Adeus ano velho... seja bem vindo ano novo!

Livre somos todos... até que assim não pensemos! Roberto Furtado
       Jamais começaria um texto falando mal de um ano que nos acomodou nos últimos 365 dias... foi divertido demais. Estive presente no abraço e no coração de pessoas, na lista de nomes de um trabalho da faculdade, ao lado de colegas antigos do colégio, amigos de praia e, estive no colo da família confortavelmente. Não tenho nada para lamentar... foi incrível! O ano que chega é um período cheio de desafios que colocam em nossos caminhos perspectivas construídas com amor e dedicação, mas também um pouco de medo... e aliás, medo é um sentimento que nos motiva. Pelo medo chega a reflexão e a solução... e assim, construímos a nós mesmos num passo acertado com vontade de conseguir. Medo é um sentimento presente nos corajosos e nos vitoriosos, pois sem conhecer o que assombra um caminho não existe o jogo de cintura que nos faz superar. Fiz tudo que queria... acho que fiz. Eu não arriscaria minha vida por nada que não valesse a pena... eu aprendi em 2017 que a gente não perde tempo. Com ela aprendi que "se ganha tempo" com quem se quer por perto, com os planos de investimento dos nossos sonhos, com o sorriso que soltamos nas horas mais inúteis e desprendidas. O tempo passa, mais um ano se vai sem alguém que amamos porque a vida é assim escrita... ela é "trem bala parceiro", passa voando. Leva teus avós, teus amigos, tua juventude... opa, espera! A juventude jamais vai embora quando ela é verdadeira dentro de nós... aquela vontade de viver, de passar madrugadas em claro com um amigo(a), estudando, trabalhando, sendo faca na bota!
Não posso deixar de encerrar o ano deixando uma mensagem para aqueles de alguma forma fizeram parte da minha composição histórica... meus amigos, meus colegas e professores de faculdade, minha família precisam de umas palavrinhas. Queridos... paz é algo que damos a nós mesmos, fantasia fazemos, sonhos plantamos, carinhos e sorrisos ofertamos, uma chance para nós mesmos e para as pessoas sempre devemos! Livre é o homem que consegue ver em seu caminho de obrigações uma escolha para cada momento... e neste encontrar tudo que precisa, principalmente a paz! Sejamos livres em 2018 para que nossas mentes possam voar, para que as fotografias possam nos lembrar de uma forma mais fantástica, para que brilhemos onde quisermos! Meu beijo grande, seja o que o universo quiser e deixa rolar com o vento. Adeus 2017, seja bem vindo 2018... 

Redenção

Bodie Town, Ghost City. Foto: Roberto Furtado
          Um ano inteiro decorrido... e sonhos praticados ou elaborados. Nem tudo acontece como desejamos, mas os sonhadores tentam! Estive sobre o céu de muitos lugares e sempre tenho a sensação de que nunca vi um que me garantisse: "aqui é o meu lugar!" 
Me senti invasor da minha terra ou imigrante da minha própria casa e, nunca visitei um lugar ao qual sentia que pertencesse. É um pouco estranho pensar desta forma... mas isto não é nenhum problema e só me traz mais certeza de que sou um andarilho, de alma, corpo e pensamento. Me deparo com tudo... e pego na mão uma pedra com formato esquisito, sendo como um curioso do mundo num comportamento que explica a evolução da espécie humana. 
O ano terminou... olhei para trás e vi que algumas coisas fizeram bastante sentido. Vi também que mudei muito num curto espaço de tempo. Algumas coisas continuam não fazendo sentido para mim, mas acho a vida uma experiência incrível com direito a experimentar sensações e sentimentos. A gratidão que eu sinto, junto com todas as dúvidas que tenho... ficam me perguntando porque eu deveria parar de perguntar, enquanto tento e não alcanço respostas. Por isto... como bom andarilho, devo sair por aí nos próximos dias, no que eu eu chamaria mais uma vez de jornada espiritual, que me faz crescer. Não vou dizer para onde vou, nem quanto tempo ficarei fora. Talvez eu demore, provavelmente voltarei, como nas outras vezes. Jornada espiritual tem prazo de validade...
Minha redenção é assumir meus erros, prometer encontrar a cura para eles. Meu único compromisso com a vida é evoluir, existir com força, praticar meus instintos e superar. Se nos encontrarmos por aí... espero que possamos bater um papo. Espero voltar... caso não o faça, compreendo que foi porque encontrei algo muito legal no caminho. E vejo que nunca mais somos os mesmos depois do dia seguinte, o que nos faz incrivelmente capazes. A redenção de um homem é assumir que precisa melhorar... e isto, em fotografia, trouxe-me uma rápida melhora. Quanto antes você aceitar o seu caminho, antes crescerá! Redenção é pra poucos... a libertação é a consequência de atos sinceros e que não trarão peso em hipótese alguma. 

A companheira solidão

Mono Lake, vista para as montanhas. E eu não me importaria de caminhar por aí outra vez, sozinho. Foto: Roberto Furtado
           É realmente estranho para mim escrever sobre isto... e acho que existe, na verdade, uma dualidade de pensamentos que divergem no caminho do que realmente sou e quero pra mim. Pensei muito... nunca pensei tanto, como nos últimos dois anos. A diferença é que agora, tenho paz toda vez que não recebo influência de ninguém... ou seja, a paz só é ameaçada por alguém. Percebi que a gente nasce e morre sozinho... então aquele medo de não ter ninguém pra segurar a mão da gente é meio natural, mas eu também pensei que de um momento para cá percebi que via a imagem de todo mundo ficando velho. E então, não me imagino na mesma situação. Sou um espírito livre e jovem... e tenho a impressão que o universo me resguarda uma passagem não tão longa por aqui. É apenas um palpite, e falo isto bem desprendido, pois tenho minhas próprias crenças e isto não me causa sofrimento. É possível que eu não sofra porque, talvez, eu tenha resolvido tudo até aqui. E aquilo que não tem solução, como diz Marcio, meu irmão daqui e de outras vidas, já se encontra em solução. As vezes a gente luta e reluta em aceitar uma resultante, sem perceber que ela é inevitável condição de um caminho. Já vivi meu grande amor, já me tornei o que sonhei, já fiz quase tudo que queria... e ontem a noite cheguei em casa e sentei no chão do observatório da dona Silvia. Olhei pro céu estrelado e vi que as estrelas estavam mais brilhantes do que nunca, percebendo que meus olhos se tornaram receptivos e predadores de imagens. Observei uns dois ou três corpos celestes cruzando o céu e fiquei imaginando nossa vida de consumo como um ato meio desfocado da vida real. Não julgo ninguém por isto, apenas não estou me sentindo confortável se não for para ter apenas aquilo que quero usar no momento exato. Meu patrimônio mais caro são os equipos fotográficos que correspondem algumas dezenas de milhares de reais, vitais ao meu ganha pão e indispensáveis a minha felicidade. Fotografia se tornou minha paixão e o meu sustento... me trouxe sorriso, amizade, satisfação pessoal. A solidão... alimentou tudo isto. Ela é minha amiga desde que nasci, me viu crescer, me aqueceu, me ergueu quando chorei. Quando conquistei algo, também chorei, de felicidade, eram fotografias usadas na em publicidade e jornalismo... nunca me senti tão grande por algo tão simples. Ontem, enquanto olhava o céu, senti grande conforto... tive uma nítida sensação de não estar sozinho, embora, estivesse para qualquer um que me observasse de longe. Lua se foi e já não lembro quanto tempo faz, minha ex companheira tornou-se apenas amiga e lembrança, meus pais envelhecem ao ritmo que dificilmente suporto. E talvez este texto não expresse minha felicidade, mas estou. Nunca fui tão feliz na minha vida... é como se tivesse encontrado a paz na guerra. Sou do front de jornalismo, mas talvez nunca vá atrás disto, pois não basta você ser apto, será preciso querer! Logo... devo pegar o voltante do automóvel e ir para algum lugar, sozinho. Sabe o que acontece? Amo todos meus amigos, mas amo a mim, mais do que tudo. Então me basta tempo que passo com meus amores, mas o tempo para mim mesmo, parece sempre curto. Um dia serei proprietário de mais algumas respostas, mas até lá ficarei com esta paz caminhando pelo planeta, como um louco de cara! A minha companheira se chama solidão... regida pelo universo. Não acredito que exista alguém capaz de sincronizar comigo. Se preciso das pessoas? Claro... mas também me sinto capaz de atravessar o mundo e sobreviver a qualquer coisa. Não acho que há muitos como eu por aí... mas também não acho que isto seja bom, pois de outra forma o mundo seria feito apenas de textos. O que mais fiz nesta vida, me parece que foi escrever e fotografar, ambas opções são claramente alimentadas por solidão. 

