Habilidades... um jeito de cada um!

Mãos do Pescador César, em Vila Divinéia, Bojuru. O reparo da rede de pesca. Foto: Roberto Furtado
              Quantas vezes você se perguntou se era bom o bastante para fazer alguma? E com esta questão se encaminhou para observar outras pessoas realizando tarefas semelhantes... a referência passa a ser uma das formas que temos para avaliar se estamos caminhando na direção certa. Se você possui habilidades diferentes, certamente haverá dúvidas sobre o que fazer... isto começa antes mesmo de realizarmos um vestibular ou qualquer outro processo seletivo. Somos formatados para acreditarmos num sistema que nos escolhe ou aceita de acordo com o que temos para oferecer... e dentro destes atributos esta a adaptabilidade. Tal capacidade de adaptar-se é um grande adjetivo em algumas personalidades, mas em outras é um problema. Somos feitos, todos diferentes, com incríveis capacidades que não podem ser simplesmente reajustadas para que um ocupe o mesmo lugar de outro, mesmo que a adaptação seja grande. A exclusividade que o ser humano carrega é um trunfo da evolução da espécie humana e de todos os animais. Somos, cada um, de uma altura, formato, agilidade e força... e temos muito mais variações dentro do aspecto intelectual do que físico. Somos falantes ou quietos, seja por influência dos astros ou da própria genética, ou ainda do que você acreditar, cada um de um jeito... com capacidades exclusivas. Ninguém amarra os calçados do mesmo jeito, repare no movimento dos dedos ao realizar a tarefa. Uma mesma tarefa ou objetivo com a peculiar forma individual. Algumas pessoas nasceram para realizar uma exata tarefa, encontraram-se... outras, continuam procurando por uma tarefa. Há ainda, aquelas que são capazes de realizar mutias tarefas, quase que qualquer coisa. Entre os três perfis diferentes... acompanham as características pessoais diferentes, definidas e, de alguma forma, tão habilidosas! Descobri há muito tempo... alguém com grande capacidade para exercer atividades com as mãos, pois tenho facilidade para montar ou desmontar um motor de carro, ou realizar um desenho com perspectiva utilizando luz e sombra. É notável que tenha encontrado a paixão fotográfica tardiamente como atividade profissional... e baseado na questão do "uso das mãos", não estranha minha familiaridade com tal equipamento fotográfico. Há... habilidade em mim para montar, desmontar, criar, manipular um lápis delicado para construir um desenho com intensidades diferentes para o desenho. Lembro ainda que fui aprovado de primeira no teste prático da faculdade de Artes da UFRGS. Lembro ser o aluno com a nota mais alta na minha turma do SENAI, da disciplina de motores. E neste momento, nem preciso afirmar que sei escrever, sei usar as palavras, sejam elas excessos de pensamentos, na velocidade que nunca tive, um dom... escrever algo em poucos minutos. Algo, que certamente vai além da minha atividade de fotojornalista, pois legendas são banais. Você já pensou quanto pode fazer ou quanto é bom em algo... vejo tantos amigos lamentando por habilidades que não possuem, esquecendo o evitando pensar em habilidades incríveis que neles percebo. Seja bem vindo a diversidade... somos a diversidade, física, intelectual, resultante do que montamos e entendemos como estrutura social. Agora, pegue suas reflexões e construa um você mesmo com o que tens de melhor!

Velocidades

Em algum lugar por aí... e pouco importa! ;) 
          Pensar... não pense tanto, ou melhor, talvez sim! Acho que cada um carrega consigo a opção de ir e vir, em velocidades diferentes, com prazos de validade que se alteram de acordo com os anos. Não sei tantas coisas... e não me incomoda não obter as respostas, mas me incomoda não realizar as perguntas. Sei que jamais terei muitas respostas, mas também sei que todas elas não serão respondidas se eu não as fizer. Tenho pensado na velocidade em que as coisas acontecem... nos motivos, no andamento dos fatos, na dissolução de questões e decorrência de reações. Acho que isto me faz em alto relevo em relação ao que entendemos por normal... diferente? Talvez... que bom! 
Sobre as velocidades, tenho considerações... elas estão se invertendo e sendo "customizadas" pelo meu olhar. Aquele sentimento de quase dominar o assunto velocidade fotográfica me permite observar as coisas em outras velocidades. O tempo... a exposição, um frame perfeito. Luz certa, velocidade, tempo... o que é tudo isto? A manipulação de uma ideia através de um filme, ou sensor, resultando em um olhar apresentado como diferente da realidade corriqueira. Pura física... eterniza! Transforma algo passageiro e único em algo para todo sempre! Fato... quantos fotógrafos já se foram, tiveram grandes imagens, simplesmente perpetuadas pelo clique brilhante. Suas longas vidas passageiras frente ao clique que é uma fração de segundo... e agora, eterno! Se confunde, velocidade, tempo, luz... brilho e cor! Perspectiva... cada olhar é único. Tenho pensado muito... na velocidade, com o meu olhar. Ando em outra velocidade... meu coração bate noutro ritmo, meu trabalho funciona para outro ritmo, minha pressa e milhares de cliques para um clique certeiro. Antes, pauta com centenas de frames, agora 15-20 frames perfeitos. Exatidão... na agilidade, no foco, no cálculo certo do tempo em que algo cruza a frente da minha objetiva. Eu não erro... Um amigo querido disse outro dia, "ainda bem que esta câmera não é uma arma!" 
Ele se referia aos poucos erros que cometo fotografando... poucas perdas, sei que cheguei neste patamar devido a insistência, afinal, devo ter passado já dos 500 mil cliques, tranquilamente. Imagine o que é ter mais de 500 mil imagens passando na cabeça num ritmo que pede recálculo do tempo. Então... estou sim noutro ritmo. Preciso, quero, vou indo... aos poucos, algo que talvez seja maturidade, pessoal, profissional, oferece uma nova forma de ver o mundo. Outra velocidade... talvez outras. A banda Vera Loca possui uma música com nome de velocidade... e que diz: " A velocidade... de tudo que acontece... em cada momento... depende de você!"
E assim... eu quero o que é bom, passando devagar por mim, chegando rápido, pelo tempo que puder viver. E o que não for bom nem venha, mas se vier que vá embora, com toda velocidade, bem como precisar ser. Eu não tenho mais pressa de viver o que não preciso... mas eu tenho pressa de viver o que gosto. Já passou muito tempo... e eu sei que isto deve representar metade da minha vida. Agora é hora de eu me divertir... o que vou fazer agora? Bom... parece claro, vou viver com as pessoas, na minha velocidade, na minha pausa vou andar bem devagar. Vou ganhar o tempo que antes não soube aproveitar... minha velocidade agora é de múltiplas velocidades, para cada situação, uma velocidade diferente. Vou usar meu tempo, com o que ou quem eu quiser... pelo tempo que eu achar que vai ser. Se foi o tempo em que eu perdia tempo... agora congelo o tempo que eu quiser!

