About things

Nymphoides spp, litoral do RS, 2007. Fotojornalista @betoandarilho #braziliansnapper #fotojornalistabetoandarilho
                  A maior válvula de escape esta dentro de nós mesmos... Desde que comecei um novo ciclo de mudanças, e tenho isto de tempos em tempos, percebi que as "receitas de bolo" sobre estes assuntos são meio que experiências de cada um que as pessoas pensam que servem como padrão para ser aplicadas aos demais desafiadores. Não... não servem, mas é possível aprender muito com isto. Atualmente, o motivo mais comum que me leva as reflexões é o crescimento interior... eu preciso, quero e posso, afinal, estar estático é uma situação para os inanimados.  Vejo muitas pessoas tentando fazer isto... a grande maioria não sabe como fazer, algumas até pensam que estão conseguindo, outras nem tentam, e por diante vamos com infinidade de variáveis. A situação mais irritante que tenho visto, e acredito que de pouco resiultado, são estas frases prontas com efeitos de moralidade ou de princípios e valores. As pessoas jogam isto na internet, frases prontas, e me pergunta se elas realmente pensaram nas questões que estão envolvidas antes de publicar. Eu não sei se elas estão realmente procurando uma válvula de escape, ou alguma teoria sobre conspiração interna e seus muitos conflitos, ou se estão travando uma luta silenciosa contra algumas pessoas ofertando pequenas letras ou recadinhos subentendidos. Eu apenas percebo que isto não leva estas pessoas aos lugares qe elas gostariam, pq vejo que elas não param de fazer isto, não parecem encontrar a paz que tanto almejam. Embora isto pareça muito inapropriado, pq cada um vai ter sua filosofia e caminho para encontrar o seu próprio local de paz, tento seguidamente compartilhar as minhas experiências e reflexões aqui neste blog devaneio que se mistura entre meus trabalhos fotográficos e minhas teorias sobre os caminhos internos. Encontrei um lugar muito interessante, que foi montado por pessoas que compreendem minha vida, por situações que eu criei, com fundamentos que me pareciam translúcidos. Há um amigo, psiquiatra brilhante, que certa vez me disse: "encontraste um caminho que te cura... fizeste tuas próprias soluções quando passou a escrever sobre isto!"
Foi então que percebi que utilizei os mesmos caminhos que muitos, só de uma forma mais sofisticada, pois eu não utilizava os passos alheios para justificar os meus... eu criava minhas próprias estradas e roteiros. Sei que muitas pessoas são capazes de fazer o mesmo, afinal, eu não sou dono de uma razão formatada, tampouco me acho brilhante para chegar aqui. Contudo, se posso utilizar minhas reflexões como base para ajudar alguém, seria justamente isto que me agradaria fazer. O que são os textos de auto ajuda? Bem, eles são marcadores, eles são os "check points", endereçados, que já citei outras vezes em meus devaneios. O melhor entendimento para a gente saber para onde ir é começando por saber onde esta... e o segundo passo é saber o que precisa! A direção é uma consequência disto... pense bem sobre frases prontas! Como elas realmente te ajudam...
Tenho isto de ser um autodidata para assuntos de real interesse e, por isto, sempre sincronizo meu trabalho, meu lazer, analogias entre estas ciências, também efetuo reflexões para alcançar o meu nirvana, se é que isto é possível! Só o que posso dizer... estamos todos sozinhos e ao mesmo tempo todos acompanhados. Sozinhos pq esta estrada só pode ser percorrida por ti mesmo, acompanhados pq se vc olhar pro lado, sempre poderá ter um amigo. E não seja egoísta... não esqueça, que o egoísta é aquele cara que muitas vezes se vê sozinho por ter muito pouco a oferecer. Então comece por se amar e se compreender, externe todo o amor aos próximos de vc, e então observe o amor retornando. Isto não é um papo moldado por religião... eu sou um errante sem doutrina estabelecida. A minha única escolhe religiosa esta em respeitar a mim e aos demais, e promover a paz que eu gostaria de receber. Sobre as coisas... bem, eu gostaria de pensar que elas são bem simples e com isto torno parte delas bem fáceis de serem compreendidas. Optei por este pensamentos e acho que por isto me tornei um ser humano de paz, ouço sim coisas das pessoas de como sou gentil, querido, afetuoso, mas sei que tenho tanto a aprender que não me considero algo mais do que um aprendiz. Humildade é a chave de tudo... quanto mais cresce este sentimento em mim, mais aprendo. E faz muito sentido...

A minha mensagem... um excelente 2017!


Estágio para Jornalistas, CCOPAB, 2016.
           Bem, vamos lá... neste instante estou com os olhos cheios de lágrimas, de alegria! Encontrei o maior valor que um ser humano poderia... ou pelo menos este foi o maior valor que eu encontrara até agora. O valor da amizade, do amor entre amigos. Este ano, trabalhei menos que em 2015, mas eu vivi muito mais. Estive com as pessoas certas... o ano não começou bem, teve uns tropeços e mau tempo, mas depois deste período veio uma ladeira que me colocou numa velocidade que eu nem podia controlar. As pessoas entraram na minha vida, tão intensamente e lindamente, e eu só consegui atribuir isto a um presente. De quem foi... bom, cada um com suas crenças. Acho que o universo conspira a favor de quem esta interessado em amar. Não fui nem um pouco econômico no amor em 2016... e me foi devolvido amor dobrado, no mínimo. É uma situação louca que a gente aprende vivenciando. É no mínimo muita sorte... e com tanta sorte no amor, certamente não terei tanta no jogo, mas como vc me conhece, sabe que não estou nem um pouco preocupado, apenas zoando!
Eu queria ter um sistema de teletransporte para poder beijar cada um que esta nesta foto e todos os demais que conheci e com quem sorri até agora. Dar uma abraço apertado e um beijo em todos meus amores, sentir o calor do abraço, me arrepiar pelo carinho e dizer pessoalmente coisas que nunca digo. Sim, eu não disse coisas a vcs, pq sou de uma timidez absurda, mas isto estou resolvendo aos poucos. Espere um Andarilho muito diferente para o futuro, muito mais comunicativo. Eu não esqueço de cada sorriso que me foi dado... seja por esta turma linda, seja por vc que conheci em outro lugar, não diminuiria ninguém nesta história. Espero que nossos caminhos se cruzem novamente um dia... e a maior lição que recebi foi com relação a esperança. Por causa de todos vcs eu passei a acreditar que o mundo esta evoluindo. Gostaria de pegar nas mãos, de abraçar, beijar, papear, tomar um chimarrão, sentar em uma praia e ao cair da noite beber uma cerveja com todos vcs. Vcs são lindos! O fotojornalismo me deu amigos, completou minha vida. A bicicleta me carregou para muitos lugares. A amizade me trouxe conforto em todos os momentos... 
Meus amigos queridos... terminamos o ano em paz! Estarei nos canais sempre esperando um pedido de ajuda, um colo, um abraço, um convite para farra! Não há vida sem vcs... pq vcs são a vida! Desejo aos queridos, muita paz, saúde, realizações e andanças... pq quando se anda, se aprende! Sabedoria só surge na estrada... esta dada a minha mensagem! Cultivem o amor, e o amor virá até vcs!
Bj e abraço apertado!

Beto

Carregado pelo vento...

Foto: Roberto Furtado
         Quando voltei do Rio de Janeiro, senti o peso de grandes mudanças dentro de mim... Fui fazer um estágio de preparação para jornalistas em zona de conflito. E não tenho certeza de que estou preparado para viver qualquer situação tensa e hostil, mas sei que vou sobreviver por algum tempo mais ou até mesmo me sentir mais tranquilo para enfrentar o pior. Foi o treinamento... foram as palavras dos militares instrutores, dos amigos que fiz lá, a tensão de simulações, o ardor do gás lacrimogênio, a mudança de hábito, a dor do afastamento, o medo do futuro e outras situações que me transformaram em algo diferente. Eu não tenho o mesmo sorriso há algum tempo, me dizem isto! Contudo, acho que ainda sou o mesmo "molenga", coração mole! Tenho corpo forte para o porte, tenho mente de quem já fez um audax, de quem passou frio e fome, talvez medo da morte, e de uma dor que não esqueço. Eu senti muita dor certa vez... e acho que o fato de ter me machucado e ter feito mais 130 km pedalando, mesmo estando com o ombro arrebentado, me fez mais forte num treinamento da vida real. As enxaquecas que são coisa do passado, também tiveram cota de importância... aliás, me pergunto pq nunca mais tive! Seja como for, todos estes experimentos, verdadeiros ou simulações, tornam-se grandes oportunidades para nos transformarmos em pessoas mais resistentes e aptas. Eu me sinto, hoje, carregado pelo vento... eu não me abalo por qualquer coisa. Eu só tenho uma fraqueza... meu coração mole! Eu tenho o coração mole... sei que posso apanhar até contar alguma coisa, pq a tortura seria apenas uma questão de tempo. A tortura é convincente... eu aprendi isto no curso. O tempo que vai levar pra vc ceder é uma incógnita, mas ele é o fato, vc vai falar, vai ceder! Fora do estágio, longe do Rio de Janeiro, fui submetido a um teste de vida. Eu fui submetido a uma condição de tortura... eu resisti, e isto não adiantou. Eu segui resistindo, mas chegou o momento em que falei o que não queria falar. A pressão psicológica é das piores torturas que existe... e você fala, é questão de tempo. Não interessa se foram 8 meses, não interessa se foi no primeiro dia... vc fracassa, não importando o tempo que levou pra isto. Acabei aprendendo que a saída é negociar... O que vc quer? O que posso oferecer em troca do cessar fogo? Isto faz parte do meu passado, pois já estou livre disto. A gente não esquece, a gente se ergue, se arma pra vida, e se volta contra as ondas do mar. Eu sou um prancheiro... eu entrei em mares revoltos puxando linha de pesca, contra corrente, contra as ondas, contra o frio, com medo, com receio de não voltar. Há duas incessantes questões durante as dificuldades... uma mentindo pra vc que é possível, outra mentindo pra vc que não consegue. Lidar com as duas é uma questão de estar preparado... e a única questão que é garantida para quem se submete a vida é que vc vai ir e estar cheio de incertezas. Vc pode, vc consegue e deve tentar, mas o medo existe. Como diz a música... "A dúvida é o preço da pureza, e é inútil ter certeza!" (Engenheiros do Havaí). Eu me sinto tranquilo, qualquer que seja o fato... me sinto carregado pelo vento, sem saber onde vou parar, mas sei que pra deixar uma marca no mundo vai ser preciso muito mais do que simplesmente clicar. Vai ser preciso enfrentar todos os demônios da estrada, e talvez nenhum deles seja meu mesmo, mas ainda assim terei que superar todas as adversidades. E ainda assim vai valer a pena, independente do resultado! 

