Eu sabia que você existia... e agora?

Com um Samsung J7. Foto: Roberto Furtado
                O olhar do repórter fotográfico é um sentido meio afiado... Digo isto porque não é normal as pessoas verem tudo em meio a tanta poluição visual. E eu passava por um muro quando percebi este cartaz colado... sem nenhuma assinatura e/ou identificação. Foi então que refleti sobre a questão da identidade... e percebi que isto poderia ter se direcionado para qualquer um, principalmente para mim, que o notei e dei atenção. Fiquei viajando nos motivos e intenções desta ação... imagine gastar dinheiro com algo, tempo, pra dizer: "Eu sabia que você existia". 
Foi pensando nisto que concluí que foi alguém que colocou isto aí pra mim... só pode ser pra mim. Ora, afinal, fui eu que vi! Não é mesmo? Só pode ser algum possível cliente ou futuro caso de amor que me procura... não imagino outra situação. Vou ficar aqui imaginando o nome dela se for para sonhar com o amor, ou talvez uma atividade na África se for para ser trabalho... mas que vou viajar nesta reflexão, claro que vou. Não perderia esta oportunidade em hipóteses alguma, sendo um grande sonhador... e afinal, não tive motivos para isto?

Sorte jornalista...

Display da Canon 5D, click com um Samsung J7. Foto: Roberto Furtado
          Fiquei aqui pensando como poderia começar uma abordagem sem parecer que sou motivado apenas por fé... porque fé, tenho, mas não como as pessoas imaginam. E sei que existe um limiar entre fé e ciência, mas geralmente as inexplicáveis acabam caindo no domínio da crença, sorte ou outra situação que retire o mérito da existência. Não posso explicar o que vou contar mais uma vez, mas preciso que você simplesmente acredite na minha história. Acredito que uma pessoa, uma vez que tenha entrado num estado de positividade e foco, possa controlar algumas situações que de alguma forma são incontroláveis. Por exemplo... canalizar positivamente os acontecimentos. Aí vem toda explicação que a humanidade procura o tempo todo, geralmente na atribuição divina, mítica, etc. Não terei como discutir sobre isto, e nem quero, pois meu post seria extenso demais e ficaria subutilizado para a verdadeira necessidade, mas precisava adentrar nesta questão para promover esta perspectiva em quem fosse ler esta composição. Já fui um fotojornalista bem mais ativo das ruas... aquele que vai até as ocorrências, fotografa de tudo o que acontece num dia e que pode ser publicado nos veículos informativos. Contudo, passei por algumas reflexões que me fizeram mudar um pouco sobre este trabalho... e o próprio reconhecimento financeiro me tirou um pouco do foco do front. Os próximos a mim sabem que esta é uma paixão estonteante... eu fico quase em transe quando o assunto é este, tal de fotojornalismo, do batente das ruas, dos fatos corriqueiros. Já ia fazer quase um ano... que eu tenho deixado de lado o corriqueiro cotidiano para atender apenas uma agenda, com pautas pré estabelecidas. E faço outras coisas de rua, tal como visitar clientes e viver tarefas pessoais. Vez ou outra, empunho a câmera pensando: "pode acontecer algo por onde vou passar e, preciso estar com a câmera!" E foi pensando assim que bati o arranque do carro... e na última hora resolvi voltar a minha mesa de trabalho e pegar a câmera e configurar para isto... Lá fui eu, com outro objetivo em Canoas... Na estrada, enquanto eu dirigia, pairava a canon 5D mark III no assento do carona... tal e qual fazia no passado. Finalizei meu compromisso em Canoas e me preparava pra voltar a POA... liguei o Waze e ele sugeria um caminho, mas eu pensei na hora: "Não gosto de ir por aí... vou por onde prefiro e ele que trate de achar outra rota!" Comecei a conduzir pelo novo caminho quando ouvi uma sirene... longe, mas indicando som de viatura da polícia militar. Logo vi que tinha alguma treta acontecendo no caminho que minha intuição havia sugerido... Algumas quadras adiante e dei de cara com um amontoado de pessoas, curiosos em torno de um fato. Havia dois focos... distantes por uma quadra. Assaltantes perseguidos pela polícia, em confronto, foram baleados e capturados por um esquema da Brigada Militar que reagiu a altura da situação. Um parecia estar muito feriado, inconsciente, o outro estava apenas com um tiro em uma das pernas. Cheguei com cautela, antes de clicar, me identifiquei e perguntei aos policiais se podiam me contar o ocorrido. Fui mal recebido pelos policiais no primeiro ponto, onde o criminoso estava com o tiro na perna. Havia uma tensão forte ali... e o policial militar começou a discutir comigo. Em tom de voz muito diferente disse pra ele: "me identifiquei, sabes que sou jornalista, este é meu direito de imprensa..." Por muito pouco ele não me prendeu, mas fiz os cliques e saí do local para ir ao outro, onde havia o assaltante deitado e inconsciente. Lá, fiz o mesmo... me identifiquei e pedi ao policial para ficar de costas para mim por uma fração de tempo, pois eu tento preservar a identidade dos mesmos. Porém, disse que não havia problema... que podia fotografar, pois dezenas já haviam feito com o celular. Este último, foi muito educado, talvez mais experiente, embora tenso. Depois de toda situação, fui para a base para enviar o material... encaminhado para agência da Folha. Fiquei em casa e depois na rua, outra vez, pensando na questão do trabalho. Não sobre isto de executar uma tarefa, em uma situação tensa e crítica da segurança. Eu não tenho medo, tampouco receio... era uma situação já controlada pela polícia, estável, para não dizer segura. Fiquei pensando no fato, de ter saído de casa, com a decisão de portar a câmera mesmo estando em outra tarefa. Ter mudado a decisão de última hora para levar a câmera, depois de ter mudado a rota de retorno, me deparar com uma situação na hora certa, já devidamente controlada que pudesse me ofertar o trabalho de forma tão fácil e precisa, isto foi realmente uma obra de sorte jornalista. E isto aconteceu inúmeras vezes comigo... agora, ou antes, e presencio os fatos. Imagino estar sempre aonde preciso, e quase sempre estou na hora certa. Eu não me lembro de ter chegado atrasado num acontecimento... pauta que acontece durante período que estou com a faca nos dentes, é pauta feita! Parece obra da conspiração do universo... não? Prefiro ficar com minhas aspirações de sorte sobre isto, mas que parece, parece! 