Silêncio


Morro Ferrabraz, Sapiranga, RS. 
                Alguns anos atrás descobri o significado do silêncio... ele, embora seja a ausência sonora, descreve momentos. Há, nas entrelinhas do silêncio, muita informação que constrói uma ideia. E não são poucas as ideias baseadas no silêncio... e se vc prestar muita atenção, talvez "leia" o silêncio conduzindo teus passos. Ao silêncio, ofereço minha paciência... em contrapartida, peço algo em troca. Que entenda... também, meu jeito, sem questionar. Afinal, paciência e silêncio são diferentes, vitais a diversidade. Silêncio é ausência, ainda que uma ação, de inexistência, já, paciência, uma reação, calma, assídua, permissiva, talvez. Paciência... maior valor do mundo, se existisse sempre, jamais guerras seriam contadas. Silêncio, evidente... evitaria muitas coisas... mas longe de tudo, há, um vento, oculto, invisível, igual ao silêncio, parecido com paciência da continuidade. Há tanto no silêncio, como há na paciência, e assim, no vento... no calor do mundo! Silêncio pode ser tesão, pode ser amor, pode ser amizade... mas com mãos se define o silêncio em seu grau, tipo e momento. Silêncio, parece ocultar sabedoria, talvez esconda emoções... outros caminhos, mesmos pensamentos, novos pensamentos, para novos questionamentos! Silêncio... pede paciência, paciência pode ser silêncio! Silêncio jamais será o mesmo que paciência se no olhar houver tensão... outrora, paz, do silêncio, é paciência e guerra não se fez. Cada caminho, novo céu, nuvens altas, nuvens baixas, gramado mais alto que nuvem? Parecia improvável... sobre paciência, não há silêncio que se quebre. Eu, não sei nada sobre silêncio... sou grito, sou fala, sou a fala saindo pelos cotovelos, mas paciência, acho que sou, mais que o normal. Ainda que não seja incansável, melhor! Se brisa existe, e não faz barulho, pode ser leal guardiã do silêncio. Talvez da paciência de mover nuvens... eu, paciência, não sei como é... não sei como faz, mas sou paciência, mesmo que silêncio me incomode. E silêncio, parece ser tão atraente... será que corresponde? Será que supera expectativa de suposição? Muitas perguntas, mas paciência, não é o momento... todo silêncio se quebra em algum momento, pode ser com suspiro, com respostas imprevisíveis. Entre silêncio e paciência há um acordo... de aceitação, de permissão de existência por silenciamento e de compreensão com a paciência. 

Espírito nascido em 76

Fogueira junina, 2017. 
          Existe uma música do The Alarm com o título deste post... é parte da inspiração que moveu meus pensamentos. Uma coisa que não sei é o motivo pelo qual a minha cabeça não pára de percorrer lembranças e suposições, mas confesso que gosto de viver assim. Eu me sinto no exercício diário da busca por respostas, mesmo que eu saiba que muitas destas perguntas ficarão vazias para sempre. A verdade é que aprendi a lidar com algumas coisas que não podem ser respondidas... estas, tornam-se superadas com facilidade, justamente porque entendo que não há o que fazer. De outra forma, perguntas simples que podem ser respondidas por alguém, me deixam intrigado, embora saiba perfeitamente que parte destas respostas sejam pessoais e uma decisão de cada um comentar e como expressar. A parte boa de ter 41 anos me parece ter alguma maturidade para lidar com tudo... com ou sem resposta, você encontra, sempre, uma forma de atingir o equilíbrio de tudo. E quando falo de encontrar o equilíbrio, estou falando não apenas do eu, mas dos próximos. Você, como ser social, tem obrigação em ajudar os passos de alguém próximo. Isto é uma manifestação de amor... e se não tenho o suficiente para banhar o mundo, acho que é papel fazer pelos que estão bem próximos. E no fim... sempre escrevo, portanto é disponível para quem quer ler... e creio que isto deva ajudar algumas pessoas com dilemas parecidos, ou mesmo com as opções de escolha. O que importa... é estar confortável com suas escolhas. 
Acho... e não digo que é certo que, ou tenho certeza, que toda afirmação coloca o autor em uma situação de risco. O "acho" é uma posição de maturidade, talvez, "acredito que" possa ser uma forma melhor de explicar que este é um posicionamento específico das tuas vivências, tua resultante. Assim, prefiro pensar que é prudente ter este entendimento de dúvida, primeiro porque nos deixa cautelosos e livres dos rótulos; em segundo momento também isto é uma evidência de maturidade. Se alguém afirma algo pra mim... sobre coisas tão incertas, já perde pontos na escala de maturidade. E com esta segunda, não estou julgando, mas sim interpretando quanto desta posição vou aproveitar, pois na vida do aprendizado... me parece óbvio que nenhuma teoria parte do zero. Toda ideia inicia em argumentações de outras pessoas. Assim é a ciência, assim é o conhecimento vulgar (popular). 

