Não mudaria nada...

        Cheguei até aqui... subi em um lugar alto pra observar tudo. O dia esta sereno e em minha mente surgem vários pensamentos otimistas de como o meu mundo esta se construindo. Eu vejo o movimento dos carros e as luzes ao entardecer, o dia passa muito rápido e é um claro sinal de que estou envelhecendo e mais... encontrei a ponta da corda que alguns entendem como maturidade. Cheguei até aqui, ao lado de pessoas ou sozinho... trechos de solidão e de amizade confrontam linhas de reflexões onde percebo que tudo foi necessário. Acho que maturidade é estar pronto para assumir meus erros e ainda desta forma dizer que não faria nada diferente, pois sou atualmente... sou a resultante destes erros e acertos. Dos meus erros posso me orgulhar, não lembro de nenhum que me tiraria o sono, portanto não são graves. Interpretar as pessoas é uma tarefa muito difícil... eu nem sempre sei se elas estão sendo honestas, mas minha mãe sempre fala pra eu não arriscar. Eu, como errante, tento mais do que deveria, e me coloco sob a mira do erro alheio. Não tanto mais, mas de vez em quando é bom confiar e ser enganado, para não esquecer completamente o que mundo oferece. E desta mesma maneira você vai saber ofertar algo muito melhor quando chegar a sua vez. Quando tive que dizer coisas para pessoas, não quis que elas partissem da minha vida... tampouco imaginei que iriam pq não gostariam do que eu tinha pra oferecer. A vida é desenhada conforme a vivemos, e não ao contrário... as coisas não estão escritas e vc pode fazer diferente, toda vez que misturar razão e amor, pois a fusão disto deixa tua mão pesada nas escolhas, mas ao mesmo tempo tentando escolher o melhor para alguém. Isto pode ser claramente visto em paternidade... eu não posso dizer que é o melhor, pq eu não sei o que é melhor. Eu não mudaria nada, pq não tenho nada para me arrepender e pq sou agora tudo que experimentei pelo caminho... fossem beijos, decisões, escolhas de desistência, ou um esforço que pareceu desnecessário pq não atingi meu objetivo. Se pudesse voltar no tempo, escolheria apenas ter dormido menos tempo, para que tivesse experimentado mais saberes. As pessoas que não mais vi, bem, talvez a gente se encontre durante o restante da estrada, talvez não... eu guardei fragmentos do que me interessava nelas, lembranças boas. 

Tattoo, a derrubada de um muro!

Selfie com o amigo tatuador, Leo Lamb, da New Tattoo, São Leo. 

Tattoo 2 
       Vou começar dizendo que não tenho dúvida nenhuma de que algumas pessoas vão reprovar minha postagem. Não posso ser ingênuo ou hipócrita. E confesso que demorei muito para tomar a minha decisão, era o meu tempo. Cada um tem o seu processo e ritmo para trabalhar sua mente. Por muito tempo pensei nos mitos e esteriótipos que cercam esta estrada dos tatuados. E acho que isto se amplifica na medida em que as tatuagens tornam-se mais aparentes, maiores e impactantes. A simbologia choca... sempre! Primeiro, pq tudo que é diferente sobre uma crítica de quem não concorda ou não consegue se libertar de rótulos. Em segundo momento pesa a questão da opção ser irreversível... ou quase! Dentro do preconceito se criou um rótulo de "marginalidade" ou promiscuidade... ora, conheço meninas e rapazes que são tatuados e muito comportados, e na contramão também conheço o oposto destes comportamentos em pessoas que não possuem tatuagens. Desta forma, fica claro que o rótulo é inútil ou injusto, ou pior, uma mancha na cabeça do autor das acusações preconceituosas. Não estou aqui pra falar de preconceito, mas achei que era uma oportunidade de ajudar a derrubar este olhar conservador e incoerente. E aliás, o que cada um faz e como quer viver, diz respeito somente a esta pessoa... se ela não machuca ninguém, acho que isto não é problema do resto da sociedade. E a sociedade que encontre mais uma forma de resolver suas patologias...

Com amigo Leo  / Tattoo 1
Um momento... 

