O homem livre...


              A liberdade verdadeira é tão estranha... há alguns meses experimento uma condição muito próxima da total autonomia de decisões. Só não neguei trabalho porque isto é uma lacuna já devidamente preenchida no meu entendimento de que isto não faz o homem preso, livre é o homem que trabalha. Trabalho é liberdade... e "liberdade é ter coragem" de ser o que bem entende o homem! O homem livre... acho que o homem livre é aquele que se dá conta, que pode optar, realizar escolhas, mesmo que elas o carreguem para um futuro que não pareça livre. Lembre-se... escolheu! Eu sei o que é liberdade desde de sempre... quando eu nadei pela primeira vez em direção ao mar aberto, alcançando a última arrebentação, senti a água passando pelo meu corpo com força. Eu sentia as bolhas de ar se chochando contra o meu corpo a cada estourar de onda, como se estivesse em uma substância com efervescência. As pequenas sensações... elas me deram todos os sinais da verdadeira liberdade. Dê-me um par de pés de pato e um desafio... e então serei capaz de experimentar o quanto posso. Evidente que posso muito... estou pra conhecer alguém mais forte que eu na água, mas sei que existe. A liberdade que sinto... a água, a pureza dos pensamentos! Eu sou aquilo que quis ser... eu sou livre. Nem grande, nem menos, exatamente o que quis... as referências? Bem, as tuas não são como as minhas... quem vence ao vencedor. Esta perto de fazer 30 anos que pego onda... que calço os pés de pato e furo ondas sentindo-me impossível de ser derrotado. Medo... já tive, do escuro, do mar, do que esconde cada ondulação, do que pode um semelhante contra mim, contra outro. A cada minuto tenho menos... mais certeza dos riscos, menos medo, mais coerência nas minhas ações. "Disciplina é liberdade..." quando você sabe como escolher. Sabe onde me sinto impossível, livre e eterno... no mar! Guardei todas as lembranças boas... joguei fora tudo que não precisava. Encontrei a paz e a liberdade... agora, desejo deslizar sobre as águas, uma tal de liberdade. Sou mesmo... um homem livre. E tudo não passa de fantasia, afinal de contas, isto é impossível. "Você não pode ver arco-íris atrás de uma onda, é fantasia! Não seja infantil..." O direito de acreditar me permite liberdade... um homem verdadeiramente livre é aquele que escreve sobre sua própria liberdade!

