Ao tempo

Death Valley
             Começo a pensar que me perdi em algum lugar do tempo... me vi sentado em uma estrada, longa, num lugar plano, sem um boa visão do que acontece além dos meus dias. Não é falta de perspectiva, sei exatamente para onde estou indo, o que devo fazer, apenas me vi prisioneiro do meu tempo. As memórias e o que elas levam no entendimento da saudade, me despertam para algum tipo de falta. Num ciclo do que sei ser importante para mim, vejo todos envelhecendo... alguns partindo. Alguns já estão em preto e branco para mim, como se o passado perdesse as cores. Nostalgia é lembrada nestas horas, minha visão como criança aflora... ainda que o presente esteja tão bonito. Raramente senti tanta gratidão como no que vivo agora, permitindo que eu diga que o presente é a melhor fase da minha vida. Ainda assim, sinto falta das pessoas... saudade apertada do meu avô, também de dois amigos que se foram. Gosto de sentir os pés descalços no chão por me darem sensações de realidade... frio, calor, textura do pavimento em meu caminho. Eu assumi a responsabilidade aproveitar por eles, muito embora não tivesse tal obrigação, pois este é o meu tempo. Logo irei viajar e ficarei fora muitos dias... e possivelmente passarei algum tempo sozinho. A construção de um homem se dá pelas opções que ele não fez... o inevitável é que nos insere em pensamentos sem direitos, ofertando caminhos obrigatórios com relação a escolha de sentir-se novamente confortável. Muitas vezes, me pergunto "de onde veio tudo isto"... e agora entendo o que me disse uma amiga, anos atrás. "Será que tu não percebe que é um escritor? Ainda que seja preguiçoso para ler, tens um talento... não o negue!"
Porquê eu deveria assumir algo que não escolhi? Fiquei muitas vezes me perguntando se há razão para termos caminhos não escolhidos e parece que mais uma vez é uma questão de tempo. Hoje, vejo... eu não me sentia confortável sobre isto no passado, mas hoje, me sinto. Sei que posso redigir algumas páginas em minutos, com a intimidade do teclado que certa vez não imaginei que teria. As ideias na minha mente surgem mais rápido do que posso teclar, mas outra amiga disse para mim, anos atrás: "Já viu como digita rápido?" Então acho que posso ser o que sou... errante do tempo! Desenhando histórias por combinação de letras, nas minhas versões, construídas ao prazer do meu desejo. O tempo... ele me rodeia, me absorve, me envolve. Não consigo me desprender dele e por isto descobri que tenho um mau hábito... queria controlar o tempo, embora não percebesse. Dominar é o querer de alguém sobre algo... eu queria dominar o tempo, mas nem um físico brilhante poderia, de que forma eu poderia? Ao tempo, percebi, dominamos quando nos sentimos assim, simplesmente dominadores do correr dos dias. É um lance estranho... amar, ser amado, no presente, no futuro, pensar no passado. Ver teus pais ficarem velhos, as crianças virarem adultos, olhar as marcas do tempo crescendo em torno dos olhos. Na mesma velocidade que envelheço, agora, pareço descobrir  novas coisas... só que a mente se torna mais rápida, assim como meu click fotográfico. Talvez eu nunca tenha sido tão rápido, tão certeiro, um fotojornalista tão matreiro. Nem olho pelo ocular, aponto, com certeza de que enquadrei, meu olho não pisca, mas o obturador fez dezenas de disparos, talvez. A imagem esta ali, pronta, composta, alinhada e com uma história, sem alterações. O tempo em discussão com a velocidade... me tornei um espião do senhor tempo, talvez ele tenha assim desejado. Estaria me testando? O que devo pensar sobre isto? Há, para tudo, um motivo, um tempo, alguém no teu caminho... as pessoas chegam, passam, somem! Eu fiz muitos amigos nesta estrada, muitos sumiram, embora tenha ficado o carinho. Há alguns que não pretendo abrir mão... fecharei eles dentro de uma das minhas mãos e tentarei segurar, mesmo que precise nadar em outros lugares. Sinto falta dela... só não sei de um porquê, mas sinto. E será que ela percebe isto? Provavelmente ela não saiba disto... e de verdade, nem quero. De outra forma, seria cada vez menos, dono do meu tempo... e ela, não tem tempo pra nada, muito embora ganhe algumas horas comigo.