Memórias e reencontros...

Estrada, RST-101, Capivari, RS. 
        Ontem, falei novamente com uma amiga depois de muitos anos. Eu conheço ela desde pequeno, quando éramos crianças. Me lembro dela pedindo e ganhando pirulitos ou balas ao motorista do microônibus escolar que nos levava para casa. O seu Antenor dirigia aquele ônibus cheio de crianças e nos transportava com carinho... e lembro sempre da minha amiga, na parte mais frontal do veículo, perto do motorista. Ele era um grande conversador... e a 30 tantos anos atrás não existia esta proibição do motorista conversar com passageiro, ou pelo menos não parecia que era diferente. Ela vinha sentada ou em pé perto do seu Antenor... e eu, sentado mais atrás. Estranhamente, eu a cuidava, eu vinha sentado nas poltronas da frente, possivelmente terceira fila. Anos mais tarde, uns 10 anos... nos tornamos namorados. Eu mantinha estas lembranças guardadas enquanto fui casado, pq pensei que seria desrespeito falar sobre isto. E também acho que estou ficando velho e emotivo... eu sempre ouvi que coração humano endurece com o tempo, mas acho que o meu nunca foi tão amolecido. Me tornei um quarentão, chorão, apegado as lembranças! Depois de uma série de acontecimentos, aprendi a valorizar o presente. Digo se amo no presente, vivo o sorriso do presente, me divirto no presente, mas adoro pensar no futuro, e mais ainda no passado. Tenho falado muito sobre estas questões temporais... estou me divertindo muito, me reinventei pq faço coisas que nunca imaginei fazer um dia. Venho lapidando minha vida como um errante... eu aprendo todos os dias, estou muito apegado aos meus amigos, sinto saudades de tantos, as vezes até dói! Então tive a feliz oportunidade de conversar com esta minha amiga, que já foi namorada! Ela vai muito bem, casada, grávida, em crescimento profissional, a mesma querida de sempre! Ontem falei com ela, por esta máquina que vos escrevo, um bom papo, saudável, positivo, maduro! É bom saber como as pessoas de nossas memórias vão... elas vão, mas elas aparecem, as vezes.  Eu, caminho em carreira solo... tudo muito novo, tudo diferente, vivencio amizades, tomo minha cervejinha de vez em quando, dou umas risadas boas e libertadoras. Estou reaprendendo, vou bem, muitas vezes não poderia ser tão perfeito. Aprendi que amor é um sentimento que vc tem pelas pessoas, quer seja um amigo, família, namorada, esposa, filhos dos amigos! Amor é um sentimento libertador, te livra do peso, gera esperança e alimenta o presente. Eu caminhei muito pra chegar até aqui... acho que cheguei na metade da minha vida, imagino tudo que me aguarda. Cada aventura que vivi carrega um sorriso de um amigo, eu sempre fui de fazer amigos, mesmo que sempre tenha sido tímido! Por onde andei, amei, também errei, mas aprendi... e com meus aprendizados vieram grandes realizações pessoais. Não há maior medalha no mundo que o amor... agradeço aos meus amigos e família, amores que fiz nesta estrada, por todo carinho e aprendizado. Gratidão é o sentimento que transborda em mim, neste momento. E a sensação que tenho é de muita paz... 

Como mudei a minha vida... (parte II)

Cânions em Cambará, RS. 
          Uma perspectiva diferente sobre as situações do cotidiano... acredito que mudanças se relacionam com estas perspectivas e novos entendimentos. Como enxergamos os fatos da rotina? Bom, na outra abordagem sobre isto, descrevi esta questão temporal dos fatos. Algo distante e algo ao alcance da mão... é comum a gente vislumbrar situações que estão distantes da gente. Podem se relacionar com presente e futuro, mas se encaixa em outras questões e agora explico. Se você estiver junto de uma árvore frutífera, vai querer pegar os frutos que estão ao alcance da mão ou os que estão nos galhos mais altos? Acho que alguns vão pegar os frutos ao alcance da mão, outros vão querer alcançar os frutos que estão além da extensão dos braços. Vc pode perceber que isto é uma realidade quando a gente esta em um grupo de pessoas... amigos ou conhecidos em uma situação de coletivo, apresentarão, sempre, comportamentos distintos. Acredito que todos concordam que teremos sim estes dois pensamentos entre um grupo junto de uma frutífera, e estou sendo extremamente simplista e desconsiderando a infinidade de degraus que distancia estes perfis. Nós podemos colocar uma relação de equivalência das pessoas que vivem o presente sem pensar no futuro para aquelas mesmas que pegam os frutos que estão ao alcance da mão; Um segundo grupo vai desejar os frutos distantes, e serão as pessoas que tentam coisas mais inatingíveis no momento presente, mas que em alguns casos conseguem objetivos diferentes. Não estamos aqui pra dizer que A ou B estão 100% corretas ou equivocadas, mas estes são caminhos motivados por escolhas, sejam de natureza própria ou de desenvolvimento em vida. Certamente, você vai se encaixar em uma das perspectivas, e em alguns casos pode ser até nas duas, dependendo da tua evolução e forma de encarar o mundo. Até um passado muito próximo, me encontrei na situação de buscar situações distantes ao meu alcance. E isto é um fator desconstrutor da confiança, pq no decorrer da estrada ocorre a mudança de direção devido a situações que não dependem de nós mesmos... e por isto, muitas vezes quem se projeta no futuro acaba se frustrando. É impossível alcançar frutos do alto quando eles estão fora de alcance e se vc não possuir o tempo necessário para construir esta escada. A vida é assim... vc precisa de tempo para certos projetos, mas nem sempre este tempo nos é dado, e pior, nem sempre as ferramentas estão todas disponíveis no momento em que precisamos. Não estou dizendo que não devemos criar perspectivas para o futuro, não estou garantindo que muitas vezes as coisas não saem como queremos, mas posso dar certeza sobre a imprecisão da sucessão destes objetivos. Não existe precisão no que diz respeito a vida, menos sobre situações de longo prazo. Esta é uma perspectiva que mudei em minha vida... diz respeito a imagem ao alto. Eu posso desejar ir até o outro lado do cânion e curtir a vista quando lá chegar, ou posso apreciar o que está ao meu alcance. Posso tocar este campo onde piso, apreciar a vista da onde estou; ou posso desafiar-me para fazer o mesmo quando chegar ao outro lado. Pq eu escolheria o caminho mais difícil... pq não escolher o agora no lugar do futuro? Quer dizer que não devo fazer planos? Não, não é isto que eu disse... eu disse que vc deve apreciar o presente, mesmo que ele seja parte de um futuro. Não devemos ter perspectivas de felicidade apenas em um futuro... não devemos pensar em nada como futuro. Podemos sim ter um presente que seja construtor de um futuro, mas este, deve ter lógica existencial em um presente! Eu posso pegar os frutos próximos e ir construindo uma escada no tempo, aos poucos me transporto para um presente que antes era futuro, portanto, há uma forma especial de ver tudo. Sem frustrações, sem perspectivas vazias, dando valor ao que possuo no pertencente, sendo meu próprio e feliz presente. Das mais belas coisas da vida é a própria apreciação do mundo no tempo em que pertenço! Eu sou um andarilho, eu penso, eu existo, sou meu próprio caminho!

Estrada...