Despedida


               Estava caminhando na rua, sozinho, quando percebi o que se transformava em mim... Chuviscava na tarde fria de Porto Alegre e, eu, não entendia o que percebia aos poucos. Caminhava e a cada passo, evitava as poças deixadas pela chuva, como se fizesse alguma diferença manter secos meus pensamentos. Tudo não passa de ilusão... um macete, ilustrativo, composição de frases por meio de palavras escolhidas. Eu não tinha nem dez anos quando comecei a pensar na estrada... e era um menino quando entendi o vento. O vento e a estrada se relacionam e agem em conjunto. Querem te afastar, querem te aproximar... ao prazer do universo, decide por ti algo ou alguém que tu jamais vai compreender. E eu caminhava pela rua quando uma brisa se chocou contra o meu rosto querendo me ganhar a atenção... e parei de caminhar pra saber a velocidade que vinha o vento. Uma brisa, fria, úmida, cheia de intenções... com a brisa vinham pequenas gotas, um chuvisco fino. A cada micro gota, uma pequena atenção promovida pela sensação intermitente de choque frio... existe forma mais expressiva de ganhar tua atenção? Eu não tinha como evitar... tive minha atenção direcionada, com autoridade do clima. Me perguntei um porque de disponibilizar esta atenção... e vi, com relevo, imagens e momentos meus com este alguém. Foi quando percebi que era uma estrada, tal última cena. Caminhava em uma direção e ao meu lado ia alguém... e conversas iam e surgiam novamente, até que veio o silêncio. O silêncio chamou minha atenção... então olhei pro lado e não estava mais lá. Estava sozinho... parei, conferi. E quando olhei para trás, vi o alguém sentado em uma pedra no canto da estrada. Havia desistido... talvez estivesse pensando em outra direção, uma nova intuição. Como saber... se muitas vezes nem mesmo os próprios sabem, imagine um terceiro. Parado, vi que o alguém não se deslocava e não iria tão cedo. Olhei para os meus pés e entendi que meu caminho era inevitável. Eu não havia chegado aonde deveria... nem aquele alguém. Destinos diferentes, alteração de rota... o acaso cria! Te traz, te leva, gerencia... Gastei alguns segundos na reflexão, olhando para trás e entendi que era realmente meu destino, caminhar por ali, agora, sozinho, talvez a espera de outra ou outras consciências. Ali... ficava um momento, de partida, de renovação, uma estrada autoral. Definir o que era aquele momento... para mim, era, nada mais e nada menos que uma despedida. Um reconhece ao outro, com ou pelo tempo que for necessário o convívio. Despedida é um momento... pode ser 20-60 anos, pode ser duas semanas. Sempre surge... mesmo quando parece incrível relação de amizade. Me despedi da outra consciência, sem qualquer pretensão deixei os olhos abertos... e tudo parece um ciclo de início e fim. O comprimento de onda destes ciclos? Acho que são variáveis... talvez seja único, talvez sejam dois ou três. A dúvida impera... é o preço da pureza, e mais uma vez, me parece inútil ter certeza. "E se amanhã não for nada disso... caberá só a mim esquecer!"

Escrever ou abraçar


Roberto Furtado, 2014. 
              Falo muitas coisas através deste blog... eu perdi a timidez poucos milímetros por vez! Qualquer um que acompanha este diário andarilho deve ter fortes conclusões sobre o autor de tantos devaneios. É possível traçar um perfil, sintoma e desejos de um autor bastando ler o que ele escreve. Me fechar deixou de ser opção no dia em que descobri que ficava mais leve abrindo a caixa e deixando o vento arrastar as palavras. Se alguém me conhece por causa disto... bom, acho que é muito bom. Vejo muitas faces, vantagens e desvantagens de abrir a vida através de um canal público. A questão é que muitos conhecem vc pelo que escreve, mas vc não conhece estes muitos. E quando falamos de alguém que já alcançou mais de um milhão de views, talvez seja assustador pensar que pessoas estranhas me conhecem na intimidade redatora. Por outro lado, dá gosto saber que jamais recebi uma crítica negativa... e esta é uma garantia de que fiz certo, escrevi sobre coisas que melhoraram ou simplesmente se mantiveram neutras para estas pessoas.
Eu sinto muita falta da estrada, e ao mesmo tempo sempre quero voltar. Abraço e beijo meus amigos, também as amigas, como se fosse a última oportunidade, mesmo sabendo que não é... Tenho certeza que as pessoas pensam que isto é estranho, não todas, mas muitas. Imagine a inversão de papel... imagine alguém afetivo olhando para um alguém não afetivo. Próximo passo... marcamos a questão de que a vida não é eterna e que o relógio corre mais rápido que vc pode acreditar. E então, vc percebe que esta na metade da estrada, e nesta oportunidade olhando para uma pessoa que não demonstra seus sentimentos. Você pode fazer duas coisas por ela... abraçá-la ou ignorá-la. Qual opção parece mais construtiva? A tua ação foi 100% positiva... mas a reação é difícil de saber. Pode resultar em algo, pode não resultar... pode a pessoa estar pronta para uma mudança, pode não estar. Você tem a ferramenta, mas motores quebrados ou incompletos não vão funcionar na primeira tentativa. Alguns, jamais irão... contudo, vc tenta!
Bom, eu cheguei até aqui justamente para fazer uma relação de escrever ou não escrever... quando escrevo, escrevo para aquecer as pessoas com aquilo que tenho a oferecer. É uma forma de empilhar tijolos que construirão aquilo que chamo de muro da vida. Cada pessoa que participa deixa sua assinatura no tijolo.., você constrói um muro de um amigo, junto com outras pessoas que passaram e passam na vida dele. É importante para alguém... e na estrada encontrei muita gente legal, muitas pessoas interessantes e valores aos quais quero levar até o fim e durante a estrada também quero partilhar destas experiências com e para as pessoas. A vida é feita de oportunidades e fases... há fase para tudo, mas para o amor, bem, acho que não existe nenhum limite. Você vai curtir cada carinho que oferecer e receber... então, me parece bem produtivo, independente de escolhas. Escrever ou abraçar? Seja o que for... em ambos os casos, você vai se sair muito bem. 

A última palavra...

Nephila clavipes, Porto Alegre, 2016, foto: Roberto Furtado
               Uma obra... a história que construí é um romance. Trabalho nele sempre que me sobra tempo, até onde me recordo comecei cerca de nove anos atrás... mas depois de muitas dúvidas, idas e vindas entre capítulos, tomei a decisão de vê-lo como completo. O livro, deve nascer este ano ainda... vai ser enxugado e "polido" para deixar mais leve e gostoso de ler. Eu digitei a última palavra no final do ano passado. E como quase perdi a obra no acidente com o raio que danificou o HD do servidor, então resolvi que ele deveria encontrar o seu destino com o menor tempo possível. Ele conta a história de um personagem que criei, um errante, que procura se encontrar no mundo, entre escolhas do estilo de vida... Há, nesta trajetória, fuga das pessoas que ele amava, também dos receios profissionais, medo da cidade grande, dentre outras situações que o mundo lança contra qualquer pessoa da sociedade. Pode ser visto como muitas formas... e eu sei que este foi o livro que fiz mais para mim e meus amigos do que para ser um sucesso de vendas. Eu não tinha tal ambição quando comecei a escrever este livro, nem antes, e nem agora. A mudança no meu olhar, agora, me diz apenas que uma obra jamais deve ficar oculta. Uma obra deve ganhar o mundo, pq ela pode interferir no mundo... não é meu direito resguardar. É meu direito aprender com o mundo... e meu dever devolver ao mundo aquilo que aprendi. É assim que vejo... sou, uma efervescente criatura que anseia por escrever. Me pergunto todos os dias um porque disto e a única coisa que entendo como realidade é o fato de que se eu sou assim... haverá um motivo, plano do universo para o que posso resultar. Assim como a aranha que tece sua teia, uma obra colocada em prática, por um tempo, devo realizar a mesma tarefa. Espero conseguir me organizar, suficientemente, para quem este trabalho chegue em forma obra de literária aos que cruzarem seu caminho. Eu não espero nada de diferente, a não ser cumprir meu papel de autor e devolvê-lo ao mundo. Como os filhos, vc entrega ao mundo, toda obra reunida durante a vida. 

Espiritualidade para um longo caminho...

Imediações do Farol Conceição, 2013.
               Bom... cá estou, há algumas horas ou dias para materializar um sonho antigo. A data não está definida, pq há coisas que saíram do previsto, contratempos com equipamentos. Também São Pedro me arrumou uma presepada... olha o que reservou para o clima desta sexta feira. Se não conhecesse tão bem por onde vou passar, teria muito medo de sair daqui e ir tão longe para arriscar. Só que... conheço algumas partes do trajeto como a palma da minha mão. Os piores trechos, com exceção de um, sou bastante íntimo. Já passei trabalho em alguns... tipo ficar com o carro atolado sozinho, uma tarde inteira, de sol escaldante. A gente sobrevive... e depois lembra com alegria. Aventura vivida é história para os amigos. Quando vejo o cenário acima... penso no amor que sinto por tudo que vivi ali. As pescarias, acampamentos, banho de sanga, brincadeiras com amigos numa roda de lanche, o sorriso de um amigo... eu nunca vou esquecer. Como amo estes garotos... e estranho dar tanto valor. Acho que foi pq já perdi algumas pessoas... acho que foi porque eu não me perdi, porque fui forte, e entendi o valor disto. Estou pronto... se tenho dúvidas, sim, tenho! Coração apertado... se vou resistir bem ao frio e vento da praia, se minhas pernas vão suportar carregar um veículo e carga que somarão mais de 30 kg. Afinal, serão 600 km... mas eu me conheço... sou forte. Tenho a parte do corpo mais forte que um aventureiro precisa... precisa ter um coração forte, pq quando o coração é forte, a mente fica forte... e quando a mente se torna forte, o corpo se torna inquebrável. É isto que estou pensando... vou usar o que aprendi em ciclismo de longa distância, vou cruzar com coração de aço, e vou derrubar meu gigante de 600 km. Tenho tempo de sobra... e coração forte!

