Caminhos... velhas pegadas simples!

Não posso parar... sinto muito, sou um Andarilho correndo atrás de velhas pegadas simples. Da coleção #rotadosfarois, de Roberto Furtado.

            Em algum momento encontrei minhas próprias pegadas... elas pareciam diferentes das atuais. As marcas eram limpas, menores e mais simples. Indaguei-me sobre as diferenças sem lembrar quando por ali passei. Não encontrei respostas que me satisfizessem, porém, algum tempo depois, percebi que a simplicidade das pegadas só poderiam ser da minha juventude. Era eu menos vivido, trazia uma bagagem menor e comigo trazia a pureza da inocência. A juventude é como uma folha em branco e quando vivenciamos escrevemos sobre ela. As marcas deixadas sobre a folha transformam nossa ingenuidade de acordo com nossas capacidades de absorver ou desviar, pois de todo caminho surgem imprevistos. Os caminhos são inevitáveis, a velhice, idem! Talvez possamos apenas nos sentir confortáveis deletando as cicatrizes dos tombos, ficando apenas com os ensinamentos. Os caminhos... eu os quero! Eles me transformaram em alguém melhor, pois a vida adulta tende a nos piorar e somente a reflexão nos traz de volta para as velhas pegadas simples. 

Amanhecer

Um estranho amanhecer em Capão da Canoa.
               Algumas vezes gostaria de ser como muitas pessoas que jamais pensam ou escrevem sobre si mesmas... esperando com isto que simplesmente houvesse um vazio sobre o espaço e o tempo, algo que me colocasse numa situação mais confortável. No entanto, meu conforto se encontra em um lugar da confissão ou do que penso... talvez seja uma forma de externar todos os pensamentos e que entre estes esteja um receio de julgamento. Gostaria de entender melhor isto, mas acredito que não existe um caminho para simplificar ou que justifique este comportamento. Somos tão complexos que seria impossível derrubar todas as culpas ou medos com uma negativa ou exclusão de reflexão. Quando adolescente... disse para uma terapeuta que me sentia desconfortável por estar ali falando com ela, como se fosse um menino louco. Foi então que ela disse que estava vendo as coisas de uma forma que não era como deveria... estaria ali por ser um garoto inteligente e pensador, e não louco. E ela disse para mim, talvez para me convencer, que ficava feliz em saber que existia mais um garoto capaz de pensar e ter medo das próprias ações, que de outra forma o mundo seria um desenho inconsequente. Pelo menos na época foi o que entendi, e assim fiz uma releitura daquele momento. É bom saber, mesmo sem conhecer os motivos, que escrevemos nossas histórias através dos dias e com perguntas e algumas respostas vamos moldando o dia seguinte. Cada dia, tendo o anterior como base de aprendizado, nos coloca numa oportunidade constante e evolutiva de melhorar a maneira como nos relacionamos com o mundo. Eu gosto justamente disto... e caminho sempre nesta direção. Não me sinto culpado, não mais, pelas coisas que não acertei, principalmente por não desperdiçar minha vida com erros banais, menos ainda graves e irreversíveis. Converso com as pessoas e tento extrair delas o que há de mais valor... a essência, pois quando elas me oferecem isto, entendo que aprendo, mas mais que isto... eu tenho elas em minha vida de forma afetiva. Claro que isto é algo que só acontece com quem nos relacionamos de forma tão importante, pessoas as quais queremos tão bem. Tenho alguém que me ajudou a entender um pouco isto, também outras coisas. Eu costumava falar sobre minhas amizades, mas também sobre a importância de se manter alguém de um relacionamento anterior, em um novo status do sentimento, da amizade. Como se não pudesse perder alguém por completo, justificando a importância de não remover esta pessoa do passado, do coração, mas foi então que as coisas simplesmente ficaram mais claras para mim. Este alguém, que é alguém muito importante para mim, me disse que preciso simplesmente deixar as coisas fluírem, passar! Isto não me faria um descrente do afeto, ou algum tipo de pessoa ruim, apenas deixaria o espaço para ser ocupado por alguém que pudesse ou devesse. E em mim deixaria o espaço vago para alguém que então estivesse realmente precisando de mim. E quando falo isto, falo de amizade. Não tenho certeza de que este é o caminho, tampouco julgaria alguém por fazer isto, ou exatamente o oposto, apenas encontrei uma forma de ver as coisas que pudesse me deslocar pelo tempo em uma forma mais confortável de ver o passado. Não ficaria preso, nem mesmo em parte, pelo passado, considerando que o presente é a única coisa que realmente importa. É estranho acordar e sentir que esta transformado em outro formato... o amanhecer para alguém é como estar em reinicialização, em reset, para que as coisas tenham uma chance real de funcionar, de forma totalmente livre do formato anterior. Deixar o passado em seu lugar é uma forma de ajudar a você mesmo, mas também as pessoas que pertenceram a sua história com uma nova chance. Sou grato a elas... do passado, mas sou grato ainda mais a quem esta me ajudando com isto. 