         Acho que algumas vezes a gente cansa de estar na estrada... estrada real, aquela que distancia casa e trabalho por centenas de kms. Acho que a idade nos acomoda... que nem um caminhão carregado de melancia, elas vão se encaixando, se acomodando, e depois as mais de baixo estão praticamente imóveis. As de cima serão adaptadas aos novos espaços e mudanças... e assim é a trajetória profissional. A gente não cansa de fazer o que gosta, mas estrada e direção não é exatamente o trabalho, mas o meio entre os locais. É na estrada que fico pensativo, mais! Eu ainda não consegui ver isto como prejuízo, mas que cansa, isto é fato! Penso muito nas coisas que desenham a vida... e me transporto de um lugar para outro como se este meu veículo, um corpo humano, fosse algo meu, exclusivo, mas é aí que a gente percebe que o trabalho e o sacrifício torna este veículo um "fruto do aluguel". A gente se doa, muito, para trabalho e a estas necessidades. E acho que através destas conclusões que a gente visualiza a necessidade da valorização dos ofícios. Antes eu achava que era vivido... agora sei que não vivi nada! E me parece que que isto deve acentuar na medida em que eu envelhecer... dono de certeza é menino, que não percebe tudo que muda e mudará ao longo da estrada. É muito bom perceber que tudo que vivi até aqui serviu para me fazer compreender, do que preciso e do que não preciso mais. Atribuir o valor merecido as pessoas e as circunstâncias é um ato de maturidade... e vc vai ter que fazer esta triagem em algum momento, não vai dar pra escapar! Temos só um corpo, um só veículo, e a estrada é longa, complexa e exige sabedoria. Talvez não possamos escolher em alguns momentos, mas sabemos através da intuição e das oportunidades, quem devemos manter próximo, quem devemos afastar. E isto significa compreender apenas o valor das pessoas, não gerar rancor, mágoa ou qualquer negatividade. Isto quer dizer que vc escolheu o que era melhor para vc, não um peso de julgamento! Use a estrada... pense nela, pense nos check points que falei outro dia. O lance dos check points é uma grande sacada... pq torna tudo mais claro pra vc, um degrau importante no crescimento interior. Roda pra frente...

O lugar do teu coração...

              
            Muitos são os ofícios que nos permitem viajar... algumas vezes é um lugar perto, outras vezes nem tanto. Alguns possuem trabalhos que permitem parar pelo período de uma viagem distante... outros, não conseguem por questões pessoais. Consegui andar em muitos lugares, grande parte das oportunidades em função de trabalho, mas existe sempre um lugarzinho queridão para nós. Já percebi que as pessoas possuem diferenças... algumas nem gostam de viajar, o que me deixa sem entender tal situação. Fui para alguns lugares, conheci muitas cidades, grande parte delas aqui no Rio Grande do Sul, mas conheci cidades no exterior, com toda carga cultural que cada lugar pode oferecer. Trabalhando a gente não aproveita muito... muitas vezes nem sobra tempo para isto. Algumas vezes eu converso com as pessoas sobre os lugares, para saber onde estiveram, para compartilhar minhas experiências. As pessoas se espantam quando digo que conheço alguns lugares onde muitos sonham em ir e digo que prefiro um lugar como a imagem acima. Uma praia deserta, um acampamento sem compromisso, sem hora, sem data para partir. Eu fico sentado na areia, olhando para o nada e "pensando" na beleza natural, na vida selvagem, no vento, nas diferenças entre a cidade de concreto e um lugar quase intocado. Muitos são os aventureiros que preferem as ruas asfaltadas... não vou dizer que não gosto, pq adoro caminhar pelas vias de grandes centros, mas eu tenho predileção por areia, água e brisa. Aprendi muitas coisas nesta vida... aprendi a perder as certezas, mas aprendi do que gosto, do que preciso. Me divirto com momentos dos quais não tenho nenhuma habilidade, como dançar, mas aprecio mais quando faço uma fotografia, mesmo calado, sozinho, com os pés na água e esperando o tempo passar como se não tivesse nada para fazer. Sentir o sol no rosto, a areia que entra entre os dedos dos pés, o clique da câmera para eu garantir a lembrança, a mudança de tudo para mim, as minhas perspectivas. Não sei se gosto mais de mim ou do mundo, eis uma dúvida que me ocorreu... talvez sejam situações inseparáveis para avaliar. Acho que eu gosto do mundo pq gosto de mim... acho que agora acertei. Entre São Francisco e minha praia deserta... fico com a praia. Levo minha barraca, ou durmo no carro, faço meus arremessos pesqueiros, durmo no calor da areia. Sensações são as ferramentas que temos para apreciar o conjunto... assim, se descobre o lugar do coração, aquele que te faz sonhar acordado. Nada de especial para o mundo, apenas para ti mesmo!

A velocidade certa de cada um...

Volta Internacional do Rio Grande do Sul, abril de 2015. O líder de etapa durante uma fuga, em efeito panning, nas proximidades de Cambará do Sul, RS. 
          Ando refletindo sobre a relação tempo e mudança... acho que mudei muito minhas reações frente a situações do imprevisto, mas também sobre a forma de lidar com tudo. O engraçado é que estas mudanças pertencem fortemente a coisas novas da minha vida. Me parece que aquilo que é antigo tive mais dificuldade em mudar... não estou falando de aceitação, estou falando de reações. E me pergunto se precisamos mudar tanto, ou até quando, pq muito de nós é realmente uma construção de toda caminhada. E em cada passo mora uma justificativa... do porquê somos assim, ou como devemos reagir com relação aos imprevistos, mas eu queria mesmo era falar da velocidade de cada um. As habilidades nos diferenciam... somos, uns, melhor ou pior que outros, e nesta escala se apresenta a diferença nas ações e reações humanas. Uns aprendem mais rápido, outros demoram mais, mas fato é o start de cada um... ninguém acorda para soluções em tempo igual ao do próximo. Cada um tem um tempo para amadurecer, para alcançar um objetivo. Já vi pessoas que conseguiram realizar feitos nunca realizados em grande velocidade, outros precisaram pouco tempo, alguns muito! E em outra atividade tudo se altera novamente... a relação tempo e adaptação de cada um é uma experiência incrível sobre estas circunstâncias a que são submetidas as pessoas. Eu gosto de observar isto, pq foi assim que cheguei até aqui... "degustando o ar", como se percebesse em alta sensibilidade a sintonia dos fatos. Eu só aprendi pq criei meus parâmetros, ou de outra forma estaria parado no tempo fazendo as mesmas perguntas de 10 anos atrás. Devemos ter muita sede de crescer internamente... é o que busco! Sobre este tema, posso dizer... há uma velocidade certa para cada um. Não se subestime, não se critique sem que seja possível avaliar o próprio crescimento, não se culpe, não crie expectativas superiores ao teu potencial! Sinta, realize, perceba teu tempo, teu aprendizado sobre tudo, pq destas experiências virá, consequentemente, a maturidade!

Confiança e construção de serenidade...


             Acho tão estranho quando leio alguns textos antigos meus... eu noto a diferença das minhas reações e pensamentos sobre as coisas da vida. Entrei num estado de equilíbrio que me faz ver tudo com outros olhos. Eu não consegui isto sozinho, muitas pessoas contribuíram conversando ou apenas sendo observadas. Vos digo que a melhor receita de tudo é você encontrar uma fusão entre a transparência, aceitação, exercício físico, e a libertação de parâmetros construídos ao longo da estrada. Este último, dos parâmetros que construímos, explico... a gente cresce vivendo situações e forma um modelo do que é certo ou bom para nós. Só que este formato nos impede de viver coisas novas, de crescer, e é por isto que vc deve pegar uma picareta e quebrar este barro seco que se forma em torno de ti. Pq só assim as pessoas vão ver quem tu és... tuas belezas todas se tornarão aparentes, te levando ao conforto ao ser transparente, sincero e sem medo de enfrentar medos. Para quem estiver vivendo um momento como o que estive, recomendo... olhe para frente, não se preocupe com o que estiver ao em torno, olhe as pessoas nos olhos, sinta esta liberdade e que vc merece tudo que esta por vir. O que não parecer bom, vai construir vc, e o que for bom, será teu prêmio. E prêmios são mais facilmente conquistados com o hábito... na medida em que vc se transforma nisto, ganhará muitos prêmios. E vc sabe o que são os prêmios? Prêmio é a conquista de pessoas e a alegria que elas vão compartilhar contigo... o prêmio maior vai ser quando alguém diz que sente saudade! Pq a pessoa sente saudade quando ela acha vc sensacional... mesmo que para o mundo vc não seja! O que importa é o que um amigo pensa de vc... confiança e serenidade são check points importantes na estrada de uma vida, elas permitem muitas outras coisas! Encontre isto em vc!

Pra enxergar mais longe...

Zona sul de Porto Alegre, 2016.
          Fico me perguntando se este blog era realmente um blog das minhas aspirações fotográficas e do fotojornalismo ou se esta destinado a ser apenas o esboço literário de uma obra maior. Como estou vivendo uma nova fase da minha vida pessoal, percebo o peso que se coloca sobre o trabalho iniciando de coisas pessoais. E é aí que me refiro quando digo que é impossível separar o vivente entre vida pessoal e profissional, a gente leva sim pra casa o trabalho e vice-versa. E não é necessariamente ruim se vc sabe como levar isto e não prejudica uma destas faces da vida.
Ontem, subi alto... fui até o topo de um morro. Eu não sei quantos metros de altura, nem quanto caminhei pra chegar ao patamar mais alto. Eu vi vida selvagem... lagartos pequenos corriam pelas pedras e vegetação. É muito importante a gente se colocar em contato com a natureza, pelo menos de vez em quando... para que possamos refletir nos acertos e erros, na direção das opções. O universo é um jogo de forças, ele nos move... ele empurra a gente para decisões, para caminhos novos, também para mudanças com caminhos antigos. Tudo é uma questão de não forçar a barra... deixe que role, deixe que a água corra na direção que precisa. Me tornei um fotojornalista tardiamente... quando eu tinha 20 anos eu queria ser jornalista, mas fui teimoso e me deixei levar por situações que não compreendia. Hoje, o fotojornalismo me encontrou... isto me faz pensar que se o seu destino não é encontrado por vc, ele vai conspirar para que isto aconteça. Sou grato por isto... o tempo não me põe medo. O que me coloca medo é pensar que por algum motivo o destino foi manipulado, forçado a não existir. E não há como saber... isto depende dos sinais que a sensibilidade de cada um se encontra no momento. A oportunidade pode estar a sua frente... se vc é cego, irredutível, jamais terá um destino verdadeiro, mas sim manipulado. As coisas acontecem naturalmente... e eu subi no alto de um morro para enxergar mais longe!