       É difícil de saber o motivo e os pensamentos das ações de cada um... então assim fica da mesma forma entender pq cada um resolve gravar na pele alguma ideia, O que penso é que muitas das tatuagens geralmente ficam em partes do corpo onde ninguém consegue visualizar... as minhas são facilmente escondidas quando uso camisetas de manga curta, portanto me parece evidente que foram feitas para mim e não para os outros olharem. Muitas pessoas afirmam isto... que a arte é realizada com o propósito de gravar um sentido para o próprio tatuado. E concordo... e vou usar meu exemplo para provar isto. Em 2011, tive uma queda feia de bicicleta durante uma prova. A consequência da queda foi uma luxação tipo 3 da clavícula. O trauma da queda foi irreparável... tanto psicológico como físico. Fiquei com o ombro caído, é visível quando estou sem camisa. Depois disto veio um processo lento de recuperação, com fisioterapias e trabalho. Trabalho? Sim... na época, fui recomendado a fazer repouso, mas a perícia do INSS demoraria tanto quanto a recuperação. Em resposta a isto... resolvi que trabalharia da maneira que era possível. E graça ao trabalho de fisioterapia e ao meu trabalho, me recuperei da melhor maneira possível e com uma certa agilidade. O peso do meu equipamento fotográfico e a repetição de elevar o mesmo na altura do olho para bater as imagens, acabou reforçando minha fisioterapia. Arrisco a dizer que hoje, meu ombro danificado é mais forte que o ombro bom... pq a musculatura acabou se desenvolvendo mais justamente pelo exercício repetitivo. Como fotojornalista e precisando levantar a câmera de 2,5 kg centenas de vezes por dia, gerei um ombro forte. Então, com esta história, percebi que a primeira vez que a fotografia me salvara a vida quando abandonei outra atividade profissional para me tornar um fotógrafo, depois foi também a fotografia que trabalhou minhas reflexões, e por último foi ela quem recuperou meu ombro. Nesta gratidão, entendi que a fotografia havia mudado minha vida. E foi ela que transformou minha "time line" de uma vida sem graça para uma vida especial... e foi assim que nasceu minha primeira tatuagem, modesta, que aparece logo acima. Esta tatuagem é pequena, simples, mas de um significado grandioso para mim. E então comecei a pensar nos motivos... nas coisas que queria e podia relacionar a minha felicidade. Um amigo, de infância, sabe da minha relação com a fotografia e admiração por super heróis... e me apelidou de Peter Parker, personagem fotojornalista que vive o Spiderman. E eu sempre dizia que por baixo da minha pele havia este sonhador, de viver um herói, Qual a criança não gostaria? Então imagine como ficam os adultos que não deixam de ser sonhadores. Foi assim que nasceu a ideia de tatuar a roupa de homem aranha por baixo da pele... como no outro ombro já havia a câmera fotográfica, resolvi "simular" o sinal de uma queda onde a pele foi arrancada e deixa aparente a roupa do herói. Cada um com seus significado... o que é especial para alguém pode parecer uma tolice para outros, mas cada conquista ou superação representa algo especial para este vivente. 

A relação com o tatuador...

          Tão inexplicável como a vida é a amizade... portanto não espere um motivo para alguém ter uma resposta pq ama um amigo. Vamos dizer que estas são as combinações e submissões que o universo oferece as pessoas para que elas coexistam e valorizem estas relações como elas puderem ou souberem. O fato de eu ser um fotojornalista do mercado da bicicleta, originado pela paixão da bicicleta e combinada ao fotografia, e o tatuador Leonardo Lamb ser ciclista, ofertou a ambos o convívio que resultou na amizade. Ele fez o convite para tatuar a primeira... eu demorei um pouco a organizar a ideia, mas aceitei. Depois veio a segunda arte, do spiderman, e tenho certeza que isto não vai parar por aí. Tanto na primeira oportunidade, como na segunda... o que se observa é um momento de altos papos durante o processo. Leo é bom de papo... um cara do bem, com sua história, que compartilha de momentos incríveis. É como ir numa barbearia ou em consultório médico dos velhos tempos... mais do que uma relação de cliente ou paciente com o profissional, se envolvem ambos, em um momento de conversa de aproximação. É a relação humana que precisa existir e nos tempos modernos esta desaparecendo, inclusive nos lares. 

Depois de muito caminhar com um pensamento, me deparei com uma série de novas condições para a minha vida. Meu casamento terminou (coisas da vida), meu exercício profissional amadureceu, minha mente se abriu para novas perspectivas (diga-se perspectivas muito saudáveis) e a tatuagem se tornou apenas mais uma experiência normal para mim. A tatuagem é um roto de passagem... ela marca o momento onde vc se desprende de uma vida e entra para outra, uma vida libertadora. Assim como descobri um dia que era fotojornalista... tal como descobri que era um redator por entusiasmo, um ciclista por comportamento, descobri que era o também alguém que poderia ter tatuagens e ser uma pessoa melhor. Sem nenhuma relação "ser uma pessoa melhor" e ter tatuagem, posso dizer que na minha estrada evolutiva estavam estas necessidades. E se isto é um problema meu... bem, posso dizer que imagino um mundo bem melhor se houver outros problemáticos soltos por aí. Não fique olhando, não pergunte os motivos, deixe que a pessoa fale se quiser... quem precisa externar uma ideia, vê oportunidade entre linhas. Eu achei uma postagem no R7 sobre 16 coisas que vc deve saber sobre tatuados... achei meio superficial, mas há observações interessantes das quais me identifiquei. Divirta-se... derrube os rótulos, viva como quiser, principalmente se isto ajudar vc a respeitar os outros e ser feliz. 