As cores estão nos espinhos...

Algum lugar do deserto de Nevada. Foto: Roberto Furtado
          A sabedoria é um dom conquistado pelo tempo... e outra vez estamos a falar de algo que atravessa nossas vidas. O tempo... a linha da vida. O tempo promove experiências, por tal vivência aprendem os que aproveitam. O dia corre e entre o nascer e o adormecer do sol vão acontecimentos que mudam e alicerçam nossas vidas. Certa vez, conversava com um idoso... beirava ele, talvez, uns 80 anos. Coberto de lucidez através das frases e palavras bem escolhidas, também indicativo de uma instrução formal, explicava-me algo sobre o amor. Tal assunto começou quando disse a ele que gostar de alguém era complicado... e ele me disse que perdera a esposa alguns anos antes. Questionou-me sobre as minhas observações, aparentemente frustradas. Expliquei que havia me separado e que o amor acabara. E que antes disto, nada era ou tinha sido como vendiam nos comerciais. Foi então que ele disse: "Posso te chamar de guri? Porque para mim és um garoto... Eu vivi 50 anos ao lado de uma garota que envelheceu ao meu lado. Me deu um filho, cuidou de mim quando precisei, foi responsável por 70% das alegrias que tive na vida e quando adoeceu me deu a oportunidade de mostrar que eu a amava do jeito que fosse. Ao perdê-la, pensei que não faria sentido ficar aqui e continuar, mas então a tristeza deu lugar ao vazio... e o vazio preencheu-se de lembranças. Então segui caminhando e descobri que todos os dias eu pensava nela e por causa dela eu ajudei pessoas e por fim sorri. Agora, estas a me dizer que o amor não faz sentido... e tu devias lembrar que para cada vez que você sofreu por amor houve tanta alegria que transformou tua vida em uma linha alegre, onde uma única tristeza te faz pensar que não vale a pena. Sabe o motivo de você ficar chateado? É devido a conhecer apenas a alegria e pensar que sem tal sentimento não vale a pena viver. E o tempo que perdes pensando nisto, deverias gastar procurando um novo amor. Em algum momento, encontrarás e neste momento saberá que caminhar em direção ao fim é o mesmo que ter a sorte de viver tudo isto. As cores mais bonitas da vida podem estar nos espinhos... nunca te esqueça disto. O que te deixa triste é perder o que há de melhor... quem não vive amor jamais saberá o que é perdê-lo, menos ainda saberá quantas vezes a alegria supera a dor."
Naquele dia... me senti um idiota. Foi um dos check points da minha vida... e foi um reforçador para abraçar, beijar, conversar mais com todos que participavam da minha vida. Protagonista da minha história, percebi que sozinho não era ninguém, mesmo sendo personagem de maior importância de uma história. Entendi, que protagonista só existe por causa dos demais personagens. Assim como dor só acontece com a perda, onde ocorre o episódio infeliz é também a time line de uma trajetória bem sucedida. Botei minhas ideias na mochila e fui pra rua... devemos nos preocupar com as cores, sem lembrar dos espinhos!

Iluminando...

        Não sabia muito bem como começar um texto... mas acho que disto em diante abro a mente do leitor. Pode ser que este seja um recurso para esta oportunidade. Me acho uma fonte inesgotável de ideias e textos... componho, ao sabor do vento, tudo que quero, preciso e me aproprio de tudo que vejo para ter ao alcance das minhas mãos as palavras para atingir meus objetivos. Eu devaneio muito... e sei que sou um escritor, possivelmente um cronista com potencial pra romancista. Tive uma fase um pouco "trancada" de ideias... me parece que o ponto mais baixo de uma senoide, que também representa as fases fracas de um ser humano, é momento onde há pouca criatividade. Não sei... possivelmente, de acordo com as minhas impressões. Tenho fases brilhantes, onde sinto que qualquer coisa flui facilmente num período de tempo bem pequeno. Ainda ontem, triste notícia! Um helicóptero caiu... com colegas jornalistas. Puxa... não tem ferrolho pra quem esta trabalhando. Um amigo que é colega e amigo destes que estavam no helicoptero, lamentou... com razão. A vida é pregadora de peças... a gente corre, muitas vezes por notícias que não pagam pelos riscos. A vida é assim... "ela é de graça, mas tem gente que paga pra viver!" 
A gente corre, a gente produz conteúdo, a gente ilumina... a gente quer as coisas melhores pra amanhã, mas nem sempre o produto melhora o mundo. Algumas vezes, apenas espanta. Por isto me sinto mais escritor e fotógrafo da eventualidade do que profissional da informação. No entanto, precisamos viver... disto virá o pão! O mundo... ele pede por lâmpadas, mas não oferece o retorno destas. Sabe o que fica quando colegas se vão? Fica a responsabilidade de fazer por eles também... achou fardo? Não... nós somos assim, precisamos ser! Aqui fica o motivo de iluminarmos, também justificativa para seguirmos, diferença das nossas capacidades. Sou um autor... tenho sangue jornalista. Se viajei nas linhas deste texto é pelo motivo que posso... eu consigo!