Sobre ser um espírito nascido em 1976... 

          Acho que ser um espírito nascido 40 anos atrás pode dizer muitas coisas. Eu me refiro a ideia de que a maturidade tem uma data. É uma cronologia que se apropria de diversas experiências e que ao longo da história te permite somar pontos imaginários para dizer quanto você consegue trazer disto tudo para a vida. Pense que atrás de toda decisão há um mecanismo de reflexões que te faz optar por escolhas seguras ou que busquem alguma segurança. A decisão é poupar-se e poupar os próximos... aí surge aquela relação de maturidade x altruísmo. Por isto, egoísmo parece ser um gesto imaturo. Quem pensa em exclusividade no eu... não consegue visualizar o prejuízo que pode oferecer ao próximo. Esta é uma personalidade, que não nos cabe julgar, mas que de alguma forma é menos lembrada ou apreciada pelos que vivem em torno. Note, não estou dizendo como alguém deve ser... estou falando o que acontece. Já convivi com pessoas que possuem este tipo de comportamento e que talvez nem soubessem, e que jamais compreenderam porque a estrada é de solidão. Tudo que vivemos nesta vida possui uma reação de acordo. A vida pode parecer injusta em muitos momentos, mas para quem possui estes vínculos fortes gerados pelo dedicação afetiva são geradas novas opções de resultados. É tudo uma montagem... a construção é baseada nas ações. E eu viajo nestas reflexões, pensando que isto tudo me leva para cima de um caixote num campo... onde a altura da caixa me deixa na vantagem de escolher, tal de maturidade, uma caixa num lugar plano, para me dar mais alcance. Cada um faz o que quiser da sua vida... e por isto estou exatamente aqui. 

Pingos


Pingos caem... pingos escapam de um telhado molhado, de uma torneira mal fechada, do orvalho sobre a folha. Pingos são continuidade de uma vida que se transforma, da chuva formada... daquela água que formou uma bonita nuvem. De onde virá aquela gota, pra onde irá, pq a pressa? Onde vais gota cristalina? Dúvidas sobre pingos de vida, sobre razões e emoções que temos e sentimos. Para onde vamos, de onde viemos, quando chegaremos? Somos como pingos, pingos que vem e que vão, sem razão... pura emoção, amor e sorriso! Não sei onde vais, mas volta! Volta e chove no meu telhado, para eu sorrir, para eu te amar!

Por Roberto Furtado, em 2006.

Força

             A água é a força mais notável que lembro quando começo a pensar em algo invencível... Ela se molda, se adapta, bate de frente e supera os obstáculos como se pensasse que de tanto insistir conseguirá atingir tais objetivos. Na verdade, se pensarmos... compreendemos muitas questões da desistência. A gente desiste porque pensa demais... e é fato de quem se foca em algo e não pensa nos obstáculos, torna-se imutável na trajetória, acaba superando e um dia conclui a tarefa. Tal de insistência... que leva a realização dos feitos, seja qual for o grau de dificuldade. Sempre pensei muito, especialmente se era realmente "isto ou aquilo" que eu queria pra mim. Fui, toda vida, emocional... decidi pensando em quem eu gostava e optei por viver mais. E me parece uma boa escolha... já que deste plano, não levaremos nada, e o sacrifício de ser ausente pode ser simplesmente um perder de tempo irrecuperável. As escolhas... elas nos levam aos lugares, aos formatos, para a segunda pele sejam carros ou roupas de valor agregado, também nos levam a outras pessoas, talvez até faça sentido em alguns momentos. Sempre penso... nascemos e morreremos sozinhos, pois a passagem, mesmo que alguém esteja segurando tua mão, será feita individualmente. Neste "cano" de passagem, passa um vivente de cada vez... mas este nem é o assunto do meu post. Meu post é sobre força, sobre escolhas, sobre como dar de frente com o mundo e manter-se em pé. Cerca de dois meses atrás, ensinava alguém a entrar no mar. Foi ali que percebi que era forte... e quando falo de força, falo de ser inquebrável. Todos nós passamos por muitas coisas... a estrada é uma trajetória com surpresas. As pessoas ao nosso lado, mudam, outras vezes desaparecem, por motivo ou sem motivo... por vezes, olhamos ao redor de nosso próprio eixo e percebemos que estamos entre arrebentações no mar sem fundo. E é neste momento, que mais precisamos, que podemos e teremos a força. Há dois tipos de pessoas... os que lutam e os que afundam. Nasci para lutar... eu brigo com o mar até a exaustão, porque sei que o momento seguinte é a desistência de algo que ainda quero desfrutar. Lembro perfeitamente, ainda quando tinha uns 18 anos, de uma oportunidade mal interpretada para pegar ondas. Mar grande, bravo, correnteza lateral de quilômetro pra 40 minutos. Não era o dia pra fazer aquilo... mas jovem, acha que pode e faz. Cheguei num lugar que não tinha como sair... larguei a prancha por lado e flutuei apenas com a cabeça fora dágua e a agitação do mar era tanta que mal dava pra manter o nariz pra fora. Foi ali que tive o estalo... experimentar o pior liga o botão da força. Quando se é jovem, este botão só liga quando você precisa... mas ao envelhecer, aprende-se que esta força esta disponível integralmente. Deve ser utilizada com sabedoria, pois momentaneamente é esgotável. Puxei a prancha de volta e sentei pra ter uma visão mais ampla... na minha frente estouravam os "caxotes" de 2 metros de uma onda gorda que nunca vi em outro mar além aqui do sul. Combinação explosiva... banco raso com onda gorda. Receita de acidente... mas eu tinha que sair de dentro daquela máquina de lavar. Estava, já, com as mãos roxas  de frio... quase hipotérmico. Ainda assim, escolhi uma onda e fui... mas era garantido que cairia de uma onda tão bagunçada. Fui ao fundo sem tocar em nada... acho que não era tão raso como pensava, mas a onda quebrava muito feio. Quando voltei a tona, levei outra, era uma sequência muito frequente entre onda e outra. Naquele ponto o pior já havia passado... mas advinha se a cordinha não arrebentou com toda aquela força dágua. Eu estava sozinho... sem minha parceira de flutuação, mas de pés de pato, nós, bodyboarders, nos viramos muito bem. Embora estive indo na direção de uma saída dágua, nadei forte e cruzei pelo vazadouro com segurança. Ao chegar na praia percebi que tinha feito algo novo... algo que não poderia ser retirado de mim, algo impagável, era o acesso ao plus da força. Ali, percebi que depois que a gente pensa que acaba, tem mais um dobro de força extra que a gente não acreditava que tinha. E pensar que muitas pessoas nunca acessam esta força... embora, acredite eu, que ela esta em todas as pessoas. A cabeça manda no corpo... meu avô dizia isto. Era meu sábio, chefe da tribo, que antecipava as coisas pra mim. Meu melhor amigo... e sorte tive, pois era homem feito quando se foi. Foi o dia mais triste da minha vida, tal partida, mas a felicidade de ter convivido com aquele velho me colocou num plano de existência que eu jamais poderia lamentar. Toda vez que começa a chorar, lembrava tudo que tive e assim estanquei uma ferida. Ora, contei dois momentos importantes sobre força... na pressão psicológica de uma situação de vida em risco, outra pela perda de um amor. Percebes quanto somos fortes? Podemos nos tornar inquebráveis... eu jamais desisto de importâncias, até que algo ou alguém desista por mim. Que a força esteja com você...