A inevitável, melhor e única opção...


           É caindo no mundo, e em condições que não controlamos, que compreendemos e experimentamos a mudança. Muitas vezes somos submetidos ao novo, aparentemente desnecessário, e desta forma encontramos o check point (gosto deste termo). O lugar que é um paradouro para a mente, nos coloca em um paradoxo existencial. Ali, ao que parece, tem uma brisa e um banquinho para quem vinha caminhando no sol quente, e é certo que se este alguém somos nós, pararemos para respirar e esfriar a mente. Tomaremos decisões e seguiremos em frente, mas nem tudo é tão simples. E é justamente por ser difícil que vc encontra a melhor opção. Tudo é muito difícil... escolher acaba sendo um alívio, pois após decidido, surge a única opção, ir em frente! Posso dizer que apenas uma parte das minhas escolhas me trouxeram até aqui... outra parte foi sim decisão e ação de outra(s) pessoa(s), e cada escolha minha resultou na mudança de vida de alguém, e cada consequência da consequência fez o mesmo por esta ou outras pessoas. Somos uma cadeia social de ações que interferem em outras pessoas...é inevitável. Me peguei pensando nisto quando assisti um filmezinho pela terceira ou quarta vez: "A máquina do tempo!"
É sonho de todo viajante procurar e encontrar respostas... e em algum momento a gente chega em encruzilhadas com escolhas irreversíveis, mesmo que sejam boas e múltiplas escolhas. Eu caí acidentalmente em um check point depois de escolhas que julguei mal feitas... depois tentei reparar minhas escolhas, e então percebi que tudo aquilo era o universo conspirando ao meu favor. Continuo experimentando este sabor das escolhas que faço, com interferências das energias... entre num momento onde tudo esta indo perfeitamente. As pessoas em meu entorno, as circunstâncias de trabalho que me favorecem, os sinais que posso ler graças a minha onda de positividade... tudo isto é um momento com características próprias e que estou experimentando. É como se eu estivesse a bordo de um balão e de uma hora para outra o vento mudasse minha trajetória. É inevitável... mas assim como é inevitável, por algum motivo entendo que é também a melhor, minha única opção... seguir em frente é a opção maravilhosa da vida! Eu gosto de pensar que é mais fácil se perder do que se achar em meio ao oceano ou a floresta... reencontrar o caminho é praticamente impossível. É mais fácil seguir em frente e entregar para o universo e para tua intuição do que tentar reconhecer o caminho de volta para um lugar que não estava bom. Isto, diz respeito as pessoas que estavam na sua vida... mas não coloque a responsabilidade nelas. Elas vivem também seus paradoxos e experiências, felizes ou infelizes, formam suas próprias opções de estrada ao sabor do vento, é inevitável para elas. A missão delas junto de vc, terminou... elas tiveram um propósito, mas acabou. Ou quem sabe podem participar de algo no futuro, não tem como saber, mas isto é tão improvável como encontrar o caminho de volta no meio do mar. É mais fácil vc encontrar novas pessoas do que conseguir se adaptar e aceitar condições contestáveis pela segunda oportunidade. Siga em frente... é bom demais, é inevitável, é a opção maravilhosa da vida de escolhas. Desconhecer é o prazer do conhecimento... ele te leva a elevação, a evolução! É a única opção da condição humana... ir em frente!

