Bicicleta e máquina fotográfica... armas da paz!


Republicação (texto original publicando, no blog Bikes do Andarilho, em outubro de 2010)
Com a certeza de que este será um dos posts mais importantes que escrevo, peço que leia com atenção e reflita. Se puder, contamine outros... cada migalha é vitória quando o assunto é paz! Não vou estender muito pq isto poderia fazer com que você deixasse pra depois, e talvez esquecesse.

Bicicleta e Máquina Fotográfica... Armas da Paz!

          O homem em sua história, por dinheiro, poder, e outros interesses promoveu guerras, brigas, e intrigas. É notável que um homem no poder consiga mover montanhas munido de força para comandar um exército de homens. Estranho que este poder normalmente seja usado para beneficio próprio, nunca vejo poderosos clamando por ajuda ao povo, de forma gratuita, sem pensar em qualquer crédito. Sempre há relação com uma recompensa, seja atribuida por terceiros, ou simplesmente imposta por ele. Gosto de escrever, gosto de bicicleta, e gosto de fotografia... e acima de tudo, amo as pessoas que tenho no círculo que compreende a minha vida. As armas que tenho não ferem pessoas, são baseadas em palavras, em imagens, em dizeres, e até em protestos, sejam amistosos ou não, mas de toda forma, sempre são inofensivos pq não colocam ninguém em perigo. Gostaria de ter poder para "reformar" o mundo, não acredito que fosse possível arrumá-lo, mas acredito em grandes melhorias por conta de contaminar o mundo com atitudes, com ações da palavra e do feito. Realmente gostaria que as pessoas fossem melhores, que agissem como se não estivessem sozinhas na rua. Me baseio nisto quando penso que hoje, ao ir para o trabalho, outro ônibus quase me derrubou de novo. Um ônibus que trafegava na Eduardo Prado, com prefixo 2457, se me recordo bem. Foi no mesmo local da outra vez... um pouquinho antes. Não espero que isto aconteça de novo, nem darei chance para tal, pq poderei participar de uma estatística que não me interessa. Minha citação é um exemplo de "desimportância" da vida humana por outro ser humano. Isto é egoismo, desrespeito, possivelmente falta de caráter. Tem muito tempo que penso que a bicicleta se tornara um ícone da minha vida, um adjetivo do meu perfil. Vejo-a como um qualidade, como alguém que cita em seu currículo o conhecimento de linguas estrangeiras ou outra qualificação mais técnica. Sim, vejo sim... ser ciclista neste mundo, acaba de ser em minhas conclusões, a ligação entre crença e o planeta, por uma vida mais honesta com os demais. Pensei muitas vezes que dar exemplo é uma forma de contaminar as pessoas. Temos que ter esta consciência... então a bicicleta é uma forma de coexistir e de manifestar um estilo de vida. A máquina fotográfica em sua popularização (digitais de bolso) tem sido outra forma de manifestar uma participação. Como a fotografia pode fazer isto? Para mim é simples... o registro de tudo que é belo, ou de tudo que é protesto, acaba por receber uma atenção especial. Agora, vos escrevo... e muitos estão a ler, e desta forma penso contaminar a tantos quantos forem possíveis contagiar. Se estou aqui todos os dias, ou quase, pregando bicicleta que é uma forma extremamente justa e coerente de se deslocar, e você passa por aqui e concorda ou discorda, acabei por ter sucesso. Você refletiu, você concluiu seus próprios princípios, e acabou tendo novas atitudes. Tenho fé de que você é do bem... caso contrário não estaria refletindo bicicletas. A bicicleta é um gesto generoso... penso assim!
A bicicleta é uma poderosa arma... a máquina fotográfica também, e a tua forma de pensar e o poder de manipulação destas também. Se há alguma coisa que faz sentido nesta vida, para mim é o bem... a paz, a amizade, a gratuidade. Sejamos soldados da paz, sejamos ciclistas, sejamos fotógrafos! Pode ser um devaneio, mas este devaneio pode até salvar uma vida. Se você lembrar que na rua esta pedalando o filho do seu irmão, tenho certeza de que vai zelar mais pela vida dele através de outro ciclista. Contaminemos as pessoas com este sentimento, pq alguém sempre é importante para outro alguém.

