Estrada...


         Acho que algumas vezes a gente cansa de estar na estrada... estrada real, aquela que distancia casa e trabalho por centenas de kms. Acho que a idade nos acomoda... que nem um caminhão carregado de melancia, elas vão se encaixando, se acomodando, e depois as mais de baixo estão praticamente imóveis. As de cima serão adaptadas aos novos espaços e mudanças... e assim é a trajetória profissional. A gente não cansa de fazer o que gosta, mas estrada e direção não é exatamente o trabalho, mas o meio entre os locais. É na estrada que fico pensativo, mais! Eu ainda não consegui ver isto como prejuízo, mas que cansa, isto é fato! Penso muito nas coisas que desenham a vida... e me transporto de um lugar para outro como se este meu veículo, um corpo humano, fosse algo meu, exclusivo, mas é aí que a gente percebe que o trabalho e o sacrifício torna este veículo um "fruto do aluguel". A gente se doa, muito, para trabalho e a estas necessidades. E acho que através destas conclusões que a gente visualiza a necessidade da valorização dos ofícios. Antes eu achava que era vivido... agora sei que não vivi nada! E me parece que que isto deve acentuar na medida em que eu envelhecer... dono de certeza é menino, que não percebe tudo que muda e mudará ao longo da estrada. É muito bom perceber que tudo que vivi até aqui serviu para me fazer compreender, do que preciso e do que não preciso mais. Atribuir o valor merecido as pessoas e as circunstâncias é um ato de maturidade... e vc vai ter que fazer esta triagem em algum momento, não vai dar pra escapar! Temos só um corpo, um só veículo, e a estrada é longa, complexa e exige sabedoria. Talvez não possamos escolher em alguns momentos, mas sabemos através da intuição e das oportunidades, quem devemos manter próximo, quem devemos afastar. E isto significa compreender apenas o valor das pessoas, não gerar rancor, mágoa ou qualquer negatividade. Isto quer dizer que vc escolheu o que era melhor para vc, não um peso de julgamento! Use a estrada... pense nela, pense nos check points que falei outro dia. O lance dos check points é uma grande sacada... pq torna tudo mais claro pra vc, um degrau importante no crescimento interior. Roda pra frente...

O lugar do teu coração...

              
            Muitos são os ofícios que nos permitem viajar... algumas vezes é um lugar perto, outras vezes nem tanto. Alguns possuem trabalhos que permitem parar pelo período de uma viagem distante... outros, não conseguem por questões pessoais. Consegui andar em muitos lugares, grande parte das oportunidades em função de trabalho, mas existe sempre um lugarzinho queridão para nós. Já percebi que as pessoas possuem diferenças... algumas nem gostam de viajar, o que me deixa sem entender tal situação. Fui para alguns lugares, conheci muitas cidades, grande parte delas aqui no Rio Grande do Sul, mas conheci cidades no exterior, com toda carga cultural que cada lugar pode oferecer. Trabalhando a gente não aproveita muito... muitas vezes nem sobra tempo para isto. Algumas vezes eu converso com as pessoas sobre os lugares, para saber onde estiveram, para compartilhar minhas experiências. As pessoas se espantam quando digo que conheço alguns lugares onde muitos sonham em ir e digo que prefiro um lugar como a imagem acima. Uma praia deserta, um acampamento sem compromisso, sem hora, sem data para partir. Eu fico sentado na areia, olhando para o nada e "pensando" na beleza natural, na vida selvagem, no vento, nas diferenças entre a cidade de concreto e um lugar quase intocado. Muitos são os aventureiros que preferem as ruas asfaltadas... não vou dizer que não gosto, pq adoro caminhar pelas vias de grandes centros, mas eu tenho predileção por areia, água e brisa. Aprendi muitas coisas nesta vida... aprendi a perder as certezas, mas aprendi do que gosto, do que preciso. Me divirto com momentos dos quais não tenho nenhuma habilidade, como dançar, mas aprecio mais quando faço uma fotografia, mesmo calado, sozinho, com os pés na água e esperando o tempo passar como se não tivesse nada para fazer. Sentir o sol no rosto, a areia que entra entre os dedos dos pés, o clique da câmera para eu garantir a lembrança, a mudança de tudo para mim, as minhas perspectivas. Não sei se gosto mais de mim ou do mundo, eis uma dúvida que me ocorreu... talvez sejam situações inseparáveis para avaliar. Acho que eu gosto do mundo pq gosto de mim... acho que agora acertei. Entre São Francisco e minha praia deserta... fico com a praia. Levo minha barraca, ou durmo no carro, faço meus arremessos pesqueiros, durmo no calor da areia. Sensações são as ferramentas que temos para apreciar o conjunto... assim, se descobre o lugar do coração, aquele que te faz sonhar acordado. Nada de especial para o mundo, apenas para ti mesmo!