Não há um cessar fogo na mente de um autor

Monterey Bay, CA. 2015. @betoandarilho
            Convencer pela imagem poderia ser um truque ou poderia ser a realidade com efeitos técnicos de conhecimento fotográfico. O fotógrafo, seja um jornalista ou um autor de produções, é um ilusionista que tenta passar a verdade com extra do seu olhar. Todo fotógrafo ambiciona passar a imagem em caráter igual ou superior a realidade. A manipulação dos conhecimentos específicos desta atividade e cultura permite a geração de resultados incríveis de aparência em duas dimensões para uma história do passado. Lembrando... fotografia é uma obra que expressa o tempo decorrido. Só existe fotografia do tempo passado... nem que seja de um segundo atrás. Somos feitos de instantes, deles guardamos o que precisamos, ofertamos a nós mesmos as lembranças que motivam nossas andanças. Para quem tem um filho, para quem tem um amor ou para quem tem pais amados, existe um reflexo óbvio do amor que é guardar estes momentos. Para quem ama o mundo, a natureza, a estrutura de compor o mundo que a física oferece, ficam as paisagens como lembranças. Assim, estão as lembranças em nossas mentes. Uma caixa preta, parece escura, mas na verdade guarda tantos segredos em formas de lembranças ilustradas apenas ao seu interior, exceto quando ilustramos estas ao mundo... assim, nos tornamos autores, fotógrafos, ao mundo. 
Manipular o desfoque em certas áreas é na verdade reproduzir a realidade que os olhos não conseguem, pois ao colocar os olhos no alvo, automaticamente eles se focam no objeto para que olhamos. Em tal distância focal podemos dizer que nossos olhos são objetivas incríveis de nossas máquinas fotográficas. Numa reflexão de que nossos olhos são objetivas, parte de nossos cérebros processadores da imagem e outra parte dele estocadora de imagens, percebemos que o homem simplesmente copiou um conceito da natureza humana e transformou em equipamento para um conceito bem simples já criado com um único intuito de levar a mesma imagem para quem quiser observar. "Não há um cessar foto na mente de um autor" é uma frase de minha autoria, embora acredite que exista ou que já tenha sido dito por alguém em algum lugar, ou mesmo pensada. Atualmente, seria muito difícil acreditar que alguém já não disse alguma frase simples... e mesmo assim, genialidade é ser promotor de autorias, criar conteúdo por conta, estar sempre pronto para falar, escrever, ou expressar o novo, mesmo que, motivado por sugestão de alguém. Sensibilidade é um dom, mas mesmo dons podem ser mais ou menos valorizados, pelo seu possuidor, pelo observador, pelos fenômenos de dissipação de uma imagem pelo mundo em redes sociais, como mero exemplo. Caminhar sobre o mundo é escolha, pois ficar em quatro paredes garantirá um olhar. Optar por caminhar sobre a Terra vivendo a experiência do olhar possibilita "sintetizar" ou "tatear" as imagens que passam por nós. Não existe memória suficiente no mundo para guardar a imagem de tudo visto de todos os ângulos. É um processo infinito onde a composição de um fundo complementa a informação do alvo (objetivo fotográfico) e a cada mudar mínimo de ângulo reproduz uma nova ideia. Nossos olhos e nossas mentes são ferramentas essenciais e exclusivas das nossas emoções, das nossas trajetórias, do que seremos. O que somos é calculado e recalculado segundo a segundo, mudando o conceito e grau de desenvolvimento próprio a cada instante. O amor que temos pelo eu, pelo mundo, por tudo que nos circunda, leva-nos ao hábito de olhar para tudo como um enólogo interpreta o sabor de cada vinho. A particularidade de cada algo experimentado é o que temos de melhor como habilidade. Farejamos, sintetizamos e levamos ao mundo o que desejamos mostrar para as pessoas. Isto nos torna geradores de conteúdo e causadores de reflexão. O que não é visto não é lembrado, o que não é dito não é pensado, o que não é ícone de uma lista jamais será motivo de reflexão. É muito mais simples uma ideia que circula pelo mundo motivar pessoas para esta reflexão do que pessoas simplesmente encontrarem sozinhas o caminho desta reflexão. Isto torna autores tão importantes, mas reprodutores de ideias levam a importante tarefa de observar o caminho visto de outras formas. Poderia assim, ser pensado com muito cuidado a diferença de um autor de obra de qualquer natureza e um professor. Há formas diferentes de mostrar o caminho a ser compreendido, como há individualidade em tudo. Somos máquinas da interpretação capazes de escolher de forma inconsciente por bifurcações da estrada da reflexão, e tal, nos leva ao infinito de possibilidades, da mesma maneira que mudamos o ângulo de uma fotografia. O que faz a existência de um fotógrafo? A ação de resultar mundo em imagem, expressar a ideia de forma ilustrada! Somos incapazes de ficar pensando em nada... talvez alguns de nós, por motivo desconhecido, possam executar o breu dos pensamentos. Um lugar onde a caixa preta é sinônimo de inexistência temporária, para inquietos, ilustradores, autores, a resultante é um filme infinito que se ligado na continuidade não teria nexo, mas nós, perfeitos que somos, criamos início e fim para cada história. Nos confundimos, muitas vezes, com o que vemos dentro de nossas próprias gerações. No entanto, acreditamos que estas criações sejam sem razão, quando na verdade são reflexos das mentes inquietas que se auto alimentam da informação captada. Uma frase de Mário Quintana me parece muito interessante do ponto de vista do conhecimento e situação de cada ser humano: "Não tenho paredes, só tenho horizontes!" Esta seria uma frase com algumas interpretações, contudo, do ponto de vista ilustrativo, da imagem, expressaria a infinidade de imagens de alguém para o mundo. Repito... "não há um cessar fogo na mente de um autor!" seja qual for a natureza da informação, elas são como tiros saídos de uma arma furiosa, uma máquina fotográfica perfeita que pode funcionar por quase cem anos, tempo de vida que nós, mortais, podemos alcançar. Imagine viver por mil anos e teríamos uma quantidade tão grande de informações que talvez não pudessem ser devidamente utilizadas e valorizadas. 

Devaneio meu... a velocidade!

A lua pede a existência de um observador... este cara, sou eu!
             Já escrevi tanta coisa... e receio ser, muitas vezes, repetitivo! Ouço música, faço retratos, registro o cotidiano, observo as pessoas, os animais, o balanço das árvores. Presto atenção em coisas que a maioria esquece de lembrar ou, jamais viu. Os olhos de quem quer, sedento pelo mundo, são como facas velozes que cortam o horizonte da esquerda para a direita. Rasgam o ar e o céu, procuram momentos aos quais justifiquem uma vida que elaboramos. Eu... acho que encontrei uma forma de ver tudo. Quanto mais vivo, menos sei... deixo a certeza longe dos meus pensamentos, pois é a única forma de seguir questionando e garantindo o aprendizado. Abro a mente, escuto as pessoas, quer sejam especialistas ou nativos de algum lugar longe da civilização. Eu... aprendi que não aprendi nada ainda, por isto, decidi que só o caminho da dúvida me coloca na oportunidade. ouço "stop this train" de John Mayer e penso na vida. Poderia imaginar uma estrada de trilhos com a locomotiva pulsando forte que não reduz a velocidade... ou como um cavalo árabe que parece não perder o fôlego não importando quanto corra. A velocidade é cativante... sobre a bike, no volante, o vento corre no rosto e a vontade é sempre de manter a tudo passando rápido, como a paisagem. Até os animais entendem isto... êxtase para um puro sangue é quando ele corre, para os velocistas das pistas olímpicas, também para os amadores que aprenderam que liberdade é correr! Não importa... seja você um corredor de 8km/h ou de 15 km/h, a sensação será a mesma... force mais um pouco. O esforço parece que começa a te vencer, então as químicas do teu corpo são lançadas numa intenção de fazê-lo correr mais e mais. O mundo... era tão pequeno pra mim quando nasci, agora se parece com infinito, talvez seja uma mistura de tudo, ao olhar, ao sentir. Se beijares alguém... se correres, se sentires a prancha correndo na parede da onda, se o vento correr no rosto durante uma veloz descida de bicicleta. Eu já fiz tudo isto... me lembro ainda do zunidos dos pneus e dos raios enquanto descia de Gramado para Três Coroas... quando eu era louco e não sabia e devo ter por duas ou três vezes ter alcançado o lance de uns 90km/h. Jamais faria isto novamente... não seria por rejeitar toda emoção, mas sim por arriscar perder a continuidade disto que chamo de louca vida. É boa... e a velocidade é uma droga, vicia, atrai! Nas minhas pegadas ela parece mais segura... estou longe das corridas de 5 km que julguei a distância ideal. Assim que eu me recuperar, voltarei aos 5000 metros em 22 minutos, talvez quebre meus próprios recordes outras vezes. A velocidade...

