Onde a Terra começar...

Lavoura de soja em Barra do Ribeiro, RS. 2016. foto: Roberto Furtado
"Onde a Terra começar... Vento negro gente eu sou..." (Fogaça)

Quis lembrar esta letra de música, que é das canções mais bonitas já produzidas aqui no RS. Não sou bairrista, mas acredito em tradição e na parcela importante das culturas regionais. Quando vi esta plantação de soja me lembrei de como foi produtivo e relevante ao país a cultura do agronegócio em nosso querido Rio Grande do Sul. Hoje, depois de muitas gestões fracassadas, tanto do governo federal, como do governo estadual, tal cultura econômica esta reduzida as migalhas. E mais vale um iphone na mão do que um bom prato de comida saudável, e isto se vende muito bem nas mãos de crianças que seguram salgadinhos artificiais e saborosos. Algo não vai bem em nossa casa brasileira, mas como dizia um amigo meu... "tem que sentir no osso pra lembrar o que não tem mais!" 
Não sejamos tão pessimistas... vamos acreditar que pela frente virá uma nova gestão capaz de dar uma guinada nesta grande embarcação. E aí, não apenas a agropecuária vai se recuperar, como também a pesca e outros recursos renováveis que hoje estão em tanta pressão extrativista. 

A liberdade é de quem conquista... pra ser livre é preciso ter virtudes como uma Dragon Fly

A red dragon fly... perfect! Picture: Roberto Furtado
              Muitos conhecem minha admiração por borboletas e libélulas, também por outros pequenos e notáveis animais. A libélula, conhecida em inglês por dragon fly, é um animal ímpar em suas habilidade de cortar o ar. Ela voa em qualquer direção... e dizem, que o helicóptero teve parte de seus conceitos baseado neste animal. Não sei se isto é verdade, mas que ela é referência como animal voador, parece bastante fácil de compreender. Quem já viu estes animais voando não se surpreende. Este local de pouco é uma corda de varal, para estender roupas, e aqui já flagrei outros animais, como aquele beija flor que alimentava o filhote. O curioso de se morar em casa é poder interagir um mínimo com o meio... e embora muitas pessoas tenham esta sorte, raras são as que sabem aproveitar tal momento de lazer. Outro dia ainda, comentava em casa sobre a libélula vermelha e todos acharam estranho. Eu disse... "Elas são comuns nos alagados do RS, mas normalmente se observa mais as escuras, com tons metálicos de azul, verde e amarelo. Mesmo assim são comuns na cor vermelha, já vi pelo menos três espécies. Há uma parcialmente vermelha... outra bem pequena!"
As libélulas são animais fascinantes no ar, mas quando ainda estão na fase aquática, se apresentam como os maiores predadores do seu reino. A larva é uma fera, consumindo pequenos peixes, girinos, e até mesmo outras larvas de libélula. A postura de libélulas já presenciei... ela dá rasantes sobre a água, batendo a cauda sobre objetos flutuantes, ou pousando sobre eles e esfregando a ponta da cauda sobre plantas aquáticas de superfície. Muito interessante observar estes animais... 
Esta red dragon fly, certamente soube dos meus pensamentos, pois havia falado nela dias antes. E ver uma destas no meio da cidade de Porto Alegre pode não ser tão fácil. Ela pousou por três vezes sobre a corda, durante uns 20 minutos, tempo suficiente para eu correr até a máquina e instalar a canon 70-200 is II na 7D. Aí ficou paradinha para eternização... sorte minha. 

Na estrada que surgem as aspirações...

Alguma estrada de Nevada por onde passamos em 2014.
          Algumas pessoas me perguntam como se aprende a fotografar... acredito que esta pergunta é muito mais complexa do que pensam as pessoas. Tanto para quem pergunta, como para quem responde, a dificuldade vai ser descrever a estrada do aprendizado. É muito provável que o candidato a fotógrafo ou fotojornalista, seja um vivente com talentos entre linhas do cotidiano. Ele já tem aptidão, apenas, não sabe! Observadores... estes são os possíveis fotógrafos ou talvez profissionais das ciências relacionadas a comunicação, talvez, artes ou fotografia, talvez propaganda. Opções de um mundo livre. Quem nunca prestou atenção em nada até então... bem, pode escolher outra ciência, pois estou certo de que nunca será um bom profissional, ou levará mais uma vida para entender muitas coisas. Há um pouco de física, de artes, de espiritualidade em fotografia... há outras coisas também! Há paixão... sintonias da motivação! Não existe receita de bolo para um alguém ser fotógrafo... não dá pra ensinar criatividade, apenas estimular! Sobre a parte da ciência física, vc aprende, mas isto o torna apenas operador de uma máquina. Ninguém quer ser grande fotógrafo pq segura uma boa máquina... e sim pq sabe valorizar o objetivo com o enquadramento, composição e elementos extras. Para conhecer a estrada é preciso nela estar...

Fotógrafo ou fotojornalista?