Roberto Furtado

Audax 600 km... longe não existe! BRM 600 Sociedade Audax de Ciclismo











              Se longe é um lugar que existe... fica difícil de acreditar nele! Gostaria de ser como estes caras aí que percorreram 600 km neste último final de semana. No subir e descer de colinas das estradas sinuosas do Rio Grande do Sul... eles enfrentaram o calor estranho para época do ano, sol de cima derrete! Sol de meia tarde, também... e parece que no meio da manhã já era assim, não importando se era clima de serra. Se a condição é a que existe... bom, nela eles foram, alguns, nem bola davam, outros reclamavam, mas seguiam! A premissa não mudou para quase nenhum... quando eles chegam aqui, numa proposta de "catalogar" as paisagens de 600 km, certamente já trabalharam a mente para dar uma rasteira em qualquer obstáculo. Gigante... quente ou frio, vencido foi o monstro!
Alguns buscam pensamentos para iluminar o caminho, destes, parte se convence de que a vida vai apenas passar, a outra vai a luta para ver o que pode ser feito para dar significado na estrada da vida... se a estrada de uma prova se parece com a estrada da nossa passagem por aqui, não sei! Me parece que cada um vai buscando seus amontoados de pensamentos para que talvez sejam respondidas perguntas que não podem ser... os amigos, os amores, os feitos, a superação, tudo isto me parece uma justificativa válida para movimentar um coração. Quem acredita, geralmente consegue... quem desiste, evidentemente, não! Saber o lugar ao qual pertencemos é uma projeção de fases... neste momento, alguns destes ciclistas, estão construindo suas histórias, sua cultura, sua fé, sua fortaleza interna! Tenho certeza que muitos saem de suas experiências, como um BRM 600, com a nova visão... tal e qual a paternidade, vitória de vida, escolaridade ou qualquer outro grande desafio que nos faça pensar. Quem pensa... cresce! Quem percorre 600 km, pensa muito! Você duvida de que estes 600 km não são transformadores na vida destes loucos? Eu aposto em duas coisas... que isto é revolucionário sobre a vida deles, dos envolvidos! A outra questão é que... tenho certeza de que são loucos, pois se fossem normais, estariam fazendo como a maioria, assistindo televisão e deixando a vida passar. Felizmente, não é sadio ser normal... talvez, a atribuição desta loucura seja o que faça a vida muito melhor, que sejam, estes, todos loucos e que a vida faça sentido do jeito que cada um quiser. O mundo é livre, "longe é um lugar que não existe", e se sou louco... não é da tua conta! ;) Roda pra frente...

Eu...