Absoluto

A estrada da vida... é uma visão do infinito, com realidade de objetivar o alvo no dia seguinte. O foco não pode estar a dois passos de distância, a construção é para ser alcançada em curto espaço de tempo. Dê tempo ao tempo, mas coloque metas próximas. Elas farão você se movimentar gradualmente na transposição de fatos.  Estrada em Tavares, RS.
Foto: Roberto Furtado
           Estar em equilíbrio nos pensamentos... este é o grande momento que eu queria viver. Não sei se é a idade, ou talvez a junção de todas as experiências vividas, pode ser que seja a mesma coisa! Sentir pleno... o que é isto? Acho que todo mundo procura uma paz que só é verdadeira quando tudo passa a ser leve, independente do nível de dificuldade de um obstáculo. Olhar para toda situação de cima, como se estivesse mais alto que tudo ao teu redor é uma forma de ter clareza sobre como proceder frente a qualquer situação. Assim me sinto... e não foi a toa. Uma estrada se constrói vivendo, saboreando o doce e o amargo. Conduzir tudo é uma resultante de tudo que se viveu, tornando-se prudente, com os negócios, com o coração, com as pessoas que se movimentam no teu mundo. Ver o mundo sem fronteira é saber respeitar-se e respeitar ao próximo. Manter a calma, ser exemplo! Afinal, estando você por mais tempo aqui, deve isto aos mais jovens. Deve... deve sem obrigação, deve a você mesmo! Se permitir, manipular se for preciso, ou melhor, conduzir teu próprio caminho, que é também... se afastar ou se aproximar, calando-se ou oferecendo um pensamento sábio. Tudo depende de quem esta em alinhamento espacial contigo. Aqui... ou em 10 mil km, sempre tem alguém precisando, oferecendo ou precisando viver uma experiência com você. Eu não sei se as pessoas conseguem entender tudo que digo, pois vejo pessoas inteligentes tendo dificuldade para interpretar palavras simples, frases claras, pensamentos presentes e de acordo com uma mesma realidade. Tudo é o tempo em que cada um se encontra... alguns fragmentam suas vidas em áreas, familiares, sociais, profissionais, cíclicas, visuais! Programam em partes e vivem apenas estas que conseguem dominar, mas hoje olho para isto com o entendimento de porque eu fazia isto. E vejo muitas pessoas fazendo o mesmo... e agora entendo. É fácil viver no que você domina e, muito mais fácil ignorar outras partes que estão em turbulência. Então, a resposta para quem evita o temporal é excluir a caixa onde se encontram os desalinhamentos, pois reorganizar tudo nem sempre parece viável. Reorganizar... ao que parece, parece impossível! Só que reorganizar é uma ação constituída de etapas. Você precisa viver cada uma destas etapas, inclusive da consciência de que não esta conseguindo alinhar... e este esforço somado ao tempo, se encarrega de dar-te visão para as respostas. Dominar a mente... não é para aqueles que fogem dos pensamentos, mas sim para aqueles que os enfrentam. Focar-se somente em alguns fragmentos da vida pode ser muito bom, mas são insuficientes para dar solução ao conjunto que forma a tua vida. Fugir... fugir é uma ação que protela, evita temporariamente os desafios e suas soluções. Enfrentar significa conseguir ou fracassar, mas a resultante construtiva é o único prêmio verdadeiro de todo enfrentamento. Se cheguei até aqui... e sinto o que vejo agora, depende de tudo que vivi. Me transformei em uma energia que olha o mundo, com a cautela da avaliação de onde pisar, sem evitar o caminho, querendo viver as experiências sem condenar a mim mesmo ou a quem cruza meu andar. Ali, descobri uma receita intransferível de como me portar, amar que quer que seja que passou por mim, sem pesar. Como diz uma música conhecida, "se chorei ou se sorri, o importante é que emoções eu vivi!"
E assim a gente aprende, e um dia, sente-se de uma forma que poucos compreendem... absoluto no próprio universo! Este estado de existência atrai tudo ao teu redor, pois as pessoas querem compartilhar contigo estes momentos. Você atrai tudo de bom... você é parte de um universo em equilíbrio, tornou-se absoluto. 

Realidade

Um portador de necessidades especiais recebe café de feirante no Largo Zumbi do Palmares, Porto Alegre, RS.
Foto: Roberto Furtado
           Você só lamenta aquilo que perde... bem, talvez exista outro caminho para lamentar. Não tenho certeza de que se pode lamentar a ausência de algo que nunca se teve. Talvez sim... em um momento raro de lucidez e inteligência que o seu autor consiga imaginar um ideal simples e que não possui. Não é ser excessivamente teórico imaginar situações as quais jamais se viveu? Não tenho certeza de que seja possível, tampouco ousaria dizer que não é... A chave que abre uma descoberta é sempre o pensamento. Girar sobre os pensamentos é comum ao ser humano, mas uma fração bem pequena muda algo com uma ideia inovadora. As boas ideias são escassas... algumas vezes, seres humanos estudam para ter ideias, como os engenheiros e outros profissionais da criação, mas um que outro garante uma história. Criar... eis uma ação na qual sou vidrado. Fico imaginando minhas criações escritas, diferentes da minha fotografia... pois em fotografia materializo a realidade, em escrita crio fantasias, histórias e pensamentos. Ali descobri que havia um lado diferente em minhas duas habilidades... na fotografia, como fotojornalista, conto a verdade buscando ela como linha inquestionável sobre o fato. Não mudo nada de lugar! Na escrita... me tornei, de alguma forma, como todo bom sonhador, um ficcionista. Muito embora tudo origine-se de uma realidade, tudo se cria, como em uma pintura, como em um desenho. Não tenho dúvida desde que criei as linhas de pensamentos e as separei por caixas. Em cada uma delas, guardo, organizo, crio o start para desenrolar um trabalho. Num espetáculo, show... fico atento ao mundo que se monta, dele, tiro minhas emoções e mostro o que interessa. Abro as duas caixas, da realidade e da imaginação, transformando minha ação em criação! Seja o fotojornalismo uma realidade, se desenvolve emaranhado em minhas emoções. Portar a câmera e apontar para o que posso é uma sensação de liberdade, a minha posse de uma sanidade plena da criação. Sou um gerador de conteúdo, versátil! Tento, tirar o máximo da pior opção, tento ver o melhor e diferente de um campo farto. As profundidades, pés livres, luz abundante sobre um céu encoberto de nuvens. Há mais suavidade em um céu de nuvens do que em um céu de sol... a diferença entre sol e nuvens é a opção dramática do cinza, das cores desbotadas. Há quem prefira fotografar com céu limpo, mas eu prefiro o ardor da história. Tal sentimento pode ser percebido no ser humano... o drama vive, de outra forma não se venderia um jornal por tantas histórias lamentáveis. Desde quando jornais eram mais vendidos contando histórias bonitas... o drama vive em nós, mas não só dele vivemos. Vivemos de equilibrar a esperança... e esperança é somente existente no caos, no receio, no medo, no lamento, precisamos ter pelo o que torcer! Eu adoro fotografar o amanhecer e o entardecer, luz amarela, marcante, sombra negras que cortam o laranja sobre o mundo, sobre os rostos. Dá pra fazer drama colorido, mas é mais difícil, de outra forma o branco e preto não seria ainda tão desejado nas fotografias. Tenho tanto a aprender e aos 41 anos lamento ter demorado tanto para saber o que mal sei hoje. Tenho sede, mas uma vida é curta demais e não posso frenar o trem. Sinto-me confuso... poderoso com a câmera, insatisfeito com as resultantes, ainda que consiga com alguma frequência imagens das quais me orgulho. Posso mudar apenas o que depende de mim, do mundo, espero só o que é real, mas... fantasias se montam partindo da realidade. E tenho certeza... entre a realidade e uma outra realidade, muda apenas o enquadramento. A individualidade é o que nos permite criar com o valor do diferente!
E sobre o que escrevo... não é tão bom assim, na verdade sou um fotojornalista e como tal profissional, eu deveria saber legendar uma boa imagem. Na medida em que envelheço, menos sei... anseio pelo dia em que começarei a dominar o conhecimento, mas algo me diz que somente os enganados possuem a certeza. 

Audax 200 km do Vinho 12.11.2017
















Fotos: Roberto Furtado / Sociedade Audax de Ciclismo
          As coisas andam meio paradas no Bikes do Andarilho... mas eu tenho trabalhado bastante. Já tem algum tempo desde que fiz a última postagem, mas isto não diminui em nada o amor pela bicicleta e tampouco a admiração que tenho por estes caras aí. Já fiz isto centenas de vezes... fotografei os ciclistas, acompanhei todo trajeto até a chegada dos primeiros, do primeiro pelotão. 
Eles foram bem rápido... fizeram em pouco mais que  horas os 200 km. Nada mal... nem necessário, pois estamos falando de superação e não competição. Preciso sempre frisar isto para quem chega por último aqui nestas bandas... audax é prova de superação pessoal. Entre o primeiro e o último há apenas uma diferença... o nome de cada um! Todos são únicos para nós! Ponto final!
Esta prova foi importante para nós, ligados a SAC. A Sociedade Audax de Ciclismo completou 10 anos e assim estamos produzindo um material para documentar. Publicaremos um material para homenagear aos ciclistas, colaboradores, apoiadores, etc. É uma marca importante da longa distância... e rumo ao infinito nós vamos. 
Deixarei de muita conversa e vou logo publicando o link com as mais de 1000 imagens... fico feliz por estar presente neste momento. Meus parabéns aos amigos, aos que se superaram! 

Reflexões de um aprendiz correrino...