Gatilho de reflexão...

Click meramente ilustrativo... Em algum lugar da Califórnia, 2014. Foto: Beto Andarilho
           Estive no tal viaduto 13, em Vespasiano Correa, trecho da Ferrovia do Trigo. Fui lá, sozinho... e não que fosse opção, também não tinha como ser de outra forma e por isto nem me atrevo a reclamar. A verdade é que estou de "saco cheio" de fazer as coisas sozinho, mas por outro lado... melhor ir sozinho, do que não ir! E eu nem sei o motivo de dizer isto... pois o post possui outra finalidade. Hoje, enquanto parei para descansar entre dois túneis de trem, sentei numa pedra e fiquei olhando uma paisagem. O entre vales cortado pelo rio... era água que corria e eu ali olhando tudo de cima. Eu já falei isto antes... sobre olhar tudo de cima de algum lugar. É uma forma de pensar diferente, de fazer relações entre as coisas do mundo, sob nova perspectiva, porque normalmente a gente observa sempre da parte plana, da altura dos olhos. Tudo isto em torno da gente já estava aqui antes de nascermos... é uma existência como um playground. Estamos aqui brincando que somos importantes, enquanto o mundo esta em uma decorrência constante de fatos novos e velhos, certamente cíclicos. Não me atrevo a confirmar o motivo disto tudo existir... mas por favor, me permita compreender que isto não tem nenhuma relação com a Bíblia e/ou outra religião contada como verdade. Ando cada vez mais convencido à respeito de que o mundo esta aí, possui suas energias, das quais somos parte e as ignoramos, jogados ao sabor do universo que não tem exatamente uma explicação para nós. O que não podemos é encontrarmos a dúvida com sofrimento... eu, estacionei em um lugar entre a aceitação e o questionamento, que permite seguir e de vez em quando ganhar algumas migalhas que parecem explicações sobre o mundo. O processo é tão lento que devo precisar de uns 1000 anos para compreender a minha existência... então, se o lance é este, que seja aceito. A gente muda e se dedica para coisas que pode... o resto, bem, o resto, fica para o exercício do botão "foda-se". ;) 
Então estava parado lá, na pedra, quando um borrachudo pousou na minha mão... mas não dei tempo para ele servir-se. E por causa dele levantei e tornei a caminhar nos trilhos do trem. Ali, naquele momento, percebi que esperar ou seguir depende de muitas coisas... inclusive de ações externas. O borrachudo foi uma interferência externa... por causa dele levantei e retornei ao rumo. Bom ou ruim, me parece que não importa... é uma ação que te coloca em um sincronismo para outras coisas, para livrar-te ou atribuir-te uma experiência, que depois chamamos de acaso. Nós somos pretensiosos demais para aceitar que tudo acontece por um motivo simples, de uma necessidade, que não compreendemos. Não estou mais preocupado, apenas vi que faz diferença... e que a ordem é seguir, de coração leve, sendo objetivo consigo mesmo. Em qualquer lugar do mundo que você esteja, tais oportunidades para refletir acontecerão... uma vez, duas vezes, muitas! Se é perto, se demanda muita energia para lá estar, se foi rápido... pouco importa. Lennon, dos Beatles, certa vez disse: "Eu estive em todos os lugares, e só me encontrei em mim mesmo!" 
Acho que ele quis dizer sobre uma perspectiva que jamais conhecerei, por escolha, mas eu já estive em tantos lugares. Estive no mar, no céu, na terra em muitas opções... e todas as vezes, encontrei apenas a mim mesmo. Espero que um dia, a humanidade consiga entender isto... que o lugar mais poderoso do mundo é o interior da gente. Dominar-se, criar uma cama macia para consciência é uma alternativa como um atalho. Não há fuga que leve para outro lugar... e apenas quando realmente enfrentamos nossos inimigos internos é que conseguimos atingir um espaço merecido. Como fazer? Bem, infelizmente, encontrei para mim... não há receita de bolo, mas eu garanto, o caminho é este mesmo. Morda a faca e insista com tua intuição. Uso os lugares como ferramentas, embora, pudesse, simplesmente sentar no meu quarto e encontrar as mesmas reflexões... mas advirto, hoje, o borrachudo me inspirou. Os fatores externos trazem a tona seus sentimentos, suas habilidades, seu curso natural de questionamentos. E eu, achei que isto era impublicável... mas resolvi falar sobre isto, para que talvez, alguém pudesse se aproveitar de alguns fragmentos desta reflexão e então, encontrar o próprio caminho. Talvez, o que eu tenha pra dizer, mesmo que me exponha, seja importante para ficar guardado. Vou pensar mais um pouco sobre isto...