A velocidade certa de cada um...

Volta Internacional do Rio Grande do Sul, abril de 2015. O líder de etapa durante uma fuga, em efeito panning, nas proximidades de Cambará do Sul, RS. 
          Ando refletindo sobre a relação tempo e mudança... acho que mudei muito minhas reações frente a situações do imprevisto, mas também sobre a forma de lidar com tudo. O engraçado é que estas mudanças pertencem fortemente a coisas novas da minha vida. Me parece que aquilo que é antigo tive mais dificuldade em mudar... não estou falando de aceitação, estou falando de reações. E me pergunto se precisamos mudar tanto, ou até quando, pq muito de nós é realmente uma construção de toda caminhada. E em cada passo mora uma justificativa... do porquê somos assim, ou como devemos reagir com relação aos imprevistos, mas eu queria mesmo era falar da velocidade de cada um. As habilidades nos diferenciam... somos, uns, melhor ou pior que outros, e nesta escala se apresenta a diferença nas ações e reações humanas. Uns aprendem mais rápido, outros demoram mais, mas fato é o start de cada um... ninguém acorda para soluções em tempo igual ao do próximo. Cada um tem um tempo para amadurecer, para alcançar um objetivo. Já vi pessoas que conseguiram realizar feitos nunca realizados em grande velocidade, outros precisaram pouco tempo, alguns muito! E em outra atividade tudo se altera novamente... a relação tempo e adaptação de cada um é uma experiência incrível sobre estas circunstâncias a que são submetidas as pessoas. Eu gosto de observar isto, pq foi assim que cheguei até aqui... "degustando o ar", como se percebesse em alta sensibilidade a sintonia dos fatos. Eu só aprendi pq criei meus parâmetros, ou de outra forma estaria parado no tempo fazendo as mesmas perguntas de 10 anos atrás. Devemos ter muita sede de crescer internamente... é o que busco! Sobre este tema, posso dizer... há uma velocidade certa para cada um. Não se subestime, não se critique sem que seja possível avaliar o próprio crescimento, não se culpe, não crie expectativas superiores ao teu potencial! Sinta, realize, perceba teu tempo, teu aprendizado sobre tudo, pq destas experiências virá, consequentemente, a maturidade!

Confiança e construção de serenidade...


             Acho tão estranho quando leio alguns textos antigos meus... eu noto a diferença das minhas reações e pensamentos sobre as coisas da vida. Entrei num estado de equilíbrio que me faz ver tudo com outros olhos. Eu não consegui isto sozinho, muitas pessoas contribuíram conversando ou apenas sendo observadas. Vos digo que a melhor receita de tudo é você encontrar uma fusão entre a transparência, aceitação, exercício físico, e a libertação de parâmetros construídos ao longo da estrada. Este último, dos parâmetros que construímos, explico... a gente cresce vivendo situações e forma um modelo do que é certo ou bom para nós. Só que este formato nos impede de viver coisas novas, de crescer, e é por isto que vc deve pegar uma picareta e quebrar este barro seco que se forma em torno de ti. Pq só assim as pessoas vão ver quem tu és... tuas belezas todas se tornarão aparentes, te levando ao conforto ao ser transparente, sincero e sem medo de enfrentar medos. Para quem estiver vivendo um momento como o que estive, recomendo... olhe para frente, não se preocupe com o que estiver ao em torno, olhe as pessoas nos olhos, sinta esta liberdade e que vc merece tudo que esta por vir. O que não parecer bom, vai construir vc, e o que for bom, será teu prêmio. E prêmios são mais facilmente conquistados com o hábito... na medida em que vc se transforma nisto, ganhará muitos prêmios. E vc sabe o que são os prêmios? Prêmio é a conquista de pessoas e a alegria que elas vão compartilhar contigo... o prêmio maior vai ser quando alguém diz que sente saudade! Pq a pessoa sente saudade quando ela acha vc sensacional... mesmo que para o mundo vc não seja! O que importa é o que um amigo pensa de vc... confiança e serenidade são check points importantes na estrada de uma vida, elas permitem muitas outras coisas! Encontre isto em vc!

Pra enxergar mais longe...