Toda paz...

Trevos, inúteis aos olhos alheios, belos para mim, especialmente após chuva de primavera. 
            O grande barato em que mergulhei desde que me tornei um profissional da fotografia foi fazer associação entre as imagens que produzi com minhas reflexões. Penso que algumas pessoas achem isto uma perda de tempo, talvez até chato. Porém, incrivelmente foi esta a minha forma de refletir e evoluir, e desta "técnica" veio uma série de conclusões que eu entendi como maturidade. Na continuidade pelo encontro do meu ser, de uma ambicionada e irreal plenitude, busco sempre pensar nas questões em que me deparo. Durante muito tempo procurei por um sentimento de paz interior, contudo é notável que isto jamais tenha sido encontrado antes. Incrivelmente, depois de conversar com muitos amigos, e daí vem aquela velha história de estar aberto para escutar, parece que encontrei uma receita interessante. É fato que se tratando de vida e personalidades, nenhuma receita de bolo agradará ou surtirá efeito para todos, mas é uma observação que possivelmente servirá para muitos. 
Minhas muitas noites mal dormidas, desde de sempre e, não relacionadas a nenhum momento específico da minha vida, atribuí as "culpas" que achei que tinha. De certa forma, parte da minha criação, não promovida pelos meus pais, mas creio que pelos avós, se desenhou onde tudo era feio ou errado. Assim, e estranha forma, e certamente a psicologia explica, me desenvolvi um vivente afogado em culpas por coisas tolas que vivi. E olha e que fui considerado um bonzinho por muitos professores. Me lembro bem de ouvir de uma professora de ciências, "mas Roberto, tu é um aluno bom, um pouco preguiçoso! Não vá embora desta escola!"
De certa forma surpreendi ela quando disse que me achava perseguido por alguns professores pq possivelmente me achavam levado... Isto, diz respeito, também, a como vc se vê! Vc entende isto? Voltemos ao foco... A questão é que por trás de quase tudo há um medo, um trauma, talvez uma energia que circule por entre nossos pensamentos, tornado-nos adolescentes com problemas e muitas vezes adultos com problemas. E digo isto sem medo, especialmente hoje, pq sinto que superei ou encontrei meu caminho de paz para estes pensamentos não verdadeiros sobre mim. A verdade é que não tenho nada contra mim mesmo, nem com justiça, nem com pessoas, tentei e tento resolver tudo, até pra não viver esta estranha culpa. E na verdade este foi um estranho exercício que vivi até aqui, onde retirei os pesos dos meus ombros e deixei ao lado da lixeira para a coleta seletiva, pois aquilo era um tanto quanto sintético para absorver. De algumas semanas para cá, entrei num redemoinho de poeira, literalmente... e com estas associações sobre a vida percebi que era ciclos intermináveis de questionamentos se a gente não mudasse alguma das prerrogativas. Foi vendo aquele pé de vento, que no dia me deixou fascinado, como sempre, que comecei uma trajetória de mudanças. Um coletivo de novos parâmetros me mostraram que o redemoinho de vento muda de direção de acordo com interferências externas. Sem qualquer culpa, compreendi que nem tudo esta sob nosso controle, nem nos cabe a melhor decisão sobre tais circunstâncias. Eu me vi parado em frente ao cone de poeira, que dançava e se deslocava sem uma prévia direção. E como se a decisão fosse realmente uma incógnita e assim deve permanecer, pq há coisas que podem ser mudadas, outras não! Então, comecei a buscar as culpas que poderiam residir em mim e as trabalhei... quando ouvi meus amigos e as pessoas que amo, entendi se havia realmente alguma culpa ou se era fato meramente das relações humanas e sujeitos a perspectivas de cada um. Busquei o perdão, por assim dizer, dentro de mim mesmo... e tenho, com isto, me tornado cada vez mais calmo. Desenvolvi uma paciência interna e um amigo até me falou que nunca havia me visto tão tranquilo... eu disse: "Encontrei toda paz de que precisava!"

Como mudei a minha vida...

A vida passa rápido, então busque e viva intensamente, sempre observando os sinais. As diferenças de cada oportunidade são justamente o que torna a vida espetacular. Esteja atento! 
Refleti muito sobre minha trajetória e resolvi escrever sobre isto por dois motivos... primeiro para compartilhar de minhas observações que podem ajudar alguém, depois porque escrever é uma coisa de que gosto muito. Para mim, torna-se muito mais fácil falar sobre algo quando escrevo do que oralmente... cada um tem suas habilidades e necessidades. As minhas descobri há tempos, embora já na vida adulta. A gente costuma pensar que a vida muda sempre com mudanças bruscas, mas a verdade é que ela se desenvolve ao longo da nossa passagem por aqui. Acredite cada um no que quiser, seja um motivo espiritual, ou doutrina religiosa, talvez outras perspectivas sem nome ou desconhecidas, a vida é uma passagem com propósito e nela devemos empenhar esforços para evoluir. A gente se desenvolve com base na família e dela se afasta ou se aproxima na medida em que isto nos causa alegria, dor ou indiferença. Você só se aproxima do modelo da sua família se houver indiferença ou alegria, pois na dor, entendo que ocorra o distanciamento e, isto mudará por completo a vida de alguém. Não acho que seja bom ou ruim, ter ou não ter uma família, acho que para cada caso será visto de uma forma. Tenho a minha... para mim é bom, apenas não quero deixar uma impressão de que é prejuízo não possuir uma família, até pq novas opções de família se montam incluindo amigos como familiares. Toda trajetória traz ao longo do caminho alguns importantes ícones, são os check points da nossa linha do tempo. Estes pontos na estrada são pequenos momentos intensos que vivemos sozinhos ou com outras pessoas... eles são de grande valor para todo andarilho. E entenda que chamo de andarilho aquele que vive sua estrada... um vivente, que bate de frente, que anda a favor do vento, que reluta em aceitar adversidades que podem ser mudadas ou que aceita o que não pode mudar. Durante uma sessão de psicoterapia, encontrei uma resposta tão óbvia que me fez sentir um idiota sobre as coisas que eu não fazia e tinha medo. Percebi que para superar tudo que observamos como dificuldades, precisamos encarar de frente e deixar rolar. Então, se tens vergonha ou medo de algo, enfrente! Se tens medo ou vergonha de cantar, falar com as pessoas, dançar, discursar, ou mesmo de fracassar... arrisque! Este foi um check point importante na minha vida. Eu descobri que era capaz de tudo, eu passei a ter controle da minha vida, encontrei ferramentas importantes dentro de mim e que estão sendo utilizadas no meu trabalho e vida pessoal. Eu resolvi dançar, fazer um video, transformei minha consciência em algo leve, resolvi malhar, tornei a pedalar (com propósitos diferentes), e até minha fotografia esta se transformando depois de muitos anos. Aliás, atente-se a isto... estas manifestações artísticas são indícios fortes que você pode ter para construir sua personalidade e equilíbrio. Pessoas com veios artísticos, como eu, que descobri que sabia desenhar e fotografar, são pessoas com uma sensibilidade grande para refletir. Devido a sensibilidade, tais pessoas, costumam ter emoções mais valorizadas dentro de si. Isto, pode ser bom, embora muitas pessoas se remetam ao sofrimento atribuído. Penso que evolui quem reflete, quem encara de frente e procura uma solução, quem se dispõe a encontrar uma parede sem porta e ir caminhando pelo escuro até encontrar uma saída. Nunca fui uma pessoa totalmente fechada, mas relutava em encontrar alternativas ou pensava que estas não fossem para mim... acredite, cada alternativa que a vida lhe dá, é um presente! Sirva ou não para vc, a decisão estará no próximo passo! Experimente vivenciar algo que você achava que não era pra vc... e então descobrirá se não era mesmo, ou se vc estava errado. Não esqueça que somos criados em moldes de uma sociedade e que muitos destes modelos não são corretos, embora adotados como tais. Tudo que vc fizer de livre mente, desde que não prejudique ninguém, será uma grande maneira para se auto conhecer. Eu aprendi muitas coisas nesta estrada... a perdoar, a amar, me permitir, e por último, agora tão mais importante, a ouvir. Eu descobri um valor enorme em escutar as pessoas, mesmo que eu discorde do que delas veio. Elas não precisam saber que vc não concorda, mas as reflexões de outras pessoas, tornarão suas reflexões... pense em um atalho que elas estão te ofertando! E não pense que parei por aqui... estou pensando em fazer aulas de música, encontrar uma boa forma de administrar melhor meu tempo, desapegar mais ainda de coisas que na verdade não preciso, encontrar meios de fazer alguém feliz com o que posso fazer e ensinar. Não tenha medo, mude, transforme-se radicalmente, mas não se perca no caminho... lembre-se da coisa mais importante de todas. Toda mudança é um mérito quando ela te torna feliz e torna as pessoas felizes... esta mudança só é verdadeiramente positiva quando existe um equilíbrio entre sua felicidade e o universo. Se vc concluir que é capaz de amar mais agora do que antes, então vc está no caminho certo... pq o amor é o combustível, e a falta dele torna vc sem personalidade, dependente da criatividade alheia. Para criar, qualquer coisa que seja, é preciso ter autonomia! E no meu entendimento, autonomia só existe por alguma forma de amor que vc possui. Te vejo por aí... eu sou um andarilho!