Viaduto 13

Viaduto 13, 2017.
         Era curioso pra conhecer o tal viaduto 13, da Ferrovia do Trigo. O local tornou-se popular para visitação com o passar dos anos, pois é realmente uma obra grandiosa. Não faz ideia a pessoa que olha a estrutura por fotos... é uma construção que certamente custou os olhos do país, realizada no período dos militares. Um projeto realmente bem feito...
Como passeio, pensei que era uma aventura um pouco mais difícil... mas a verdade que até crianças chegam ali com facilidade. Se tiver cinco anos já consegue ir numa boa com os país. O local é muito alto e a proteção da beira é baixa... brincadeira pode muito bem ficar em casa, pois ali não é lugar pra isto. Vai lá, olha, não se aproxima da proteção... não faz brincadeira lá. Eu tive até ideia de lançar um projeto... mas para isto primeiro vou pesquisar sobre a permissão para transitar no local. Receio que não seja exatamente liberado como as pessoas imaginam. E existe necessidade de ver outras questões de segurança, tal como a rigidez dos horários de trem ali... 
Por hora, tá morta a curiosidade. ;)

Impublicável...

Monterey Bay, 2014.
              Escrevi... digitei e desenvolvi, como sempre, sem traçar um roteiro, sem planejar. Apenas escrevi... fui indo, falando com as mãos, desenhando com palavras. Lembrei de toda minha jornada até aqui. Senti a sola dos pés tocarem integralmente o piso... sem esperar o calor ou frio, mas sou e posso ser dramático. No meu entendimento, dotado de sensibilidade que se parece com o pulmão humano, capaz de se expandir ou contrair ao sabor de cumprir seu papel... enche-se de ar, expulsa-o para renovar, absorve o que precisa, expele o que não quer. Em certo momento, me bloqueia o ciclo... devo esperar, devo guardar. Eu lembrei de algumas vezes em que me sentei perto da água, do mar, que traz e leva, também, dos meus sentimentos que circulam pela terra e pelo ar. Eu não impeço mais nada, nem meu ar, nem meus pensamentos, nem nada... eu sigo. Eu entro no mar, mas antes, olho bem... com calma, respiro o momento. Entro no momento... coloco o neoprene, meu short ou long, e sinto a fantasia de borracha fazer parte de mim. Sentado no bodyboard que paira sobre a areia, dou a última olhada para o mar... vejo onde estão as correntes. Me integrei como poucos, como diz minha mãe: "Tu fazes isto desde menino, gosta tanto, que se familiarizou com o funcionamento!"
E é exatamente assim que me sinto... eu olho mais uma vez, pés de pato na mão direita. sinto a água avançando pela profundidade. Sinto-me em casa... calço, sempre, primeiro o esquerdo, depois o pé de pato direito e, neste momento me sinto um herói, imponente frente ao grande mar. Coloco água do mar na boca, ponho pra fora... ao que parece, pra ter certeza de onde estou. Confirmo... é o mar! Mergulho molhando o topo do cabelo e entro um pouco mais pra perder o fundo. De costas bato os pés... enfrento as ondas pequenas, grandes e, vou entrando até encontrar a arrebentação que me interessa. Olho a minha volta e sinto o volume de água que me desafia. E sinto, toda vez, a energia do mar e a grandeza de me sentir pequeno frente ao universo que é o oceano. Nada me separa daquele momento... eu me sinto tão bem. Aprendi a dominar o que quase todos temem... eu que quase fui vítima umas duas ou três vezes, superei, me encantei. Gerei uma confiança e relação com a água salgada, seja calma, seja revolta... mas é das calmas que tenho medo, e mais se não forem salgadas. Se não for gato pra ter mais vidas, então certo que o tempo esta definido nas asas daquela borboleta com quem tive um "momento", tal de 88... que não esqueço. E eu queria falar mais sobre isto, mas agora, aos poucos, torno a refletir sobre vulnerabilidade. Acho que estou perto de uma mudança de direção, espero apenas não me isolar muito. Nem dos meus textos, nem das pessoas... mas o tempo, esgotou-se. O medo é de ficar vulnerável, já que exposição é detalhamento de como funciona tudo aqui dentro. Acho que já me ajudei muito... acho que já ajudei muitas pessoas. Seria um momento de despedida? Não foi meu toca discos que se matou... nem meu tempo terminou, mas virei impublicável. E fiquei tão certo de algumas reações e tão confuso de como devo agir... Eu sei o que me tornei... não preciso mais dizer o que sou, nem perder o tempo de ninguém. Eu achei que sabia muitas coisas até saber que nada sei... mas ter certeza que não sei é a maior certeza que preciso ter. Espero que este blog não morra... mas ele vai mudar. Como, quando e porquê... não sei! Ainda assim, sei o que sou... um curioso do mundo, que não mais teme a água salgada, que sabe, que o destino e o mar dividem as mesmas dúvidas. E eu poderia falar mais coisas sobre mim... quanto mais falo de mim, mais duvidam do que sou, mas não preciso me afirmar. Guardarei pra mim... acho que agora, o que restou, vou chamar de impublicável. 

