Amor... nos meus olhos!

Parque Eólico de Osório, RS. 2017. Foto: Roberto Furtado
Caminho

       Cheguei num lugar que posso definir como uma caminhada para muito longe da origem, mas ainda infinitamente distante do término. Estou ficando calmo... minha alma não mais é inquieta, pois agora consigo fazer o que preciso e atingir meus objetivos. Eu dirijo meus projetos e as produções da forma confiante, de que vou conseguir, sempre! É uma maturidade, pra pensar se posso ou não realizar. Não há promessa que não possa ser cumprida, nem prisão pra quem alcançou o volume de amor e dedicação que traçou como objetivo. 

Amor

         É claro como dia para quem entende... não há dedicação finita para aqueles andam descalço na jornada do aprendizado. Conhecimento é igual em todos os segmentos, há apenas uma forma de encontrá-lo! Dedicação é algo que fadiga quem caminha na estrada sem amor. Então se me perguntam, eu digo, foi o amor. A minha vontade foi maior que minha preguiça ou que o meu comodismo. Meus medos foram grandes, no entanto são pequenos perto do meu sonho. Nos meus olhos vertia o óbvio... o amor! Eu lutei contra tudo que parecia me levar para um lado sombrio, para o desvio de propósito ofertei meu foco. Derrubei qualquer dificuldade que pudesse poluir meus sentidos e foi aí que descobri que o amor era forte demais para ser ofuscado. A luz mais forte inibe a luz mais fraca... a luz do amor precisa ser superior, sempre! Assim, construí meus sentidos e sentimentos para registrar o elementar, ou trivial, permitindo um destaque pelo meu envolvimento com o que se apresenta. Faça o que for possível com o que tiveres... e então, se fores realmente habilitado, se apresentará o mesmo com o brilho do novo! 
Há sempre uma pergunta oculta em toda declaração... algumas vezes fui questionado sobre isto. Há um motivo como o amor, relação do autor com quem ele gostaria de atingir? Sim... há! Eu realmente amo muitas pessoas... é um carinho imenso, que sinto e penso em todos os momentos. Meus amigos, colegas de trabalho, família, sem nenhuma ordem definida! Apenas amo... Meu coração esteve e sempre esta na mão de algumas pessoas, simultaneamente. Com estas perspectivas é que tento transformar meu meio. E espero ter sido muito claro com isto... eu não posso viver ou mesmo fotografar sem amar estas pessoas. O amor esta nos meus olhos, mas ele surge de muitos lugares.

Ilimitado

    O mundo... meu mundo é também de tantas outras criaturas. Sou apenas uma delas, tão desimportante quanto qualquer outra! Aqui estou agora, mas logo, partirei. Cheguei, possivelmente, no meio da minha jornada... assim imagino, mas se tiver sorte. A beleza do mundo é o que nos torna melhores e, só por causa dela me tornei as escolhas que optei. Tive um problema de arquivamento, mesmo gastando muito... e perdi o acesso a milhares de imagens de qualidade, que expressam minha caminhada. Não vejo apenas como perda da minha história, vejo um desperdício de motivação... eu poderia ter motivado muitas pessoas com estas imagens. Foi então que percebi que guardar e arriscar perder as imagens, mesmo que fossem em baixa resolução, seria um egoísmo! Eu poderia sim... mudar o mundo, enriquecer as pessoas com bons pensamentos, reencaminhar aqueles que passam por um mau momento. Eu poderia reverter muitas situações simplesmente publicando uma boa imagem. Sendo assim, estou com tal e novo comportamento... eu solto imagens na rede, sabendo que em algum lugar elas baterão e transformarão as pessoas.

