A última gota...

Myriophyllum, alguma das espécies que ocorre no Brasil. Após a chuva, gota veio, e por ali ficou, em 2007.
Depois de muito pensar sobre isto, resolvi que este não seria mais um daqueles posts longos que normalmente eu fazia para descarregar a mente e entender a mim mesmo. Eu já entendo uma boa parte deste frame que utilizo aqui na tal Terra... sou mais um destes vários viventes que procuram ansiosos por respostas que jamais serão completas. Contudo, eu sei o que quero, sei o que preciso, entendo o que o mundo quer de mim. E isto não me traz nenhuma garantia de que agora as coisas serão mais fáceis para mim, afinal, elas não são para ninguém, mesmo que haja entendimento dos fatos. É como a chuva... ela vem e molha. Não basta você saber que ela vai molhar o que estiver desabrigado. Ela surge e dura algum tempo, molha tudo por onde passa, e depois cessa. E percebi que a vida tem muitas chuvas... chuvas de envolvimento social, chuvas de amor, chuvas de trabalho, chuvas para todo tipo de situação! Eu tive uma chuva, veio e me molhou. A chuva durou um tempo, e foi boa, divertida, esperançosa! Por um momento ela diminui, mas não parou... mudou de direção e temperatura. A chuva veio e quando eu estava mais molhado, parou! Vi as gostas escorrendo pelo rosto... fiquei parado para ver se tornava a pingar, mas não, havia mesmo parado. Então aquelas gotas que eram abundantes, foram escorrendo e secando. Não havia mais uma gota para sentir... vi a última e fiquei com a lembrança. Se foi... se foi mesmo. Não vai voltar... deu um aperto! Dá vontade de continuar esperando, mas não tem jeito. Quando vier de novo, será outra. Não será mais a mesma... nunca se repete. Não se sabe o motivo para uma chuva vivida  não se repetir. O tempo que foi, chuva foi, agora, brisa! Se brisa agrada a ti, bom, a mim não... talvez não saiba quem nunca viveu chuva, e nunca saberá que isto aconteceu. Sensibilidade é dom, mas chuva também... há quem faça sentir, faça chover, faça esperar, de tal esperança mudar. Não muda... nada muda! Não espere, viva em frente. Não me espere voltar, não espere ele voltar, não espero que volte, ela não vai voltar! A gota, última, preciosa, desidratou, não morreu... mudou, transformou-se em algo que não se vê, mas ela existe, de um jeito como pessoa em uma multidão. Uma gota, uma multidão... uma pessoa, toda aquela chuva! Só uma vez vais viver algo bom... nunca mais vai se repetir, se acontecer de novo, é porquê a anterior não era de tua certeza a melhor delas, não era chuva. Se comparares, entenderás, que uma gota veio, se foi, não voltará, chance para outro, pois presentes e gotas não caem duas vezes no mesmo lugar. A gota que você viu, se foi... era a última!  

Homenagem a turma do Chaves no Google...

Captura de tela do Google, 2016.
         O Google realiza diariamente algum tipo de manifestação por datas... a página do buscador Google é caracterizada de acordo com a homenagem. Em exemplos, aniversário do "inventor do X", falecimento de uma personalidade, comemoração dos 100 anos de tal acontecimento, etc. As manifestações são gestos simbólicos através do layout do search do Google e sempre são muito simpáticas. Nesta oportunidade, o Google disponibilizou uma animação que pode ser iniciada clicando em cima da figura. A animação é uma comemoração do 45º aniversário de transmissão do Chaves.
Recentemente, no último dia 17 de junho (2016), morreu aos 82 anos, mais um personagem ímpar do programa que encantou o mundo. O professor Girafales, o ator Rubén Aguirre, deixa este mundo real para fazer parte do universo que reside nas mentes de muitas crianças.
 grandes. "Mesmo que sejam adultos, os espectadores de Chaves guardam com carinho o personagem e sua turma!", Roberto Bolaños (1929-2014).
Muitos de nós crescemos assistindo este seriado durante os almoços e aos finais de tarde... todos os capítulos foram reprisados inúmeras vezes, ainda que assim seja, até hoje me sento em frente a TV e "perco" alguns minutos assistindo a mágica de Chaves. É sensacional como a pureza de um programa, com o evidente baixo custo de investimento, consiga cativar tantos espectadores. Isto é exemplo de feitos realizados com prioridade de intenção... onde o objetivo principal é o verdadeiro entretenimento, e não a ambição de dinheiro. 

Uma postagem sem título...