Solidão

Em algum lugar por aí... em muitos que já estive! ;)
        Acho que a maior característica de um andarilho é a sua relação com o mundo. A condição de ir passando, pelos lugares, na velocidade baixa da pegada, ou no ritmo de uma pedalada, apresenta o mundo a ele. É como se estivesse em uma janela de primeiro plano. Naquela perspectiva, observa algum acontecimento que oferta a reflexão até que passe por este... Assim, há tempo de sobra para pensar nas rotineiras coisas da vida. Eu sempre me deparo com reflexões assim... tornou-se um mecanismo de aprender, também cansa um pouco, as vezes, mas eu prefiro pensar, do que não ter nada para dizer. E aliás, eu noto que muita gente não tem o que dizer pq não anda pelo mundo. Pra pensar sobre algo é preciso vivenciar... e ultimamente tenho pensado muito na solidão. Solidão é uma condição muito estranha, pq a gente não nasce sozinho... alguém esteve lá com a gente, geralmente mãe, médico, familiares! Como tudo, tudo muda... e lá estamos, em meio ao caos, correria, rotinas, aparentemente acompanhados. Estive sentado em um lugar na rua e percebi que ninguém me reparava. Eu estava no meio do parcão e sozinho... chega a ser engraçado falar em solidão num lugar que emite som de pneus, motores e sirenes. É gente... a gente é sozinho mesmo. Parece que não é tão ruim... eu consegui ouvir o som do meu coração. Descobri que ele pulsa, bate forte, grita como se fosse condição de ser reparado. É bom pensar em algumas coisas... mas eu me senti muito sozinho, mesmo quando muitos se ofereceram para estar comigo. É que as vezes a gente quer ficar sozinho e curtir a solidão, mas de verdade a gente não entende isto como uma coisa boa. A gente pensa que precisa das pessoas... e precisa! Na hora certa, dia certo, condição certa... e a pessoa certa! Eu tenho ficado sozinho... talvez seja preciso, talvez não. De verdade, acho que a solidão pura e verdadeira me mataria... sozinho é quem quer, quem não curte, que desiste, quem não se encanta com o brilho do olhar de alguém amigo. Eu, como alimento meu coração com o sorriso alheio, espero não estar sozinho... um dia!

Aflição é motivação fotográfica...

Audax 200 km da Sociedade Audax de Ciclismo, uma batalha individual pela superação. Foto: Roberto Furtado
      Tenho uma característica muito importante para a criatividade nos trabalhos fotográficos... esta aceleração da mente quando observa tudo é uma forma de gerar avaliações sobre os fatos. Logo sento em frente ao teclado e sindo grande necessidade de externar... foi inclusive um dia, assim, que falei para um conhecido autor sobre este "problema", que ele me disse: "És um escritor!" 
Eu fiquei pensando se todos os escritores são assim, pq eu não tenho obras publicadas, ainda, embora muitas páginas escritas. Tenho vivido um momento de tristeza, muito grande, no qual vi um caminho nascer aos poucos sem conseguir dar alguma solução. Estas questões pessoais incidem diretamente na vida de quem escreve... a situação impregna os pensamentos e por consequência os textos e as abordagens. Tentei ir resolvendo tudo dentro da minha cabeça com as coisas caídas pelo chão, mas percebi que não era tão simples quando juntei o primeiro objeto. E na medida que fui caminhando ao longo dos meses, fui encontrando alguns feixes de luz... e tudo isto conspira para soluções e para novas fotografias. A motivação fotográfica é uma situação que acontece de acordo com o estado de espírito, mas o curioso é que tanto a tristeza como a alegria acabam gerando esta motivações. Todas as situações que me levaram a subir mais um degrau foram encontradas sozinho, talvez com a influência de um olhar, frase, mas sempre com reflexões originais. Eu jamais envolvi alguém nesta batalha com a mente, justamente pq saberia que a inclusão de um pensamento não original complicaria ainda mais a minha caminhada. Quando vejo outros como eu... entendo! É difícil... e vejo muitas pessoas tomando decisões impacientes e equivocadas... a organização da mente é uma tarefa que leva tempo e verdadeira solidão. Colocar mais coisas dentro da mente é dobrar as coisas caídas pelo chão... e o tempo, não vai apenas aumentar, mas tornará a tarefa mais trabalhosa. Eu tenho estado aflito... e tenho tido motivação fotográfica como nunca. Eu vejo tudo em três dimensões, pq eu olharia o mundo de uma única perspectiva?

Companheira Pitangueira


        Há muitos anos escrevi isto... tal de "Companheira Pitangueira" e alguns gostaram, outros riram, outros apenas se surpreenderam. Acho que a vida é surpreender e ser surpreendido... eu disse alguma vezes que era difícil de ser surpreendido. Tenho vivido a espera de ser surpreendido... nunca me achei inteligente, mas sempre consegui atingir alguma satisfação pessoal por gerar conclusões próprias. Acho que poucas pessoas gostam ou se importam se as pessoas escrevem ou falam... Com aquela timidez que me fazia sentir em frente a uma multidão estando na presença de mais de 4 pessoas, jamais soube me expressar sendo eu mesmo. Ao tentar falar, parece que há duas consciências dentro de mim... uma tentando dizer o que preciso, a outra dizendo que não vou conseguir. Por fim, muitas vezes me sentindo e talvez até passando por tolo. Fato que encontrei na escrita, minha proteção... digo o que quero, no tempo que consigo, sem estar sendo cobrado por alguém. Há coisas que jamais superaremos... por mais que pensemos que podemos! Minha timidez jamais me deixará... é meu ônus, me trouxe o bônus da sensibilidade de observar a vida e suas senoídes. Superei, e não, a perda de pessoas próximas, quer fosse por afastamento inevitável ou dissincronia. A verdade é que acreditamos naquilo que tocamos ou sentimos, não naquilo que contaram... e foi aí, mais uma vez, que eu percebi que os adjetivos da minha vida pessoal se confundiam com os da minha vida profissional. Tudo que somos, seremos com a família, na carreira, nas atividades não profissionais. Tudo o que passamos, passará... nada é permanência, inclusive, pq somos passageiros. E dentro desta passagem, mudaremos, seremos algo novo a cada conjunto de pequenos ciclos. Os resistentes, da mudança externa ou interna, nadam insistentemente contra todas as correntes que aparecem pela frente. Até que, cansam... e então, se convencem de mudar por aceitação. Os que mudam com facilidade não carregam consigo a bagagem da resistência, que por um lado é bom, por outro nem tanto. Uma balança indica pesos e decisões, mas da vida, exata é somente a certeza de chegar e partir. Não haverá duas oportunidades iguais, tampouco duas vidas iguais... viva a sua maneira, com os seus moldes e tenha a grandeza de permitir que o próximo pense da mesma forma. 

Companheira Pitangueira

         Da janela do quarto, esperando meu amor voltar, vejo o começo dos primeiros pingos... um pé de vento e um céu cinzento anunciou a chuva. Incorpada pelo frio que sinto, intimida-me, e um cobertor é preciso tirar do armário. A chuva combinada com a angústia que sinto pela falta do amor, intensifica o frio. Através de um pequena fresta na janela sinto o aroma da terra molhada... perfume único e evidente da primeira chuva, quase um poema. Um galho da pitangueirinha cruza a frente da minha janela, e nele pousou um pássaro arrepiado pelo vento. Senti pena, supondo algum sofrimento... um solavanco maior, expulsa-o do galho, o levando a outros destinos determinados pelo tempo. Em frente a janela pensei em tantas coisas, na ausência do meu amor e na solidão, nos episódios felizes e infelizes da vida, no esforço que fazemos para chegar a velhice. A chuva aumentou, e meu amor nem ligou... desperdiçando meu sentimento, como água que escorre pelo ralo. Cansado da espera, embalado pelo ruído da chuva e acomodado no calor do cobertor, adormeci... um soninho tranquilizou-me das angustias e da espera. Quando acordei, a chuva havia cessado e fazia sol. Do vento e céu cinzento, a calmaria pós chuva de verão... sol intenso e céu azul. Da chuva, apenas sinais... gotículas sobre as pequeninas folhas da pitangueirinha em frente a minha janela.

                                                                                                                                       Roberto Furtado

Tive que aprender... a gente aprende!