Anônima

Parque Eólico de Osório, 2017. 
               É ela... veio, some, volta... borbulha! Sinto ela chegando... arrepia, sinto na pele, dentro da minha cabeça, circulando junto com meu sangue. Me traz motivação, me explode de emoções... me sinto confiante, corajoso, positivo! Vejo como se fosse uma nova apresentação, mas é velha conhecida... chega sempre que estou de frente para uma situação incrível... felicidade pulsante. Me sinto um humano grato... é sempre ela! Ela chega de hora pra outra, com a velocidade da emoção. Uma sensação que sinto sempre que vejo o entardecer e o amanhecer... pulsa, bomba no peito! Ela é uma energia, uma força, uma oportunidade de superar, sonhar, crescer! É adrenalina, é a própria energia do universo. Eu realmente sinto tudo isto... e eu nem sei de onde ela vem, nem o nome dela, nada! Eu conheço ela desde que nasci... meu corpo sendo estimulado e jogando doses de adrenalina. Parece que vou correr a toda velocidade... com ou sem música, é uma sensação perfeita. Ela vem... e toma conta do momento. Me sinto forte, insuperável... ela não tem nome mesmo. Nunca fui apresentado... ela é muda, veio sem tarjeta de identificação em todas as oportunidades. Como pode ser tão poderosa e eu não saber seu nome? Pois... é uma energia, alguns dirão nomes, crenças, formatos, mas eu fico com as minhas aspirações. É uma força... é energia boa! Quem experimenta... se apaixona! E ela não quer nada... apenas oferece, apenas melhora as pessoas, apenas enriquece o mundo. Ela fica anônima, não precisa de propaganda... quem experimenta, fica a espera de uma nova oportunidade. É uma sensação única... de gratidão!

Em algum lugar e tanta coisa...

Quer uma legenda para a imagem? Faça vc mesmo... você é livre!
              Tenho lido alguns bons textos... em geral, propostas bem imersas no interior humano. Houve um período em que tive a sensação de estar caminhando no escuro, sem nenhuma perspectiva a não ser alimentado pela inércia da minha energia anterior... e então bati em alguma coisa na escuridão. Ao tocar, percebi que era um interruptor pendente e, ao puxar, acendi uma pequena luz que me colocou de volta na razão. Foi como ligar pontos de um mapa, talvez seja apenas psicológico, pois vi, naquele momento, uma simplicidade no que eu deveria pensar. Não posso controlar tudo que penso... pq alguém de mente tão ativa não poderia simplesmente ligar ou desligar ao sabor do desejo. Contudo, percebi que podia escolher onde daria o foco e o que deveria cobrir com um pano escuro. Não é fugir de algo que poderia me incomodar, tampouco tapar sol com peneira...  é valorizar aquilo que realmente importa. E outra coisa que aprendi é que muitas respostas não existem em um determinado momento da vida e de um ponto em diante passam a existir por outras vivências. Então, na verdade, estou apenas dando tempo ao tempo, sendo paciente comigo e com as necessidades que vou experimentando ao longo do caminho. É fato que a cada pegada da estrada, nos deparamos com questões que aparentemente não tem alternativa... e como diz um dos melhores amigos que fiz na vida: "Roberto, o que não têm solução, solucionado estará neste momento!" Ele sempre diz também que temos uma ligação anterior a esta vida. Ele tem razão... eu não sei como, deve haver algo que explique tanta coisa que na atual situação do conhecimento humano não alcançamos. Seria insensível de minha parte pensar que somente a ciência explica tudo, sabendo que a ciência do homem é uma criança de 3 anos de idade. Sei que quanto mais escrevo, penso, leio e caminho, mais dúvidas surgem... vejo a estrada como um momento da vida humana. Em qual momento estaríamos? Bem, acho que nossas certidões podem explicar quanto tempo, aproximadamente, poderíamos ter para resolver tudo. Se geralmente duramos em torno de 80-90, assim parecem alcançar as pessoas da minha família, então estamos sujeitos a caminhar até este momento para solucionar as questões. De outra forma, o que fazemos aqui? Seria muito vazio pensar que estamos aqui apenas para montar famílias e trabalhos... sem qualquer atividade extra ou externa a estas. Me parece que o enriquecimento de situações, geralmente, parte deste ponto... pois como haveria oportunidades sem atividades. Eis a explicação para termos necessidades de atividades... no próximo passo de um porquê disto, bem, vamos pensar que gênios não responderam isto e, assim, não seria eu quem o faria nesta existência. 

Consciência

             Quanto a este meu amigo... e outros bons amigos, tenho pensado muito. De fato, há uma consciência que nos aproxima e/ou afasta, por motivos sugeridos ou afinidades, circunstâncias da mente que oportuniza momentos, talvez com busca incessante. Deixei de ser cético quando tive meu primeiro impacto psicológico. Foi ali que comecei a desejar respostas que não seriam possíveis... e este jogo de atirar uma pergunta contra o vento para tentar obter a resposta, nem sempre é muito fácil ou viável. Aceitação dos fatos não diz respeito a conformismo, tampouco atribui respostas a um deus. E não é pq vc faz perguntas que elas virão... mas elas ficam engavetadas em loading, esperando algum dado complementar, para que talvez um dia, sejam respondidas. Até lá, posso apenas dizer... não sofra por isto, pois eu já não tenho este problema, aprendi a conviver com a dúvida. E não preciso dizer que "a dúvida é o preço da pureza e, é inútil ter certeza" para que você simplesmente permita a si mesmo de vivenciar as situações... pois é destas situações que virão respostas. E isto tenho aprendido com meus amigos, alguns com maior clareza sobre estas coisas estranhas da vida, outros apenas relaxados com o decorrer da viagem, alguns agitados pela incerteza. Em algum momento, todo mundo descobre que é inútil ter certeza e que a melhor oportunidade acontecerá quando a gente consegue relaxar. Quando deixamos de esperar algo dos outros, me parece que foi pq deixamos de cobrar de nós mesmos... e as experiências acabam sendo leves, fluentes!
O amigo que citei antes teve e tem um papel ímpar na minha vida, assim como outros poucos. Com cada um aprendi o gosto de uma coisa... assim como água tem sabor e nos ensinaram que não. Sabe pq água é ensinada como inodora? Para que vc tenha referência... o que é o número zero? Vai me dizer que zero não existe? Zero é referência, de ausência, e combinado ele forma outros números. Já pensou que água dilui gosto de outras substâncias, ou melhor, transporta?!! Vai me dizer que água é inodora e zero não soma pq não conseguimos atribuir existência da consciência e razão para existirmos. É mesmo? Bom... se tem uma coisa que aprendi na faculdade foi questionar. 