Mãos

Mãos de Caroline Rolim. Foto: Roberto Furtado

Mãos de Jonathan Toniazzo. Foto: Roberto Furtado
        As mãos... delicadas, macias, discretas, pequenas, ou fortes, grandes, hábeis com ferramentas. Digitam ou escrevem, lançam sinais, complementam explicações. Não falam nada além de movimentos silenciosos... por vezes, estalam dedos, palmas como manifestação! Poucas vezes percebemos o brilho das mãos... tão mais fácil é olhar um sorriso, altura certa do rosto, direção logo abaixo dos olhos. Se sorrisos são manifestações livres do contato... mãos podem conquistar ao toque. A mesma mão que empunha uma chave pesada, pode ainda, fazer afago suave... a pele se arrepia, impossível disfarçar. Quero, pode... aceita, carinho é entre amigos, familiares, casais... tanto faz! Tudo real... tanto faz origem ou destino do gesto. Mãos... se sujam, se lavam, transportam, realizam tarefas delicadas, tarefas pesadas, digitam ideias! Tantas manifestações de carinho, sempre através de mãos... mesmas mãos, que empunham armas, que geram medo, que defendem os fracos, que assinam documentos. Veio mão... confirmou acordo no aperto, mas olhava-se para os olhos. Duas confirmações, uma visual, outra física. A importância do contato...
As mãos... macias, tocaram o rosto, convenceram existência de intenção. Vieram e escorregaram pelo corrimão, resistiram ao peso do maçaneta, empunhadura de ferro de passar, sovaram massa de pão. Unhas... dedos castigados, sinais indicados. Palavras... soltas sonoramente, materializadas, pelos gestos, das mãos. Mãos apertadas, nervosas, desgastadas e calejadas... cortes, arranhões, secas pelo uso. Sentido... para mãos, tantos há! Convenções para acionar mecanismos e botões... estranha vida das mãos. Pode não significar nada para alguém de acordo com o proprietário... para outros, melhor remédio do mundo. Não há melhor afeto em relevo que a mão sobre o rosto, acham-se gesto. Sem mais... sou simples em excesso para falar de mãos, complexa importância sobre nós mesmos. Eu sei apenas que gosto... gosto de mãos!

Alguma coisa pra pensar...

Bass Pro Shop, Las Vegas, Nevada. 
            Não sei como as pessoas caminham ao vento sem saber para onde e por quais motivos vão... este, certamente, é um dos gatilhos de tantas reflexões. Notável como não faz diferença alguma saber, mas mesmo assim, queremos, como se pudéssemos controlar o tempo e o espaço. Estar flutuando é uma sensação de deslocamento sobre o ar, água ou terra de forma a criar um atrito, mesmo que minimo, de nosso corpo sobre a superfície da existência. E eu, não quero parecer, de forma alguma, algum teórico físico, pois sou muito mais emoção do que razão... sem nenhuma pretensão de mudar isto, sem nenhum interesse de contestar a forma de quem pensa diferente. A verdade é que somos um pouco de cada coisa... há conhecimento científico e vulgar em cada um de nós, e há também o sonho. Ter a chama sonhadora é um adjetivo extra de um vivente... e isto, tenho, e não trocaria por nada. Torna meus dias mais azuis, meus pássaros mais coloridos, o vento mais afiado, e o calor mais interessante. Gostaria de ter alguma certeza em alguns momentos... sem objetivo de criar um caminho, apenas para alimentar e/ou adormecer as coisas conforme meu grau de interesse. Alimentar o que pode ser melhor aproveitado, desconectar o que não pode. Caio sempre naquela história de "a dúvida é o preço...", mas prefiro pensar que posso, em algum momento, cuidar das coisas como se fosse ordeiro e metódico, já, alimentando o que poderia ser um lado científico em mim. Não quero ser chato, mas é um pouco confortável permitir alguns pensamentos com a certeza... eu, não quero, em hipótese alguma, deixar de viver algumas experiências belas e passageiras do meu andar sobre este grande laboratório. Cada vez que eu viajo e vou para algum lugar, conheço alguém de quem me lembro pra sempre, mesmo que o rosto quase se apague... guardo alguma frase ou palavra, coloco no meu arquivo mental e por vezes tento saber como seria se tivesse a oportunidade de ver outra vez. É fato... toda rápida experiência divertida gera isto... nem toda, experiência de longa data pode o mesmo por nós. Assim, explica-se as amizades duradouras como raras, assim como as lembranças que o coração realmente quer reservar. Sento na cadeira, e quase todas as vezes, me vejo caminhando numa estrada cujo o horizonte é a linha que divide o céu e a terra, as vezes contornado de montanhas, as vezes distorcido pelo calor. Já sonhei com isto algumas vezes, inclusive quando criança, e talvez explique porque sou um andarilho. Agora, um motivo para isto... esqueça! Eu, você, qualquer um que chegue agora, jamais vamos poder trocar tal imaginação por ciência. A ciência é apenas um fragmento entre todas as manifestações humanas... ela explica e é tida como exata, como comprovadora, mas é uma jovem vida diante de um centenário. Há tanta física e química nas formas lúdicas de ver a vida, quanto na própria ciência, a diferença esta em um processo que criamos para comprovar... e aí se explica porque queremos controlar o incontrolável. Aonde vamos chegar com isto? Bom... não perca tempo perguntando, mas atente-se para o mais importante dos momentos, tal de agora, presente! Ele vai dizer quando e se haverá próxima oportunidade de algo que ainda não foi pensado, sendo o estopim de uma continuidade que na verdade é um outro começo. O começo de um novo dia... e para ver isto, basta ter alguma coisa pra pensar!