Zona sul de Porto Alegre, 2016.
          Fico me perguntando se este blog era realmente um blog das minhas aspirações fotográficas e do fotojornalismo ou se esta destinado a ser apenas o esboço literário de uma obra maior. Como estou vivendo uma nova fase da minha vida pessoal, percebo o peso que se coloca sobre o trabalho iniciando de coisas pessoais. E é aí que me refiro quando digo que é impossível separar o vivente entre vida pessoal e profissional, a gente leva sim pra casa o trabalho e vice-versa. E não é necessariamente ruim se vc sabe como levar isto e não prejudica uma destas faces da vida.
Ontem, subi alto... fui até o topo de um morro. Eu não sei quantos metros de altura, nem quanto caminhei pra chegar ao patamar mais alto. Eu vi vida selvagem... lagartos pequenos corriam pelas pedras e vegetação. É muito importante a gente se colocar em contato com a natureza, pelo menos de vez em quando... para que possamos refletir nos acertos e erros, na direção das opções. O universo é um jogo de forças, ele nos move... ele empurra a gente para decisões, para caminhos novos, também para mudanças com caminhos antigos. Tudo é uma questão de não forçar a barra... deixe que role, deixe que a água corra na direção que precisa. Me tornei um fotojornalista tardiamente... quando eu tinha 20 anos eu queria ser jornalista, mas fui teimoso e me deixei levar por situações que não compreendia. Hoje, o fotojornalismo me encontrou... isto me faz pensar que se o seu destino não é encontrado por vc, ele vai conspirar para que isto aconteça. Sou grato por isto... o tempo não me põe medo. O que me coloca medo é pensar que por algum motivo o destino foi manipulado, forçado a não existir. E não há como saber... isto depende dos sinais que a sensibilidade de cada um se encontra no momento. A oportunidade pode estar a sua frente... se vc é cego, irredutível, jamais terá um destino verdadeiro, mas sim manipulado. As coisas acontecem naturalmente... e eu subi no alto de um morro para enxergar mais longe!

Toda paz...

Trevos, inúteis aos olhos alheios, belos para mim, especialmente após chuva de primavera. 
            O grande barato em que mergulhei desde que me tornei um profissional da fotografia foi fazer associação entre as imagens que produzi com minhas reflexões. Penso que algumas pessoas achem isto uma perda de tempo, talvez até chato. Porém, incrivelmente foi esta a minha forma de refletir e evoluir, e desta "técnica" veio uma série de conclusões que eu entendi como maturidade. Na continuidade pelo encontro do meu ser, de uma ambicionada e irreal plenitude, busco sempre pensar nas questões em que me deparo. Durante muito tempo procurei por um sentimento de paz interior, contudo é notável que isto jamais tenha sido encontrado antes. Incrivelmente, depois de conversar com muitos amigos, e daí vem aquela velha história de estar aberto para escutar, parece que encontrei uma receita interessante. É fato que se tratando de vida e personalidades, nenhuma receita de bolo agradará ou surtirá efeito para todos, mas é uma observação que possivelmente servirá para muitos. 
Minhas muitas noites mal dormidas, desde de sempre e, não relacionadas a nenhum momento específico da minha vida, atribuí as "culpas" que achei que tinha. De certa forma, parte da minha criação, não promovida pelos meus pais, mas creio que pelos avós, se desenhou onde tudo era feio ou errado. Assim, e estranha forma, e certamente a psicologia explica, me desenvolvi um vivente afogado em culpas por coisas tolas que vivi. E olha e que fui considerado um bonzinho por muitos professores. Me lembro bem de ouvir de uma professora de ciências, "mas Roberto, tu é um aluno bom, um pouco preguiçoso! Não vá embora desta escola!"
De certa forma surpreendi ela quando disse que me achava perseguido por alguns professores pq possivelmente me achavam levado... Isto, diz respeito, também, a como vc se vê! Vc entende isto? Voltemos ao foco... A questão é que por trás de quase tudo há um medo, um trauma, talvez uma energia que circule por entre nossos pensamentos, tornado-nos adolescentes com problemas e muitas vezes adultos com problemas. E digo isto sem medo, especialmente hoje, pq sinto que superei ou encontrei meu caminho de paz para estes pensamentos não verdadeiros sobre mim. A verdade é que não tenho nada contra mim mesmo, nem com justiça, nem com pessoas, tentei e tento resolver tudo, até pra não viver esta estranha culpa. E na verdade este foi um estranho exercício que vivi até aqui, onde retirei os pesos dos meus ombros e deixei ao lado da lixeira para a coleta seletiva, pois aquilo era um tanto quanto sintético para absorver. De algumas semanas para cá, entrei num redemoinho de poeira, literalmente... e com estas associações sobre a vida percebi que era ciclos intermináveis de questionamentos se a gente não mudasse alguma das prerrogativas. Foi vendo aquele pé de vento, que no dia me deixou fascinado, como sempre, que comecei uma trajetória de mudanças. Um coletivo de novos parâmetros me mostraram que o redemoinho de vento muda de direção de acordo com interferências externas. Sem qualquer culpa, compreendi que nem tudo esta sob nosso controle, nem nos cabe a melhor decisão sobre tais circunstâncias. Eu me vi parado em frente ao cone de poeira, que dançava e se deslocava sem uma prévia direção. E como se a decisão fosse realmente uma incógnita e assim deve permanecer, pq há coisas que podem ser mudadas, outras não! Então, comecei a buscar as culpas que poderiam residir em mim e as trabalhei... quando ouvi meus amigos e as pessoas que amo, entendi se havia realmente alguma culpa ou se era fato meramente das relações humanas e sujeitos a perspectivas de cada um. Busquei o perdão, por assim dizer, dentro de mim mesmo... e tenho, com isto, me tornado cada vez mais calmo. Desenvolvi uma paciência interna e um amigo até me falou que nunca havia me visto tão tranquilo... eu disse: "Encontrei toda paz de que precisava!"