Curiosidade

                Foi durante a faculdade de engenharia que tive uma professora especial... eu não era nem de longe o melhor aluno, mas ela viu meu empenho e frustração sobre um trabalho que almejei alcançar ao longo do semestre. Numa avaliação individual... preocupada com minha tensão por estar fazendo um trabalho em grupo quase sozinho e totalmente empenhado, porém sem bons resultados... ela esticou a conversa. Perguntou porque estava sofrendo tanto com isto... Eu lembro de ter dito: "Eu sou um aluno nota cinco em cálculo... insuficiente!" Ela, praticamente indignada com aquela resposta... começou um discurso que envolveu tipos diferentes de inteligência e habilidade. Me falou sobre escolhas e caminhos... e duas frases nunca me esqueci. sendo a primeira: "és um dos alunos mais genias que já tive em termos de amplitude!", e a segunda, pense bem nesta escolha, pois teu trabalho embora incompleto foi muito conclusivo e vai além de uma graduação!" 
No final do semestre, não consegui produzir a peça que tinha, entreguei o projeto construído de forma imperfeita... no último dia de aula ela puxou "meu trabalho" de cima da mesa e começou a passar um sermão sobre o que fazemos em engenharia, sobre direção profissional. "Somos criadores de produtos e máquinas, ferramentas e soluções indispensáveis", referindo-se que deveríamos questionar mais. Meu  trabalho em grupo, incompleto... e eu pensei que ela estaria me dizendo para justamente forçar mais a barra... e ela soltou: "O grupo que não conseguiu entregar a peça com perfeição foi também o que teve a nota mais alta... e antes que alguém pergunte pq, vou deixar aqui para quem quiser ler... vcs não precisavam terminar o componente, deveriam apenas saber como, porque e o tempo necessário para conseguir! O objetivo é questionar... e não entregar qualquer coisa!" 
Eu não preciso dizer mais nada... e esta foi uma das mulheres que mudou minha vida profissional. 

Pra voltar...

Que legenda nada... eu quero é rock! E na estrada...
         Tinha que ter pegado a estrada hoje... mas convite de mãe e irmã não dá pra negar. Preferi acordar mais cedo amanhã e ir para o trabalho na serra. Já fiz isto tantas vezes que nem deveria mais me importar de acordar cedo... e quando eu falo cedo, estou falando de levantar as 4 horas da manhã, pq as 7 horas tenho que esta em um congresso em Gramado. Nada de especial... duas horas de viagem a bordo do negrinho e lá estarei. Larguei um trabalho que me fazia sair assim todo domingo, as vezes sábado também, justamente pq não queria mais pegar a estrada mal dormido com a frequência que fazia. Eu tô tão apegado a minha mãe e irmã que não consigo mais fazer coisas que fazia antes... elas foram vitais no processo de separação pelo qual passei e superei. Me tornei forte como jamais imaginei... mesmo quando percebi que havia feito 130 km de bicicleta todo machucado, e aquele sim foi um feito de superação. Tal superação me garantiu um ano sem qualidade alguma no ombro direito... mas eu, mais uma vez, evoluí para uma cura. Coisa do universo, não? Agora toda vez que vejo uma estrada tenho medo... não pq posso me machucar, mas pq quero não ir, quero ficar. Sabe pq sempre voltei? Pq era pra ser... coisa do universo! É pra eu ficar velho... tudo planejado, não sei por quem, mas é! Eu já deveria estar dormindo... aliás, eu deveria estar em Gramado... mas não tinha como não estar com elas numa janta tão divertida. E depois... minha vida é aqui, orbitando em torno dos amigos que visito entre um trabalho e outro... pessoas que trabalham ou trabalharam comigo. A loja dos guris tá tri... eu já sei que vou viver plantando lá. Vou expor minhas fotos lá... já incomodei eles pra deixarem! Sabe o que é a casa da gente? É onde a gente vive... minha casa é Porto Alegre, cidade da qual sempre quis fugir, nunca me deixou. Acho que é coisa do universo... E vai dar tudo certo mais uma vez, eu vou, mas eu volto, como umas 5 centenas de vezes que viajei a trabalho... é pertinho! O que é 130 km para quem fazia 1000 km no volante em um único dia? Eu posso, eu consigo, eu garanto! Eu vou... pra voltar! E depois, tudo que eu tinha pra dizer já foi dito... coração leve garante paz. Eu vou, eu volto, eu vou sentar em algum lugar no domingo, e vou tomar um chimarrão! Bj

Palavras ao vento...


          Bom bate papo hoje... me colocou pensando em muitas coisas. Eu solto palavras ao vento... e parece que muitas pessoas gostam. Algumas coisas ditas são ferramentas para começarmos uma manutenção no interior. Há coisas para colocar fora, outras para arrumar, algumas apenas para recordar... e nada melhor do que dar atenção a estas coisas. Nossos sentimentos, nossos movimentos impensados... situações das quais não podemos escapar, mas lidar melhor! Seja início de manhã ou fim de tarde... quase todas as vezes que pego a estrada, costumo parar o carro. Vou para o acostamento e deixo o carro em segurança... gosto justamente de olhar o nascer do sol, talvez o adormecer! Certa vez vi aquele filme, City of Angels, mas havia me esquecido que os anjos aguardavam o amanhecer... eu realmente me esqueci disto. Quando me lembrei do filme, recaptulei algumas imagens no meu cérebro (acredite, eu sou quase extraordinário com a memória visual), e lembrei daquela cena dos anjos de frente para o mar observando o nascer do sol. Foi ali que pensei que talvez fizesse sentido este meu comportamento... se faço, outras pessoas o fazem e alguém já teve até esta ideia de atribuir aos anjos tal observação do nascer do sol. Acho que não sou anjo... mas sei o que é bom. Já viajei tanto sozinho... peguei ao volante e dirigi centenas de quilômetros pensando na vida e no cenário que se apresentava no momento. Por estar sozinho é que prestei atenção no mundo enquanto me deslocava, não havia distrações! Me lembro de todo pôr do sol que vi... de toda manhã que o sol verteu do horizonte. E estou tentando entender pq me transformei num colecionador de palavras e frases... ainda mais um tipo que presta atenção em tantas coisas. Há no mundo, os constantes, os incansáveis e os que não dão a menor importância para nada. Eu meu coloco no papel de incansável... eu posso até não saber pq estou aqui, e talvez nunca saiba, mas vou tentar descobrir até o último dia. Eu não acho que isto faz alguém melhor ou pior, ou mais interessante... eu apenas não entendo como é ser alguém que não tem perguntas. Não vou colocar expectativas em uma religião, menos ainda atirar a culpa para o mundo. Eu resolvi fazer as coisas do meu jeito... eu falo das coisas que gosto, vivo meu trabalho, vivo meus amigos e família... e de vez em quando, quando eu estiver na estrada, vou observar o nascer do sol. Se isto é coisa de anjo... bom, então quem sabe posso ser um anjo. Afinal, anjos devem errar também, perfeito não sou, também não conheci ninguém que fosse até agora e já me disseram que andam entre nós. Como é um anjo? Tenho tantas perguntas...
Pelo que entendo da vida... sei que as palavras foram feitas para serem combinadas e jogadas ao vento, promovendo reflexão, ofertando idéias, gerando paz onde ocorre o desentendimento. Claro que solução e paz se apresenta aos aptos... e paz, tenho, mas perguntas sem respostas, muito mais! 

É assim que eu vejo...