Amplitude

Farol do Bujuru, sei lá quando foi! kkkk. Foto: Roberto Furtado
             A autonomia... eis a responsável por uma trajetória que significa mudança. O exercício de viver os dias em uma nova concepção me permitiu fazer o maior experimento de todos... comandar a própria vida, sem regras, sem domínios, sem qualquer tipo de influência não desejada. Eu vivi no último ano a experiência mais incrível... eu conheci de verdade a solidão e nela permaneci pelo tempo que queria. Quando desejei evitá-la, procurava pelos amigos. Quando queria viver solidão, abraçava quem estava por perto, me despedia, e assumia o volante do meu carro para algum lugar por algumas horas ou dias. Se o mundo acabasse hoje e fosse eu o último... bem, acho que isto seria totalmente diferente, pois a opção seria extinta. Vos digo... solidão têm prazo de validade. Sabe qual é a melhor coisa do mundo? Ter alguém... verdadeiramente amigo(a) que pegue na tua mão, te pergunte se esta tudo bem ou se quer fazer alguma coisa. E estou falando, mais uma vez, de algo, sem nenhuma relação sexual. Estou falando de amigo que se apoia no teu ombro e pergunta quando "vamos pescar", ou se "podemos pedalar". Se for amiga... puxa! Não tem papo melhor no mundo do que jogar conversa no vento com uma garota... mas não confunda as coisas, mantenha-a como amiga, a não ser que ela não seja apenas isto pra você. Muitas foram as vezes que eu peguei o carro... coloquei minhas tralhas e fui pescar, sozinho! Eu montava minha barraca ao lado do carro, as vezes dormia de qualquer jeito dentro do carro. E uma vez eu quase morri dentro do carro... mas eu conto esta história se você me encontrar e perguntar como foi, pq é outra história. Eu sentei no teto do carro, inúmeras vezes... ao entardecer. Neste lugar da foto, inclusive, nas proximidades de Mostardas. Eu vi as lebres correrem por entre dunas, as aves pousando pra dormir Eu vi a silhueta deste farol... comendo biscoitos e tomando água, ao entardecer. Tomei banho de sanga ou de garrafão, só de cueca, onde não havia mais ninguem... acho que poucos fizeram coisas que fiz. Foi neste momento que eu vi que era diferente... que eu me importava muito mais com o que eu queria ser do que ter. Eu fugi dos modelos prontos, ofertados pela tv, pela imposição social. Acho que este ferrolho que eu vivia era de fato, uma fuga, temporário. Eu não gosto de pensar em fuga como algo que eu não quisesse enfrentar... pq eu voltava pra cidade de concreto, as vezes no dia seguinte, e mordia a faca e trabalhava 10 dias sem parar se tivesse trabalho. Eu me lembro de ter as pernas doendo de tantos dias seguidos trabalhando em pé por horas... parado ou caminhando. As vezes, eu subia no teto do carro, ou numa duna mais alta pra ver até onde podia enxergar, pensando que o horizonte "até onde a vista alcança" era o infinito como a vida poderia ou será. Eu penso nisto como amplitude, ter opção, ter alcance. Se gostaria de pensar tanto? Hoje, vejo como uma dádiva... no passado achava sofrimento, mas hoje vejo como uma ferramenta poderosa de evoluir. E o melhor... eu me dominei! As vezes, parece que posso controlar tudo... é tão confortável pensar que há solução pra tudo, e que quando não há, "solucionado esta", como diz um dos maiores amigos que fiz neste lugar. Aliás, ele sempre diz que me conhece de outra vida... e cada dia eu acredito mais em coisas deste tipo. É evidente, para mim, que consciência é algo que viaja, ou no espaço, ou no tempo, e em todo lugar e por qualquer motivo. Amplitude pode ser um desprendimento de crença... eu não duvido de nada, que venha até mim, tudo que o mundo quiser oferecer, e assim, tentarei aprender com mais esta experiência. Você não precisa fazer como eu... temos o direito da liberdade. Vai do teu jeito...

Agora me vou...


            Observei tudo de uma janela... minha janela, meu tempo, minha vida. Nunca decidi nada sozinho... sempre teve influência de alguém... em cada momento, um alguém diferente. Avós, pais, irmãos, namorada, esposa, faculdade... tudo e todos influenciavam nas decisões. Tudo natural... zelo, talvez excessivo, talvez condução, talvez faltasse iniciativa minha. Entendo que todo pássaro voa ao sabor do seu desejo, embora até o tempo influencie sobre sua direção... estar na proteção de uma palma da mão. Lembro e penso... certa vez eu achei um pequeno pássaro preso no interior de um tonel... uma corruíra. Pássaro conhecido por ser pequeno, curioso, por entrar em frestas pequenas. Delicado como só ele... o pássaro não saía de dentro do recipiente. Se batia lá dentro... cobri com a escuridão para pegá-lo, e com delicadeza o segurei com a mão. Fiquei olhando para ele por alguns segundos, bati a foto, e o devolvi para onde pertencia... a liberdade. Comparei a presença da minha mão como o zelo das pessoas que me rodeiam... sem diferenças, quem ama, tenta proteger. Proteção não é cercamento, embora comumente confundidos. E dentro desta confusão há ainda a condução, as escolhas por ti... e isto pode ser um tipo de egoísmo. Não preciso dizer... quem ama, deixa ir! Tudo que é livre, se amar-te, vai e volta. O fluxo do sentimentos precisa de espaço... manipular, conduzir para decisões diferentes das que este vivente gostaria, não é um gesto de amor, mas de controle. Hoje, vejo que fui controlado, toda minha vida. E vejo muitas pessoas vivendo assim... controladas. Eu, entendi, e aprendi. Agora, conquistei a minha liberdade, talvez pela maturidade... me vou as minhas próprias decisões. Agora me vou... 