Errante

Concheiro do Albardão. foto: @robertofurtadofotografia 
          É caminhando que se desafia a mente... é entrando em conflito que nos deparamos com as escolhas. Nossa construção sabe a decisão a ser tomada toda vez em que chegamos ao caminho encruzilhado. É dúvida quando pensamos antecipadamente, fácil de escolher ao chegarmos na questão. Decisões são simples, basta que não acrescentemos os complicadores. E somos ótimos em complicar... Algumas vezes me deparei com algo que trouxe estranhas sensações sobre a jornada. Estive antes com muitas dúvidas sobre o caminho... foi então que senti meus pés tocando o chão e recusei olhar para baixo. Tendo a opção de retornar e encurtar o caminho, arriscar encontrar algo caminhando para a direita, sem ter a opção da esquerda, me restava seguir em frente, voltar ou tentar algo diferente. Olhei para o horizonte em frente e senti medo... não era a distância que me assustava. Pensava no que encontraria ao fim da jornada, se aquilo me contentaria... eu não podia parar, não podia voltar, não queria atalhar. Sabia que a carga da experiência viria como única se acreditasse no meu coração errante. Eu jamais gostei de voltar, jamais suportei a ideia de desistir, pois o alimento do meu espírito era o desafio. Minha alma é errante, minha única alternativa era seguir em frente... A sensação do objetivo, do fim, se confundia com o cenário, também com o calor, com a dor, com o simples ruído das conchas estalando sob meus pés. Eu sabia que não podia parar, estava exausto para continuar, mas meus olhos alimentavam meus sonhos, meus sonhos alimentavam minha existência, meus desafios criavam histórias. Ali, soube, era realmente um errante inquestionável. Um errante com propósito, autoral, motivacional dos sonhos de outros sonhadores e de mim mesmo. 