Horizontes

Já estive, agora onde é... já não recordo. Em algum lugar de Nevada ou Califórnia. 
            O linha entre o céu e a terra... poderia ser tudo que conhecemos como horizonte, mas toda cultura acaba empregando palavras velhas conhecidas ao que pretendemos como ideias sobre o mundo. Me aventuro, sempre... pelos meus pés, quem me conhece de perto sabe que se a viagem é longa de automóvel, em algum momento peço parada. Gosto de, no meio do nada, descer do carro, olhar para as direções que o mundo puder me oferecer. Duvido existir uma outra alma tão sedenta de visões, especialmente de horizontes... eu enlouqueceria encarcerado, mesmo que fosse em um escritório com janelas. Não posso... sou do mundo, o mundo é minha casa. Fotojornalistas podem ter uns três ou quatro perfis... mas um deles, ao qual pertenço, sente sede de olhar. A pauta, muitas vezes, é interior. A pauta mais importante da minha vida se transforma a cada oportunidade, se chama jornada espiritual. Quando tenho tempo gosto de caminhar... se o lugar for belo e libertador, pode acontecer de caminhar até meus pés doerem. Já fiz isto... Receio ter caminhado mais 30 km em único dia, meus pés, dentro de um par de all star, ficaram moídos. Dor de caminhada é sempre superada pela alegria de tantos cenários... eu, jamais esqueço as imagens que minha mente "print(ou)". Por muito tempo quis um(a) parceria para isto. Desbravar o mundo é uma tarefa para dois, mas um, faz muito bem também. Atualmente, na vibe de que "a verdadeira felicidade é aquela compartilhada com alguém", faço gosto de ir acompanhado. Não confunda, companheiro(a) de trip e/ou jornada com outra coisa. Mantenha o foco... se for sua extensão espiritual, beleza, mas saiba separar as coisas. Ao caminhar, viajar, todos entram em um estado de espírito mágico... e tal, pode confundir as coisas. Horizonte é um lugar que se olha de dentro pra fora... prefiro entender assim. E assim, tanto de maturidade surge de acordo com a fase da vida em que estiver. Não posso e não quero parar... preciso, crescer, caminhar, olhar pro mundo. Observar tudo, refletir, entender como as coisas funcionam. 
Uma vez fiz uma caminhada muito interessante... não tinha hora, pra nada! Poderia começar num dia e terminar em qualquer dia... foi neste dia, que aprendi o valor da amizade, também de uma perspectiva diferente do amor. Acho que todo mundo deveria experimentar pegar na mão da parceira(o) por pelo menos três minutos numa caminhada. Surpreenda... olhe-a nos olhos, é estranho vc caminhar o dia inteiro de mãos livres, e então pegar na mão dela. Vais perceber mais do que o estranho contato das mãos, vais notar um sorriso dela, uma vibe ressurgindo de algum lugar. Surpreender... poucos são os homens que entendem o que é, depois de anos com a mesma companheira, redescobrir e ligar a felicidade da cúmplice. Eu, evidentemente, descobri acidentalmente, também me perdi dela. Ou ela se perdeu de mim, mas posso garantir que pelo tempo que existiu algo entre nós, foi bom. As pessoas não entendem que depois de tudo isto, ao fim, os casais simplesmente brigam, travam a porta para nunca mais se falarem com respeito. Eu... bem, achei que não fazia sentido. Ela também... tornamos a falar. De muitas coisas, e se não nos gostamos mais, podemos ser amigos. Horizonte é um adjetivo... você pode ter, talvez não. Se não houver esforço, talvez nunca tenha acesso a este entendimento. Se pretendo reconciliar com a ex mulher? Jamais... segundas chances para as mesmas combinações são praticamente impossíveis. E afinal, se o mundo é livre e o céu é o limite, talvez, em algum lugar, esteja caminhando sozinha, por aí, minha alma gêmea. Vou a luta, pelos meus horizontes...

Amor da vida... uma estrada a ser encarada de frente!

       Cada parte da minha história me levou para algum ciclo de reflexões... eu fui, eu sou, provavelmente sempre serei assim, uma mente inquieta. E de fato... sou assim e isto gera uma série de benefícios. Cada momento em que me deparei, acabei encontrando a resposta de que precisava... Quando me separei dela, depois de 18 anos, percebi que enfrentaria muitas experiências pela frente. Sabia que seria difícil... embora positivo para mim e para ela. Ela, tenho certeza de que se tornara minha amiga mesmo que estejamos sem convívio. É mágico... conviver com alguém, amar, terminar a festa e poder fechar a casa com a paz de espírito. Se nos gostamos no passado, não faria sentido algum incendiar o que passou... deixei lá no passado, ela também. Embora os olhos, com certeza, digam que somos íntimos mesmo que não mais sejamos. Não podemos mudar o passado... nem queremos. Não queremos mais fazer parte da vida do outro, e nem amor existe mais para isto. É uma pena? Talvez... eu acho que tudo é como precisa ser, as escrituras do universo não nos permitem antecipar o que vai acontecer, mas depois que as coisas se resolvem a gente passa a entender. Eu caminhei muito pra chegar até aqui... e carrego comigo algumas marcas desta e de outras experiências. Eu aprendi que devemos nos desprender destas marcas, mas nem sempre é muito fácil... e elas são automáticas, aparecem nas nossas ações sem que percebamos. Quando fui embora e fechei a porta... não foi fácil! Eu sabia que tinha feito uma escolha da qual, talvez, me arrependeria, mas tive que ter coragem para escolher o que era melhor para mim, para nós! então, foram meses estranhos, onde a vida seguia e parte dela era uma caixa vazia. Nunca deixei de pensar nela... embora, não tenha, nenhuma pretensão de convívio novamente, pois aquilo que tivemos se apagou. Se a quero bem... lógico, porque seria de outra forma. Aliás, se eu precisar de algo, ela será uma das pessoas para quem pedirei a ajuda. Encontramos a paz... e isto eu desejaria para todos os casais que se afastaram definitivamente. Com o fim de uma história, porta aberta para nova... cada um sabe o que deve tentar ou não. Eu tentei algumas coisas, mas vi que o próximo rosto não teria nenhuma característica imaginada... as pessoas são, simplesmente, como são! As pessoas diferem nas idades, variam para mais e para menos, se aproximam, mas não podem ser previsíveis quanto ao conteúdo e tempo aqui nesta estrada. Elas podem estar há tempo aqui e não oferecerem muito, ou podem estar aqui por menos tempo que você e carregarem bagagens de maturidade. Eu me abri pro mundo... não olhei para os rostos, se eles eram jovens ou velhos, ou loucos, ou estranhos, ou escondiam histórias difíceis. A sociedade é uma fauna... tem cada um diferente, somos a diversidade mais complexa do reino animal. Eu... bem, agradeço, por novos olhares, novas palavras e pensamentos. Gostaria de saber como isto pode indicar pelo menos uma fração de onde irei caminhar nos próximos dias, mas isto é impossível. Esta é uma estrada imprevisível, amor que tenho pela vida... pode ser difícil, mas é bom. A estrada bota medo, curiosidade, alegria e incertezas... é um momento pra ser vivido de cada vez, ela precisa ser encarada de frente, de olhos bem abertos pra não perder nada!

