma aliança. A representação da imagem descreve o fotojornalismo parecido com os princípios e necessidades de outras profissões. Tem que ter amor e força pra tocar a vida profissional adiante... Fotojornalista esta sozinho no mundo, ele vai para clicar e viver, mesmo que algumas pessoas digam que "isto é bom para morrer ou apanhar"! 

O Sapo e o Escorpião

Certa vez, um escorpião aproximou-se de um sapo que estava na beira de um rio. 
O escorpião vinha fazer um pedido:
"Sapinho, você poderia me carregar até a outra margem deste rio tão largo?"

O sapo respondeu: 
"Só se eu fosse tolo! Você vai me picar, eu vou ficar paralisado e vou afundar."


Disse o escorpião: 

"Isso é ridículo! Se eu o picasse, ambos afundaríamos." 
Confiando na lógica do escorpião, o sapo concordou e levou o escorpião nas costas, enquanto nadava para atravessar o rio.  
No meio do rio, o escorpião cravou seu ferrão no sapo. 
Atingido pelo veneno, e já começando a afundar, o sapo voltou-se para o escorpião e perguntou: 
"Por quê? Por quê?" 

E o escorpião respondeu: 
"Por que sou um escorpião e essa é a minha natureza."

Seja gentil...

Rua Arnaldo Boher, quase esquina com avenida Teresópolis. Foto: Roberto Furtado
Acho que ideias assim são extremamente importantes... visibilidade precisa ser usada para construir um mundo melhor. Então, como repórter fotográfico e crítico da bicicleta, decidi promover ideia dos caras aí da #sinergy, comprei a ideia. Seja simplesmente, gentil!