Como mudei a minha vida...

A vida passa rápido, então busque e viva intensamente, sempre observando os sinais. As diferenças de cada oportunidade são justamente o que torna a vida espetacular. Esteja atento! 
Refleti muito sobre minha trajetória e resolvi escrever sobre isto por dois motivos... primeiro para compartilhar de minhas observações que podem ajudar alguém, depois porque escrever é uma coisa de que gosto muito. Para mim, torna-se muito mais fácil falar sobre algo quando escrevo do que oralmente... cada um tem suas habilidades e necessidades. As minhas descobri há tempos, embora já na vida adulta. A gente costuma pensar que a vida muda sempre com mudanças bruscas, mas a verdade é que ela se desenvolve ao longo da nossa passagem por aqui. Acredite cada um no que quiser, seja um motivo espiritual, ou doutrina religiosa, talvez outras perspectivas sem nome ou desconhecidas, a vida é uma passagem com propósito e nela devemos empenhar esforços para evoluir. A gente se desenvolve com base na família e dela se afasta ou se aproxima na medida em que isto nos causa alegria, dor ou indiferença. Você só se aproxima do modelo da sua família se houver indiferença ou alegria, pois na dor, entendo que ocorra o distanciamento e, isto mudará por completo a vida de alguém. Não acho que seja bom ou ruim, ter ou não ter uma família, acho que para cada caso será visto de uma forma. Tenho a minha... para mim é bom, apenas não quero deixar uma impressão de que é prejuízo não possuir uma família, até pq novas opções de família se montam incluindo amigos como familiares. Toda trajetória traz ao longo do caminho alguns importantes ícones, são os check points da nossa linha do tempo. Estes pontos na estrada são pequenos momentos intensos que vivemos sozinhos ou com outras pessoas... eles são de grande valor para todo andarilho. E entenda que chamo de andarilho aquele que vive sua estrada... um vivente, que bate de frente, que anda a favor do vento, que reluta em aceitar adversidades que podem ser mudadas ou que aceita o que não pode mudar. Durante uma sessão de psicoterapia, encontrei uma resposta tão óbvia que me fez sentir um idiota sobre as coisas que eu não fazia e tinha medo. Percebi que para superar tudo que observamos como dificuldades, precisamos encarar de frente e deixar rolar. Então, se tens vergonha ou medo de algo, enfrente! Se tens medo ou vergonha de cantar, falar com as pessoas, dançar, discursar, ou mesmo de fracassar... arrisque! Este foi um check point importante na minha vida. Eu descobri que era capaz de tudo, eu passei a ter controle da minha vida, encontrei ferramentas importantes dentro de mim e que estão sendo utilizadas no meu trabalho e vida pessoal. Eu resolvi dançar, fazer um video, transformei minha consciência em algo leve, resolvi malhar, tornei a pedalar (com propósitos diferentes), e até minha fotografia esta se transformando depois de muitos anos. Aliás, atente-se a isto... estas manifestações artísticas são indícios fortes que você pode ter para construir sua personalidade e equilíbrio. Pessoas com veios artísticos, como eu, que descobri que sabia desenhar e fotografar, são pessoas com uma sensibilidade grande para refletir. Devido a sensibilidade, tais pessoas, costumam ter emoções mais valorizadas dentro de si. Isto, pode ser bom, embora muitas pessoas se remetam ao sofrimento atribuído. Penso que evolui quem reflete, quem encara de frente e procura uma solução, quem se dispõe a encontrar uma parede sem porta e ir caminhando pelo escuro até encontrar uma saída. Nunca fui uma pessoa totalmente fechada, mas relutava em encontrar alternativas ou pensava que estas não fossem para mim... acredite, cada alternativa que a vida lhe dá, é um presente! Sirva ou não para vc, a decisão estará no próximo passo! Experimente vivenciar algo que você achava que não era pra vc... e então descobrirá se não era mesmo, ou se vc estava errado. Não esqueça que somos criados em moldes de uma sociedade e que muitos destes modelos não são corretos, embora adotados como tais. Tudo que vc fizer de livre mente, desde que não prejudique ninguém, será uma grande maneira para se auto conhecer. Eu aprendi muitas coisas nesta estrada... a perdoar, a amar, me permitir, e por último, agora tão mais importante, a ouvir. Eu descobri um valor enorme em escutar as pessoas, mesmo que eu discorde do que delas veio. Elas não precisam saber que vc não concorda, mas as reflexões de outras pessoas, tornarão suas reflexões... pense em um atalho que elas estão te ofertando! E não pense que parei por aqui... estou pensando em fazer aulas de música, encontrar uma boa forma de administrar melhor meu tempo, desapegar mais ainda de coisas que na verdade não preciso, encontrar meios de fazer alguém feliz com o que posso fazer e ensinar. Não tenha medo, mude, transforme-se radicalmente, mas não se perca no caminho... lembre-se da coisa mais importante de todas. Toda mudança é um mérito quando ela te torna feliz e torna as pessoas felizes... esta mudança só é verdadeiramente positiva quando existe um equilíbrio entre sua felicidade e o universo. Se vc concluir que é capaz de amar mais agora do que antes, então vc está no caminho certo... pq o amor é o combustível, e a falta dele torna vc sem personalidade, dependente da criatividade alheia. Para criar, qualquer coisa que seja, é preciso ter autonomia! E no meu entendimento, autonomia só existe por alguma forma de amor que vc possui. Te vejo por aí... eu sou um andarilho!