          Hoje, dia do fotógrafo, não poderia deixar de falar em tal importância... e não confunda, repórter fotográfico com fotógrafo, justamente por tais diferenças existe um dia para cada profissão. Muito embora ambos usem tal caixa mágica para eternizar, os resultados são diferentes. Uns nascem para o perfil jornalístico, outros para gerar recordações e poesia... em alguns momentos, ambas situações se confundem, mas é no cotidiano que as diferenças se destacam. E quando falo em diferenças não é com intenção de diminuir um ofício em relação ao outro, pois em cada uma das atividades, tais perfis se destacam. É importante dar valor a cada uma, por suas naturezas e relevâncias. Foi certa vez, numa entrevista de trabalho, que ao conversar com um editor de mídia jornalística fui surpreendido... "tens uma forte visão fotojornalística. Tuas fotos estão muito acima da média das que vi por aqui até hoje e, te dou um conselho de amigo. Não tenta trabalhar dentro de um jornal... o jornal não é o que tu estas pensando. O Jornal vai matar teu dom... tu vais vir aqui com a foto e não vou poder publicar, pq a verdade é que acima de mim sempre terá alguém que vai barrar a decisão. Jornal não é verdadeiro na condução dos fatos no que diz respeito a política. Fica trabalhando com freelancer, pq tu vai ganhar mais, vai ter melhor utilização do teu trabalho e ainda vai ter a liberdade de opção, algo que há muito tempo perdi!" 
Pasmo com toda aquela informação chocante... e em parte significativo motivo pelo qual desacreditei de veículos de informação (política e condução de informação), agradeci, me despedi e nunca esqueci. Agradeço todos os dias... aquele editor mudou minha vida em 15 minutos. Não posso dizer o nome, pois sei que isto prejudicaria a ele ou talvez lhe custasse o emprego, mas ele sabe quem é... quem trabalha com ele certamente também imagina a quem pertencem as palavras. Então, faço sempre questão de gerar estes momentos de reflexão para quem busca o ofício... nem tudo é o que parece; o exercício fora de sua função verdadeira pode lhe custar muitas habilidades; e deves escolher, é fotojornalista ou fotógrafo? Antes que seja tarde e estejas no caminho errado, pare, pense, respire... ouça os colegas, leia depoimentos e experiências de outros aventureiros. A diferença pode ser o alvo, um propósito, abrangência, clientes... e ao fim, sucesso. Sucesso no fotojornalismo é reconhecimento profissional, sucesso na fotografia é dinheiro no bolso, mas não escolha pelo dinheiro... escolha pela felicidade. Se este é teu dia... sim, pode ser, na verdade, podes ter os dois, agora e em setembro, mas no coração vc vai saber a qual dia deve realmente vibrar, 08 de janeiro ou 02 de setembro? Sei eu que sou de setembro...

RF é de Repórter Fotográfico... destino é o que junta acaso e ofício!

A chaleira... Foto: Roberto Furtado
        Quando a ficha caiu... eu já exercia o ofício sem nunca ter pensado no assunto. Levei 30 anos para saber o que queria fazer da vida. Já havia feito escolhas até então, mas nunca fui efetivamente feliz como sou agora. Se RF podem significar Roberto Furtado, da mesma forma que representa Repórter Fotográfico. Isto me parece um sinal... muito embora seja cético, sou ainda forçado, pelo tempo, a acreditar no destino. Foi assim... a máquina se encaixou na minha mão, o enquadramento se tornou natural no olhar, o dedo indicador do clique entrou em sincronia com o tempo de tudo que cruza o caminho... a mente desenha uma possibilidade e muitas vezes surgem oportunidades. Vejo fotografias descritivas o tempo todo... pessoas, objetos, animais e estruturas. Tudo simples, tudo complexo, tudo se monta como uma história a ser contada. Algo acontece, eternizo na melhor intenção de explicar ao observador como aquilo aconteceu. Fotojornalistas contam histórias... elas são do passado, sempre, passado recente, passado distante, passado contemporâneo, algumas vezes parecerão do futuro, mas evidentemente, será uma ilusão do tempo. Repórter fotográfico tem as mesmas iniciais que meu nome... isto não pode ser mudado. É algum tipo de destino que o passado desenhou para mim. Levei muito tempo para entrar na estrada certa, demorou, mas agora não mais sairei... me transformei em profissional que jamais imaginei um dia. Feliz aquele que encontrou uma estrada e nela mirou o horizonte...

Sopra o terral e a crista da onda vai para trás...

Mar de Mostardas, 2015. Foto: Roberto Furtado
              A função de dar movimento para as fotografias, recurso estático da linguagem de veiculação de notícias. É preciso pensar um pouco, refletir sobre o que se busca. Hoje, de tanto fazer me garanto... faço automaticamente. Sei o que preciso e o resultado é imediato... se ondas seguem em direção a praia, quando venta terral (vento do continente para em direção ao mar), logo se percebe que a onda fica mais tubular... a crista vai para trás. A vantagem da maturidade que me chega aos poucos é saber o que fazer e como esperar... fotógrafo velho é sempre melhor que fotógrafo novo, se tratando de um mesmo indivíduo. Velho é experiente, novo corre mais... mas velho sempre acha um jeito de fazer sem correr! 

Gateway to the Grand Canyon - Williams

Williams, 2014. Foto: Roberto Furtado
No caminho para o grand canyon, nos USA, nos deparamos com uma cidade muito acolhedora chamada Williams. A pequena cidade vive de ser passagem para a atração dos canions, mas possui vida própria, baseada no turismo, no transporte ferroviário e agropecuária nos arredores da cidade. Parece a pequena cidade uma produção cenográfica, pois há um apelo antigo, quase congelado nas construções. Tudo muito simples, mas perfeito. É uma região de caça e pesca, pois algumas lojas apresentavam aquela configuração de agropecuárias brasileiras que fornecem de tudo... de panelas a ração, material de pesca, munição, apetrechos para camping, etc. 
Uma paradinha em Williams esta valendo... região bonita! Tudo muito limpo, conservado, estilo das pequenas cidades americanas. Um povo pacato, conservador, tranquilo... sem presença de violência na cidade. Coisas que não entendemos mais no Brasil...