             Por onde começar? Tem muita coisa pra falar... sempre! Eu leio muitas coisas e penso que estou fazendo tudo como entendo que é certo e ao mesmo tempo como me sinto tranquilo. Isto tudo se resume em paz que não havia antes... e por isto estou tão bem. Eu realmente encontrei uma receita de paz que talvez não sirva para muitos, mas serve perfeitamente para mim. Eu saio com meus amigos e amigas... vou pra barzinho, praça, beira do rio, happy hour, etc. E mudo os parceiros de prosa, as amigas de chimarrão, alternando tudo e convivendo com todos o máximo que posso para aproveitar cada um e momento. E eu até acho engraçado quando as pessoas se espantam quando digo que saí com dezenas de amigas pra um café ou boteco... pq a malícia corre solta na cabeça de quase todos, menos naqueles que realmente me conhecem. Enfim... cada um projeta sua vida como acha interessante e possível. Eu, achei que assim estava bom pra mim! E estou feliz... e me pergunto quanto tenho aprendido com as convivências que tenho tido. Até pensei em lançar um coluna para Revista, cujo nome seria "Café com Andarilho", mas claro que estou sendo até exagerado e não poderia ter a mesma qualidade de conversa com estas pessoas se não fosse um arquivo confidencial. Afinal, papo de amigo não vaza... né? Algumas pessoas já me disseram que a ideia era muito boa... mas claro que seria um trabalho, e trabalho que mistura papo com amigo, sabe... não sei não! De qualquer forma é por esta intensa convivência com as pessoas que estou conseguindo ter ideias, me transformar... e evidentemente, crescer!
            Eu tenho uma visão sobre muitas coisas que certamente preencherão meus livros... sim, se alguém não sabe, estou trabalhando em uma obra e com outras ideias para frente. Ser um ficcionista que utiliza a realidade como base, me coloca em uma vantagem, pq sou sonhador. Quando eu era guri... tinha uma namorada... eu lembro que aprendi muitas coisas com ela, pois fora meu primeiro relacionamento de maior duração. Fico imaginando tudo que a gente aprende com as pessoas quando passa a conviver mais intensamente com elas... inclusive fatos sobre uma perspectiva completamente diferente da que temos. Convívio é uma situação entre as pessoas que promove um grau de envolvimento que quebra algumas barreiras e permite conhecer detalhes... e nos detalhes é que vc conhece as pessoas. 
Gosto da lua... desde sempre, olhava para ela... e imaginava ela como um grande espelho. Pq eu sabia que enquanto eu olhava para ela, muitas outras pessoas olhavam também. Eu tentava imaginar o rosto destas pessoas... e tentava acreditar que sabia no que as pessoas estavam pensando. Penso que todo mundo que olha para a lua, pelo menos naquele momento, esta pensando apenas coisas boas. A lua é um grande filtro, rebatendo apenas positividade. Viu só? Eu sou mesmo um sonhador... e o mais incrível, desde pequeno. Sei que as pessoas devem me ver como tolo... mas eu também cheguei num patamar de compreensão sobre isto. Eu realmente não me importo mais com o que elas pensam sobre isto... eu parei de escrever para os outros há tempos. Eu escrevo para mim... se alguem quiser aproveitar a leitura, bem, puxa um banquinho e leia, sem compromisso, sem me cobrar nada, sem me criticar. Ou melhor, quer fazer, faça... não tô ligado mesmo! Este é um trunfo dos que escrevem... pq no meu entendimento, quando chegam a este ponto, já se tornaram escritores, vorazes contadores de histórias. Sem receios... a mente corre mais rápido!  É assim que eu vejo...

Momento

Foi em algum lugar de Los Angeles, acredito que nas proximidades de Venice Beach. 
                  É sentado em minha cadeira de frente para o teclado que arrumo o tempo mais precioso para minha estrada evolutiva. O termo jornada espiritual me parece adequado se não fosse o fato de estar imóvel na perspectiva da física. Não há deslocamento, como poderia ser uma jornada? Ao adentrar em um túnel de questionamentos, percebo que este momento torna-se sem volta. Você nunca mais será a mesma pessoa. Faço isto desde criança, e notável é tal capacidade humana, pois de outra forma não aprenderíamos tanto. Com erros ou acertos, este é um caminho que eleva seu autor, sempre! Estranha fase vivi, onde as mudanças foram tão expressivas que me assusto quando penso que jamais imaginava isto... e fico curioso sobre o futuro, pq se não imaginava isto, quanto mais da vida vai me surpreender? Isto me parece um sistema infinito de oportunidades. Parece um pouco cansativo as vezes e nem por isto seria menos divertido e confortante. Crescer... existência é comprovada por observação, crescimento é justificativa para existir. Entre existir e viver há uma linha tênue que confunde quem estiver sem um propósito, mas até mesmo ter um propósito é algo simples... evoluir não poderia ser um propósito mais plausível. E propósito pode ser algo tão pessoal em sua importância que todo formato de vida pode parecer inútil e ao mesmo tempo sensacional, basta que a perspectiva esteja sempre flexível. Fui encontrar amigos do tempo do colégio... estranha sensação que me deparei. Ao ver dois deles, tocando violão e cantando, e percebi a mágica temporal que nos inserimos sem jamais pensar. Eles estavam ali, em seus corpos, veículos da consciência humana, fazendo exatamente o que fariam 25 anos atrás. Mesmos sorrisos, mesmas brincadeiras, mesmas necessidades... As condições que cada um deles vivenciou, bom, certamente os elevaram a um patamar da grandiosidade humana. Melhores que ontem, certamente que mais complexos... você pode ter certeza disto ao oferecer uma pergunta complexa. Haverá, certamente, uma resposta de acordo... 25 anos de evolução. Me causaria surpresa se não fossem tão bons nisto... e claro que há causa e resultante. E pense no tempo de cada um, algum tipo de exercício que depende também de outros que te circundam. Este é o papo mais difícil que eu teria para explicar, tanto, que certamente me farei fracassado ao fim desta argumentação. O lugar onde fui parar depois de 25 anos após a escola.., bem, a maioria diria o nome da rua e cidade... eu não vejo assim. Estou em algum lugar dentro de mim mesmo, onde passei a controlar parte das minhas emoções, com clareza e serenidade. Por um momento, estive em um lugar onde eu podia tocar os ponteiros do relógio e observar as pessoas se movendo lentamente, mas este é um equilíbrio temporário, eu acho. Foi num lugar que a ausência de sentimento me posicionou brevemente... eu fiquei sentando no topo de um prédio, escolhendo o deslocamento temporal. Ah, isto vai ser muito difícil de vc entender... e por isto, vai me chamar de louco, mas eu vi as pessoas se deslocando lentamente para frente e para trás. Como se eu pudesse controlar tudo... absorver, externar, alterar meu meio! Então, aconteceu novamente... e tudo passou a andar no ritmo que sempre vi... tudo igual, sem controle, sem escolhas, a trajetória do que entendemos como destino. Foi uma emoção... agora sei. Toda vez em que estivermos plenos... realmente plenos, dominaremos um estado de consciência que surpreende até nós mesmos. Eu não sei se quero voltar para este lugar, pois estou num outro lugar que pensei não existir mais. E eu vejo que não estou sozinho... no entanto, até vc saber como lidar com isto, algum tempo vc perderá... ou ganhará, depende da resultante. Não depende de ti... por isto, tal de destino. A sincronização de tudo é uma curiosidade que tenho, como funciona? Energias independentes que se organizam e formam um resultado... duas consciências, duas energias, duas forças sincrônicas que buscam o equilíbrio. Algumas vezes é uma questão de organização e tempo existente para isto... tempo e caminho, bem, estes geram um momento. Não estou aqui pra dizer como chegar lá... só pra dizer que já estive lá. Estou vivendo outro estado, não sei como vou lidar com isto, mas acredito que o bom da vida é justamente isto, de viver momentos!