O vento

Orla de Ipanema, no tempo em que fui um fotojornalista das ruas. 
             De vez em quando vasculho meus velhos arquivos e lembro o que fui no passado. Pra ser sincero vejo mais do que isto, vejo o caminho que me trouxe até aqui. Meus amigos não me escutam mais falar sobre algumas coisas que falei no passado. Me tornei um menino com maturidade. Eu não quero fazer nada impensado e nem me arrepender... gosto de viver nadando na paz. Se é possível? Acho que sim... você não precisa ter sucesso em todas as tuas missões, mas você consegue viver em paz no insucesso se ele for limpo. Dignidade é uma palavra que te leva para outros lugares quando há transparência. E não há nada tão transparente e forte como o vento. Ele empurra a água, move o clima, desloca os animais e plantas... e tudo que esta submetido ao tempo. A ação temporal muda tudo... o formato das superfícies, o amor, a geografia e os olhares. Aos meus próximos passos, expresso meu desejo, curiosidade... e paciência! O mundo não é meu... mas dele tenho tudo que preciso! E escrevo sempre pensando na mulher mais importante da minha vida... mãe, te amo!

O vento... (22.10.2008)

         Ontem, vento veio e soprou a manhã. Uma folha de árvore, seca e curva, correu a rua... dançou em frente a minha janela. No encontro entre dois muros, girou e girou, como se ali houvesse um pequeno cone de vento. Linda e indescritível mágica do vento sobre uma simples folha seca... resto de um ser inanimado, agora movimentando-se como se houvesse vida. Quando atingiu o topo do muro, escapou do turbilhão, sendo carregada por outra corrente... de vista a perdi! Novas folhas vieram, repetindo a cena em frente a minha janela, mas curiosamente, nenhuma delas dançou como a primeira, nenhuma delas fez dezenas de giros sobre o eixo do turbilhão, que somente percebi pela folha. Folhas e pessoas, talvez sejam comparáveis, algumas são comuns e sempre passam, outras... deixam saudade! O cone de vento, só pode ser visto quando a folha interagiu com ele... talvez este tenha sido o que chamam de destino, neste caso, da folha. Pessoas também são assim, precisam de interação e oportunidades. O cone de vento, com toda certeza, estará lá... mas sem a folha seca, jamais será visto, relacionada dependência! Hoje, nem brisa faz... o cone de vento não esta, tampouco a folha seca. Incrivelmente e estranhamente, distintos, combinam entre si... aguardam um novo encontro de vento, como namorados do tempo!