Com suporte de guidão para câmeras, da Sony, Canon 5D Mark III, disparador de 10 segundos. Foto: Roberto Furtado
           Não seria eu... se tanto eu não me perguntasse! De um momento para cá... encontrei um caminho que me pareceu muito, mas muito bom mesmo! Alívio de tudo que me incomodava, me deparei não com a redução de perguntas, mas sim com a aceitação das coisas que eu não podia mudar. Ao que um amigo, meu irmão, Marcio, sempre dizia: "Beto, o que não pode ser resolvido, resolvido esta!"
Talvez, de tanto ele dizer isto, mais algumas terapias e minhas caminhadas, tenha encontrado a estranha paz que tanto quis. Receio que nela quero residir, muito embora, agora, perceba que era a falta dela que me transformava num escritor que agora não consigo mais ser, talvez. Não tenho certeza, mas estou dando o meu tempo, ao seu tempo, ao meu passo de cada vez. Superei coisas que tinha como tão difíceis, que não me importo nem um pouco de esperar. Serei paciente... ou desistirei, como bom entendedor da frase que Marcio sempre me recitava... e me sinto pronto pra recomeçar, qualquer coisa que seja. Um novo trabalho, um novo estilo de vida, uma nova casa, tanto faz. Me sinto jovem outra vez, como se tivesse reencontrado algum botão de energia. Fotograficamente... bem, acho que não preciso dizer, tampouco me afirmar, me tornei pronto. Se vou evoluir disto em diante, evidentemente, pois isto fazemos até o último dia... agora, na direção das minhas escolhas, há, sem dúvida, bons motivos para dirigir qualquer tipo de trabalho que eu possa desejar. Sobre eu ficar ansioso, bom... isto é bem eu! Um mesmo eu que encontrou a escrita, em milhares de linhas, fotografias, pensamentos! Sobre que eu quero... quero! Eu sei o que "eu quero"... diferente do "se acredito". Ultimamente, penso menos em escrever, muito embora seja uma carta na manga para minha inquietude falatória. Falo... pelos cotovelos, vertem pensamentos, e estranho me parece todos que pensam muito e guardam pra si. Como eles não explodem? O que fazem com as descobertas? Eu... passei a me lixar para alguns, algumas coisas, posicionamentos! Tenho pressa, mais do que nunca, afinal, o tempo é metade do que tinha ao nascer. Quem quiser andar devagar, que o faça, quem quiser correr, que o faça, quem quiser se privar ou viver, que seja livre para tal. Eu descobri uma coisa hoje... eu descobri que eu sou bem decidido sobre o meu eu. Eu sei muito bem o que quero... e o que quero é diferente de muitos. Eu quero ser apenas eu mesmo... já que agora sou, isto serei. Se..."Não existe nada de permanente a não ser a mudança!", então que sigamos em frente, mudando, e se agora for pra não mais escrever, ficarei um pouco decepcionado, pois pensei que era um escritor. De outra forma, se assim tenha que ser, e quem dita esta regra é a minha felicidade, que seja, ora... pq eu descobri que produzir tinha em mim, alguma coisa de ansiedade, que meio que secou, então, seja o que for, se estou apenas feliz, então que assim fique... tal de condição do meu eu!

A toda velocidade...

Volta internacional de Ciclismo, Rio Grande do Sul, 2014. Foto: Roberto Furtado
         A velocidade... dos meus pés, dos pneus do meu carro, dos aviões que me levaram para muitos lugares. Da bicicleta que me trouxe de Gramado para fora da serra... nas descidas mais rápidas que lembro de ter feito na vida. Lembro ainda que era uma bicicleta touring 700, GT Transeo, com pneus que assobiavam junto do asfalto e cortando o vento. Era rápido... tenho sensação que superei os 90 km/h naquela oportunidade, sentia a energia da descida. A velocidade... de tudo que corta a minha frente, o vento, os pássaros, os olhares em frações temporais, o clique das minhas câmeras... nada se compara ao meu pensamento, toda velocidade das coisas que penso. Antes, toda velocidade me incomodava... eu aprendi a lidar com ela. Eu administro a paciência com o ritmo de tudo... se tiver que passar por mim, vai passar! Não podemos mudar o ritmo do mundo, mas o ritmo interno é um relógio cujo o domínio nos pertence. O coração anda no ritmo que quero... meu pensamento supera toda velocidade que precisa. Posso parecer lento, mas meu clique é rápido... difícil eu sacar a câmera e perder um lance. É mais fácil acertar agora, que tenho idade, mas evidente que depois de 400.000 fotografias me tornei certeiro. Meu pensamento é rápido sobre textos e fotografias, muito diferente dos meus passos... eu corro, eu caminho, quase não tenho paciência para a velocidade que me movimento. Eu vejo tudo borrado porque meus olhos acompanham o movimento das maiores velocidades... somos, sem dúvidas, predadores! Nossos olhos, milhões de anos em evolução... nada é mais rápido que os olhos de um fotógrafo. Exagerei? Pensa num ciclista passando por um ponto cerca de 10 metros de vc... paralelamente, em velocidade de 60 km/h, ainda assim vc consegue enquadrar  alvo e chutar 6 ou 7 fotos. Imaginou? O snapper é como um snipper... só que ele usa a habilidade para o bem, de todas as formas. De outra forma, como diz um amigo... "meldeus, se fosse uma arma seriam vários headshoots!" Exagerou... pirou no deboche! Eu me vejo como um fotojornalista, promotor da paz, mas a velocidade... ah, a velocidade condiz, entre snapper e um atirador, talvez muito pouco mude. A velocidade... eu acho que é um dom, do ser humano, somos bons, somos capazes, cabe o exercício da prática. Somos bons em esportes, somos bons em muitos espetáculos cuja velocidade é tão usada quanto o uso das palavras. Eu... me acho bem rápido. Difícil errar... muito difícil! Na verdade isto não importa... importa mesmo é eu saber que o pensamento é mais rápido e este, uso para o que eu bem entender. 