Da minha natureza

Foto com Samsung J7, Roberto Furtado. 
             Fui ao centro para assistir uma das mostras do FestFoto POA 2017... ao chegar na Avenida Borges de Medeiros, avistamos, eu e Renan, grande quantidade de fumaça vertendo entre os prédios. De longe não se precisava de onde vinha aquela fumaça, fumaça que oscilava com o vento e mudava de tons de cinza claro a quase preta. Começou ali uma agitação no centro de Porto Alegre... e corremos na direção do caos, como sempre. Acho até impressionante ainda ter disposição física para correr até o local... talvez seja explicado pela raiz jornalista que há em mim, por não perder o melhor momento, ou ao menos, tentar! Quem me vê nas ruas, sabe que até quando não estou trabalhando, muitas vezes estou com minha câmera em mãos, mas nesta oportunidade lamentei não ter a mesma comigo. Renan falou... "Tu tá sem câmera, pangaré!" Eu respondi... então hoje é a vingança contra os jornais que deixam de comprar da gente para pegar foto de leitor que foi feita com celular. Oportunidade ganha, oportunidade garantida! Saquei o celular do bolso... e já me senti um idiota na mesma hora, tal e qual profissional fazendo trabalho com brinquedo. Acabei fazendo o que sempre condenei, fotografar com o celular é uma assinatura do jornalismo decadente. Imagino que os jornalistas devem se sentir assim quando percebem que no assunto que domino, jamais alcançam a plenitude que tenho quando escrevo sobre o mercado da bicicleta. Acho que assim sempre me senti quando eles enviavam imagens produzidas com celular e eu deixava de vender imagens de qualidade. Vamos dizer que isto é... educativo! 
Então... passei o espaço demarcado pela polícia para conter o público... e comecei a fotografar, me sentindo um pseudo snapper, mas garantindo alguma coisa para minha história do dia. Mesmo assim.,. foram ótimas imagens, bem dramáticas, bem enquadradas, bem descritivas. Havia até um colega no local... nunca vi, mas estava ali, clicando. Até me olhou nos olhos um momento... talvez com o olhar que já olhei um dia para alguns... pensando: "este cara vai mandar a foto de celular para o jornal antes de mim, vou perder a pauta!" 
Eu, por conhecer a dramática situação do fotojornalismo, jamais faria isto... eu diria foda-se para qualquer chefe de redação que implorasse pela foto. Eu diria para crescer... e acho que o que falta para muitos é correr no meio do trânsito, povo, arriscar-se, para então saber o que é ver o trabalho ser desvalorizado. Talvez eu tenha assumido uma postura rígida... séria, como pede o jornalismo, mas não seria esta a verdadeira raiz de um trabalho? Trabalhamos com informação... é ali, no meio de tudo, da correria, da fumaça, das sirenes, dos olhares tensos, que me sinto útil, forte e eficiente. É da minha natureza, tal de fotojornalismo. Minha pauta é a própria pauta... uma causa, uma forma de ver o mundo e de explicar o que acontece e pq acontece.

Dont stop this train...


              Bem... cá estamos, e eu nem sempre sei o que dizer. Por isto, eu arrisco e, faço o melhor que puder. Não tem receita de bolo pra viver. Eu aprendi tudo da única forma que consigo... vivendo! O melhor da vida é sentir-se pleno... não sei se é consciência, mas a atualidade é o melhor estado em que me encontro. Exigente que sou, entendo que, talvez, esteja no lugar melhor que há, mas ainda desta forma almejo mais. Este estado de espírito de busca, de não permanecer parado, é justamente o que nos faz evoluir. E se há pressa nisto é pq o tempo corre mais rápido do que eu gostaria... diferente do que diz a música "Stop this train", eu não quero parar este trem da vida, mas quero aproveitar todos os momentos que eu puder. Quero continuar morando com meus pais mais um pouco, até que eu sinta que é hora de ir novamente. Minha mãe me chama de passarinho, pq sou vivente com sede de liberdade. A música diz tambem coisas importantes, como renegociar o passar da idade... mas eu não tenho mais medo, e não quer dizer que ele não volte a me visitar, mas eu tenho certeza de que vou estar cada vez mais preparado para ele. Eu sei que tenho muitos amores... todos importantes, poucos romances na minha trajetória, muitos amigos, valorizo tudo que vivi em alegrias e tristezas, pq tudo é agregador na estrada desta caminhada. Não é a toa que sou um andarilho... eu até olho para trás, algumas vezes, mas sempre sigo em frente, mesmo que meus pés estejam doendo e a saudade esteja me pedindo para voltar. Nunca volte... o tempo corre apenas em um sentido! Me tornei voraz atirador de palavras, tal habilidade é clara para mim na atualidade, sou um escritor. Embora não esteja preocupado com o uso deste dom, sei que uma hora deverei honrar um compromisso com o universo e utiliza-lo para melhorar o mundo. Até acho que fiz isto algumas vezes, mas não cheguei perto do que deveria. Acho engraçado ser um fotojornalista que não pára de escrever!Eu aprendi que não ter certeza é sabedoria... principalmente pq nos deixa capazes de tomar decisões de última hora. Eu vou continuar escrevendo, fotografando, caminhando, pq é o que sei fazer, minha natureza. Não me importa se o mundo reconhece ou não meu esforço, pq isto não me faz errado, nem coletivo se faz certo! Me importa que um amigo se sinta orgulhoso, como eu sinto deste... e tenha certeza, que na minha vida, estão apenas os que tem os valores que acredito serem importantes. Eu fiz juramentos que nunca vou poder honrar, mas os fiz pela minha determinação e crença de valores. Não é pq não é possível conquistar o mundo com palavras que devo desistir, e vc deve fazer a mesma coisa. A única coisa que realmente vale ao fim do trabalho de uma vida é olhar pra estrada construída e saber que vc melhorou as coisas por aqui. Eu fui um cético, quase ateu, até que descobri que o universo faz coisas estranhas, coloca pessoas na sua vida, pela primeira vez, pela segunda, quantas vezes for preciso! Há uma energia que nos move, nos une, nos sincroniza. E se vc tem dúvidas sobre isto é pq vive enraizado nos moldes que o trouxeram até aqui, mas lembre-se, não sabemos nada da vida e nossa ciência, embora grandiosa, é apenas uma criança. Estou aqui, em pé, aos 41 anos, cheio de perspectivas que não tinha aos 20. Pela frente virão novas, algumas se transformarão como o mundo em que estou. Espero, e tenho fé, que não magoarei mais ninguém nesta vida, mas não posso prometer, assim como sei que ninguem pode fazer o mesmo por mim. O que eu quero agora... nada específico, quero apenas seguir em frente, um dia de cada vez, um agora, um show com amigo, praia com amiga, trabalho com bons colegas, ver o mundo com os olhos de criança, habilidade que ainda mantenho. Eu curto muito nascer do sol, uma boa dormida pela tarde, uma madrugada de devaneios e bons textos. Tenho alguns sonhos que não dependem de mim, mas do universo, e nele acredito... o universo conspira para conseguirmos. Bom... se tu duvida, então liberte-se! Bom, eu vou parar por aqui, mas vc me conhece e sabe que isto é por hoje, amanhã, certamente, escreverei de novo! Tchau... e obrigado!

Desinteresse... a reação em cadeia!

"Desfocar e focar os pontos é uma forma de gerar atenção no assunto que realmente interessa!" Roberto Furtado
              Estava tão divertido... eu, não via a hora do encontro e já imaginava como seria. Algumas saídas e tinha a impressão de que estava tudo resolvido... era só seguir. O sorriso garantia que era recíproco... a amizade, a diversão, respostas, tudo era indicativo. Um dia, quis ver meu celular... te disse, não faça isto, ainda assim, permiti. Sabia que se não permitisse, haveria quebra de confiança... mas antes, eu frisei que ao ver que havia confissão de sentimento, tudo poderia se estragar. Sentimento confesso antes do tempo para que ambos estivessem prontos, iniciou um processo... uma reação em cadeia. Eu, embora afetivamente envolvido, sentia que estava violado... o segredinho, ou a proteção das entrelinhas, uma inexistência de certeza poderia garantir a continuidade. Cada um tem seus medos e sentimentos de perda. Um dos sorrisos mais lindos que já vi... e por trás dele, frustrações de experiências anteriores. Ao estranho passo de "perca o interesse em mim e perco em você", as coisas pareciam autoexplicativas como num manual de despedida. Sei que se houver tentativa, se encontra a ponta do novelo de linha, afinal, as coisas não estão assim tão complicadas, exceto o conjunto da vida de trabalho, estudo e família... pra mim e pra você, e quando juntam duas histórias, difícil sincronizar todas as vezes. No entanto, quando outro é ferrolho amigo, um porto seguro, mesmo que temporário, para uma vida tão desgastante, ocorre reaproximação. É fácil... não é complicado. E eu queria retomar o interesse, nosso, e digo que estou me esforçando para isto, mas você precisa também retomar, "para que eu mantenha o interesse em você, mantenha o interesse em mim!"
Se acabou pra você... diga, faça, mostre. Não desafie, não mostre desinteresse, não percamos nosso tempo... nós "ganhamos tempo um com o outro", várias vezes! A decisão reside em nossas mãos... quer? Vamos! Não quer? Não tem problema... construímos uma amizade que não tenho como encerrar. Podemos daqui, seguir, optar, mas enfim, tão bom compartilhar histórias e copos em um bar. Seria errado aproveitar? Deixemos o passado e os resquícios presentes do passado na vista oposta do caminho... olhemos pra frente, deixemos as coisas se resolverem ao sabor do tempo. A reação em cadeia é um efeito bom ou ruim... depende de qual parte da história deixaremos fluir. Eu tenho certeza, que sou a ti interessante... e você a mim. Não quero nem mesmo ter que falar sobre isto, mas lembra: "A dúvida é o preço da pureza, e é inútil ter certeza..."
Eu nos vejo, numa relação moderna... como dois amigos em um bar ou café, fazendo planos de conhecer lugares, sendo, um com o outro, confidente e confiável, braço direito. Não são palavras de "boca pra fora", talvez sejam expectativas pelo potencial que somamos juntos. Se és interessante? Bom, a mim com certeza... e eu, talvez possa ser para muitas, como tanto já ouvi e assim pareça um convencido para o mundo. Ao que vejo, pouco importa o que mundo pensa a meu respeito e convencido não sou... me interesso pelo que o pensa você a meu respeito. Aquilo de poder ter qualquer mulher, ou talvez quase, mas de verdade, querer apenas uma! Eu... só queria uma... e me atirou de volta para o mundo. 