Solidão

Em algum lugar por aí... em muitos que já estive! ;)
        Acho que a maior característica de um andarilho é a sua relação com o mundo. A condição de ir passando, pelos lugares, na velocidade baixa da pegada, ou no ritmo de uma pedalada, apresenta o mundo a ele. É como se estivesse em uma janela de primeiro plano. Naquela perspectiva, observa algum acontecimento que oferta a reflexão até que passe por este... Assim, há tempo de sobra para pensar nas rotineiras coisas da vida. Eu sempre me deparo com reflexões assim... tornou-se um mecanismo de aprender, também cansa um pouco, as vezes, mas eu prefiro pensar, do que não ter nada para dizer. E aliás, eu noto que muita gente não tem o que dizer pq não anda pelo mundo. Pra pensar sobre algo é preciso vivenciar... e ultimamente tenho pensado muito na solidão. Solidão é uma condição muito estranha, pq a gente não nasce sozinho... alguém esteve lá com a gente, geralmente mãe, médico, familiares! Como tudo, tudo muda... e lá estamos, em meio ao caos, correria, rotinas, aparentemente acompanhados. Estive sentado em um lugar na rua e percebi que ninguém me reparava. Eu estava no meio do parcão e sozinho... chega a ser engraçado falar em solidão num lugar que emite som de pneus, motores e sirenes. É gente... a gente é sozinho mesmo. Parece que não é tão ruim... eu consegui ouvir o som do meu coração. Descobri que ele pulsa, bate forte, grita como se fosse condição de ser reparado. É bom pensar em algumas coisas... mas eu me senti muito sozinho, mesmo quando muitos se ofereceram para estar comigo. É que as vezes a gente quer ficar sozinho e curtir a solidão, mas de verdade a gente não entende isto como uma coisa boa. A gente pensa que precisa das pessoas... e precisa! Na hora certa, dia certo, condição certa... e a pessoa certa! Eu tenho ficado sozinho... talvez seja preciso, talvez não. De verdade, acho que a solidão pura e verdadeira me mataria... sozinho é quem quer, quem não curte, que desiste, quem não se encanta com o brilho do olhar de alguém amigo. Eu, como alimento meu coração com o sorriso alheio, espero não estar sozinho... um dia!