Bom fotógrafo quando...


     Muitas vezes me deparo com reflexões originadas por amigos... a última parece que reacendeu uma coisa de que gosto muito. Muitas vezes escrevei aqui e em outros lugares sobre o quanto tenho de raiz fotojornalista. E este é um perfil que não posso deixar de pensar que é de nascimento... não vejo esta tendência como mero acaso e exercício. Se o cara é fotojornalista... ele é e pronto! Não tem isto de formar um fotojornalista, de outra forma todo mundo que faz uma faculdade de jornalismo sairia pronto para exercer fotojornalismo... é aquela pegada que o cara nasce (também morre) com ela. Outro dia teve manifestação pacífica contra o Temer e a Favor da Dilma, e eu prefiro nem entrar na questão de  "a ou b" pq fui lá e fiz fotos das duas manifestações e e enviei para a Folha. Uma imagem de cada foram passadas ao jornal Metro, mostrando o equilíbrio da informação e sua imparcialidade. As imagens não foram estas da publicação, mas quem quiser procurar e encontrar vai ver que foram imagens com formato parecido, bem descritivas dos acontecimentos das duas manifestações. E voltando ao assunto deste post... e coisa triste ter que perder tempo dando explicação para porteiro para não pensar se sou gremista ou colorado, digo que a postagem tem relação apenas com o profissional, e não com o assunto fotográfico. Um amigo me perguntou sobre quando se sabe que um fotógrafo é bom ou ruim... lembrei que depende do foco e atividade. Um poderá ser excelente em casamentos, outro no front (esse cara que faz fotos das manifestações, sendo curto e mais abreviado).  A questão sempre é a referência... no que estamos falando?Aí a conversa foi indo para um lado mais detalhado, direcionado ao desafio e as dificuldades. Puxa, dificuldade tem em tudo quanto é ofício, mas vamos lá... em situação hipotética, um profissional que se vê em restrição de equipamento por ter saído para fazer um trabalho específico e então vai pinta outro trampo... ou uma adversidade. Este profissional pode sim ter um jogo de cintura diferente para lidar com a situação, e aí, no meu entendimento, se esconde um grande adjetivo de um profissional. Sai pra fazer fotos com uma lente fixa de 50mm... certo de que este cara vai encontrar alguma condição desfavorável para trabalhar. Se ele vai e consegue fazer com material limitado, entendo que ele é realmente muito bom. E acho estranho haver profissionais que não possuem lentes fixas... pq se elas tem limites, por outro lados tem horizontes diferentes. E aí pode morar um diferencial entre vender uma foto ou outra... e claro, que isto vai depender, também, do editor de um jornal ou da valorização de um cliente. Seja como for... fotógrafo bom faz mais, com menos!

Transparência quebrada... e símbolos!

Manifestações brasileiras, Porto Alegre, RS. Foto: Roberto Furtado.com
         A denúncia de uma barreira transparente... eis mais uma de minhas reflexões, um pouco de teoria fotográfica, um pouco de vida. Para quem fotografa algumas situações específicas com brilhos e transparências sempre surge algum tipo de aprendizado... há momentos em que descobrimos acidentalmente certas soluções, outras vezes nos deparamos com uma saída totalmente própria. Escolhi esta imagem do vidro quebrado com placa de fechado justamente para ilustrar esta situação. Dá até pra perceber que o vidro quebrado fica mais visível quando a luz evidencia a direção de ruptura do plano. Em outros momentos, com luz por trás, dá pra perceber que  luz oculta o dano. Fotografia é um jogo entre mais ou menos luz, mas as vezes nem a fotometria correta permite a visibilidade, e de outra forma, a subexposição pode denunciar nitidez de determinados detalhes. Por isto fotografia, como ciência e arte, se confundem, engana e convence. De alguma forma, com a atual situação que vivo, me identifiquei com esta imagem no momento em que a vi. Ando de portas fechadas para algumas situações, meus motivos, e senti o peso de pedras sobre meu escudo. Estranho como situações figuram o estado como nos encontramos. Cada fase da vida se desenha com naturalidade e sem controle, mas há simbolismos durante todo caminho. Talvez isto explique a trajetória humana na evolução com seus símbolos e importâncias.  

No dia do repórter fotográfico é imprensa livre...

Manifestação de ciclistas por paz e direitos de circulação com segurança, na avenida Ipiranga, Porto Alegre, RS. Foto: Roberto Furtado / Revista Bicicleta

Bom, aqui é blog... blog! Me perguntam se estou chateado... Ora, como não? Dia do Repórter Fotográfico... a população não gosta de jornalistas, a polícia não gosta de jornalistas! O fotojornalismo é quem vai as ruas... só tem dois tipos de jornalistas que "precisam" realmente estar no miolo da confusão: A) repórter cinematográfico B) repórter fotográfico. O repórter de "confusão" pode olhar de longe, os que captam as imagens necessitam estar lá na frente da bala ou da pedra. Como se sente o repórter que capta algum tipo de imagem? Sabe como é aquele muro, não tão alto, não tão baixo, apenas que aumenta a exposição? De um lado a polícia, de outro o manifestante... no cruzado esta o vivente, bem remunerado e valorizado, repleto de amor e carinho da sociedade, alvo de paus, pedras, balas de borracha e bombas de gás. Não precisa estar ali... ali não é seguro! Seguro pra quem? Pra que mesmo que existe jornalismo? Aí tu vê teus amigos... teus amigos, te dizendo de esquerda ou de direita pq tu faz um trabalho mal remunerado pra caramba. Tu só vê os caras se atacando, de lado pro outros, xingando, inclusive a ti, que esta ali pra cumprir uma tarefa que descreve uma realidade. Imprensa é livre, em especial toda imprensa independente! Cores não me representam, religiões ou partidos não representam meus comportamentos... quem me representa sou eu mesmo, em meus atos de cotidiano.