Andarilhos... a casa é a estrada!

Rota do Sol, RS, 2015. Foto: Roberto Furtado / Sociedade Audax de Ciclismo

Vale do Vinhedo, RS, 2015. Foto: Roberto Furtado / Ekonova
É muito difícil explicar o que sente um ciclista de estrada. É o tipo de sensação que apenas o exercício pode descrever. E acho que uma boa foto quase pode sugerir, mas para isto é preciso estar no lugar certo. Devagar se vai longe, devagar se percebe mais coisas sobre o mundo, sobre as paisagens, sobre os aromas do campo que costeia uma estrada. O verde do campo, dos bosques, dos arbustos, das plantações, das videiras, assim como o céu desenhado por nuvens, o plenamente azul... ao oposto de todo, sol sempre é azul forte. Entre o céu e o chão, de asfalto o de terra seca e batida, o som dos pneus não pode ser registrado por fotografias, mas pode ser sugerido por aqueles que possuem experiências, compreendido por aqueles que tocaram a terra com as mãos. Mão direita no botão de disparo, mão esquerda na objetiva, enquadra, clica... eterniza poesia em cores. Andarilhos são poesia de estrada... ciclistas são coerentes andarilhos com pouco tempo para viver tudo que há, com sede de viver com o vento no rosto. E acima de tudo... não querem esquecer nenhum minuto para o tempo passado. Devagar se vence muito quilômetros... de longe se vê os olhos de um andarilho. Ele tem fome de distância, atenção em valores diferentes da Terra e, depois de muito tempo, muita história pra contar. Histórias que ninguém tira de ninguém... enquanto alguns perdem tempo, outros caminham, pedalam, fotografam!

Para três tons de cinza... na estrada das reflexões do fotojornalismo!

BR-386, Estrela, RS. Foto: Roberto Furtado / Diário do Andarilho.com
           A estrada do fotojornalismo é muito complexa no que diz respeito a opções e direção certa. O fotojornalismo feito para jornaizinhos talvez esteja com os dias contados... parece quando penso em agências querendo pagar entre 5-30 reais por uma boa foto. Se trinta reais por foto até parece tentador, não deixo ninguém esquecer que na grande maioria das vezes se vende uma ou duas unidades. "Não é muita coisa..." tem editor que diz isto!
Aí entra aquela conta famosa dos repórteres fotográficos, cuja conclusão sempre direciona os mesmos ao emprego de carteira assinada para benefícios do jornal, e estamos falando de uns 2000 reais, se tanto!
Só que há tempos eu, e muitos outros, deixamos de acreditar no trabalho de fotojornalista por meio de jornais e agências que vendem para estes. Ontem mesmo, disse a um colega jornalista que trabalha com assessoria de imprensa: "Eu faço fotojornalismo de rua porque sou apaixonado... pq isto nunca pagou nem mesmo a gasolina!"
Ontem, enquanto recebia uma diária que fotojornalista de redação recebe por 10 dias de trabalho, encerrava meu dia pela estrada com este cenário de céu cinza bonito. Me senti feliz por não estar dentro de uma redação que paga tão mal por um trabalho tão necessário e bonito. Definitivamente... de alguma forma pulei esta fase, precocemente ou não, pouco importa. Acertei a mão, fiz das tripas coração e encontrei um caminho. Mostrei a imagem ao meu pai e ele disse que ela tinha três tons de cinza. E foi ali, naquele momento que percebi que a vida não tinha duas opções distintas entre desistir ou seguir em frente. Percebi que uma terceira opção me dizia para "fazer diferente"!

Pelo caminho do gol... reforço na segurança!

No caminho do gol, 22.11.2015. Foto: Roberto Furtado 
         Há tempos se observa o crescente interesse pelo futebol brasileiro como função de entreter o povo. Negócio lucrativo, tomado de motivação de consumo de marcas e de bebidas lícitas. Vende bem o fabricante de cerveja... e se ganha bem a fábrica, ganha bem o Estado na forma de impostos. Me peguei aqui refletindo que quem paga o pelotão de choque, nesta data, foi o fabricante de cervejas... já que o governador diz que o estado esta quebrado. Como observar é uma função necessária aos jornalistas, se imagens são complemento ou pivô de uma reflexão ou informação, por trás destas questões há outras situações que não apenas a alegria de caminhar pelo caminho do gol... ontem, vi centenas ou milhares de torcedores bêbados. Eles foram financiadores do caminho do gol, dos servidores da EPTC e da tropa de choque. Aliás, o pessoal do choque tem meu respeito verdadeiro... com gestor do governo tão carrasco no pagamento dos salários, ainda se colocam em situação da obrigação de riscos. Se aos que olham parecem os policiais seres dotados de capacidade violenta, vejo-os como necessários para restaurar ou manter a ordem. De outra forma, como acontece em países que estão em descontrole maior, seria uma onda de assaltos, estupros e quebradeira. Cuidado ao pensar... temos muitos assaltos aqui, mas poderia ser bem pior... bem pior! Viva a cerveja que garantiu a segurança na saída e entrada do jogo de futebol... viva o futebol! Nunca vi um esporte com tanta infraestrutura... o futebol esta no caminho certo! Cerveja, "exército" e impostos pagos. 

Combate ao fogo no Morro Teresópolis

Helicóptero da Polícia Civil auxiliou bombeiros no combate ao fogo no Morro São Caetano.
Foto: Roberto Furtado / Folha Press
O dia seguinte de forte chuva surpreendeu os moradores de Porto Alegre com um grande incêndio na zona sul de Porto Alegre. O morro São Caetano ou morro Teresópolis, também conhecido como morro APAMECOR, estava em chamas. O vento forte espalhava as chamas que mais uma vez queimavam a vegetação rasteira do morro. Os bombeiros foram chamados... e logo depois aparecia no céu o helicóptero da Polícia Civil, em resposta ao chamado dos bombeiros. As ações de descarregar grandes volumes de água aconteciam em ciclos com grande velocidade. A cada volume logo sumiam parte das chamas... Muita agilidade na operação garantiu a extinção das chamas. Bombeiros permanecem ainda no local, para evitar o surgimento de novos focos de incêndio. 
O fotojornalista Andarilho cobriu a ação com exclusividade... as imagens estão com a Agência Folha Press.