Centro Estadual de Treinamento Esportivo (CETE). Foto de celular: Roberto Furtado
       Todo mundo tem suas manias, expectativas, perspectivas e experiências de vida... tudo isto forma o que chamamos de personalidade. É a vivência até o presente que no conduz pelo futuro, mas isto é recalculado minuto a minuto... sempre com base nas experiências. Quando eu fico muito cansado e alguém me diz uma coisa de que não gosto muito ou que não estava esperando, fico meio frustrado e pensativo. Aí, acordei com aquela vontade de correr... primeiro porque a corrida é energética e positiva para a minha mente, depois porque durante a corrida eu tenho ciclos de reflexão e parece que as ideias fluem muito bem. É interessante a gente se conhecer... praticamente troquei a bicicleta pela corrida por este motivo. A bicicleta me fazia praticar por muitas horas e eu, além de não dispor de tanto tempo assim, ainda por cima refletia tempo demais. Reflexão de esporte tem prazo definido para mim... até 30-40 minutos. 
Acordei sentindo o gosto da corrida... aí me lembrei que passei muitas horas em pé e não tive tempo para me alimentar direito ontem. Então, naquele momento percebi que não teria bom desempenho na corrida, mas que iria de qualquer jeito. Eu queria sentir o sabor do vento... e consegui. Eu fiz 5 km... usei o STRAVA. Meu primeiro km foi o mais rápido até hoje... fiz em 4 minutos e 6 segundo, dá uma velocidade média de uns 14,7 km por hora. O segundo km foi o quinto mais rápido que fiz até hoje... 4:23 minutos. Aí comecei a ficar enjoado... kkkk e tudo foi apenas empurrar com a barriga. Mesmo assim, meu pace médio deu 4:35 minutos, fiz os 5 km em 22:59 minutos. Meu melhor tempo desde que voltei a correr neste últimos 6 meses. Tudo indica que estou correndo cada vez mais rápido, mais forte, mais energizado. Saí da pista com uma cabeça leve... eu fiz um bom tempo, talvez um dia chegue aos 20 minutos que são o meu grande desafio. Se eu não conseguir, bem... acho que serviu pra me dar confiança, saúde e motivação. Eu fiz grandes fotografias... grande trabalhos, me superei, na dor! Já não tenho dúvida sobre minhas capacidades todas... eu tenho certeza do que posso fazer, dúvida apenas sobre o dia de amanhã. Neste momento estou pensando nos amigos... que dão palavras ótimas, que ajudam e ajudaram em todas as fases. Aqui... bom, correr é diversão para mim. Eu queria fôlego pra pegar onda... acho que já tenho! Me considero vitorioso... no trabalho e na diversão. E me deu vontade de abraçar todo mundo... então, olha só o que a corrida faz por mim. Isto que sou apenas um aprendiz... 

Quando é amor...

Celular fazendo video em show do Paul McCartney. A foto é deste que vos escreve... adoro foto de foto!
            Um momento de cada vez em uma fase de perspectivas novas e energias que se irradiam... fiquei confuso muito tempo. Eu falo de solidão... e acho que todo mundo já passou por isto alguma vez na vida, ou quase todo mundo. Eu... não sei explicar se me pedirem, nem sei se preciso ou se quero. Eu falo sobre isto, se for natural, se souber responder. Eu digo que ninguém sabe o que passa na cabeça dos outros, muitas vezes nem a gente mesmo sabe o que definir sobre o presente ou futuro. O presente deve ser vivido, o futuro simplesmente acontece. Fiquei muito tempo pensando no raio da solidão... estive muito tempo sozinho, por trabalho ou por escolhas, mesmo quando tinha alguém. Depois de um tempo que voltei a ser sozinho... e sozinho é uma condição exclusiva da ausência de alguém ao teu lado, compreendi o mundo de uma forma diferente. O caminho é um ciclo de reflexões, onde você se depara com uma pergunta, vai embora sem resposta, encontra ela novamente, responde do jeito que puder, até que, um dia, encontra uma forma confortável de ver o assunto. Eu tive a impressão de ser sozinho... mas então, resgatei uma amizade e outra, e encontrei conhecidos, antigos colegas, de colégio, praia, etc. Amigos antigos sempre fizeram parte da minha vida... as vezes não os vejo muito devido a distância, algumas vezes outro motivo, não importando o tempo e o vento, eles ressurgem. Tenho amigos que tiveram filhos, os vi nascer, cresceram perto de mim... me chamam de tio, me abraçam como familiar, dizem até que amam. Entende isto? Tenho uma amiga com quem saio seguidamente, outra com quem janto algumas vezes, um amigo me convida pra comer pizza ou churrasquinho e não bebe cerveja, outra que me convida para o chimarrão, outra para fim de tarde e por do sol, uma amiga caminha comigo e sempre me manda mensagens, outra me liga pra saber como vão as coisas, tem mais uma que me pede pra cozinhar, tem amigo que me pede abraço, uma delas poderia ser minha mãe, mas é tão bom passar o tempo com ela e, vc não imagina a energia de uma mulher com quase 70 anos, grande fotógrafa. Tenho um amigo que cozinha pra mim, outro me leva pra pescar, tenho amiga que pede colo, tem amiga que diz ter saudade, outra me manda mensagens no natal e aniversário, outro é meu tatuador e me deu uma família, que aliás, vejo pouco. Tem uma garota com quem já fui casado... e a gente toma café pra não perder contato. Não posso esquecer que um casal de amigos, estes dias, me deu um sobrinho e sempre me ligam ou mandam mensagens pra saber como estou. Nem sei se mereço tanta atenção assim... mas é ótimo! A vida... não tem formato, nem sexo, nem padrão, nem receita de bolo. Elas, quase todas, foram e são apenas amigas, sem diminuir os amigos, mas as mulheres são ótimas companheiras pra tudo. Quando a gente sabe o lugar de cada pessoa no coração da gente... nada pode mudar isto. Eu tive a cara de pau de pensar que era sozinho, mas a verdade é que eu não procurei por estas pessoas quando assim me senti... foi então que percebi, estou muito menos sozinho que qualquer outro que possui uma família grande. Quando falo de amor, não confunda com sexo... não entenda a vida com os seus olhos. Olhe o mundo e deixe que ele se mostre, quebre os formatos. Homem pode ser amigo de mulher, pode ser hetero... cada um desenha sua vida como quiser. E sabe aquela história de solidão? Aquilo não existe... é um estado psicológico, ao meu ver tem só um remédio, chama-se foco no amor verdadeiro. Ilustro o meu mundo com minhas fotografias, talvez muito mais com minhas palavras, mas acima disto tudo... com amor!

O meu lugar...

Fiquei de plantão... todo fotojornalista, uma hora ou outra, ou muitas vezes, vi fazer plantão! É uma foto realizada com temporizador de 5 segundos. Foto: Roberto Furtado
          Refletir é o que mais faço na vida... a reflexão é uma importante ferramenta na minha construção, pessoal e profissional. Eu apareci aqui nesta terra com um único objetivo de vida... viver! Acho muito estranho isto das pessoas virem para cá, para esta existência material, sobre a face da Terra, com objetivo de ganhar dinheiro. Talvez, ganhar dinheiro possa ser uma consequência, mas objetivar isto... me parece um ato meio incoerente, pra não chamar de estupidez. Eu caminhei muito... e quando alguém diz pra mim: "mas tu veio de lá caminhando?" Eu fico pensando que coisa estranha alguém achar que solução pra tudo é carro, bus, ou seja lá qual for o veículo automotor. Eu nasci descalço, saudável, com fortes pernas e braços... um pulmão fraco, mas um coração forte. No fim, o pulmão endireitou e agora eu corro, pego onda, mergulho, pedalo... e tu tem que ver a minha face de felicidade quando eu faço uma destas coisas. O meu lugar... eu pensei por muito tempo onde era o meu lugar. Acho que não existe um lugar pra mim... a minha mãe dizia desde que eu era pequeno, que o mundo é a minha casa, que eu era o vento, que ia correr, conhecer ambientalistas e a natureza. Me deslumbrava com tudo... eu tinha uns 10-12 anos e pulava de lugares altos que deixavam os colegas de queixo caído. Eu corria forte, tomava vaca de onda grande, me quebrava as vezes... como aquela vez que dei de cara no banco de areia, mas pode ter certeza que a onda era grande. Sim... eu quebrei uns dentes, cortei o lábio e fiquei até tonto com a porrada. E sabe o que aconteceu? Eu continuei fazendo a mesma coisa... e se eu passaria pela mesma coisa? Sim... eu sou o ontem, pra ser um presente que se apresenta com esta configuração. O meu lugar... é este aqui. Escrevendo, pensando, fotografando... eu sou um profissional da comunicação. Um fotógrafo com extras... e deixe estar ou ser! Continuo lutando para crescer profissionalmente, pra ser melhor, não pelo dinheiro. Estou aqui nesta terra, por enquanto, pra ser o que eu puder ser de melhor... bem lembrado, pelo que disse, fiz, ou fui. O tempo... não o perca correndo atrás de coisas que não te farão melhor, pense nos teus amores, eles são a única coisa que realmente importa. Quanto mais me aproximo do fim da estrada, mais paz encontro... evoluir pra ser feliz. Cheguei na metade da minha caminhada... espero ter algumas mãos pra pegar quando estiver na hora de partir. Isto me traz paz! O resto... pouco importa! 

Para trabalhar, para amar, ser!