Roberto Furtado

Nosso limite está muito além do que imaginamos


Foto: Roberto Furtado / Sociedade Audax de Ciclismo
     Quando comecei a correr de novo, aos 41 anos, "segundo tempo"... não fazia 500 metros sem ficar ofegante numa corridinha bem leve. Até que me via obrigado a deixar de correr e ficar caminhando, ou até mesmo parar! Então... em meus pensamentos tive certeza de que em pouco tempo daria uma rasteira na dificuldade. Eu me vi forte toda vida... mesmo que houvesse a dificuldade. Eu descobri a força no mar, depois encontrei a superação nos brevets tipo audax percorrendo a longa distância, inclusive machucado. Naquele acidente, uma queda que me deixou com o ombro completamente arrebentado, fui contrariado pelo médico de plantão, que me fez assinar um termo isentando-o de responsabilidade. Eu falei para ele..."estou numa prova, preciso pedalar mais 130 km, e vou conseguir!" Ele... não acreditou, achou que eu estava delirando. Olhou para meu parceiro e disse: "Ele pode?" E Ricardo, naquela simplicidade e confiança... respondeu: "Tenho certeza de que conseguiremos!"
Lá fomos nós... e com a motivação de Ricardo a cada pulsar da dor, consumimos cada quilômetro. Para completar veio a chuva, e não foi pouca... mas seguimos. Faltando 10 minutos pra encerrar a prova, chegamos! Em casa... sentei no box do chuveiro, e percebi o feito. Chorava como se tivesse sido o feito mais incrível do mundo... um misto de dor e de superação, quase não acreditando que teria conseguido terminar naquele estado físico. Foram 13 horas pedalando, das quais 9 horas pedalando machucado. Tal dano no ombro foi grande que fiquei quase um ano afastado da bicicleta... hoje, tenho um ombro caído que poucos reparam, forte como se nunca tivesse passado pela luxação tipo três da clavícula. A cirurgia? Nunca fiz... e estou aqui pra qualquer prova. Faço barra, carrego peso, faço qualquer coisa como se nunca tivesse passado por nada. Agradeço a minha família, além das garotas... Caren, Martiela e Fabíola, ex-companheira, fisioterapeuta e preparadora, respectivamente nesta ordem.
Eu também lutei judô, fui campeão na minha infância, ganhei do menino que sempre ganhava de todos! No dia em que o venci, subi no pódio e ele ficou em segundo... nunca mais lutei, percebi que não precisava competir. Era, simplesmente, mais forte que qualquer garoto do meu peso e tamanho... eu tinha aprendido a ligar o extra de força e confiança quando o pai de um amigo me disse: "Tu é mais forte que ele... mas primeiro tu vai ter que lutar com os outros 4, aí tu chega nele!" Fui... um a um, alguns, achei que nem queriam estar ali. Foi muito fácil... lembro como se fosse hoje. Quando cheguei no temido... ele fazia careta, tinha cara de menino mau! Na hora fiquei com medo... mas olhei pra ele e pensei que era só um garoto de nada, assim como eu! Ele me pegou pelo kimono e dava umas sacudidas fortes. na mesma hora... retribuí. Fechei as mãos no kimono dele e dali elas não escapariam até ele cair. No koshi-guruma derrubei ele e ao mesmo tempo caí por cima imobilizando-o... eu ouvi o ginásio inteiro vibrando com aquilo. Ainda assim... sabendo que o menino se fazia de mau, e judiava dos adversários, pois assim era conhecido, tive pena! Ele chorava... mas a vez era minha. Ali, começou algo que não mais esqueci... o botão que ligava uma energia extra. A mesma que me disse que ia sair da enrascada no mar, que ia terminar um audax mesmo arrebentado, que ia voltar a correr e me sentir bem. Se sinto dor? Sinto... tenho corrido todas as vezes com alguma dor, até que superei todas elas, menos uma! Por hora, convivo com uma dor na canela, lateralmente. Alongo, cuido, repouso, dias depois estou bem, volto a correr, ela volta. Acha que me incomodo? Sim... mas aprendi que faço tudo que puder para que a dor vá embora, mas não desisto de nada por causa dela. Correr me deu alegria extra, saúde de verdade, e tenho certeza que meu verão será de longos dias pegando onda, pois agora tenho fôlego. No filme de Prefontaine ele conta como superava a dor para correr mais e mais, mesmo machucado. No fim... este é o mesmo botão de que falo. Se vale a pena? Bem... depende do momento, depende do que você quer, depende de quão importante é a superação pra vc. Eu não lamento... eu tento! Nosso limite está muito além do que imaginamos!

O lugar de cada coisa...

Meus bagulhinhos do hobby marceneiro, que exerço nas horas vagas. Meu café, como não podia faltar no meio da tarde. 
              Na medida em que envelhecemos, e isto acontece após o primeiro choro do nascimento... iniciamos uma jornada que não tem hora definida pra encerrar. Tampouco sabemos pelo que vamos passar, e certo mesmo é uma frase  que vi pelos corredores da minha universidade: " A única certeza é a mudança!" Ou algo assim... 
Eu me vi em uma sucessão de acontecimentos onde cada experiência me levou a outro degrau do conhecimento, seja ele de valor mais pessoal ou profissional. Não posso e não serei mais o mesmo garoto que um dia existiu 20 anos atrás... e sorte minha e de quem cruza meu caminho, porque sei que sou, por todos estes motivos, uma pessoa muito melhor. 
Ela tem um nome... se eu disser que não penso nela quase todos os dias da minha vida, seria um mentiroso. Tive uma história com ela, e deixamos de ter. Nos gostamos agora, como amigos... e agradeço por termos conseguido superar o fim de uma relação tão longa, com a clareza de que tudo foi melhor assim... e mais, nos tornado amigos para longas conversas ao telefone, sobre tudo. Sabedoria, inteligência, diz a minha mãe, que se separa para a vida e para as questões acadêmicas ou profissionais. Podemos ser inteligentes com a atividade profissional, mas falhos com as questões pessoais. Sempre que deixamos as emoções influenciarem nestes momentos, haverá o conflito. A ausência de confusão mental sobre as coisas da vida... se vai ou surge, basta que você tenha amor e respeito, por ti mesmo, pelo seu companheiro(a), e vice-versa. As coisas da vida... elas são colocadas em caixas. E... é tão difícil separar cada coisa por tipo. No entanto, quando você descobre como fazer, um mundo novo de paz se abre pra você. Tua cabeça funciona melhor, teu ex parceiro(a) passa a ser um excelente amigo, e tudo vai na velocidade correta. O tempo e os pensamentos ficam sincrônicos... para cada coisa, uma caixa. O presente, no presente, o passado que fique lá, o futuro que aguarde. Cada coisa será devidamente vivida... mas atente-se há um tempo para tudo, inclusive para as outras pessoas. Elas precisam viver o tempo delas... então não espere por elas, não faça mais do que você pode. Uma coisa é certa... o lugar de cada coisa é um lugar onde tudo realmente seja pertencente. Nada pode ser guardado para fora do seu tempo... nem amor, nem calor, nem tempo, nem momento! Tudo existe, no lugar e com a finalidade... não desperdice seu tempo. Se tens vontade de viver algo agora, viva... o amanhã é tão incerto, e mais do que isto, pertence a outra caixa. Cada coisa tem a sua caixa...