Brisa


          Dias quentes... foram vários. Dormi com ventilador ligado... em pleno inverno, dias quentes. O calor era invasivo... notado, imaginado! Era impossível não sentir o calor que irradiava... tinha gosto de quente, perfume de verão, toque úmido pela transpiração. Eu, passei uns dias a me apropriar do calor. Era de fato, conquistado, aos poucos, parecia estratégia... ainda que houvesse o erro. Nós estávamos no inverno e tal calor não era normal. Eu sentia conforto, estava bom viver de calor... era agradável o toque do lençol, era calor na medida certa, principalmente a noite. Uma semana tempestuosa e houve mudança de clima... esperei que as coisas voltassem ao que eram, mas não. Choveu, ventou, esquentou um pouco, mas não o suficiente. Final de semana de clima ameno depois de uma semana fria. Veio então, sábado, algo aconteceu. Eu sabia... era um sinal, uma mudança. Domingo de céu limpo e vazio, sem nuvens não há calor, simplicidade. A manhã daquela segunda feira lamentei... não quis acreditar. Era uma brisa fraca, quase fria... a estação fora de tempo havia ido embora. Desejei que tivesse ficado, estava tão bom... Eu lembrava do calor no dia seguinte... pensando se no dia posterior haveria também. Não houve... houveram palavras, que não era boas, sobre o tempo e o vento, bem como os sentimentos, eles se vão, querendo ou não, se vão. Agora, me lembro da brisa, que veio e que levou tudo embora... me deixando apenas, com lembranças. Lembranças de calor antes de brisa...

Tu é o vento... disse Silvia!