Decisões... opção pela outra proposta!

        Estava vivendo alguns dilemas... resquícios da minha vida anterior. O processo de adaptação é bem lento... mas tenho bastante convicção que não sobrou quase nada  da minha vida anterior e sonhos do passado... apenas algumas lembranças boas. Foi aí que me lembrei de um sonho de garoto... eu mesmo sabia que não tinha maturidade para isto. Hoje, já sinto ter o direito de ter... e como isto implicava também uma decisão de paternidade, optava sempre pelo caminho mais seguro. No meu entendimento, pais devem zelar pela própria segurança... pq deles depende outra vida. Com o fim natural destas perspectivas para mim, pelo menos por hora, decidi que vou seguir adiante com minhas novas escolhas. Já havia voltado a pegar onda, e considerava isto arriscado. Agora retomei a prioridade de me divertir... e diversão é fazer o que der na telha. Nem casamento, nem filho, nem outra prioridade existente... e ao que parece, liberdade é um saboroso momento que tem suas vantagens e desvantagens frente as opções que citei. Se queria esta casado, sim... se estivesse feliz, claro, e disto também viria a paternidade. Enfim, o universo escreve, a gente coloca em prática e nem sabe muito bem como, e tudo vai sendo registrado por nossas memórias. Eu escolho o outro caminho... logo mais, quem sabe, coloco em prática o sonho de ir a patagônia em duas rodas. Pq não? Planejamento é 50% do sucesso... Não importa como, importante é que faça... e esta é uma forma de ver as coisas de que gosto muito. 

Sobre os trilhos...

            Não gosto muito de postagens que começam com fotos verticais... mas naturalmente, algumas imagens, nasceram assim pela composição. Imagem vertical em jornalismo tem uma função... geralmente ela esta ligada a restrição de espaço para diagramar. Qualquer diagramador e fotojornalista sabe disto... Bem verdade, que se o fotojornalista estiver bem orientado e sem restrições quanto ao preenchimento de imagem no que excede a essência da fotografia, então talvez este profissional faça isto. A foto em questão possui uma vila ao lado da mata de margem da ferrovia, infelizmente uma realidade bem brasileira. A imagem da postagem é muito expressiva no que diz respeito as decisões... a estrada. Penso na estrada como um caminho de opções, trajetória da vida. Três garotos caminhando sobre os trilhos me lembram o filme "Conta comigo", sobre quatro garotos que se aventuraram no mundo, e mostrando o valor da amizade e importância de viver o diferente em uma fase inicial da vida. Poucos filmes são lembrados... 

20 anos...

Guaíba, 2008.
          O tempo passa rápido e devagar... quando se quer esquecer, demora! Eu me lembro que em 1997, era um jovem adulto, com quase 21 anos. Ainda imaturo, pois mal sabia o que realmente me aguardava. Achava que era mais forte que tudo... media minha energia e nela imaginava minha capacidade de superar. Bem coisa de guri... achar que vai ser fácil! E aconteceu... e não foi fácil. Eu quis poupar meu pai... e assumi algo que não poderia. Ele também não ia poder... foi na páscoa de 1997 que meu avô, perdeu o controle da embarcação e encerrou uma história. Dois dias de busca... "procura, procura, procura... não desiste, pode ser que esteja com frio em algum lugar!" 
Fato... apareceu, já sem vida e nas condições de qualquer náufrago. Eu reconheci meu avô três dias depois de perdido nas águas do Guaíba. Esta é a história mais triste que tenho... feia, verídica! Me calei por anos... eu engoli seco esta perda, eu o fiz pq não tinha opção. Eu não podia mudar o acontecido, tampouco mastigar aquele cena... mas como dizem, a gente sobrevive, a gente fica forte! E eu tenho certeza que esta é a resposta para eu me sentir durão... embora não seja! Fez 20 anos... percorri e muitas vezes esqueci. De vez em quando eu lembro... mas eu custo a esquecer de novo. Agora não faz apenas 20 anos... nunca estive tão forte! Eu superei... mas podia ter sido evitado, por outro lado, sou a resultante da minha estrada. E dela, simplesmente, me orgulho... 

Num ritmo melhor...


             Eu vivi um período cujo o ritmo era maluco... acordava, ligava computador antes de tomar café, olhava caixa de entrada de emails pra saber quantos pedidos tinha, corria pra vender. Até que aos poucos migrei para a fotografia... que não me ofereceu vida mais fácil, mas mais leve. Eu conheci pessoas melhores, eu vivi junto da alegria, eu criei outras perspectivas! Foi então que outras mudanças foram acontecendo... dentro do peito, batia um coração em outro ritmo. Eu queria ver o mar, pescar, pegar onda... eu vi que a vida era outra. Não precisava ser dura... era divertida. Dá pra viver de trabalhar de dia e cair na diversão pelo menos dois dias da semana. Eu não tenho prazo pra férias, tampouco garantias, mas é exatamente por isto que imponho algumas normas. QUando eu vejo uma onda, só o que quero é pegar e correr a parede... sentir a força do mar. Se der pra "encanudar" no vazio tubular do mar, melhor! O simples fato de tocar a água me deixa relaxado! E aqui, a regra é... divirta-se! 

Razão de cada um...