Na chuva...

Show no beira rio. Foto: Roberto Furtado
       Lá estava... de capa, na chuva, numa espera, paciente! Dona de mãos delicadas, unhas pintadas, mal cuidadas... coisa do cotidiano. Ela registrava tudo... foto das luzes, multidão, selfie. De certo, envia pra mãe, talvez amiga, podia ser um namorado! Acho que não... sozinha, na chuva. A capa... escondia os cabelos... visivelmente claros, finos, pescoço fininho, menina delicada, certamente! Meu palpite? Hum... acho que uns 33 anos, nem tão menina, ótima idade para mulheres, pois elas já sabem muito mais que os garotos da mesma idade. Houve momento... eu também na chuva, separado por uma contenção, trabalhando. Em cima de um suporte de alumínio, eu, uns 40 cm mais alto do chão. Câmera na mão, também de capa... eu, fantasiado de sei lá o que, homem do saco, parecia um "andarilho sem lar"! Ela deu um giro, no próprio eixo... num sentido, voltou. No retorno, me olhou... mas eu vi de relance. Chegou uma amiga ao lado dela, falaram algo uma para a outra, olharam na minha direção. Pensei que não era comigo... a amiga acenou pra mim. Desci da elevada, fui até a contenção. Perguntou se tiraria uma foto... e se enviaria: "quanto custa?" 
"Não custa nada... envio pra ti, de graça! Pela amizade..." 
Sorriu, chamou de querido... puxou papo, me deu cartão! Eu disse: "Faço a foto e preciso trabalhar... nos falamos!" 
Ganhei sorrisão... mais do que fotos de um grande show, ganhei duas amigas. Aprendi, aonde quer que eu vá... planto coisas muito boas. Aprendi a plantar amigos! Foi na chuva... que eu a vi, no meio de uma multidão, na chuva!

Noite

Céu de Teresópolis, zona sul, Porto Alegre, RS. Foto: Roberto Furtado
     Eu e ela... no escuro, sinto a presença... ela veio, encanta, afugenta. Eu e ela... uma parceria e tanto. Não sinto mais solidão como antes... desde que aprendi a viver sozinho. Se procuro as pessoas é porque desejo mudar a rotina... mas eu vivo sozinho, do meu jeito, com o silêncio do vento e da natureza. Na minha cidade, escuto os carros passando na rua, buzinas de longe, por vezes sirenes. A cidade ecoa um som que não sei descrever... é um ruído constante que se propaga entre os prédios, ruas, como uma respiração nos corredores. Eu e ela... nem solidão, nem outro alguém. Uma conexão de universo, submissão de um mortal... frente a algo impossível de tocar ou perder. Lá vai ela... como vento numa grande avenida, como a luz da lua, como o brilhos de longe da cidade. Certa noite... a centenas de quilômetros de Porto Alegre, numa noite com pouco vento, na beira do mar... acordei, sai da barraca e fui olhar o céu. Tive certeza de que não estava sozinho... embora ninguém respondesse aquilo que pudesse perguntar. Era como estar sendo observado, pelo olhar materno, amor maior... era ela, me vigiava, cuidava de mim. Não era a lua... a lua era outra filha, tal e qual o sol. Ali, quem manda, a noite... a escuridão boa, ausência de maus pensamentos, valorizar das estrelas, oferta de sensações, sobre o mundo, sobre nossa diminuta existência. Me olhava, por todas as direções... era claro como o conhecimento, sensação de ali estar, negra de tom azulado... minha mãe, meu universo, a noite que me encontra todos os dias. A noite me encanta...