Duca Leindecker, no Opinião, em Porto Alegre, no dia 09.10.2017, foto: Roberto Furtado
          Dizem que os taurinos são pessoas ligadas a arte, sensíveis e com muitas habilidades ligadas a esta sensibilidade, que também são teimosos e fortes. Toda vez que leio coisas sobre o signo ao qual pertenço, me reconheço em muitas coisas... em quase tudo pra ser sincero. Sou sim, um ser humano cheio de defeitos... alguns amigos me dizem modesto, mas na verdade não me acho tão grandioso assim. Eu sou, sempre fui, um aluno nota cinco em cálculo... mas se me pedires para fotografar ou escrever, provavelmente me sairei muito melhor do que esperam. Não sei se este lance designo possui fundamento, mas como é baseado na movimentação dos astros, acredito que possa ter uma influência em nossas vidas. De outra forma, não haveria como explicar as marés e as luas e seus horários ótimos para pescar. E se me perguntares sobre isto, não vou poder negar, sou pescador desde criança, e um dia fui convencido de que isto funciona, mesmo que pareça fora de nosso alcance. Os signos, cada dia que passa, me parecem mais e mais corretos. Os medos, receios, teimosias, dificuldades e qualidades se apresentam nas pessoas pelo período do ano em que nasceram. Tudo isto parece estar diretamente relacionado aos nossos sonhos. E aliás, quem não sonha, me parece muito empobrecido espiritualmente. Eu sonho muito, penso muito... caminhei muito mais que a média para chegar aos 41 anos. Fiz tudo de um jeito e mudei tudo... como um péssimo exemplo de taurino, mudei tudo, aos 30 anos, mas mostrei um teimoso em fazer dar certo muitas coisas. Se me iludi em alguns momentos, como um bom taurino, sim... me iludi e desisti de momentos, situações e pessoas que se mostraram diferentes dos meus ideais. Se tenho ideais? Muitos... e aprendi a separar as coisas em caixas. As minhas emoções ficam separadas por finalidade. Posso ser um homem forte, mas choro... posso sentir a dor e até pensar que a coisa ficou feia, mas neste momento não verá uma lágrima. Eu choro por coisas belas, por sentimentos que colidem entre beleza e tristeza. Juntei tudo dentro do meu peito... coloquei todo carinho, força e colorido dentro de uma caixa. A caixa do coração me faz produzir, me envolver com as pessoas, profissional ou pessoalmente, assim vou construindo uma trilha de histórias. De vez em quando eu olho pra trás e vejo ou lembro, sinto no mínimo simpatia, por vezes muita saudade. Algumas pessoas não mais consegui me afastar... preciso saber como estão, outras, me contento com os desencontros da vida. Se estão perto ou longe, me importo com todas, mas algumas, quero sempre saber. Ser taurino... acho que isto não tem a menor importância, me parece muito mais importante como me comporto junto de algumas pessoas. O que elas despertam em mim... eu gosto de como me sinto, por causa destas pessoas. Eu me sinto melhor por causa de algumas pessoas. Acho que sou um bom amigo... de homens e de mulheres, mas isto é difícil de dizer. Da conversa com as mulheres, me sinto sempre melhor que nunca, embora alguns amigos homens me mostrem boas reflexões e risadas. Acho que vestimos um físico que nos vende como homens ou como mulheres, mas não é muito justo. Parece que isto faz com que confundamos amizade e sexo... aqueles que me conhecem sabem bem do que falo. Quis a natureza, e assim penso, que eu fosse homem e hetero, mas tenho amigos e amigas bem melhores que eu que não são heteros e com eles aprendi muitas coisas sobre amizade. Tudo se confunde... trabalho, amizade, amor. O que somos? Acho que somos máquinas biológicas, complexas, talentosas, classificadas por signos, bandeiras, carteiras de identidade e a cada dia criamos mais e mais "emplacamentos" para nos rotular. Eu sei o que sou... o que quero ser, quem quero ter por perto. Sou um fotojornalista, homem, sonhador, taurino... mas tudo isto, criamos! Somos apenas humanos... 
A música Bossa, de Mônica Tomasi, cantada ontem por Duca, diz que cada um é como é... "há quem construa os aviões, escreva as revistas e dedilham violões!" Viva o livre arbítrio... das escolhas, dos motivos, do andar dos acontecimentos... assim nascem as estradas! 

Pra ser lembrado...

Trabalhando num brevet da Sociedade Audax de Ciclismo, em Cambará. Foto do incrível Ronei Carneiro.
          Não sei de onde sai esta coisa da gente tirar fotografias e recordar... pois, de verdade, importa apenas o presente. Contudo, há alguma coisa no passado que é tão importante quanto o presente. Acho que tem uma relação especial com momentos e as pessoas queridas das nossas vidas, também trajetórias profissionais e, outras situações impossíveis de esquecer. Jamais vou esquecer alguns amigos, independente de haver fotos, tampouco meus avós! Meus pais são do meu convívio... e sabe o universo quanto sou grato e feliz por isto. Sinto falta de tanta gente... dos meus amigos de infância, do meu avô, da minha ex mulher, de uma ex namorada, colegas de faculdade, amigos de praia, etc. Saudade é um sentimento bom pra ser guardado... e te fazer amar de forma mais eficiente quem estiver na tua vida. A chance é agora... viva o presente com o aprendizado do passado!

No trabalho...

          Trabalhei duro para ser reconhecido como um fotojornalista especializado em bicicletas... mas evidente que fiz outros trabalhos com amor, suor e sangue. Na bike... com bike, seja como for, fiz mais de 400 pautas, para mídias, para veiculação de eventos de toda relevância, de passeios a mundiais. Eu perdi as contas... sabemos que eventos de bicicleta acontecem apenas nos sábados e aos domingos. Então, anota aí... foram 400 domingos que abri mão de momentos pessoais em favor da minha carreira. Cada vez que meu telefone tocava pra uma solicitação de trabalho... "quer fazer oficialmente a Brasil Cycle Fair?", ou "topa fazer a volta internacional?", "escreve sobre tecnologia para vender nosso produto, faz teste?"
Ronei Carneiro é um amigo... fotógrafo aparentemente amador, mas tem um belo olhar. Sou grato a ele por esta foto acima... pela magnitude e informação que ela passa. Nós, todos nós, queremos fazer coisas... sermos algo ou alguém, executar uma tarefa, simples ou complexa, que possa descrever algo como parte de um todo. Sei exatamente o meu lugar... o meu lugar é bem localizado quando as pessoas pronunciam Roberto Furtado, o fotojornalista, o Beto dos bordos das pistas de downhill, FourX, brevets de longa distância. O trabalho que tanto gosto... umas duas vezes quase me matou, mas tive sorte e estou aqui. O risco em tudo existe, nas estradas, nas mãos de pessoas que não são como nós... como nós somos? Construtores de legados... isto é o que nós, pessoas de bem, somos!
Eu não precisaria mais escrever sobre mim... todo mundo que já trabalhou comigo lembra, sabe! Eu não era ninguém além de um amor para os meus antes de tudo começar... Agora sou lembrado mesmo quando não sou visto. Há prêmio maior para um profissional? 
Ninguém sabe onde vai parar, nem como vai ser o amanhã... mas eu garanto, você pode ter um final feliz se trabalhar com paixão. Ao final do dia, olhe para trás! Veja tudo que foi feito... agora pense nos últimos 100 dias... depois pense nos últimos 10 anos. Se você se sentir orgulhoso, então fez tudo certo... não é o dinheiro! É como as pessoas pronunciam teu nome... você sabe que é com carinho ou respeito! 

Agora sim...

Balonismo de Torres, 2017. Foto: Roberto Furtado
          Durante muito tempo tive pensamentos que antes não compreendia... hoje, eu os entendo! Queria ser ou fazer algo legal, trabalhar as minhas habilidades e me transformar em algo que só o tempo daria formato em toda precisão. Levei 30 anos pra saber o que seria isto... e quando descobri tive receios e medos se eu conseguiria ser bom o bastante para acalmar a minha própria alma. Estou certo que ninguém é maior crítico que eu mesmo sobre meu trabalho. Sabia o que desejava e embora almejasse um lugar, tinha medo e não conhecia a trajetória... dá medo não saber se é possível encontrar a trilha que te leva para um lugar que você nem sabe onde fica. Muitas vezes é preciso apenas acreditar e sair caminhando por lugares que não passam confiança... mas ao fim, tudo faz sentido. Passei a amar fotografia como uma linguagem de uma forma que não imaginava... o valor da minha vida, embora em primeiro plano, parecia não ser grande o bastante para expressar quanto isto significou e significa para mim. Uma amiga, disse-me algo, recentemente: "Tens um brilho no olhar, e agora que estas falando do teu trabalho, isto esta acontecendo!"
Eu acho que isto acontece todas as vezes em que mergulho em algo que me traz felicidade... a fotografia me traz isto sempre! E outra situação me leva para os mesmos sentimentos... as pessoas! Evidentemente que um apaixonado por imagens é também apaixonado por pessoas... de outra forma, para quem ele mostraria isto? Como um pop star da música, para quem ele faria a música valer cada contorno da emoção.
Pensava... e disse a um amigo: "cara, imagina se morro antes de fazer as imagens que sempre sonhei!" Ele me disse: "tu não vai se importar se isto acontecer!" E eu respondi, "mas eu vou saber agora que ainda não fiz. Então, preciso que chegue este dia das grandes imagens!"
Bom, hoje penso que se me acontecer algo, deixei algumas boas fotos... ilustrei revistas, jornais, sites, redes sociais! Milhares de imagens são vistas no facebook nos perfis de pessoas que foram registradas por mim. E as imagens pelas quais me apaixonei foram realizadas no período mais estranho da minha vida... quando eu mergulhei em nostalgia, minha poesia fotográfica se tornou mágica. Passei a ter não apenas maturidade fotográfica, mas também a sorte invadiu a minha vida. Eu fiz imagens que as pessoas diriam ser a hora e o lugar certo, mas se pararmos para pensar numa sucessão de sorte como competência profissional teremos um novo significado e resposta para tantos acertos. Dedicação é natural em mim... sorte, acho que sorte vai ser viver mais 50 anos fotografando. Estou confiante de que consigo, mas estou mais confiante ainda que posso transformar meu entorno com o meu trabalho. Se pessoas felizes mudam o mundo... e pessoas ficam felizes ao simples observar de uma foto, então esta é uma relação de viabilidade. Estou certo que te vejo por aí... onde o mundo acontece!