De vez em quando...

Lua, de agosto de 2017. É só uma lua... registrada sem recurso, sem um uma objetiva de longo alcance, com um grande crop para aproximar. Estava sem meu teleconverter, mas a vida é assim... vc faz, com o que tem, no momento que pode, nas circunstâncias que te oferece o universo. Foto: Roberto Furtado
De vez em quando eu paro de fazer o que estou fazendo para olhar o mundo...
De vez em quando eu penso no céu...
De vez em quando eu penso no passado...
De vez em quando eu penso nos meus amigos que não mais vi...
De vez em quando eu penso se as coisas seriam diferentes e como poderiam ser...
De vez em quando eu vejo a lua, grande, amarelada, vibrante, com relevo...
Sempre vi a lua como espelho, rebatedora, devolve a energia, a luz, o brilho ofertado pelo sol...
Muitas vezes, eu penso nela... As vezes até esqueço o rosto, cujos contornos foram esquecidos pela memória, mas eu sei que se olhar de longe, uma vez, vou lembrar tudo de novo. Quando eu era jovem... eu sempre achava que jamais esqueceria ela. A verdade é que eu estava errado, em parte certo, em parte errado. Eu jamais esqueci... eu esqueci até um pouco do rosto dela. Eu esqueci até coisas que só ela dizia, só ela fazia... trejeitos, manias, meio sorriso maroto. Eu lembro agora quando me esforço, mas esqueci. Eu não esqueci o amor que senti... não sinto mais o amor, mas não esqueci o que senti. Eu queria de alguma forma ter aquilo de novo... todo pensamento, carinho, visão de adolescente. A verdade é que nunca vai voltar... nunca mais. Se casou, se foi por aí... era tão misteriosa, sumiu no mundo. Duas vezes... uma por anos, outra pra sempre! Acho que foi a maior amiga que tive... atendia aos meus pedidos como se tudo fosse também do agrado dela. Ela sumiu... ligou uma ou duas vezes depois que nos afastamos pela segunda vez, mas um dia sumiu. Entre idas e vindas... uns 5 anos... baixinha, carinha redonda, dengosa, querida e carinhosa como só ela. Pra onde foi... tanto faz, tanto fez, tomara que jamais apareça outra vez... assim, se desta forma ficar, terei sempre uma história, pra contar! De vez em quando, conto!

6º DHU de Carlos Barbosa

     A cidade de Carlos Barbosa esta na contagem regressiva para sediar a sexta edição do maior DHU do sul do Brasil. Consolidado por edições de sucesso, o tradicional evento promete reunir mais de uma centena de grandes pilotos do RS, SC e talvez de outros estados. Pilotos de destaque, como campeões brasileiros, destaques em provas internacionais, estarão presentes e farão da prova o espetáculo que todos conhecem.
   O DHU de CB 2017 conta com melhorias significativas, algumas surpresas partindo das escadarias do hospital da cidade, cruzando ruas e avenidas, passando por cima de prédios e ofertando saltos com mais de 5 metros distantes do chão. Quem puder assistir, vá! O espetáculo é anual, único e atrai grande público. Os ciclistas de Carlos Barbosa, em conjunto com a Federação Gaúcha de Ciclismo e apoiadores, prometem um dia de entretenimento para não ser esquecido. A velocidade... uma pista onde os mais rápidos levam cerca de um minuto para completar o trajeto, cheio de obstáculos e desafios. É inacreditável... compareça! É diversão garantida! A Revista Bicicleta estará presente. Haverá cobertura fotográfica e reportagem completa.
Para maiores informações, acesse o FB do evento. 
FB/DHUCarlosBarbosa/

Veja os últimos eventos anteriores:


DHU de Carlos Barbosa 2014 (terceira edição)

DHU de Carlos Barbosa 2015 (quarta edição)

DHU de Carlos Barbosa 2016 (quinta edição)