Adicionar legenda? Legenda eu ponho se quiser... eu sou o vento! 
         Minha mãe disse que desde pequeno, sou um tipo de filho difícil de segurar... aquele que fica porque quer, e não por ser convencido por outra pessoa. Ela disse que sempre teve medo de eu ir, não de eu ir e não voltar, mas de eu simplesmente ir... ela sempre comenta sobre coisas que teve medo, coisas que ouviu, palavras de outras pessoas, sobre mim... sobre ser uma "alma inquieta". Sempre digo para as pessoas que levei 30 anos para descobrir o que realmente faria profissionalmente, já que antes trabalhava em algo que não gostava. Nos últimos 10 anos, percebi que minha vida começou a fazer sentido, e parte dela, inciada antes, perdia o sentido. Inclusive pensando nas pessoas que nela existiam, a vida, se transforma, perde fundamento e encontra um novo sentido. Os ciclos... a transformação, os amores, o entendimento que a gente possui. Quem me ama hoje, possivelmente não me amaria antes, pois sei o tamanho da transformação. É claro, que algumas pessoas, amigos jamais deixam de amar amigos uma vez conquistados e verdadeiramente encontrados. E depois, sobre amores, não posso deixar de criar esta pequena observação... os amores, nascem e morrem, nem por isto são menos valiosos e importantes. Temos que aprender nesta vida que amor não é um "patrimônio", mas sim algo que compartilhamos com outra pessoa, seja o amor que for. Se eu queria ter um amor da vida inteira? Acho que seria mágico... mas sejamos realistas, e se você estiver enganado, como ficará tua segunda chance? É preciso ter maturidade para ficar, para partir, para prosseguir sem mágoas e sem rótulos. Sempre falo de amores, quando posso, mesmo que o tema não seja este especificamente, pois no fim é o amor que move tudo. Nosso amor por existir move os ventos e todas as coisas passam a ter movimento! 
Minha mãe... estes dias, eu disse pra ela, que não saberia o que fazer quando ela partisse, um dia. Como seria minha vida? Na verdade, todo presente que tive, e que realmente importou nesta vida, foi oportunizado por ela. Se sou isto que vivo, devo a ela e a mais ninguém... ela, me ofereceu um começo, minha escolhas, meus horizontes! Muitas vezes eu fiz o oposto do que ela disse para eu fazer... foi então que, agora pensando, ela aprendeu a não dizer o que eu não devia fazer, mas sim falava das consequências e perigos do mundo. Quando se descobre que um filho não pode ser impedido por palavras ou qualquer limite físico, não resta outra coisa a não ser orientá-lo. Aquela jovem, aos 23 anos, tornara-se mãe... antes na verdade, não esqueçamos o período de gestação. Desde então, a socióloga, mestre, ex professora escolar e acadêmica, atualmente, policial civil, acompanha a minha estrada e dos meus irmãos, como um pássaro que cuida dos filhotes. Deu-lhes a oportunidade de partirem, e quem foi, voltou. Descobri, ao longo da vida, que meu lugar é aqui com eles... posso ir, ficar meses longe, talvez um dia fique anos sem voltar, mas cedo ou tarde, voltarei. Ela sempre espera o dia em que partirei, pois ela mesma diz... "Tu é o vento... não posso te segurar!"
Levei tempo para entender o que eu era... não sou como a maioria. Sou um nômade que tem para onde voltar... vou viajar, seguir meus instintos, caminhar sobre esta terra e então, de momento para outro, iniciarei o retorno. Sou um andarilho desde criança, e ela sabe disto... eu saia para longas caminhadas para ver o mundo, voltava horas depois, talvez não tivesse nem 10 anos... e ela de coração na mão porque eu desaparecia. Eu torcia para ela não perceber que eu estava fora, porque ela sofreria e eu uma mijada levaria ao voltar. Eu sumia... na praia, longe era um lugar que não existia para os meus pequenos pés, nem areia quente, nem vento forte suficiente para me impedir. A chuva de verão me arrancava o sorriso... ali, naquele momento, na infância, nascia uma vocação. Era um aventureiro, desbravador, um contador das histórias que só os olhos podem entregar. O universo passou a vida me dando sinais, a escola tradicional passou toda vida tentando me colocar nos trilhos formatados... minha iniciais de RF se equiparam com as do meu atual ofício, de repórter fotográfico. Sou exatamente aquilo que deveria ser, uma decisão do universo, se foi um deus ou meu mapa astral quem quis, ou se a ciência não pode explicar, bom, acho que pouco importa no que acredita o homem. O que importa não é o que gostaríamos de ser... porque neste caso, nem tudo é real, factível. O que importa é o que você se transformou... se foi no vento, se foi em alguém que nasceu para caminhar em todas as direções, pouco importa para o resto do mundo. Importa é que você se sinta bem... e que encontre um rumo que alimente o teu coração. "Tu é o vento...", nunca vou esquecer o que me dissestes, mãe!