Um olhar para o fotojornalismo digital

Homem ateou fogo em ônibus no centro de Porto Alegre, ao lado do mercado público. O coletivo ficou completamente destruído, o suspeito não foi encontrado, e houve apenas prejuízos materiais. Populares afirmaram que as chamas alcançaram altura muitas vezes superior a estação/parada de ônibus e de longe se via a fumaça negra.
Foto com celular: Roberto Furtado
               A globalização e toda corrida tecnológica motivaram quase que todos os segmentos profissionais. Não há como negar, nem como desacelerar. Nos sentimos passageiros de um veículo que parece não ser controlado por ninguém, embora seja uma criação de nós mesmos. Nos últimos anos evoluímos rapidamente utilizando tudo que depende de eletricidade/eletrônica... os computadores evoluíram e com eles evoluíram os processadores que a cada dia são menores, mais rápidos e singulares em suas capacidades. A tecnologia trouxe mudanças... em primeiro momento, muitos vibraram pela facilidade e pela agilidade na produção, edição e transmissão de imagens. As câmeras digitais deram um grande tombo nas câmeras de filme 35mm. O fotojornalismo jamais conhecera uma vantagem tão expressiva quanto a opção de clicar o botão, conferir a imagem, retirar o cartão da câmera e colocar o mesmo no computador. Em um ambiente ideal, não é impossível fazer a imagem em um minuto e estar transmitindo a mesma no minuto seguinte. Enquanto a realidade anterior era revelar para então ter certeza de como ficaram, escolher e encontrar uma forma de enviar (como num sistema de telefoto ou até mesmo em algum tipo moderno de transmitir gráficos), agora, nos deparamos com a versão com milhões de caracteres que definem uma fotografia através de pontos coloridos executados e transmitidos pelas câmeras atuais. As câmeras de valores variados encontraram um lugar em cada mercado que as necessitava, da publicidade e jornalismo, ao entretenimento e mera recordação. O velho jornalismo se perde ao poucos na história nas telas de celulares, tablets e computadores. A textura da notícia, se perde, parece que em alguns anos nem lembrada será. Na medida em que telas de led evoluem e "barateiam", os papéis dos jornais encarecem e ficam desmerecidos. O branco e preto, sem qualidade e satisfatório para entregar a história, das folhas de jornais deu lugar a qualidade superior das telas de telefone celular. O fotojornalismo através do profissional freelancer esta praticamente encerrado, as agências pagam de 4,70 a 100,00 por uma imagem ótima, mas a grande maioria das imagens giram em 15 reais. O motivo parece ser uma combinação de fatores, tais como a concorrência desleal, pois qualquer transeunte e testemunha de fato se transforma em jornalista quando munido de um celular. Os jornais ganham de presente do leitor, a pauta, a imagem, a história... o valor é ter o nome publicado no jornal. Os próprios jornalistas que trabalham em jornais realizam esta prática, cedendo para pressão exercida pela direção. Certa vez, existiu... um repórter, um repórter fotográfico, um repórter cinematográfico, porém, hoje, a cada dia, surge mais um novo tipo de repórter, denominado repórter multimídia. Demite-se o fotógrafo, também o câmera, e coloca-se na mão de um repórter um bom celular. Esta feita a notícia na era digital ao valor de apenas um profissional...

As águas... sem medo!