Morador de rua é entrevistado na ação solidária dos bikers. 1/125 F4 ISO 10.000, sem flash, luz ambiente. Imagem capturada ás 22:38 hs em Porto Alegre, por fotojornalista Roberto Furtado.
          Uma imagem é história... cá estamos, em frente a tantas questões da situação brasileira. Poderia começar falando de política, mas prefiro não me posicionar sobre ela neste post. Um velho morador de rua... entre dezenas que vivem no viaduto das avenidas Borges de Medeiros com Duque de Caxias. Um símbolo para Porto Alegre tomado de tristeza nestas noites frias. Há rostos ali que poderiam descrever muitos caminhos da infelicidade... ao menos no meu ponto de vista, se não fosse a alegria estampada nos rostos de alguns. Se vê de tudo nestas ações solidárias, tal como a raiva, alegria, simpatia ou indiferença... depende das relações, das combinações, forma em que vc se aproxima. Não é tão simples julgar o motivo e comportamento... "Tem uma menina linda lá embaixo... como pode?" Frase de um ciclista que me chamou a atenção. Um rosto de boneca, tinha mesmo. Poderia ser uma menina qualquer, de um lar quente, cuidado, universitária, aparentava uns 20 anos. Sentada num colchão velho, junto com outros três, conversavam. Ela não estava mal vestida... Eles se incomodavam com a presença de jornalistas e de pessoas da ação. Se via algo estranho ali... Em outro caso, mesma coisa, fui clicar, um deles escondeu o rosto no capuz, mudou de direção. A gente respeita estes casos... tem que respeitar! Se vejo que faz isto, apago a imagem, mantenho somente aquelas que não podem ser identificados os rostos. Pode ser qualquer situação... medo, vergonha, situações familiares ou da justiça, obviamente, todas mal resolvidas. Fome? Sim, muitos estão... frio, com certeza! Mudar, nem todos querem, nem todos podem, a maioria não saberia! Este seria um papel trabalhoso para a sociedade, através das instituições governamentais e não governamentais. Muitos tentam... agora sei, existe isto! Há pessoas engajadas com a proposta de ajudar... mas pense, como uma pessoa ajuda outras 100? Estranho pensar que na atualidade, vivem muitas pessoas com conforto, com uma vida digna, mas apenas uma fração irrisória se posiciona para uma ajuda. Entendo... eu também sou assim! É fácil esquecer, é fácil não pensar, é mais prudente cuidar da própria vida... até pq a corda é bamba, e quem pode acabar ali somos nós mesmos! Há tempos penso em como fazer algo... pra mim é mais viável fazendo com que mais pessoas pensem. Então vou lá, fotografo e escrevo. Sozinho não iria para ali, de câmera em punho, mas em grupo me sinto forte e confiante. Vou lá, observo, faço alguns cliques, ambiciono pensamentos que poderiam recuperar algumas situações. Será que a gente consegue achar uma solução? Vi o crack por ali, vi fome, vi sede, vi falta de banho, vi problemas familiares, vi descaso da sociedade... tem muita coisa pra ver ali. Apontar um solução pode ser um começo... talvez por um, talvez mantendo-os vivos e saudáveis para que eles consigam por si próprios encontrar um caminho. Talvez... e eu não planejei a direção deste post. E agora que terminei e, assim decidi para não ser muito extenso, pensei no título. É falta de criatividade não saber como chamar ou é prudência para permitir a própria sugestão do leitor? Depois de tanto tempo tive estas dúvidas estranhas, da imaturidade aparente. Resolvi deixar o título sem sugestão...

A estrada... com ciclistas e no meu fotojornalismo!

BR-101, trecho entre Osório e Capivari do Sul, Brevet 600 km da Sociedade Audax de Ciclismo, ACP, 2016.
          Estava realizando a recontagem dos eventos que trabalhei com bicicleta... alguns como profissional oficial, alguns como um freelancer, na maioria das vezes fui solicitado por alguma empresa que atua no mercado específico. Cheguei ao número 362... sim, estive em 362 eventos da bicicleta. Foram mundiais, feiras, provas de superação pessoal, eventos sociais, pautas que foram materializadas na revista bicicleta, colaborações para sites e portais específicos, e quase sempre publicados no Bikes do Andarilho, meu blog da bicicleta, hoje, inserido no projeto Bikes and People. Não estou certo de que o número é preciso ainda, pois acho que pode estar faltando algum evento, mas pelo menos agora, eu sei que fiz mais de 350 coleções do fotojornalismo específico da bicicleta. Quando eu olho para o horizonte me deparo com duas realidades... a primeira para o sentido em frente, para onde estou me dirigindo, e a segunda com quando olho para trás e percebo que não vejo mais o ponto de partida. Dá até uma sensação de estar afastado de algumas coisas que também considero importantes. Um cliente, hoje amigo, me perguntou algo que já ouvi algumas vezes. A resposta que dei para ele me faz pensar... Ele disse: "Cara, como tu entrou nesta?"
Eu disse que fui fazendo, fazendo, e que encontrei pessoas que me ajudaram no caminho... poucas pessoas realmente me ajudaram. A maioria têm medo, descaso ou receio em ajudar. A parte boa é que aqueles que não ajudam não podem criticar, não podem dizer que fizeram parte da sua história, não são parte de algo que considero mágico... que é a formação de um profissional, que têm suor e jogo de cintura. Ter na sua história o crescimento de alguém que saiu de lugar algum apenas com um sonho deve ser fantástico. Sirlei Ninki, da Sociedade Audax de Ciclismo, fez isto por mim... ela apostou no meu trabalho. Elcio Petris, da Revista Bicicleta, também apostou no meu trabalho... eles fizeram algo por mim quando eu ainda era um iniciante neste mercado específico. Eles me deram oportunidade! De lá, veio Federação Gaúcha de Ciclismo, muitos eventos! Fiz também a maior feira do Brasil, específica do mercado da bicicleta, sozinho, e recebi muitos elogios por este trabalho. Eu ouvi algumas vezes que as pessoas não esperavam este resultado de mim... e para mim isto é um prêmio, pq eu espero sempre surpreender as pessoas. 
Quando penso que utilizei cerca de 300 domingos para trabalhar, me sinto realizado. Me sinto motivado e justificado! Eu usei 300 domingos para me tornar um dos profissionais mais lembrados no mercado da bicicleta. Ninguém pode tirar esta realização de mim... este sabor de ter feito valer cada domingo. Então se alguém me perguntar de novo como cheguei até aqui... vou dizer: "eu madruguei por mais de 300 domingos para chegar até aqui!"