Personalidade

Meu chapéu, de carregar em mala, já no estado de muitas e árduas caminhadas. E minha objetiva, 17-40mm. Descrevem, certamente, minha personalidade, parte fotográfica, parte de mim mesmo. 
                  Eu... caminho, sobre o mundo, em minha versão que se transforma a cada segundo... e que na soma dos milhares de minutos, me apresenta como um novo andarilho. Personalidade é o que carregamos, de nossas vidas, de nosso tempo, de nossos amores e fatos! Somos uma realidade consequente de cada manhã... hoje mais e melhor que ontem. Somos evolutivos... é da nossa natureza, como já escrevi antes. Não podemos mudar... a mudança é a certeza de tudo, mudar é fazer parte de tudo que se transforma. Recriamos o amor, os conceitos, as atividades, a tecnologia, as razões... os valores! Somos personalidades itinerantes. Me olho no espelho, me abro pro mundo, dou novo olhar ao meu trabalho, me faz tal característica um profissional mais completo. Olhos ávidos... fotojornalistas são como aves de rapina, eles não tem tempo para pensar da mesma forma que os que trabalham com produção. Você viu o que vai acontecer? Não... já aconteceu! O mundo é dinâmico, tu esperou, o mundo passou. Não pisque os olhos... vais perder algo! 
Encontrei uma garota. Conhecia ela... de vista, poucas palavras trocadas até então. Fazia tempo que não a via... então, palavras brotaram da minha personalidade. Ela, com própria personalidade, reagia e criava outras falas que surpreenderam a mim. Nada esperado, nada planejado... ainda assim de boa rolou o papo. Convida pra um café... carinha de solidão, parecida com a minha, quase me vi no espelho. Tinha também frustrações do passado... personalidade, já manipulada pelas experiências anteriores. Aí entra aquela questão, como as pessoas cometem erros com as outras... erros que levam as pessoas a criarem bloqueios, medos, perda de visão. Personalidade, alterada, cometida, injusta, machucada... eu, bem, acho que quase curado, confiante, pronto, pensando o impossível de ser sagaz sobre o mundo... eu, tolo, como todos os outros. Vi... confiei, me vi cercado, pronto para ser executado, mais uma amiga. Quem dera ter um milhão delas... são melhores de papo que os homens. Um encontro marcado, talvez acidental, talvez quase, talvez uma opção para sair dos trilhos. Era um um encontro do destino? Era nada, era oportunidade aproveitada, um sonho, imaginação... tem nome, mas não digo. Tinha uma coisa muito interessante em seu coração... parecia, personalidade! Cada um pode aproveitar as chances que tem... de encontrar o próprio caminho, os próprios amigos, os próprios amores, o próprio destino... atribuição da personalidade!

Serenidade

Orla de Ipanema, Porto Alegre. 
                Esta postagem é bem o relato de um experiência... Me senti estranho esta semana. De hora para outra fiquei agitado... e custei a perceber algumas coisas. Tenho conciliado algumas tarefas, em alguns momentos com mais dificuldade devido a colisão de horários, e isto trouxe uma "instabilidade". Acho que fiquei estressado... só que não percebi. Foi uma mistura de preocupação dos afazeres acadêmicos com trabalho, também com atividades não relacionadas ao trabalho, tal como meu hobby com marcenaria que tenho exercido na casa da minha irmã. Aí, soma tudo isto, e em alguns momentos percebe que o automóvel fica fazendo parte do cotidiano, e é onde tu fica sentado por centenas de quilômetros numa semana. Quer saber? Colocamos o carro num patamar de mal necessário... e ele estressa a gente. Fiquei pensando, todo dia indo e voltando pra Canoas, depois de passar o dia envolvido com trabalho. Arranca e pára, do congestionamento, em pequenas doses de teste, com barulho e excesso de atenção, também preocupação com os horários. É assim que a gente perde a paciência... é assim que a gente fica num estado de agitação que não precisa. Logo eu... que encontrei um lugar tão bom pra manter a mente. Tava meio esquisitão esta semana... aí percebi que em duas semanas, se corri duas vezes, foi muito! Fiquei desconfiado... um amigo me convidou pra andar de bike, mas volta não foi grande. Me senti um pouco melhor e percebi que estava precisando de exercício. No dia seguinte, corri 4 km, no outro, também... no final do segundo dia em que corri, meu humor tinha mudado completamente. O resumo... a gente inventa e se coloca em rotinas onde a prioridade é o trabalho, a mente anda a mil por hora, e o corpo fica quase parado. O resultado é um desequilíbrio... e pra mudar isto, reserva uma hora pra correr, dia sim, dia não, aí teu corpo sincroniza com a tua mente, e agradece. O nome disto... serenidade!