            Quando eu tinha 12 ou 13 anos, fiz escola de vela... foi lá no Veleiros do Sul. Do professor, o rosto ou nome, nem lembro mais... e até acho estranho não lembrar da fisionomia, mas passam tantas pessoas ao longo da nossa estrada que não é assim tão estranho não lembrarmos de nomes ou rostos. Eu lembro bem que era o mais novo da turma... era uma turminha de jovens e de adultos. Alguns mais velhos colocados com os piás, de três a três por veleiro. Em uma das aulas práticas, o objetivo era virar o veleiro e desvirar... sair de uma situação, simulada, assistida, para saber como poderia ser a experiência complicada do velejo. Viramos e desviramos o veleiro umas três vezes... Não é nada fácil depois que ele tende colocar o mastro apontado para o fundo. Pareceu quase impossível... é como brigar em cima de algo que não consegues aplicar tuas forças. Mesmo assim, num jogo de equipe, conseguimos... eu sempre fui um moleque forte, tenho certeza de que não fui peso morto, tampouco meio eficiente. Acho que fiz a diferença... e depois disto, vivi experiências próprias na água. Algumas pensei que seriam a última, mas isto é uma coisa que a gente aprende também... nunca é a última até que ela realmente te vença. Enquanto estiver consciente e capaz de recobrar o domínio, haverá uma grande chance de você reverter as coisas. Eu já escrevi sobre uma situação onde pensei ser jogado para cima de um naufrágio depois de uma grande série de ondas. Por sorte, não fiquei preso nos ferros submersos, mas foi a maturidade de manter a calma que me manteve esperto e com chances de solucionar o problema. Em outra ocasião passei por cima de uma rede... ela ficou esticada e a corda mestra que sustentava a rede passou raspando no meu bodyboard, mas isto porque eu impulsionei a prancha para cima no momento exato. Aquela foi a pior das situações que vivi... se tivesse entrado na malha da rede, teria ficado lá mesmo. Não conheço ninguém que se malhou em redes de praia e que tenha sobrevivido. Mesmo quem carrega uma boa faca, não teria tempo suficiente para se desprender. Nos assaltos que sofri, corri riscos como qualquer vítima, mas foi a calma que me permitiu seguir adiante. Quando fiz o curso no Rio de Janeiro, para jornalistas em zona de conflito, descobri que já sabia algumas coisas por experiência própria. Maturidade é o fato de conhecer-se, saber olhar para algo, examinar e tomar decisões. As decisões são sempre com o objetivo de superar... você olha para o perigo, avalia, enfrenta ou foge, ambas podem ser a decisão correta de acordo com a situação oferecida no momento. Prefiro sempre manter a calma... E sobre calma, sempre lembro do meu estado de espírito sobre a prancha. No mar... metros atrás da linha de arrebentação encontro meu ferrolho, meu momento de paz. Tomo minhas decisões, independente do tamanho do mar. Quando eu calço os pés de pato me sinto protegido, capaz de decidir, de usar a força para resolver tudo. Sejam águas cristalinas ou turvas, onde pequenas ou grandes... eu não tenho medo. Aprendi a dominar uma situação, em 29 anos de bodyboard. Confio e respeito em tudo aquilo que pode me vencer... mas saber exatamente onde esta, te permite viver sem medo! Os meninos deviam ouvir mais os homens... e os homens deveriam prestar mais atenção nos meninos. Um é o outro amanhã, mas o ontem ensina como presente deve se apresentar. Sobre as águas... vivo, sem medo!

Vida divertida... e louca!


        As mudanças... tudo que acontece na vida é um gatilho para mudanças. Mudanças de trabalho, de cidade, de estilo de vida, de relacionamentos, de opções esportivas, novos hobbies e hábitos. Tudo isto nos leva a novas oportunidades. Os últimos 10 anos vivi tantas coisas... e ao me analisar, descubro que a grande quantidade de aventuras cresceu muito com o passar dos anos. Claro que ser aventureiro é uma questão de natureza própria... e é uma opção de cada um. E não vamos entrar no que é certo, pois cada um tem esta resposta dentro de si. Não tenho perfil para trabalhar em escritório... sou mais do tipo, pé na estrada e oportunidades não rotineiras. A vida ficou muito mais divertida ao me aproximar dos 40... e quando entrei de vez na quarta década muitas surpresas foram surgindo em grande velocidade. Posso dizer que fui muito feliz no passado, mas é possível afirmar que esta tão ou mais divertido agora. Os desafios, eles são atingíveis... e isto pode ser uma questão de maturidade. Talvez o homem sonhe com as coisas que sabe que pode realizar, embora seja claro que sonhar além da conta possa ser motivador. Estou me divertindo muito... e vejo que muitos amigos também. Há uma forma positiva de ver as coisas e é isto que contamina quem esta ao lado. Procurar por pessoas que tenham este espírito é uma garantia de viver estas experiências. Um ajuda ao outro... e torna a realidade do outro viável. A sucessão de situações que acontecem na vida da gente parece vir em uma caixa de surpresas, mas isto é bem interessante de viver. A vida se torna divertida, mas vezes parece louca, e não há diversão em perfeita centralidade. O espírito da diversão é uma fusão de loucura e infantilidade, onde tudo se transforma em boas risadas. Ser feliz é uma questão de saborear coisas bem simples, como início de uma chuva de verão ao pedalar, ou beijar alguém, quem sabe receber um telefonema inesperado e sair de última hora. Tudo é incerto... certo mesmo é a alegria. Uma vida pode ser louca, mas com certeza se louca for, do jeito certo, divertida fica. 