O tempo que escorre...

os grãos caem, o tempo passa, crianças viram adultos... O tempo? Destino de todos! Foto: Roberto Furtado
          A noção sobre o tempo e o espaço é algo que se constrói ao vivenciar os ganhos e as perdas... as primeiras coisas que fazemos na vida é olhar para algo e tocar. Esta relação observar, utilizar nossos olhos e então alcançar com a mão para conferir o formato, nos permite criar a noção espacial e precisa de tudo. Ao passar das experimentações naturais do período, o ser vivo que deixa de ser um bebê, ganha entendimento de que apenas os olhos são suficientemente necessários para conhecer o mundo. Ainda que por vezes coloquemos novas formas ao tato, pois aprender é uma ação infinita... morre o homem de velho sem saber a fração que deveria. Em algum lugar, sozinhos ou acompanhados, vivenciamos as experiências que guardamos na memória. Ter uma testemunha de um fato, nos permite dialogar sobre este algo. E assim, mais madura é a reflexão pelo simples gesto de compartilhar. Certa vez li um livro, "A formação do amor", se não me engano, onde o autor apontava o amor como forma de se relacionar com todos. Não se tratava de amor entre duas pessoas, mas sim sobre as formas de amor do mundo, nossas relações com amigos, família, e enfim, também ao companheiro(a) que por ventura exista. A grande questão é sobre o valor e o verdadeiro amor ao próximo, pois tende o homem a viver de forma egoísta se afastando do que realmente interessa. A grande sacada não é se nós aprendemos o que é importante, pois muitas pessoas, a grande maioria dela, aprende tardiamente o valor destas relações e como deve protegê-las. É comum ouvir de pessoas com idade avançada os relatos de arrependimento sobre como observar o mundo. Elas, nós, queremos praticamente o mesmo em variações próximas do carinho pelo próximo. Ouvi um relato de um velho amigo, homem de idade avançada, que cometeu muitos erros. Ele teria vivido uma vida de traição, tendo várias mulheres durante o casamento, algo que acabou encerrando o casamento que possuía... mas mais do que isto, degradando toda estrutura social em torno dele. Ao ponto de que os filhos não queriam saber dele, tampouco restaram amizades para apoiar-se. Numa conversa demorada, uma frase não esqueci. "O tempo escorre tão rápido..." e "eu não consegui retomar as pessoas da minha vida!", aquilo cortou-me o coração, mesmo que ele tenha sido responsável por cada detalhe do destino. Outra frase que me deixou refletindo... "tive tantos amores e acabei sem nenhum para segurar minha mão!", neste momento fiquei com vontade de dizer que amor são sentimentos correspondidos, mas não disse. Possivelmente muitas mulheres tenham amado aquele velho homem, mas ele não correspondeu. Vivendo de forma a pensar no momento, apenas, impediu a construção ou manutenção do que era mais importante. Perdendo a família e os amigos no elo do respeito, e sendo desatento com a gentileza, o velho homem criou as próprias barreiras. No entendimento que tenho sobre o amor libertar a nós mesmos, é através de nossas ações que geramos os amigos para sentar em um banco de praça. E a qualidade destes amigos é um reflexo de você mesmo. 
Ah, sobre o tempo, bem... quase deixei para falar dele em outro momento, mas ele esteve presente durante todo texto. O tempo escorre... se estiver bom, anda ligeiro, se estiver ruim, demora! Levei muito tempo pra entender que viver intensamente é diferente de ter pressa... eu vivi e vivo intensamente, pois a cada minuto o tempo escorre. Como os grãos que parecem infinitos ao cair, os minutos, se vão! Os grãos são os fracionamentos de nossas vidas... são partes que se esgotam, que devem ser aproveitadas. Eu abraço meus amigos, amigas, beijo no rosto, dou todo carinho sem malícia. Espero o mesmo, mas não cobro... deixo que cada um descubra por si como é bom ou importante, exceto agora. Escrevendo estas linhas deixei um pedacinho de reflexão. Me transformei por alguém, foi um amigão que me mostrou isto... e ele segue fazendo, e eu sigo fazendo, e já vi outros fazendo o mesmo que nós, contaminados por alguém que antecedeu a experiência. O tempo... um fenômeno incrível, ele nos parece inimigo, mas ao fim, se perceberes as importâncias do mundo, verás que se não fosse ele, não chegaríamos à estas conclusões. Espero que você perceba isto...

Infinito pensamento...

        Estive em muitos lugares... bem menos do que gostaria, mais do que poderia, aquém das minhas expectativas. Tenho duas características contrapostas... sou um vivente apegado demais as pessoas; e possuo um raro coração andarilho. Eu tenho um desejo muito grande em viver e conhecer o mundo... mas não consigo me imaginar em duas possibilidades. Na primeira, ficando longe muito tempo de casa. Na segunda, meus amigos, e as novas pessoas que conheço longe de casa, me deixam com uma saudade arrasadora. Vivo assim, com medo de não ir, com medo de partir, com medo de estagnar, com medo de mudar! Uma nova amiga... não disse, mas olhou pra mim e com sorriso me motivou a perguntar: "Me achou esquisito, né?"
Eu vi... nos olhos dela, algum tipo de surpresa, algo que sei que ela não vira até agora, talvez uma que outra vez. Sei que sou formatado de outra maneira... e ela respondeu: "Tu não é esquisito, é diferente! E eu gosto disto..."
Fiquei pensando nos meus ciclos de ir e vir. Já ouvi tantas vezes isto... de amigos, amigas, até de gente estranha.
Ao que parece, somos, todos, especiais para alguém. Se tenho pessoas especiais... algumas. Me ocorre o pensamento sobre algumas quando o assunto é amizade e carinho. Ficar longe é desafiar a saudade... acho que descobri minha fraqueza durante o desenvolvimento deste texto. Até então, me sentia forte para atividade física até mesmo machucado. Prefontaine, lendário corredor, dizia que se aprende a superar a dor para ultrapassar os limites. Seria apenas para um tipo de emoção restrita? Posso usar isto pra amassar a saudade mesmo sem ver as pessoas? As vezes, tenho vontade de ir, cada vez menos penso nisto. Cada dia que passo penso em formar raízes, sentar ao lado de alguém num banco de praça, talvez de frente numa mesa de café. Pode ser também ao final de tarde, depois de umas ondas, com café, bolo e boa prosa. Encontrar alguém para isto parece muito mais difícil na prática... mesmo que você não procure, ou mesmo que encontre, tudo que houver na vida, as tais bagagens, tornam o emparelhamento difícil. Sejam ambos boas pessoas, tenham afinidade, o sincronismo parece ser uma tarefa de paciência, talvez nem mesmo atingido por ambos. Ou vejo tudo assim, afinal, sou um romancista!

As pontes

      Quando estive na ponte do Brooklyn me dei conta que estaria em uma das pontes mais famosas do mundo. Quando estive na Golden Gate, pensei a mesma coisa... Ali, percebi que quase toda estranheza do mundo, em algum momento pode passar por estes marcos. Estas pontes são como portais, funcionam como um funil gigante, obrigando todo mundo a passar por esta estreita estrutura em forma de caminho. Em algum momento da história as pessoas de diversos lugares do mundo, as vezes de um mesmo lugar, passarão por um lugar como este. Quantas histórias você já ouviu sobre ter conhecido alguém que já esteve no mesmo lugar que você, antes mesmo de terem se conhecido. Compartilham de experiências e histórias parecidas, se afastam e se aproximam, recriam novas estradas em conjunto... e entendemos como destino. As estranhas coincidências...

Ela?