Uma lua para quem quer...


          Eu já fiz fotos da lua antes... aliás, melhores que esta. Não tenho equipamento para isto, mas acho que o fundamento de uma fotografia fica além da qualidade mínima. Se a imagem gera a compreensão necessária, a foto alcançou o objetivo... eu ando muito simplista para algumas questões. Eu fiz a foto... e algumas pessoas me perguntaram se podiam pegar. Fiquei imaginando as pessoas usando a imagem para ofertar aos amigos, amores, crianças... é tão legal quando as pessoas olham para a lua e percebem que lá em cima existe uma "bola" gigantesca que gira em torno da Terra. Outro dia, eu saia da aula, já perto das 22 horas e me deparei com uma lua grande, porém era crescente. Eu fiquei observando enquanto caminhava e tropecei... quase caí. Um garoto que vinha atrás poucos metros atrás de mim não se aguentou e começou a rir. Chegou do meu lado e pediu desculpas... "foi muito engraçado o jeito que tu tropeçou!" Conversamos ali no caminho do estacionamento... e entrei no carro. Pensando na lua e para quem oferecer... foi então que percebi que eu não devo oferecer ela para uma pessoa. Eu posso oferecer a lua ao mundo... todos merecem ter esta oportunidade de apreciação. A lua fica lá no céu, a gente nasce... ela continua lá, e a gente tem condições de olhar para ela seguidamente, até que banaliza. A gente esquece a majestosa situação deste personagem que faz papéis em filmes, poesias, histórias... bom, gente, esta é a lua! 

Pra quem tem amigo...

          A gente vai vivendo os dias e nem percebe... no cair e nascer do sol os dias passam rápido, e mais um aniversário se foi. E vai deixando rolar, trabalhando, fazendo o pão nosso, a estrada profissional, mas em algum momento tu estas parado pensando em nada e surge na cabeça o sorriso de um amigo... ou então a situação mais idiota ou divertida que tu viveu com ele ou com eles. E no meio da tarefa você percebe que eles estão ali... basta um telefonema, basta um convite, pela metade ou inteiro, mas de coração, convite ou amigo, combinação de sucesso. Eu precisei tanto por um período, mas agora, penso que tudo ficou tão fácil... mais pela existência do que presença. É a lembrança do sorriso... que te empurra, que te alerta, que te liberta! Eu madruguei em pescarias, em trabalhos, com amigos ao lado, ou sozinho... mas ainda assim, foi fácil! A energia vital que um bom amigo te passa é um combustível incrível... A primeira coisa que penso quando eu acordo cedo é nas pessoas, pois geralmente eu vou pra janela ver o mundo... e o mundo me remete aos meus amores. Me dei bem... talvez pelo formato que tomei aqui neste plano, talvez por sorte, talvez pelos pensamentos! Ouço música, tomo uma cerveja ou café, em silêncio sempre brindo e penso na amizade. Eu relaxo e penso na amizade... ou se penso na amizade, relaxo. É a sensação de um abraço... conforto garantido. Eu tenho isto... não sei se é normal, se é meio entusiasmo das relações que me rodeiam. É confortável... eu quero viver cada experiência, mas eu olho nos olhos e alguns minutos depois já sei se nasceu um novo amigo. Geralmente você segue eles sem saber um motivo, outras eles caminham na tua direção, as vezes, com pés apertados e calor do trabalho, algumas vezes de pés na areia e de frente pro mar. Eu sento no observatório da dona Silvia, minha mãe e gasto uns minutos olhando o sol nascer. Eu já falei nisto... e quando assisti "cidade dos anjos" percebi que não estava sozinho. Se eles não estiverem ali do meu lado de corpo presente, estão de coração, do deles, ou no meu. E não esqueço, tenho amigas tão queridas e especiais quanto... se meninas ou meninos, pouco se mede a intensidade por isto, basta que tu possa falar qualquer coisa. O céu é o limite, mas neste momento preciso parar... outra tarefa me aguarda.

bj