O caminho conduz...


        Algumas vezes pensamos que estamos escolhendo o caminho e tomando decisões... porém, o resultado não parece ser aquele que desejamos. Isto é bem difícil de entender... é daquelas questões que jamais saberemos. Somos motivados por instintos, emoções, construções do nosso perfil, que por  sua vez são resultantes de nossas experiências. Construímos uma estrada... por melhores que sejamos, algumas vezes, que não muito nos agrada, mas é um reflexo do que somos... e colhemos frutos destas ações. Algumas vezes, o saldo não é positivo, embora, construtivo para ao longo da jornada. Penso sempre como amadureci, ainda que seja insuficiente para o que vejo como ideal. Gostaria de estar pronto para algumas coisas... creio que não esteja. Me culpo... e acredito que você faça o mesmo se possuir um forte instinto de responsabilidade. Não se culpe... algumas vezes, tomamos decisões, mesmo que instintivas, e elas parecem surtir um efeito que não se espera. Talvez, isto seja um tipo de treinamento para o que virá depois. Talvez, as pessoas sejam passageiras na sua vida, com o propósito de levarem você a outras... e que de alguma forma, tudo isto possa ser regido pelo universo. As energias... acredito nelas! Tudo que fiz na minha vida teve uma reação do sistema, o universo reage! Agradeça por estas pessoas, que você encontra e que passam por ti, deixando cargas de aprendizado que não pode ser quantificado. Se elas derem adeus, ou se elas voltarem em algum momento, houve motivo... você foi importante para elas, assim como elas para você. Estar pronto para um novo passo, uma nova experiência é ter um valor que talvez nem você entenda que possui... Já pensou? Estar aberto, atento aos sinais, fazendo a leitura do caminho que é ofertado para você. Acredito nisto tudo, mas tenho uma atenção para tentar relacionar o mundo e estas conexões de acontecimentos. Penso como o caminho me conduziu até aqui... uma amiga me disse algo e eu fiquei pensando sobre isto. Ela falava sobre estas relações das pessoas e como tudo se conduz de uma forma muito estranha até nos colocar de uma alguma maneira no caminho de alguém. Algumas vezes é uma coisa estranhamente ridícula... e sabe lá se não é justamente a forma incomum que gera o elo entre você e esta outra alma para que cooperem entre si, mesmo que temporariamente. É um esquema bastante estranho refletir sobre estas probabilidades, pois você sabe que daquela forma jamais ocorrerá novamente. Pode que... surja outra estranha oportunidade e então, uma nova experiência te levará aos ciclos de reflexão para evoluir novamente, mais uns degraus e sabe lá onde vai parar um vivente depois disto. A infinidade é como um esquema de combinações... não há probabilidade capaz de calcular estes estranhos eventos do destino. Eu... acredito que da mesma forma que um número segue em fila atrás do outro, caminham em direção ao infinito, e de alguma forma, a probabilidade é vencida. O caminho conduz em uma estrada única, desconhecida, mesmo que visível até o horizonte, mas depois disto, nada é conhecido ou previsível e se questionares porque alguém surge ou some da tua estrada, será como querer prever o que dela virá. É impossível, improvável, inimaginável... mas o caminho, conduz!