        A diferença entre os profissionais não é apenas uma questão de talento... todo exercício se transforma em um adicional na bagagem do autor. Estar apto... aptidão! Talvez algumas pessoas entendam isto de uma forma diferente, devido a estes conceitos que criamos sobre como fazer, quem nos ensinou, quais influências tivemos e não podemos esquecer o tal talento. Acho prudente falar que empunhar uma máquina fotográfica não é um ato natural da evolução... acho pouco provável que alguém tenha nascido com vocação para ser operador de uma câmera, seja fotográfica ou filmadora. Contudo, há uma habilidade na linguagem que se traduz em fotográfica ou cinematográfica e que acaba sendo justamente este o tal talento que precisamos para empunhar a máquina e executar a tarefa de registrar. O enquadramento é um conceito que se gera dentro da cabeça do autor... ele sabe exatamente onde começa e termina o quadro, para qual lado ou com que velocidade deve buscar o alvo. Se é zoom in ou zoom out, todas estas linguagens são conceitos que se relacionam entre autor e observador... e no fim, o autor se molda ao objetivo, pq para observador, por uma razão muito simples de sensibilidade, deve estar tudo muito claro no decorrer de uma história contada. Quando eu era criança, comecei um exercício por conta... eu tinha desde de cedo, uma forte relação com a natureza. Era curiosidade tamanha que superava todo esforço que havia para achar os animais... eu caminhava quilômetros sozinho, com sol forte na cabeça, com único objetivo de encontrar um acontecimento. Não tinha a menor ideia de que aquilo seria, anos mais tarde, um esboço da minha personalidade profissional que pulsava de dentro pra fora. Hoje, com uma certa e tardia maturidade, percebo que formei em mim adjetivos para ser um documentarista. Esta estranha relação de fotografia, quer seja única, ou de sequência de fatos que nos direcionam ao entendimento do filme (video), descrevem esta linguagem que une a mente do observador ao autor. A construção desta mensagem ilustrativa, que pode ser inclusive sem sonoridade, transporta o observador a uma realidade que ele não conhecia, variando de acordo com o autor também, a flexibilidade de interpretações ofertadas a este observador. Esta linguagem é uma obra do intelecto mais habilidoso... é como uma mágica! A condução de uma história para garantir entendimento de algo... exista ou não subjetividade, este é o talento aprendido. O autor não sabe muitas vezes o que fazer com estas percepções, mas quando ele passa a compreender a importância e o mapeamento deste talento, inclui-se como uma ferramenta social indispensável. Tenho feito muitas observações com estas vivências do fotojornalismo, atividade pela qual me apaixonei e que me serve como exercício para outras experiências da linguagem ilustrada. Nós somos os desenhistas das histórias, sejam quais forem as atividades específicas da fotografia, estamos construindo reflexões para os observadores. A gente aprende... e a gente aprende a responsabilidade disto. 

O fotojornalismo deve mostrar a superação...

Rodrigo Schu, na Hand Bike, escoltado pelo carro de apoio e um ciclista que o acompanhava.
Foto: Roberto Furtado / Sociedade Audax de Ciclismo
            Desde que entrei para o jornalismo que me pergunto sobre a ênfase e abordagem dos assuntos... Há, em todo assunto, uma forma construtiva de abordar os fatos. A crítica é uma parte importante do jornalismo, pois ela gera a reflexão na cabeça do leitor... e é com isto que a ciência informativa busca a evolução de sua sociedade. Seria um ato pequeno demais apostar que o jornalismo tem finalidade exclusiva de informar sem nenhum propósito... ou buscar apenas a visibilidade do veículo. É um pensamento inútil... embora saibamos que a maior parte dos profissionais e veículos tenham este formato. E verdade é que o jornalista é manipulado pelo veículo, quando deveria ser ao contrário... mas o veículo manipula o profissional sabendo que ele depende do emprego. Por isto defendo os jornalistas que trabalham nos veículos... e não os veículos. Engraçado ter que abordar este tipo de assunto para justificar minha forma de trabalhar, quando vejo esta, como forma tradicional e correta do jornalismo. Preocupante é pensar na realidade do jornalismo... e aí vai explicar pro povo que jornalista não tem culpa do que escreve, quando o veículo manipula a direção e construção das abordagens aos interesses de um patrocinador... enfim, um grande problema. 
E pensando nesta questão vejo que assuntos de elementar relevância se perdem no espaço entre o tempo e a viabilidade. Quando os feitos não comuns, como de Rodrigo Schu, ciclista de uma hand bike, deveriam justamente aparecer em todo tipo de mídia. Estas são situações que lamento... e talvez Rodrigo nem tenha pensado como é importante o fato de ele mesmo superar-se. Quantas são as pessoas que poderiam conhecer sua história e com ela mudar de vida. E se não é este o objetivo maior do ser humano, enfrentar todo tipo de obstáculo, não saberia dizer qual é... Por isto, já que faço o que posso, destaco este, meu novo ídolo... Rodrigo, piloto de uma handbike, dono de seu próprio destino, enfrentando um desafio com 90 km junto de uma prova onde apenas ele portava tal tipo de ciclo de tração humana. "V" de vitória pra você Rodrigo... por nos motivar a enfrentar nossos medos, derrubando conforto, quem sabe uma mudança de vida, a evolução em nossas mãos!

O conflito

Atenção, esta imagem foi realizada em um exercício promovido pelas forças brasileiras. Os feridos são "atores" em simulação de conflito. Trata-se de um treinamento em solo brasileiro, onde ninguém foi verdadeiramente ferido. 
Sempre vejo os filmes, documentários e relatos de guerra ou conflitos. Há uma infinidade de produções que descrevem as histórias de um povo contra outro povo. Quanto mais eu vejo, mas reflito em questões como as perdas, que não são apenas de um soldado. As perdas se estendem a dignidade humana, ao desencontro de soluções diversas, a perda e dor de famílias. Me pergunto de onde tira energia um governante para enviar um semelhante para algum lugar com o único propósito de matar ou morrer. Neste mês das crianças, lembro-vos quantas crianças morreram nas estúpidas guerras. As que sobreviveram, morreram por dentro, então... e evidentemente, eu e vc podemos fazer muito pouco para que isto não aconteça em algum lugar. Entendo pq muita gente se aliena e desiste de pensar... meu plano de ser um fotógrafo de paz incide sobre o conflito, mas ainda não estou pronto. Devo dizer que isto é uma longa caminhada que exige maturidade até para não morrer por dentro. Não espero que alguém responda esta publicação, pq entendo, pq é um assunto desinteressante para muitos, pq há coisas belas para pensar na vida. Ninguém pode levar uma mensagem de paz contra o terrorismo... pq onde há um bloqueio de uma segunda opção, torna-se o vivente uma máquina que só pára com o fim. Me pergunto que cultura é esta que permite a salvação por perdas... a evolução, espiritual, se dá nas escolhas que sejam benéficas ao mundo. Acho que muitas pessoas devem achar estranho o fato de eu, um repórter fotográfico, escrever tanto... tentar entender! A verdade é que eu não entendo um repórter, seja cinegra ou fotógrafo, não escrever nem mesmo uma legenda. 

Bom fotógrafo quando...


     Muitas vezes me deparo com reflexões originadas por amigos... a última parece que reacendeu uma coisa de que gosto muito. Muitas vezes escrevei aqui e em outros lugares sobre o quanto tenho de raiz fotojornalista. E este é um perfil que não posso deixar de pensar que é de nascimento... não vejo esta tendência como mero acaso e exercício. Se o cara é fotojornalista... ele é e pronto! Não tem isto de formar um fotojornalista, de outra forma todo mundo que faz uma faculdade de jornalismo sairia pronto para exercer fotojornalismo... é aquela pegada que o cara nasce (também morre) com ela. Outro dia teve manifestação pacífica contra o Temer e a Favor da Dilma, e eu prefiro nem entrar na questão de  "a ou b" pq fui lá e fiz fotos das duas manifestações e e enviei para a Folha. Uma imagem de cada foram passadas ao jornal Metro, mostrando o equilíbrio da informação e sua imparcialidade. As imagens não foram estas da publicação, mas quem quiser procurar e encontrar vai ver que foram imagens com formato parecido, bem descritivas dos acontecimentos das duas manifestações. E voltando ao assunto deste post... e coisa triste ter que perder tempo dando explicação para porteiro para não pensar se sou gremista ou colorado, digo que a postagem tem relação apenas com o profissional, e não com o assunto fotográfico. Um amigo me perguntou sobre quando se sabe que um fotógrafo é bom ou ruim... lembrei que depende do foco e atividade. Um poderá ser excelente em casamentos, outro no front (esse cara que faz fotos das manifestações, sendo curto e mais abreviado).  A questão sempre é a referência... no que estamos falando?Aí a conversa foi indo para um lado mais detalhado, direcionado ao desafio e as dificuldades. Puxa, dificuldade tem em tudo quanto é ofício, mas vamos lá... em situação hipotética, um profissional que se vê em restrição de equipamento por ter saído para fazer um trabalho específico e então vai pinta outro trampo... ou uma adversidade. Este profissional pode sim ter um jogo de cintura diferente para lidar com a situação, e aí, no meu entendimento, se esconde um grande adjetivo de um profissional. Sai pra fazer fotos com uma lente fixa de 50mm... certo de que este cara vai encontrar alguma condição desfavorável para trabalhar. Se ele vai e consegue fazer com material limitado, entendo que ele é realmente muito bom. E acho estranho haver profissionais que não possuem lentes fixas... pq se elas tem limites, por outro lados tem horizontes diferentes. E aí pode morar um diferencial entre vender uma foto ou outra... e claro, que isto vai depender, também, do editor de um jornal ou da valorização de um cliente. Seja como for... fotógrafo bom faz mais, com menos!

Transparência quebrada... e símbolos!