      Ela surge algumas vezes no meu pensamento... eu pensava nela quando nem sabia quem ela era. Imaginava, ela me perdeu e me ganhou algumas vezes, o rosto mudou, como eu! Eu quis ser sempre dela, mas aprendi que não poderia... então, quando ela foi embora, ela veio, de novo, outra identidade. Não se parecia com a primeira, nem com a segunda, menos com a terceira... tinha gênio forte como uma delas, mas a inteligência era notável. Sei que ao conhecê-la, percebi que não existia um homem bom o bastante para ela. Não era eu... menos os outros que vi por aí. Talvez ela nem precise de alguém, talvez seja apenas machucada, talvez se convença com o tempo, talvez veja em mim mais do que eu mesmo vejo no espelho. Ela não se afasta, não se permite aproximar mais que algumas horas... não confia tanto, nem me engana quando me olha nos olhos. Eu olho todo mundo nos olhos, pois tenho uma estranha habilidade de me conectar. Confesso que não me apego a muitos olhares, mas alguns, me apego facilmente. Eu os coleciono em minhas memórias e gosto de guardá-los vivos, como se fossem os olhares para os quais eu olharia para sempre. Eu queria ter nascido diferente... um amigo disse para mim que jamais se apaixonou de verdade, nunca gostou de alguém... eu, bem, acho que fiz isto umas três, talvez ou quatro vezes na vida, o resto foi carinho. Uma das vezes transformei ela em esposa, mas um dia acabou. Acho que a receita é variável como variam os gostos... da primeira, da segunda, da terceira, não mais gosto. Da última, puxa... ainda sim. Espero que passe logo... ou que ela se convença logo. E isto que tenho... não sei se jogo fora, se guardo no bolso, se dou pra alguém. É um infinto pensamento...

Amor... nos meus olhos!

Parque Eólico de Osório, RS. 2017. Foto: Roberto Furtado
Caminho

       Cheguei num lugar que posso definir como uma caminhada para muito longe da origem, mas ainda infinitamente distante do término. Estou ficando calmo... minha alma não mais é inquieta, pois agora consigo fazer o que preciso e atingir meus objetivos. Eu dirijo meus projetos e as produções da forma confiante, de que vou conseguir, sempre! É uma maturidade, pra pensar se posso ou não realizar. Não há promessa que não possa ser cumprida, nem prisão pra quem alcançou o volume de amor e dedicação que traçou como objetivo. 

Amor

         É claro como dia para quem entende... não há dedicação finita para aqueles andam descalço na jornada do aprendizado. Conhecimento é igual em todos os segmentos, há apenas uma forma de encontrá-lo! Dedicação é algo que fadiga quem caminha na estrada sem amor. Então se me perguntam, eu digo, foi o amor. A minha vontade foi maior que minha preguiça ou que o meu comodismo. Meus medos foram grandes, no entanto são pequenos perto do meu sonho. Nos meus olhos vertia o óbvio... o amor! Eu lutei contra tudo que parecia me levar para um lado sombrio, para o desvio de propósito ofertei meu foco. Derrubei qualquer dificuldade que pudesse poluir meus sentidos e foi aí que descobri que o amor era forte demais para ser ofuscado. A luz mais forte inibe a luz mais fraca... a luz do amor precisa ser superior, sempre! Assim, construí meus sentidos e sentimentos para registrar o elementar, ou trivial, permitindo um destaque pelo meu envolvimento com o que se apresenta. Faça o que for possível com o que tiveres... e então, se fores realmente habilitado, se apresentará o mesmo com o brilho do novo! 
Há sempre uma pergunta oculta em toda declaração... algumas vezes fui questionado sobre isto. Há um motivo como o amor, relação do autor com quem ele gostaria de atingir? Sim... há! Eu realmente amo muitas pessoas... é um carinho imenso, que sinto e penso em todos os momentos. Meus amigos, colegas de trabalho, família, sem nenhuma ordem definida! Apenas amo... Meu coração esteve e sempre esta na mão de algumas pessoas, simultaneamente. Com estas perspectivas é que tento transformar meu meio. E espero ter sido muito claro com isto... eu não posso viver ou mesmo fotografar sem amar estas pessoas. O amor esta nos meus olhos, mas ele surge de muitos lugares.

Ilimitado

    O mundo... meu mundo é também de tantas outras criaturas. Sou apenas uma delas, tão desimportante quanto qualquer outra! Aqui estou agora, mas logo, partirei. Cheguei, possivelmente, no meio da minha jornada... assim imagino, mas se tiver sorte. A beleza do mundo é o que nos torna melhores e, só por causa dela me tornei as escolhas que optei. Tive um problema de arquivamento, mesmo gastando muito... e perdi o acesso a milhares de imagens de qualidade, que expressam minha caminhada. Não vejo apenas como perda da minha história, vejo um desperdício de motivação... eu poderia ter motivado muitas pessoas com estas imagens. Foi então que percebi que guardar e arriscar perder as imagens, mesmo que fossem em baixa resolução, seria um egoísmo! Eu poderia sim... mudar o mundo, enriquecer as pessoas com bons pensamentos, reencaminhar aqueles que passam por um mau momento. Eu poderia reverter muitas situações simplesmente publicando uma boa imagem. Sendo assim, estou com tal e novo comportamento... eu solto imagens na rede, sabendo que em algum lugar elas baterão e transformarão as pessoas.

O vento

Orla de Ipanema, no tempo em que fui um fotojornalista das ruas. 
             De vez em quando vasculho meus velhos arquivos e lembro o que fui no passado. Pra ser sincero vejo mais do que isto, vejo o caminho que me trouxe até aqui. Meus amigos não me escutam mais falar sobre algumas coisas que falei no passado. Me tornei um menino com maturidade. Eu não quero fazer nada impensado e nem me arrepender... gosto de viver nadando na paz. Se é possível? Acho que sim... você não precisa ter sucesso em todas as tuas missões, mas você consegue viver em paz no insucesso se ele for limpo. Dignidade é uma palavra que te leva para outros lugares quando há transparência. E não há nada tão transparente e forte como o vento. Ele empurra a água, move o clima, desloca os animais e plantas... e tudo que esta submetido ao tempo. A ação temporal muda tudo... o formato das superfícies, o amor, a geografia e os olhares. Aos meus próximos passos, expresso meu desejo, curiosidade... e paciência! O mundo não é meu... mas dele tenho tudo que preciso! E escrevo sempre pensando na mulher mais importante da minha vida... mãe, te amo!

O vento... (22.10.2008)

         Ontem, vento veio e soprou a manhã. Uma folha de árvore, seca e curva, correu a rua... dançou em frente a minha janela. No encontro entre dois muros, girou e girou, como se ali houvesse um pequeno cone de vento. Linda e indescritível mágica do vento sobre uma simples folha seca... resto de um ser inanimado, agora movimentando-se como se houvesse vida. Quando atingiu o topo do muro, escapou do turbilhão, sendo carregada por outra corrente... de vista a perdi! Novas folhas vieram, repetindo a cena em frente a minha janela, mas curiosamente, nenhuma delas dançou como a primeira, nenhuma delas fez dezenas de giros sobre o eixo do turbilhão, que somente percebi pela folha. Folhas e pessoas, talvez sejam comparáveis, algumas são comuns e sempre passam, outras... deixam saudade! O cone de vento, só pode ser visto quando a folha interagiu com ele... talvez este tenha sido o que chamam de destino, neste caso, da folha. Pessoas também são assim, precisam de interação e oportunidades. O cone de vento, com toda certeza, estará lá... mas sem a folha seca, jamais será visto, relacionada dependência! Hoje, nem brisa faz... o cone de vento não esta, tampouco a folha seca. Incrivelmente e estranhamente, distintos, combinam entre si... aguardam um novo encontro de vento, como namorados do tempo!