               A gente vive de oportunidades... Tenho pensado muito, como sempre, eu penso muito! E se não fosse isto, eu não teria aprendido e mudado tanto. Contudo, fica claro o quanto preciso aprender... eu sei bem pouco sobre a relação com pessoas e eu li uma matéria sobre este estado de espírito recém solteiro, algo que aflige muitos que foram casados ou tiveram longos relacionamentos. Há um espaço temporal que afasta as pessoas que estão ou estiveram em longos relacionamentos das demais pessoas do "sistema". É como se uma pessoa que foi casada por longa data, estivesse fora da vivência diária que acomete todos... e com isto ela se torna desatualizada frente as mudanças que as demais passaram com o tempo. Quem não esta em circulação não entende quem gira o mundo... vice-versa tem mesmo sentido, me parece! Não bastando que toda relação duradoura traz algum tipo de cicatriz, há ainda este problema aos recém chegados no sistema da carreira solo (solteirice mesmo). Nunca traí no casamento que tive, me sinto até estranho dizendo isto... poucas pessoa acreditam! A impressão que tenho que posso receber uma chuva de opiniões à respeito. A verdade é que os valores mudaram muito... e muitos se perderam pelo trajeto. O que era importante não mais é... Ao exemplo da banalização das relações, tão rápidas que não podem ser exemplos de relacionamentos. Vc sai na noite, mesmo que esteja rodeado de um grupo de amigos, e mesmo assim vai receber várias ofertas para se relacionar no período de uma noite. Basta que esteja, simplesmente, disponível! É uma situação tão vazia, e no meu entendimento incapaz de evoluir para relacionamento estável, que não entendo como tanta gente se atira em coisas assim. Hoje, uma amiga perguntou pra mim... "mas o que tem de errado?" Eu respondi para ela... é exatamente isto, as pessoas não percebem o que tem de errado, elas banalizaram a intimidade. Não quero pagar de bom moço ou moralista pelo motivo de não praticar isto, mas eu me pergunto o que aconteceu com estas pessoas... que mesmo não pertencendo a adolescência continuam se comportando como em tal fase da vida. E foi aí que compreendi pq não consegui me envolver mais. Pq ás vezes tu até acha outro exemplar como vc, mas rolar algo depende de outros fatores, tão complicados quanto este. É preciso que a pessoa esteja numa vibe parecida ou que tenha os mesmos sonhos que vc, ou que tenha algo pra ofertar que possa te atrair. E este último... é demais importante, pq pessoas interessantes possuem uma vida interessante. Eu conheci pessoas interessantes, mas não o interessante que procuro. Vc não conhece pessoas interessantes todos os dias, pela coleção de motivos que citei acima... poucas são apaixonadas pelo trabalho, poucas acreditam que formar laços é o começo para uma relação. Iniciar algo sem ter nada, ou ter apenas tesão por alguém, não me parece uma aventura muito promissora. Em rede social se observa... bastou vc se denominar ou responder que o estado civil é solteiro, para surgirem várias ofertas. Eu me pergunto como as pessoas estão vivendo assim... que razão é esta, que em uma conversa de bar, com tais premissas, me faço parecer um extraterrestre. Será que a maioria dita o certo? Não consigo me convencer desta atual situação dos relacionamentos. E sem falar que... quando você encontra pessoas legais, elas perdem o interesse se vc se mostra interessado. É um jogo inconsciente que me neguei a participar, desde que dei o primeiro beijo. Se estou interessado, digo... poupo tempo meu, e de quem possa estar interessado em mim. É de fácil observação... parece que o fato de ser sincero e explícito com seus sentimentos, torna qualquer um desinteressante, vc acabou com o mistério. Tem pessoas que se alimentam de mistério! O jogo faz sim a promoção da aproximação... mas eu tenho 40 anos, não tô afim de jogar, nem antes, nem agora, e nem depois. Eu vou apenas viver...
Durante a digitação deste me perguntei como deve ser um homem de 40 anos para ser feliz... eu sei a resposta, mas não consigo fazer ela se encaixar no modelo de sociedade que estou observando. Dá pra viver sozinho? Claro que dá... por um longo período, com limitações, com vazios específicos... no fundo são bem poucas pessoas que realmente querem viver sozinhas. E caras como eu não nasceram para serem solteirões... Eu sei que lá fora existe uma garota... entre milhares, talvez centenas de milhares, que servirá no meu porta retrato, e que me fará feliz por me fazer realizar coisas rotineiras. Coisas que já desejei um dia... como buscar um filho na escola, ou passar o tempo na praia em família. E é claro que isto soa mal pra vc... justamente pq vc não é esta pessoa ou não entende o que isto poderia significar. Afinal, razão é uma situação de cada um... vc pode valorizar coisas como o amor, ou noites com parceir(os)as diferentes. Cada um em sua razão... tudo permitido, o mundo é livre. E eu fecho este diário de bordo com uma pergunta simples e outra resposta tanto quanto. Uma outra amiga... me perguntou: "Tu não encontrou ninguém mesmo?" 
E eu disse... não sei, não tive oportunidade de saber! A única por quem realmente me interessei... perdeu o interesse em mim, antes  mesmo de começarmos! Talvez tenha sido algo que fiz... tive quase certeza de que havia encontrado, mas agora é inútil ter certeza. Havia sinais... mas talvez, simplesmente, não fosse a hora certa. 

PS: Eu acho que com esta história de peito aberto matei a curiosidade de muita gente hoje! Muitas pessoas me observam sozinho desde que me separei, questionando como "um cara tão legal" não encontra alguém? Estou me convencendo que sou este cara tão legal de tanto que escuto isto... mas por outro lado duvidando, pq de outra forma, já teria comigo a garota que sonho, pois sei que ela esta por aí...

Para refletir o dia de trabalhador...




           Arrisco a dizer que não gosta de trabalhar apenas quem não tem nenhuma identificação com o trabalho... ou de outra forma, imagine-se viver com a mesma renda sem ter uma atividade. A administração da mente para os assuntos pessoas e profissionais é uma tarefa que exige equilíbrio. Nem muito, bem pouco, a medida certa é aquela que permite o sustento e garante o pensamento de dever cumprido. Já tive um trabalho que era financeiramente melhor, mas não era feliz... e só descobri isto quando abandonei uma carreira de um segmento que nada pertence ao jornalismo. Aliás, jornalismo me parece uma atividade um tanto desafiadora na atualidade... conheço muitos colegas que se cansaram e foram para outras áreas. Aí já fico com um pouco de dúvida se eles realmente eram apaixonados pelo ofício ou se tinham apenas afinidade com a comunicação... É como em toda relação afetiva, precisa de alimento, precisa de atenção, precisa de reação para ser motivado. Em tempos de crise a gente observa que é mais complicado vencer qualquer desafio... é comum o contratante, empregador ou solicitante, não permitir a valorização através de uma remuneração de acordo. Agora estes são desafios da profissão no Brasil... basta que seja lembrado o valor de uma imagem para um banco de imagens ou agência estrangeira ou no Brasil. Enquanto as agências brasileiras não se envergonham de pagar 11-15 reais, ou as vezes menos, por uma boa foto realizada por profissional e equipamento de ponta, no exterior vc chegar ganhar algumas centenas de dólares por uma foto exclusiva. E estou falando de jornalismo... em publicidade a situação é diferente. E se podemos ficar chocados com a diferença de valores para um mesmo resultado e qualidade em fotografias para áreas diferentes, fica difícil de entender o motivo deste distanciamento dos valores. Como em todas a profissões... há em uma crise, mas evidentemente que a crise no jornalismo vive com crises paralelas, inclusive de ética. Para começar... seja justo com seus colegas! Este é um bom exercício que vai alimentar seu crescimento pessoal também... há coisas que envolvem mais do que profissão, elas são originadas no berço, da vida social pessoal. Reflexões... quem as possuir, saberá como elas se parecem com degraus de uma longa escadaria. Se vc estiver pelo meio da escada, motive-se, olhe para trás e perceba que pode ser até difícil em muitos momentos, mas cada passo pode ganhar dose extra de fé e a subida fica mais fácil. 

Sobre os balões... 

           O trabalho de arquivo que fiz ontem, antes do dia do trabalhador, escolhi para ilustrar este caminho de reflexão sobre o trabalho. Acho que é importante fusionar sonhos e realidade, pois a gente passa a ver sentido no na estrada que vai construindo. Eu não me canso de dizer que ser flexível é o melhor caminho para se adaptar, mas que mesmo para isto é preciso priorizar que vc faz pq ama o que faz! O balonismo de Torres foi uma pauta de última hora pra mim... e quando a fiz, percebi que ela era muito mais que um trabalho, foi um dia de diversão para mim. As cores de tantas câmeras amadoras e profissionais, pediram mais de mim mesmo... eu sabia que seria fácil para qualquer um fazer aquele trabalho, portanto o meu resultado deveria, de alguma forma, estar além do que eu veria depois na mídia e redes sociais. E eu acho que produzi um excelente material.