Significado

Em alguma estrada da Califórnia. Foto: Roberto Furtado
             A permanência nesta estrada que chamamos de vida nos traz para um conjunto de sensações... acumulamos ao longo da vida, uma série de lembranças das quais, parte delas, nos formam, sem que percebamos. Somos, exatamente, o que pensamos, refletimos, existimos. Cada experiência, não importando o tempo que ela envolvera, carrega o peso da oportunidade. Sabemos o que foi ou não importante para nós... A alma não esquece o que mais precisamos, e talvez, nem devamos, pois de outra forma não seríamos seres com capacidade tão evolutiva. Nos perdemos e nos encontramos em cada curva da estrada... nos apaixonamos, casamos, nos vemos como alguém especial na vida das pessoas e vemos as pessoas especiais em nossas vidas. Não existe garantia de sincronismo e estas pessoas podem ou não partir... podemos deixar estas pessoas para trás, sem nem ao menos saber o motivo. A viagem é individual... a aeronave é a mesma, mas os assentos são individuais e as escalas não são para todos. E parece que isto é uma boa forma de nos permitir que encontremos pessoas com que gostamos de ganhar tempo... se são passageiras ou permanentes, entendo que são passageiras. Chegamos aqui, sozinhos, uma fração pequena de pessoas nos acompanham em grande parte do trajeto, mas ao pensar, percebemos que a chegada é solitária, tanto quanto a partida. Se alguém vai segurar na tua mão quando vier ao mundo é uma certeza, mas quando partires, podes estar sozinho. Tudo depende do que faz em vida... fazer valer a pena parece ser importante, não apenas para que a vida tenha significado, mas para que nos sintamos acolhidos por um berço confortável. Sentir solidão, frio, medo, dúvida nunca foi tão delicioso... e só a idade nos faz entender isto. Amamos as pessoas que por nós passaram... algumas vezes de forma coletiva, com irmandade, as vezes como amores temporários do prazer, também ocorre a transformação do que sentimos pelas pessoas... quando passa de amor para amizade, se me faço entender que todas as formas são formas de amor. Penso sempre no que deixarei por aqui... e sendo o que me encontrei, um errante, um escritor, um redator da vida, como gosto de dizer, vejo sempre as migalhas, pequenos sinais de que a vida é um conjunto construído de momentos que se isolam, mas que ao mesmo tempo se ligam. Entre o fato presente, um passado desconecto e um futuro que parece em aberto, estão ligações do destino. Ligam e afastam pessoas, deixam lições, criam nós para serem desfeitos e reatados. A linha da vida é um carretel de barbante... ao afrouxar e misturar momentos, eles se confundem, se emalham, criam caminhos por entre as voltas que jamais podem ser compreendidos ou retornados. Não tente entender como as coisas se montam... isto poderia enlouquecer você. A única coisa a fazer é seguir, saborear os momentos, curtir as aventuras e desventuras no tempo certo de cada momento. Tive alguns amores na vida... familiares, amigos e também as garotas de quem gostei. Para cada um deles, por um motivo que jamais saberei, entreguei parte da minha vida, parte do meu momento, buscando um significado paralelo, entendendo o que eu sentia. Há tanto para aprendermos sobre nós mesmos e tantas pessoas buscam algo mais distante. Para responder isto existe o livre arbítrio, que nos rege, nos alimenta! Se houver solidão em parte do caminho, haverá um motivo... se houver frustração, também! Lembranças, bem... alguém tinha que nos lembrar que para o futuro novas oportunidades podem surgir, nos fazendo curtir mesmo quando houver medo ou tristeza ao fim de cada ciclo. Ao início de cada descida rápida desta estrada, não faltam emoções. Decidi depois de alguns momentos e, realmente integrei estes a minha vida, que sozinho ou acompanhado, sorriria e faria sorrir quando chegasse a hora do café. Nunca me negue um café... sob pena de nos impedir um importante momento de felicidade. Ganharemos tempo... e isto aprendi com uma amiga, alguém que apareceu em duas fases da minha vida, sabe lá o motivo, mas nos divertimos. Amigos... de formatos diversos, eles são ícones essenciais em cada check point da estrada. Carimbe teu passaporte, mas lembre-se da bagagem adquirida e mais... pega na mão de quem estiver ao teu lado, convida para um café ou para parte do trajeto, apenas ganharão! O significado não tenho para oferecer, mas posso garantir que vale a dúvida... ela tem o sabor da pureza e a incerteza da próxima parada.