Roberto Furtado

Nosso limite está muito além do que imaginamos


Foto: Roberto Furtado / Sociedade Audax de Ciclismo
     Quando comecei a correr de novo, aos 41 anos, "segundo tempo"... não fazia 500 metros sem ficar ofegante numa corridinha bem leve. Até que me via obrigado a deixar de correr e ficar caminhando, ou até mesmo parar! Então... em meus pensamentos tive certeza de que em pouco tempo daria uma rasteira na dificuldade. Eu me vi forte toda vida... mesmo que houvesse a dificuldade. Eu descobri a força no mar, depois encontrei a superação nos brevets tipo audax percorrendo a longa distância, inclusive machucado. Naquele acidente, uma queda que me deixou com o ombro completamente arrebentado, fui contrariado pelo médico de plantão, que me fez assinar um termo isentando-o de responsabilidade. Eu falei para ele..."estou numa prova, preciso pedalar mais 130 km, e vou conseguir!" Ele... não acreditou, achou que eu estava delirando. Olhou para meu parceiro e disse: "Ele pode?" E Ricardo, naquela simplicidade e confiança... respondeu: "Tenho certeza de que conseguiremos!"
Lá fomos nós... e com a motivação de Ricardo a cada pulsar da dor, consumimos cada quilômetro. Para completar veio a chuva, e não foi pouca... mas seguimos. Faltando 10 minutos pra encerrar a prova, chegamos! Em casa... sentei no box do chuveiro, e percebi o feito. Chorava como se tivesse sido o feito mais incrível do mundo... um misto de dor e de superação, quase não acreditando que teria conseguido terminar naquele estado físico. Foram 13 horas pedalando, das quais 9 horas pedalando machucado. Tal dano no ombro foi grande que fiquei quase um ano afastado da bicicleta... hoje, tenho um ombro caído que poucos reparam, forte como se nunca tivesse passado pela luxação tipo três da clavícula. A cirurgia? Nunca fiz... e estou aqui pra qualquer prova. Faço barra, carrego peso, faço qualquer coisa como se nunca tivesse passado por nada. Agradeço a minha família, além das garotas... Caren, Martiela e Fabíola, ex-companheira, fisioterapeuta e preparadora, respectivamente nesta ordem.
Eu também lutei judô, fui campeão na minha infância, ganhei do menino que sempre ganhava de todos! No dia em que o venci, subi no pódio e ele ficou em segundo... nunca mais lutei, percebi que não precisava competir. Era, simplesmente, mais forte que qualquer garoto do meu peso e tamanho... eu tinha aprendido a ligar o extra de força e confiança quando o pai de um amigo me disse: "Tu é mais forte que ele... mas primeiro tu vai ter que lutar com os outros 4, aí tu chega nele!" Fui... um a um, alguns, achei que nem queriam estar ali. Foi muito fácil... lembro como se fosse hoje. Quando cheguei no temido... ele fazia careta, tinha cara de menino mau! Na hora fiquei com medo... mas olhei pra ele e pensei que era só um garoto de nada, assim como eu! Ele me pegou pelo kimono e dava umas sacudidas fortes. na mesma hora... retribuí. Fechei as mãos no kimono dele e dali elas não escapariam até ele cair. No koshi-guruma derrubei ele e ao mesmo tempo caí por cima imobilizando-o... eu ouvi o ginásio inteiro vibrando com aquilo. Ainda assim... sabendo que o menino se fazia de mau, e judiava dos adversários, pois assim era conhecido, tive pena! Ele chorava... mas a vez era minha. Ali, começou algo que não mais esqueci... o botão que ligava uma energia extra. A mesma que me disse que ia sair da enrascada no mar, que ia terminar um audax mesmo arrebentado, que ia voltar a correr e me sentir bem. Se sinto dor? Sinto... tenho corrido todas as vezes com alguma dor, até que superei todas elas, menos uma! Por hora, convivo com uma dor na canela, lateralmente. Alongo, cuido, repouso, dias depois estou bem, volto a correr, ela volta. Acha que me incomodo? Sim... mas aprendi que faço tudo que puder para que a dor vá embora, mas não desisto de nada por causa dela. Correr me deu alegria extra, saúde de verdade, e tenho certeza que meu verão será de longos dias pegando onda, pois agora tenho fôlego. No filme de Prefontaine ele conta como superava a dor para correr mais e mais, mesmo machucado. No fim... este é o mesmo botão de que falo. Se vale a pena? Bem... depende do momento, depende do que você quer, depende de quão importante é a superação pra vc. Eu não lamento... eu tento! Nosso limite está muito além do que imaginamos!

O lugar de cada coisa...

Meus bagulhinhos do hobby marceneiro, que exerço nas horas vagas. Meu café, como não podia faltar no meio da tarde. 
              Na medida em que envelhecemos, e isto acontece após o primeiro choro do nascimento... iniciamos uma jornada que não tem hora definida pra encerrar. Tampouco sabemos pelo que vamos passar, e certo mesmo é uma frase  que vi pelos corredores da minha universidade: " A única certeza é a mudança!" Ou algo assim... 
Eu me vi em uma sucessão de acontecimentos onde cada experiência me levou a outro degrau do conhecimento, seja ele de valor mais pessoal ou profissional. Não posso e não serei mais o mesmo garoto que um dia existiu 20 anos atrás... e sorte minha e de quem cruza meu caminho, porque sei que sou, por todos estes motivos, uma pessoa muito melhor. 
Ela tem um nome... se eu disser que não penso nela quase todos os dias da minha vida, seria um mentiroso. Tive uma história com ela, e deixamos de ter. Nos gostamos agora, como amigos... e agradeço por termos conseguido superar o fim de uma relação tão longa, com a clareza de que tudo foi melhor assim... e mais, nos tornado amigos para longas conversas ao telefone, sobre tudo. Sabedoria, inteligência, diz a minha mãe, que se separa para a vida e para as questões acadêmicas ou profissionais. Podemos ser inteligentes com a atividade profissional, mas falhos com as questões pessoais. Sempre que deixamos as emoções influenciarem nestes momentos, haverá o conflito. A ausência de confusão mental sobre as coisas da vida... se vai ou surge, basta que você tenha amor e respeito, por ti mesmo, pelo seu companheiro(a), e vice-versa. As coisas da vida... elas são colocadas em caixas. E... é tão difícil separar cada coisa por tipo. No entanto, quando você descobre como fazer, um mundo novo de paz se abre pra você. Tua cabeça funciona melhor, teu ex parceiro(a) passa a ser um excelente amigo, e tudo vai na velocidade correta. O tempo e os pensamentos ficam sincrônicos... para cada coisa, uma caixa. O presente, no presente, o passado que fique lá, o futuro que aguarde. Cada coisa será devidamente vivida... mas atente-se há um tempo para tudo, inclusive para as outras pessoas. Elas precisam viver o tempo delas... então não espere por elas, não faça mais do que você pode. Uma coisa é certa... o lugar de cada coisa é um lugar onde tudo realmente seja pertencente. Nada pode ser guardado para fora do seu tempo... nem amor, nem calor, nem tempo, nem momento! Tudo existe, no lugar e com a finalidade... não desperdice seu tempo. Se tens vontade de viver algo agora, viva... o amanhã é tão incerto, e mais do que isto, pertence a outra caixa. Cada coisa tem a sua caixa...

Na chuva...

Show no beira rio. Foto: Roberto Furtado
       Lá estava... de capa, na chuva, numa espera, paciente! Dona de mãos delicadas, unhas pintadas, mal cuidadas... coisa do cotidiano. Ela registrava tudo... foto das luzes, multidão, selfie. De certo, envia pra mãe, talvez amiga, podia ser um namorado! Acho que não... sozinha, na chuva. A capa... escondia os cabelos... visivelmente claros, finos, pescoço fininho, menina delicada, certamente! Meu palpite? Hum... acho que uns 33 anos, nem tão menina, ótima idade para mulheres, pois elas já sabem muito mais que os garotos da mesma idade. Houve momento... eu também na chuva, separado por uma contenção, trabalhando. Em cima de um suporte de alumínio, eu, uns 40 cm mais alto do chão. Câmera na mão, também de capa... eu, fantasiado de sei lá o que, homem do saco, parecia um "andarilho sem lar"! Ela deu um giro, no próprio eixo... num sentido, voltou. No retorno, me olhou... mas eu vi de relance. Chegou uma amiga ao lado dela, falaram algo uma para a outra, olharam na minha direção. Pensei que não era comigo... a amiga acenou pra mim. Desci da elevada, fui até a contenção. Perguntou se tiraria uma foto... e se enviaria: "quanto custa?" 
"Não custa nada... envio pra ti, de graça! Pela amizade..." 
Sorriu, chamou de querido... puxou papo, me deu cartão! Eu disse: "Faço a foto e preciso trabalhar... nos falamos!" 
Ganhei sorrisão... mais do que fotos de um grande show, ganhei duas amigas. Aprendi, aonde quer que eu vá... planto coisas muito boas. Aprendi a plantar amigos! Foi na chuva... que eu a vi, no meio de uma multidão, na chuva!

Noite

Céu de Teresópolis, zona sul, Porto Alegre, RS. Foto: Roberto Furtado
     Eu e ela... no escuro, sinto a presença... ela veio, encanta, afugenta. Eu e ela... uma parceria e tanto. Não sinto mais solidão como antes... desde que aprendi a viver sozinho. Se procuro as pessoas é porque desejo mudar a rotina... mas eu vivo sozinho, do meu jeito, com o silêncio do vento e da natureza. Na minha cidade, escuto os carros passando na rua, buzinas de longe, por vezes sirenes. A cidade ecoa um som que não sei descrever... é um ruído constante que se propaga entre os prédios, ruas, como uma respiração nos corredores. Eu e ela... nem solidão, nem outro alguém. Uma conexão de universo, submissão de um mortal... frente a algo impossível de tocar ou perder. Lá vai ela... como vento numa grande avenida, como a luz da lua, como o brilhos de longe da cidade. Certa noite... a centenas de quilômetros de Porto Alegre, numa noite com pouco vento, na beira do mar... acordei, sai da barraca e fui olhar o céu. Tive certeza de que não estava sozinho... embora ninguém respondesse aquilo que pudesse perguntar. Era como estar sendo observado, pelo olhar materno, amor maior... era ela, me vigiava, cuidava de mim. Não era a lua... a lua era outra filha, tal e qual o sol. Ali, quem manda, a noite... a escuridão boa, ausência de maus pensamentos, valorizar das estrelas, oferta de sensações, sobre o mundo, sobre nossa diminuta existência. Me olhava, por todas as direções... era claro como o conhecimento, sensação de ali estar, negra de tom azulado... minha mãe, meu universo, a noite que me encontra todos os dias. A noite me encanta...