Manifestações brasileiras, Porto Alegre, RS. Foto: Roberto Furtado.com
         A denúncia de uma barreira transparente... eis mais uma de minhas reflexões, um pouco de teoria fotográfica, um pouco de vida. Para quem fotografa algumas situações específicas com brilhos e transparências sempre surge algum tipo de aprendizado... há momentos em que descobrimos acidentalmente certas soluções, outras vezes nos deparamos com uma saída totalmente própria. Escolhi esta imagem do vidro quebrado com placa de fechado justamente para ilustrar esta situação. Dá até pra perceber que o vidro quebrado fica mais visível quando a luz evidencia a direção de ruptura do plano. Em outros momentos, com luz por trás, dá pra perceber que  luz oculta o dano. Fotografia é um jogo entre mais ou menos luz, mas as vezes nem a fotometria correta permite a visibilidade, e de outra forma, a subexposição pode denunciar nitidez de determinados detalhes. Por isto fotografia, como ciência e arte, se confundem, engana e convence. De alguma forma, com a atual situação que vivo, me identifiquei com esta imagem no momento em que a vi. Ando de portas fechadas para algumas situações, meus motivos, e senti o peso de pedras sobre meu escudo. Estranho como situações figuram o estado como nos encontramos. Cada fase da vida se desenha com naturalidade e sem controle, mas há simbolismos durante todo caminho. Talvez isto explique a trajetória humana na evolução com seus símbolos e importâncias.  

No dia do repórter fotográfico é imprensa livre...

Manifestação de ciclistas por paz e direitos de circulação com segurança, na avenida Ipiranga, Porto Alegre, RS. Foto: Roberto Furtado / Revista Bicicleta

Bom, aqui é blog... blog! Me perguntam se estou chateado... Ora, como não? Dia do Repórter Fotográfico... a população não gosta de jornalistas, a polícia não gosta de jornalistas! O fotojornalismo é quem vai as ruas... só tem dois tipos de jornalistas que "precisam" realmente estar no miolo da confusão: A) repórter cinematográfico B) repórter fotográfico. O repórter de "confusão" pode olhar de longe, os que captam as imagens necessitam estar lá na frente da bala ou da pedra. Como se sente o repórter que capta algum tipo de imagem? Sabe como é aquele muro, não tão alto, não tão baixo, apenas que aumenta a exposição? De um lado a polícia, de outro o manifestante... no cruzado esta o vivente, bem remunerado e valorizado, repleto de amor e carinho da sociedade, alvo de paus, pedras, balas de borracha e bombas de gás. Não precisa estar ali... ali não é seguro! Seguro pra quem? Pra que mesmo que existe jornalismo? Aí tu vê teus amigos... teus amigos, te dizendo de esquerda ou de direita pq tu faz um trabalho mal remunerado pra caramba. Tu só vê os caras se atacando, de lado pro outros, xingando, inclusive a ti, que esta ali pra cumprir uma tarefa que descreve uma realidade. Imprensa é livre, em especial toda imprensa independente! Cores não me representam, religiões ou partidos não representam meus comportamentos... quem me representa sou eu mesmo, em meus atos de cotidiano.

A razão certa para seguir um ofício...

             Muitos dos meus amigos sabem que antes de ser fotojornalista, trabalhava com vendas... estudei um pouco de cada coisa, sou técnico de veículos automotores, embora nunca tenha exercido esta atividade. Fiz alguns semestres de veterinária, mas não representou muito, pq fiz poucas disciplinas por semestre, depois fui para engenharia mecânica, e já havia passado da metade do curso quando resolvi que não era aquilo que queria para minha vida. Muito antes de tudo, me lembro que cogitei cursar jornalismo, mas fui inseguro sobre esta atividade e confesso que pesou muito o fato de não ter nenhuma oratória e ainda ser tímido frente a qualquer "multidão" com mais de 10 pessoas. Fato... timidez não é para jornalistas! Ou seria? Percorrendo algumas pegadas deixadas pelo meu avô paterno, fui encorajado de estranha forma... sabia eu, que era hora de mudar, de fazer algo que eu gostaria, mesmo que o retorno com o ofício jamais se parecesse com o das vendas. Aliás, as vendas não andam bem atualmente, até onde sei, e possivelmente aquela necessidade de mudança anos atrás já era um indício de que eu deveria realmente ter seguido meus instintos. Como minha mãe sempre diz: "siga teus instintos!"
Durante anos eu apertei o grip da câmera, algumas vezes me emocionei sozinho fazendo fotojornalismo no meio de manifestações ou contando histórias de pessoas. Alguns anos atrás eu acordei em um velho barraco de madeira no litoral, numa vila de pescadores... eu tenho o hábito de pescar de forma amadora, porém dedicada. Foi de frente para este nascer de sol, com os pés na areia que eu pensei: "Encontrei minha razão! Eu estava certo..."
Hoje, faço de vez em quando algumas disciplinas dos cursos de fotografia e audiovisual, pois é bom para mim... aprendo! Nunca senti falta da engenharia, tampouco de outra coisa do passado. Foram ensinamentos valiosos que tive e carrego pra vida toda. A física que aprendi uso constantemente na fotografia... para tentar entender a luz que compõe a forma e o contorno das superfícies. Eu brinco com a luz, eu conto verdades, eu me peguei apaixonado por um ofício. Cometi loucuras de amor pela profissão... eu não tenho vergonha de nada que fiz, apenas orgulho de tudo que passei para chegar até aqui. É bom dizer que sabe fazer, que ficará bom... é bom surpreender o cliente ou espectador. É bom acordar pela manhã e dizer: "Tenho o melhor trabalho do mundo, morreria por ele!" 
Então vc percebe que ganhou na loteria, quando no passado cumpria rotinas para ganhar o dinheiro e não via o menor sentido naquilo tudo. Um dia que passava rápido, sem nenhuma razão para mim. O ofício que encontrei deve ser desinteressante para outros... para mim de hobby virou trabalho! Me lembro ainda nos anos 90 eu com um máquina de filme nas mãos, sem recursos, gerando instantâneos que provavam a existência de algo, inclusive a minha... como autor! 

Barbada é o sentimento alheio... banalização dos valores!

Feira do Livro de Porto Alegre, 2015. 

            O que mais faço na atualidade... converso com as pessoas! Sou um repórter, mesmo que fotográfico, sou um jornalista... sou bicho curioso, tenho fome de história! Eu pergunto, pareço metido, osso do ofício! Eu ando muito, detono os tênis... dirijo muito, acabo com os pneus, eu só gostaria de usar a bicicleta bem mais do que tenho usado. Acho que nunca vou ter aquela sensação de que podia ter feito mais coisas... pq estou sempre cansado, pq sempre estou fazendo uma história, sempre conversando com as pessoas. Geralmente, nunca mais vejo, mas algumas vezes fico até amigo. Rede social tem papel importante... promove um encontro ou pelo menos alguma troca de informações, mesmo que em tempos diferentes. Muitas abordagens recebi nos últimos dias, algumas eu mesmo fiz... outras, me espantam. Grosseria é um "troço" que não assimilo bem. Quer conversar, conversa como gente que pode andar solta... quer ser grosseiro, arruma uma pedra pra socar! Acho que educação não é só aquela de saber dizer bom dia, perguntar como as coisas vão... se vc não tem trato pra descartar uma conversa, aí entra naquela história, sabe? Sabe o que tem o vivente mais que eu? Tem mais é que se F....
A grosseria só alimenta duas coisas nesta vida... mágoa e grosseria revertida. E tenho conhecido muita gente grossa, especialmente aqui no RS. Puxa, dizer isto aqui na minha terra é uma tristeza para mim, mas vou dizer. Tenho conhecido paulistas, catarinas, cariocas, amazonenses, gente de todo Brasil. As pessoas mais grossas no sentido de mal tratar as pessoas, tenho visto aqui no Pampa. E não é uma porcaria para se orgulhar... então estamos bem. Nossos livros e serviços não estão valendo nada, nossa segurança embora custosa não nos protege de nada, nossos sentimentos também não... tem pouca coisa de valor atualmente aqui no RS. Me preocupa a projeção exponencial... pq se se vai tão rápido por aí, me pergunto quando finaliza este trabalho invertido do sucesso. Pensa aí... e faz um favor, não me vem com grosseria, caso contrário alguém vai dizer pra vc o que vc tem mais que ele... e isto não é bom! É uma barbada desfazer do sentimento alheio, não?

Fundamento original...


Endre Ernő Friedmann, conhecido como Robert Capa, desembarca na Normandia em 1944. Ele clica e a imagem é reproduzida e adulterada, no alto, foto teoricamente original. Repare em linhas, de horizonte, de contorno de céu, de recuperações de luzes. Há muito de alteração que certamente fizeram parte de um etapa moderna do tratamento de imagem. 
         Jamais me atreveria a criticar um ícone fotográfico do fotojornalismo de guerra... em primeiro momento seria preciso se colocar no passado. Um passado com recursos mínimos para executar um papel que é totalmente dependente de tecnologia. É injusto pensar que o limite de um ofício esta justamente na tecnologia que hoje nos permite não apenas deitar e rolar em fotografia, mas também transmitir com a velocidade que um projétil não alcança. Se vc discorda disto é pq entende muito de física, mas também vai concordar que o projétil não tem o alcance da fotografia. Então entramos numa discussão elementar entre as razões que certamente, se tão simples fossem, jamais teríamos a existência ou justificativa para um conflito. 
O motivo do meu post é uma observação sobre as imagens, sobre os ofícios de profissionais, considerando a evolução das atividades. Nos tempos em que a fotografia era praticamente física mecânica/química, não se possuía os recursos de transmissão e nem correções de fácil manipulação. Horizontes eram corrigidos através de corte físico com réguas e lâminas de aço, hoje, um botão ou o mouse faz isto. Com este entendimento nós percebemos que o ofício do fotojornalista se evidencia por um ato corajoso, heróico! A vida de Endre foi justamente isto... cliques simples, sem cerimônia, até que se foi para virar página fotográfica. Quem faz certos feitos jamais morre, deixa de presenciar, mas existe sempre. É uma pena que as escolas de fotografia e fotojornalismo não compreendam isto como eu entendo. Fotografias antigas não devem ser manipuladas, fotografias não devem ser manipuladas se não forem por seus autores. Editor não é autor... só autor pode definir o uso de uma obra fotojornalística. E no meu entendimento, editor que pensa diferente pensa que jornalista, mas passou por cima de regras bem básicas do jornalismo. É a crime jornalístico, pq a verdade foi manipulada e sabe lá o novo entendimento que isto poderia trazer. Se uma linha do horizonte parece erro ou distração de um autor, poderia também significar passar um sentimento de guerra, de desorientação. Coisas que o estudo pode provar... e que tornam as redações preocupantes! Quem gosta de mudar uma fotografia é publicitário, não fotojornalista, funções importantes da mesma maneira, propósitos completamente diferentes. 