Fluxo

Pessoas... Madison Square Garden, NY, 2013. 
          O tempo passa... e a gente se pega olhando para os rostos do tempo! A trajetória, jornada por onde nos deslocamos na relação espaço e tempo, nos insere na vidas pessoas. A gente vai e passa por lugares, as vezes os mesmos lugares do retorno que nem imagina acontecer quando e como vai acontecer, e cada rosto é uma grafia de uma personalidade que conhecemos e deixamos para trás. Algumas vezes estes rostos são frequentes, outras jamais veremos novamente, algumas vezes forçamos o reencontro, outras não fazemos questão. Algumas pessoas são tão comuns para nós, no cotidiano, no reencontro escolhido, talvez promovido, muitas vezes até ao acaso. Algumas pessoas valem cada fração do tempo esgotado, insistimos, outras não sabemos... existência é algo tão pertinente nesta reflexão. O que é existir? O que difere existir de objetivos? O que permite tudo isto? Os rostos... uma grafia de personalidade, representação visual de ser vivo dotado de comportamentos e características. As vezes, rico, muitas vezes, pobre, pode ser semelhante a outros, pode ser incomum, talvez sadio, algumas vezes doentio! Os formatos, os conceitos, definições elaboradas por um conjunto de estudiosos que definem o perfis... como? Baseados em ciência, comprovação, aliás, ligação de responsabilidade com atribuição de quem somos e motivo pelo qual vamos. Alguns rostos mascaram dúvidas, outros evidenciam, certeza, parece ignorância, ignorância reconhecida, sabedoria! Quem define o que precisamos? De onde saiu tudo isto? Como criamos trocar ideias por créditos e que por sua vez se deslocam no tempo e espaço mais rápido do que podemos imaginar? Esqueceu como é comprar algo pela internet que ocupa um momento a milhares de quilômetros? Há perguntas infinitas, muitas, sem respostas! Conhecemos as coisas e não sabemos como elas foram criadas, menos ainda por quem? Que rosto fez isto? O fluxo de pessoas... vi, uma menina, gravei a imagem, passou por mim, não esqueci, me viu também, tive perguntas, passou e se foi. O fluxo... de onde surgem os rostos que por nós passarão? Vieram, foram, virão! Algumas vezes, toquei em suas mãos... pense no ato de cumprimentar, sem objetivar o toque, e novamente teremos perguntas pq fazemos isto. Sou a resultante trespassada de outras vidas que existiram... rosto do meu pai, rosto do meu avô, outros rostos antes! Circularam mesmos caminhos por alguns lugares que passei, caminhos imaginários, de terra, ar e água. Lugares inéditos aos meus genes, outros são velhos conhecidos... meus genes e genes de outras pessoas, se aproximaram-se sem combinar, sem nada gerar, sem obetivo? Coexistem paralelamente... todos eles são oportunidades relacionadas de tentativas sem sucesso de perpetuar existência de um eu, ou ele, nós! Algumas raras vezes, milagres, filhos, persistem um caminho, sem aparente motivo! Procuram lacunas para serem encaixados, tais de acaso ou destinação, dos indivíduos. Nos servem os rostos que passam uma vez ou duas, também de milhares de vezes... mesmo lugar e espaço, dois corpos jamais ocuparão, somente na cabeça dos imprecisos. Precisão... o que é exatidão? Não existe... de onde sai teoria de exatidão, haverá, apenas, singularidade. Me pergunto se tudo isto é uma tormenta? Ou se é apenas estrada para evoluir, ou melhor, quantos mais o fazem e se há motivo. Me parece fluxo... pessoas vertendo de lugares que não alcançamos, que trocam de lugares, como folhas verdes que se desprenderam de árvores e durante a trajetória secam... elas se deslocam com o vento, levam a matéria de cá para lá, sem aparente motivo, mas é uma das poucas formas dos nutrientes trocarem de lugar. No entanto, não pergunte novamente o motivo, não haverá fácil entendimento... a simplicidade e a ignorância, nos colocam em confortáveis situações. O simples fato de reconhecer o desconhecimento nos projeta ao lugar que não nos leva a nenhum lugar, exceto, ao repouso, tal e qual ao rosto da total ignorância. O caminho se difere em uma chegada para o mesmo espaço físico, mas a resultante é uma consciência viajada. O fluxo é inquestionável...

Situação da mente oportuniza diferentes criações...

              É bem óbvio isto que o título sugere... cada momento que vc se encontra vai oportunizar uma situação diferente para sua mente. Por isto, o resultado deste trabalho, seja texto ou fotográfico, terá efeitos diferentes. Mesma pessoa, resultados diferentes... somos influenciados pelo meio em que vivemos. Tenho vivido um momento de muita paz... mas uma busca incessante por algo. Ainda não sei o que é... acho que é viver! Parece algo como correr atrás do tempo perdido... mas não tenho certeza. Só o que sei é que conheci muita gente, novos trabalhos estão aparecendo, novos horizontes estão vertendo... e ao mesmo tempo que alguma coisa me diz pra pegar a mochila e ir, outra me diz pra esperar mais um pouco. Estou com a sensação de que devo esperar aqui... como se alguém fosse ir comigo, ou talvez uma oportunidade apareça, não sei! Eu sinto isto... e minha mãe me diz para seguir meus instintos, pq eles são bons. Como fotojornalista meus instintos são evidentemente bons... como julgadores de pessoas, nem tanto, mas eu acho que não dá pra saber como as pessoas vão reagir. E eu não vou perder tempo pensando nisto, pq estou na fase de curtir só os fatos positivos que vejo em minhas ações... vamos ficar atentos, pq logo ali a frente parece ter uma ladeira, e a bicicleta vai embalar. A velocidade que a vida te coloca só pode ser aproveitada se vc estiver atento! Segue...