Se forem dois... derrubaram a solidão!

Ciclistas da longa distância... ninguém fica para trás! Um fura o pneu e o outro ajuda a consertar! Brevet 400 km, 2011.
Foto: Roberto Furtado / Sociedade Audax de Ciclismo.
               Houve, em um estranho momento, uma grande mudança nos meus pensamentos... eu já sabia que isto vinha pulsando há tempos. Contudo, teve um momento que este lance explodiu e tomou conta de tudo... inclusive do meu trabalho, da minha vida pessoal, da minha estrada. Era, de forma inevitável, algo que eu não podia segurar... E eu, devia ter percebido que começou com a minha chegada aqui neste lugar, mas eu era imaturo para compreender. Na faculdade, acho que em 1999, li um livrinho simples... destes com menos de 100 páginas, nem sei onde ele anda. Se me recordo bem era de título: "a formação do amor", e dizia respeito sobre todas as formas de amor. Era sobre amizade, sobre a forma e existência do amor, entre amigos, relacionamentos, etc. Depois daquela leitura, nunca mais fui a mesma pessoa... tal como deveria significar todo livro para alguém. 
Com o passar do tempo e das pessoas pela minha vida, aprendi coisas que só a vivência poderia transparecer para mim. Descobri o sabor das amizades... e foi no ano passado que todas as amizades passaram a ter um tempero extra para mim. Foram elas que derrubaram solidão, durante um caminhada num túnel sem luzes. Eu já observava a importância que algumas pessoas davam para isto... mas entre vc conhecer e dar um valor verdadeiro, pode haver uma centena de passos nesta valorização. E foi então, que eu me tornei mais paciente, mais dedicado, mais compreensivo. Não que fosse um desinteressado, mas acho que nós só damos valor real para as situações após precisarmos destas vidas salvadoras, almas curadoras do nosso eu, tais de amigos. Ganhando ou perdendo... se estou com um amigo, percebo que ganho sempre. E eu me lembrei de uma coisa... quando alguém melhora vc, e vc melhora alguém, então vc encontrou um amigo. Se isto acontecer contigo... segura a mão deste vivente, ou desta vivente, e segura com toda força, porque aonde quer que vcs estejam, se estiverem juntos, será uma caminhada de muita paz. Se são dois... então, não há solidão, e melhor, somam-se as perspectivas e a diversão estará garantida. E mesmo que um de vcs tropece, haverá o outro para erguer. O sentimento da amizade nunca mais vai ser o mesmo para mim... derrubaram a solidão e ela nem viu! 

Perdi o fio da ideia...

Choque defendendo a fachada do Santander, na Borges de Medeiros, em Porto Alegre.
          Considero-me um tipo bastante incomum de repórter... Eu não tenho tendências, embora acredite que o mundo seja realmente um lugar injusto, de injustiças sociais, de oportunismos e alimentado pelo dinheiro (eu não gosto desta rotulação de capitalismo porque envolve uma série de outras questões). Eu estive e estou, do lado da polícia, do povo, de quem grita com motivo, de quem defende algo com ofício... e aliás, muitas vezes soldado não pode escolher o que vai fazer e esquecemos que eles, muitas vezes, são também o povo, desvalorizado, mas em um ato servil dedicado de forma incomum. O que eu vejo através da organização e da farda é justamente a forma de conter, de se fazer presente, de remediar, e também de entrar na confusão que na verdade é criada pelos governos. Um governante joga com o povo, usando a imagem das forças como extensão de si mesmo, mas na verdade aqueles que ali estão, muitas vezes ficam calados cumprindo um papel. Eu já ouvi desaforo e ameaça de policial militar, mas eu sempre tento conversar, porque sei que não é nada fácil estar no lugar deles... eles são o amortecedores entre governo e povo. E talvez poucas pessoas vejam isto... e claro, que as vezes, ou tantas vezes, houve excesso. Claro que houve... quantas vezes os jornalistas foram xingados pelo povo? Tantas vezes foram agredidos... a violência que ganha a cabeça de quem esta descontente, irritado, em sofrência da injustiça. A força... a força é sempre vista como desnecessária, mas eu vi tantas situações onde só pensei que ainda bem que nós temos estes caras... como no caso da perseguição policial bem sucedida que retratei dias atrás. Já fui socorrido por eles... eles, estes, que recebem um salário de merda do estado que os usa. Neste ponto... percebemos que o governo é o grande culpado, com suas políticas sujas... favoritismos, jogos de interesses, semelhantes aos que acontecem nas redações, nas industrias, nas esquinas e até nas delegacias através de profissionais corruptos. Há uma distância grande entre o maior dos crimes e o jogar o papel de bala no chão... mas na minha cabeça, um é degrau para o outro. Eu conheço muitos policiais que não jogam papel de bala no chão... eu vejo muitos cidadãos arremessando bituca de cigarro no chão. É tão complicado... como cobrar se não oferecemos algo melhor? E eu me perdi nesta postagem... não sei se consegui dizer o que queria, não tomei o rumo que deveria e menos ainda pude esclarecer o que iniciei. Agora, não sei que título dar para este... então chamei assim como esta o título. Ridiculamente... não soube conduzir um texto, tal e qual o governo que não consegue resolver nada, menos ainda justificar todos os gastos, tal como o povo que grita em vão, e a polícia que lá esta e nem sabe pra que! Boa noite...