Velhos All Star e calças jeans...

         
             Mar de calmaria em Porto Alegre, abre a janela e sente o calor... foi assim o domingo, 31 de julho. Meu escritório é um lugar tranquilo, agora, e na calmaria é que encontro os melhores momentos para contagem das histórias. Muitas foram as transformações no meu ano... assim como todos os anos anteriores que desenharam mudanças. Ouvi muitas respostas negativas sobre meus pedidos... quer fossem de natureza garantida, mera suposição ou pura loteira. Muitos foram os pedidos atendidos, outros foram negados... mas aos 40 anos, exercendo a atividade que estou, seria de estranhar se tudo fosse sempre vento em popa. Já fiz uma porção de coisas... outro dia falei nisto. Me faltou quase um universo para experimentar, porque posso dizer que das minhas certezas sei muito, e uma delas é de que tenho dúvida de tudo. Não confio em respostas prontas, não me animo a confiar nas estradas anteriores percorridas por outros. Seria um tipo tolo de jornalista se não confiasse em meus instintos, degraus de uma escada com 40 anos! Não sou mais um menino... embora veja que muitos são os que erram e persistem nos erros, sem dar nenhuma importância as experiências. Mudou... muda sempre, mudará no futuro e quando não mais mudar assistirei as mudanças das pessoas. É inevitável...
No domingo, eu calcei meus velhos All Star pretos, surrados... uma de minhas calças jeans velhas, com pingos de tintas, oriundos dos trabalhos de produção no estúdio, coloquei a câmera no pescoço e subi na bicicleta. Sai pelas ruas de Porto Alegre, arremessando perguntas ao vento e tentando colocar frases em ordem, para que talvez se montasse um texto auto explicativo da vida. Eu não tenho mais medo da vida... Eu tinha, mas agora não tenho mais. E tenho medo é de não estar mais aproveitando o que der entre um trabalho e outro... se agora estou sozinho, tudo bem. Importante é que eu sinta o vento, escute os cliques e a pressão do meu dedo sobre o disparador da câmera. Eu tenho medo é de que tudo mude novamente sem que me seja questionado... motivo, esperança e momento. Penso muito... penso nas negativas que ouvi, mas penso muito nas positivas que me fizeram ganhar algum dia. Sou agora, uma realidade de vivências que experimentei. Eu gostaria de não pensar tanto, gostaria de ouvir apenas "sim", mas o "não" me constrói e é dele que faço os degraus para continuar subindo. Se meus tênis estão velhos, minhas calças também... penso que estou também! Não somos piores ou melhores que ninguém, e a confiança que tenho é feita de incertezas e possibilidades. Era pra ser, não era, amanhã talvez, outro dia, novo caminho... mas amanhã é certo que vou colocar novamente, meus tênis all star velhos, ao estilo Nando Reis, uma velha calça com respingos de tinta, pois é ela e não uma nova que me traz confiança para o cruzar o dia seguinte. A calça respingada e os tênis velhos não me deixam esquecer o que eu fiz ontem e antes disto... Até, fico no Diário do Andarilho, um diário de bordo deste frame fotojornalista. Nos vemos nas ruas... 

Caminhão perdeu o controle e bateu no muro de uma casa em Porto Alegre


            Os moradores do bairro Teresópolis, na zona sul de Porto Alegre, já estão acostumados com os acidentes que envolvem a descida da rua Professor Clemente Pinto. A via que é uma "continuação" da avenida Carlos Barbosa, após a grande subida se direciona ao bairro Teresópolis, uma rota de muitos motoristas que objetivam outros bairros da zona sul de Porto Alegre. A descida é muito íngrime e, mesmo com sinalização para redução de velocidade, muitos são so motoristas que desempenham velocidade bem acima da permitida. Em muitos dos casos os automóveis batem na casa bem da esquina, como se viu dezenas de vezes. Alguns dos acidentes tiveram gravidades, como em uma das vezes que o automóvel destruiu parte do muro. Em outras danos restritos aos automóveis, mas não são raros os casos que a colisão resulta em susto para os moradores e para os pedestres. Pelo que se sabe, no momento dos acidentes, não houve vítimas, mas o bairro possui movimento no passeio que é trajetória natural de veículos que se desgovernam por ali. 

Insana razão

Sem teto durante a Copa do Mundo de Futebol, Brasil, Porto Alegre, ao alcance dos olhos de todos. 
Na estrada não há nada ou por nada que não seja o mesmo... não se vê em outros o que se procura, não se vê neles o que não tem. Não se entende substituição como conserto, não se vê dano permanente com solução. Não se simplifica apenas porque não há forma de resolver, não se complica o que é incompreensível. Se busca dissolução de conflitos internos, aço contra aço, água contra água, a água bateu na pedra, a pedra se dissolveu e desprendeu o aço. Inevitável é interagir com as próprias dúvidas, como um rio que corrente se vai, transporta o que poderia ser inquebrável e pesado. Certeza pertence a um tipo que só pode ter uma coisa dentro de si... e não é conhecimento! O que é não se sabe, parece que não existe esta aula! Dadas opções foram muitas tentativas a compreensão, de muitas coisas, menos de entender como funciona o mundo depois da razão. Mesmo assim... a distância da felicidade é uma fração sem razão... é impossível medir! Ela vem, ela some, ela pode voltar com outro formato. Para quem não se sensibiliza com nada, em nada se apresenta a mudança. E quando o autor se diz mudado, na verdade ele tenta enganar o destino, mas na verdade engana a si mesmo. Não muda, não passa, vive um estado sólido da água, um gelo, rígido, frágil ao calor. Não há amor que não derrube o frio, não há gelo que se faça invencível ao calor das mãos. Duro pra bater, frágil para aguentar, tal resistência não é resiliência. É fajuta tentativa de parecer o que não é... talvez uma proteção, talvez enganação, talvez artimanha. Resistência não é inteligência, resistência é indiferença. Indiferença ao caminho de tentar. É dúvida, pode ser existência, pausa para um novo... novo não existe, tudo gasto, tudo usado, tudo girando e trocando de mãos. Novo para uns, usado para outros... reciclagem é o termo atual. Sensações são frações de sentimentos, sentimentos fragmentados não geram conclusões, nem dão direções. Mapa sem pedaço não possui alternativa... se não esta, não estará. Troca de mãos, outras mãos, novos desafios, acabam no mesmo lugar. Quando falta um pedaço, não tem direção. Problema de um, vira problema de dois, acaba no problema de mais quantos se envolverem. Solução de insolúvel é estancar. Problema que não se propaga, ali repousa. Tal vida após problema é improvável, algumas vezes o tempo, outras o vento, quando muda a paisagem, pode até o rio mudar... mas quando tempo definiu, pouco sabe o homem como transformar declive em aclive, e de um leito não virá morro, tampouco inversão de sentido. Água não sobre morro, vento não sopra pra baixo... luz não passa por objeto, até tenta, mas não consegue. O que é resistência, ao oposto da razão, não flui, não vinga, não se transforma. É preciso aí uma coisa que raras vezes se vê... tal de milagre, poucas vezes se viu. Diz que se ouve algo do silêncio, tipo um zumbido, tipo um som de inexistência. Algumas pessoas dizem que é o barulho do silêncio! É desconstrução de conceitos, talvez geração de novos parâmetros, alguma insana tentativa de mudar as regras. Tudo é multidirecional quando o assunto é pensar em solução, mas a verdade é que não há receita, dica ou direção pré estabelecida. Cada caminho é único, acaba de novo, no ponto de partida, na estrada.

Capacitação para construir um trânsito!


Avenidas, Ipiranga com Érico Veríssimo, nas proximidades da Zero Hora.
          Quando a gente passar por um local e encontra dois automóveis Táxis envolvidos em um acidente de trânsito, logo surge a pergunta: Como é que pode, dois motoristas profissionais, conseguirem esta proeza?
Passei neste local ontem a noite, após o pedal solidário, e me deparei com esta cena que raras vezes vi. Imaginaria ver um táxi e um particular, mas dois automóveis que compreendem ao trânsito comercial de Porto Alegre, isto jamais! 
Resolvi publicar estas imagens para que as pessoas compreendam o que é o sistema de táxis de Porto Alegre. É possível que não sobre a metade dos profissionais se fizer uma triagem! Vai ser preciso investir em capacitação para construir um trânsito decente! Ou perderemos muito até compreendermos esta necessidade.