Por conta...

Deste que vos escreve... um sonhador das estradas! Foto: Roberto Furtado
        As estradas, claramente, são minhas inspirações. Nunca entendi as estradas retilíneas... muito embora as veja com tamanha curiosidade e beleza. Minhas estradas foram... eram, sempre serão, sinuosas. E é justamente a curiosidade de cada curva que me atrai para seguir em frente. Caminhei muito, ainda assim, me parece que insuficiente para saciar meus anseios. Comparo a vida com a estrada... Tudo que passei parece pertencer aos lugares por onde estive. Tudo se escreve, me motiva, me acrescenta. Ainda lembro da imagem acima e do brilho dos trilhos...eles refletiam o céu azul e fiquei ali por alguns instantes pensando como tudo isto poderia existir. Um céu tão lindo, eu ali, sobre uma obra monumental do homem... e hoje, não vou escrever muito, pois pensei que uma parte dos meus pensamentos vou guardar pra mim, outra, deixarei pra você e sua imaginação. Exercite tua mente para criar, para sonhar... por tua conta! Caso não tenha percebido... estamos, por conta!

A delicadeza da vida...

Nymphoides SP. Foto: Beto Andarilho
        O vento é um estranho que esta sempre perto, mas sempre se fazendo de invisível. Muda ao próprio desejo todas as coisas de lugar. As folhas e as sementes vão pra longe, alcançam córregos e rios, desaguam no mar, outras vezes "encalham" em outras margens. A vida, se dissipa, se transforma, se transporta, pela ação do tempo que responde pelo vento. Impossível existir tudo sem o vento... o vento, que em sua ação delicada ou até sua força estúpida, age e reage com o humor que estiver. Pune e compensa tudo... permite a vida, encerra se preferir. A vida é um festival de estatísticas improváveis, ainda que os homens prefiram precisar tudo que é incalculável... aí chamam de exceção. A delicadeza de uma flor é triunfo de uma espécie que teve a competência e sorte de evitar o vendaval... usou da brisa para espalhar seu aroma, atrair insetos polinizadores. Conquistas... um ato de paciência, investimento e probabilidade. Sorte... chamar de sorte a conquista cultivada com dedicação parece ser uma inconsequência. Demérito é não perceber que toda delicadeza é um gesto de fortes, que resistiram ao tempo, ao vento, contra uma certeira opção. A vida é imitada pela arte, algumas vezes registrada pela arte... se arte é autoria, cunho da sensibilidade, fé do sentimento, ação física do amor invisível, assim se aceita que tudo é realmente complicado, mas fácil quando se permite. Como as árvores que se curvam ao vento e por isto são grandes, como as mais delicadas flores resistem aos temporais. Há um ritmo estranho ensaiado pelo tempo e pelo acaso, orquestrado pelo universo. O universo é física pura, produz e justifica tudo, desenha a sonoridade pelo vento que corta as superfícies, também pelo canto dos pássaros que transportam sementes e que se apropriam do vento para dançar no ar. Um dia, espero, entender tudo isto... ser velho o suficiente para responder um por cento de todas as perguntas que me são arremessadas pelo universo. A beleza esta nos olhos de quem sabe olhar... seja para outro olhar, para flores, para pássaros, para o vento denunciado por folhas que correm perto do chão. Cones de vento... minha paixão, minha frustração, como queria fotografar um cone de vento. Tal redemoinho de folhas é meu desafio, minha musa inspiradora, minha prova de existir e existência. Sou sim... isto aí, um emaranhado de pensamentos romancistas, que lutam para existir em toda aspereza do planeta. Ver o belo é saber separar a dureza da maciez, o brilho do fosco, o meio sorriso é um sinal de conquista. A delicadeza da vida é sutil como o motivo para tocar uma campainha, mas o que surge depois é incontestável como a felicidade. Vida, bem longa, aos que promovem sorrisos, pois estes aprenderam como sincronizar com o vento. 