Normal e perspectiva

Massa Crítica e suas perspectivas, mesma visão por outra direção. Foto: Roberto Furtado
               Vou tomar o cuidado para escrever este assunto... sei que as interpretações de um conjunto de palavras que construirão uma afirmativa, podem divergir do que inicialmente planejei. Claro que não cabe a mim manipular, em hipótese alguma, o entendimento que cada um fará disto ou de outras questões que se projetam em nossas reflexões. 
            Ontem a noite eu sai para dançar com alguns amigos... meus colegas de dança de salão, pessoas divertidas e queridas. E foi na oportunidade que reforcei meus pensamentos sobre as habilidades de cada um, dentro daquilo que talvez as pessoas classifiquem como normal, que inclui e exclui indivíduos dentro de um grupo. Eu observava meus amigos e outras pessoas no sensacional gesto de se expressar com o corpo no ritmo da música... aliás, produzir sonoridade e ofertar um ritmo com isto, depois alguém interpretar e se movimentar para objetivar este acompanhamento, me parece uma ação tão elaborada quanto qualquer linguagem de computador... as pessoas dançavam e pareciam perfeitamente encaixadas em algo nada tátil, meio incompreensível aos meus olhos. Até tentei dançar, mas ontem estava cansado e pareceu mais difícil... paciência das meninas minhas colegas, mais uma vez, em tentar me ajudar. Notável qualidade delas... como não gostar de pessoas assim? Há, no intuito social, uma necessidade de compartilhar, dividir, coexistir! Ninguém quer guardar as alegrias para si mesmo, tampouco não receber tais alegrias de ninguém. As manifestações de grupo, tais como aglomerações com finalidade qualquer, promovem esta coexistência, necessária. Li certa vez um livro que falava sobre sermos um "ser de encontro", onde nossa presença e ações são ou precisam ser divididas. Temos tal necessidade... e acho que daí vem a definição de amizade, pois é o laço afetivo que resulta da vida compartilhada. 
As habilidades dentro destes grupos... eu observo. Extremamente variáveis são os comportamentos, habilidades, expressões e formas como se manifesta este corpo comandado por uma consciência. Eu não tenho religião definida, mas obviamente tenho minhas crenças... estamos sim no caminho uns dos outros, por um motivo e de alguma forma somos submetidos a experiências que podem nos levar a evolução. Até faz sentido se a gente tentar ser lógico... não?
Entrei nesta pela dança, como entrei em tantas atividades ao longo da minha vida, com o propósito de mudar minhas perspectivas. Talvez, ir contra a maré, já que nunca notara uma habilidade mínima para isto. Vejo a dança como inevitável necessidade do corpo e da mente, mesmo que não exista uma habilidade esperada para acompanhar o restante. Normalidade... hoje, não me preocupa o fato de não conseguir acompanhar alguém em uma atividade. Eu descobri, ao cursar engenharia, que somos muito diferentes uns dos outros... em algumas propostas nos saímos bem, em outras nem um mínimo alcançamos, outras vezes estaremos em um patamar do coletivo, mas pode ainda haver poucas habilidades frente a um universo de propostas. Isto é notável, bendita diversidade que nos faz, em grupo, sermos tão completos!
            Ao que parece, dançar ser tão natural para uns, para outros é tão difícil... e agora entendo, mais uma vez, porquê as pessoas se surpreendem quando escrevo ou fotografo. Para elas parece tão difícil... algo que para mim é tão trivial. Uso linguagens tão modestas, evito palavras complexas, evito estruturas complexas... tento fazer tudo parecer tão banal. Na fotografia, faço o mesmo... retrato o óbvio, com perspectivas ou ângulo para que todos entendam o máximo com uma única foto. A dedicação ao fotojornalismo me colocou em uma patamar de simplicidade onde tudo insiste ser tão complexo. Nós complicamos tudo! Normal... sim... somos normais, com ou sem grandes habilidades, nos fundimos em uma massa que se expressa de muitas maneiras e transformamos pensamentos em alegria, seja ilustrativa, corporal, narrativa... há uma gama de opções que nos transporta ao infinito. Não tenha medo de nada... é extremamente prazeroso desafiar-se!