Evoluir... é encontrar-se no conforto!


           Buscamos... o tempo todo, alguns, outros não. Alguns procuram por caminhos que levam aos lugares que são diferentes, mas que oferecem apenas paz. É difícil observar tudo e escolher entre o conforto e o peso dos olhares. As críticas não são exatamente sufocadas com o teu acionar do "foda-se", não é tão simples. Começa pela família, se estende pelos amigos, mas fica muito mais complicado se tiveres que explicar a tua vida para um estranho. Os heróis, não morreram de overdose, mas foram acobertados pelo sistema. Meus heróis não usam drogas... embora, admita que muitos são os admirados que usam de estranhas substâncias para devanear pelos caminhos do cérebro. Eu... não preciso, vivo sóbrio e navegando por meus devaneios. Talvez seja sorte minha conseguir viver sem precisar de nada disto... ainda que minha sensibilidade me coloque em zonas do desconforto. Ninguém, mesmo que pareça, se mantem na plenitude espiritual. E ainda que seja uma sugestão de bem estar, residir na estabilidade, traga esta um ausência de oportunidades que eu jamais abriria mão. Vivo com as oportunidades do refletir por mim mesmo... com minhas cores e dores, meus lamentos sobre o mundo, e todo colorido que a vida promove. Tolo é quem acha que a vida é plena... ela pode sim ser mudada de cinza para colorida sempre que desejamos, num esforço que se parece com um interruptor quase fora de alcance... e basta ficar na ponta dos pés para que seja acionado. Ao obter o controle percebemos que dominamos o mundo de escolhas. Podemos abrir mão de situações e pessoas, mas assumiremos as consequências das perdas... num ciclo de escolher, ganhar e perder. Há quem faça usando uma balança, outros investem apenas nas pedras coloridas do caminho. Escolher é livre arbítrio, como amar, como jogar, como reescrever a história dos negócios. Toda vez me imagino baseado em situações que vivi... eu caminhei muito por aí. Tanto, que as pessoas se surpreendem quando percebem que cheguei ali caminhando. Foram pequenas jornadas de 3, 5, 12 km, mas isto é suficiente para botar preguiça em muita gente. Quando eu fiz isto por caminhos naturais, rurais, de grande natureza, encontrei um "pasto" agradável por onde caminhar e geralmente fui compensando com o visual do lugar. E nestas lembranças fico vagando pensando na próxima aventura, mas principalmente exercitando meus pensamentos. As soluções encontram o vivente como numa opção única que entendemos como destino. Como encontramos as pessoas? Bem, que fique cada um com suas crenças e suposições. Se me permites falar sobre isto... conforto é um lugar que tua mente conspira em favor da paz. Te remete a beira do mar, um caminho junto das montanhas, um momento de sincronia do teu corpo e mente com tudo aquilo que tens como ideal. Talvez seja diferente para cada um... em frequência, em medos, em veículos, em esforço! Acho que as pessoas procuram por paz, mas quase sempre andam na contramão dela, sem perceber, num mau hábito colocando adornos metálicos ou plásticos para justificar tanto empenho. Algumas vezes, paz brota de lugares simples, de lugares agitados, de lugares improváveis, se trata de absorver, reverter, sincronizar! Hoje, vejo isto... não tinha manual do usuário, chama-se vida. Usei meus instintos, sempre que pude... tento, reverto, invisto! Há, de certo, um momento onde as coisas façam sentido com pouco esforço, como percebi algumas vezes. É bom viver o que digo... flutuo diversas vezes por estes lugares, não sei como me manter no conforto em tempo integral, mas se penso nas razões, entendo que talvez isto seja realmente impossível. Penso muito, escrevo menos que deveria, fotografo um pouco... e percebo que preciso encontrar caminhos por conta, mas é legal ter amigos por perto. Evoluir é uma questão de experimentar... e em alguns momentos nos deparamos com o conforto, como o que vivo agora.