Do amor

Imagem produzida durante a disciplina de Iluminação 1, modelo de identidade preservada, foto: Roberto Furtado. 
              Fiquei a pensar na exposição que eu faria da minha própria vida ao escrever sobre coisas tão pessoais, contudo, depois entendi que muitos autores são assim. E se ocorre a exposição, também se cria uma motivação para que as pessoas pensem e/ ou façam o mesmo. O importante é ser livre, e da liberdade conquistar a felicidade. Enfim... É depois de passar por algumas experiências que a gente aprende o que gosta e valoriza na vida e, claro que até as experiências menos divertidas são positivas. Os homens mais durões são apenas garotos em frente a garota de que gostam. Eu mesmo, experimentei esta vivência algumas vezes na vida... e de durão não tenho nada, menos ainda fui com as garotas pelas quais estive apaixonado. Não foram muitas as minhas paixões. Gostei de algumas garotas, mas por apenas uma meia dúzia nutri algo mais. Por uma delas fui estranhamento cego, reconhecendo agora que não vejo as tantas qualidades que via durante a relação. O amor faz isto com a gente... a gente melhora as pessoas, ou isto é do meu perfil e do perfil de algumas pessoas. Eu conheci garotas muito legais, que ficaram minhas amigas, mas infelizmente não me apaixonei por elas... lamentando por mim, pois algumas delas seriam ótimas parceiras. Viver o amor é um conjunto de experiências que é impossível, e há formas diferentes de viver isto. Os sinais de interesse se manifestam em nós sem que saibamos exatamente do motivo, pois as motivações são instintivas e algumas vezes baseadas em químicas complexas que nos fazem ver mais do que as coisas realmente são... ou realmente vemos o que importa em alguém. Eu pensei que a paixão que tinha cessaria depois de algum tempo com a mesma garota e para minha surpresa amei ela por quase metade da minha vida. Por outro lado, quando percebi, já não gostava mais dela e não conseguia acreditar que aquele sentimento havia simplesmente terminado. Uma vez, me apaixonei por uma garota que jamais beijei... outra vez tive um amor de infância que mais tarde virou meu amor de adolescência. Tive uma outra paixão de infância que parecia encerrada, mas quando tornei a ver a garota depois de adulto, retomei o sentimento como se ele estivesse em stand by. É possível? Não sabia até então... acho que sobre paixão e amor, muita coisa pode. O sentimento é um laço de importância muito mais ampla do que a relação entre homem e mulher, pode ser apenas de amizade quando não invade o sexo, de outra forma não existiria o amor de amigos, tanto de homens como de mulheres. Eu... não tenho vergonha alguma em dizer que tenho amigos, aos quais muito amo e que parecem ser meus irmãos de sangue. Isto é evolução... nossa espécie, ao contrário do que parece, é bastante evoluída em alguns de nós e assim conseguimos saber a diferença ou compreender a extensão dos sentimentos. 
O que nos move? Sobre o amor... talvez seja algo químico, talvez seja o que vemos de bom nas pessoas. Será que podemos amar as pessoas ao longo do convívio? Ou amor é algo que começa por existir algo mesmo que mascarado? Eu não sei a resposta para muitas coisas... gosto de escrever este assunto, e percebo quão romancista sou. Misturo fotografia com minhas palavras, me aproprio dos meus sentimentos, observando a pele, olhos, as sombras do rosto delicado das mulheres. Gosto das pequenas, baixas e delicadas, mas já me interessei por algumas mulheres de estatura mediana. De onde surge isto? Preferências... parecem características escolhidas, tão vazias, sem nenhuma ligação com o potencial afetivo ou comportamental de alguém. A pele, os olhos profundos, o caminhar delas... de calcinha e camiseta, pelo interior da casa pouco iluminada, me parece um filme em preto e branco e meu coração quase rasga o peito. Você consegue sentir? Eu esperaria, sempre, por uma nova oportunidade disto... mas isto acontece sem que saibamos quando virá, sem imaginar por quem será! Que dure o tempo que durar... e mesmo que acabe, você pensará que foi bom. Não tem como evitar que comece, nem que termine... você vai perder o interesse nela, ou ela de você, e ao fim, tudo que restará serão pedaços de um dos dois, talvez, dos dois! Algum tempo depois e você estará, possivelmente, pronto para outra... eu não tive muitas, na verdade foram poucas mesmo. Umas três, ou quatro, não sei ao certo... guardei todas elas num compartimento do meu peito. Se foram, mas eu as quero bem e sabendo onde andam. Estranho é transformar amor em desamor... acho que isto não sou capaz de fazer. Do amor resta sempre a lembrança, seja qual for o prazo de sua existência. E no fim é ele que nos motiva, de outra forma, não haveria graça alguma se aventurar por aí. Saudade de algum amor... ou, de todos eles!

Através do olhos

Luar da madrugada de 05.03.2018, foto deste que vos escreve. 
         Dizem que a lua provoca muitos sentimentos e sensações... somos regidos por ela, embora muitos nem acreditem nisto. Já tive meu tempo cético sobre a lua, hoje... acredito em muitas coisas sobre a dama de prata. Foi quando percebi a influência forte do astro sobre a natureza na Terra que entendi que era fato e não fantasia. Os pescadores experientes sabem bem que a lua dita as regras, principalmente dos grandes peixes... e vale para as marés, portanto para todos que com ela estão ligados. Nunca pensei que olharia para a lua e veria uma sombra. O lado oculto da lua nunca ganhou minha atenção... e saiba você que ele esta ali, apenas é invisível pela ausência de luz ou ângulo de visão da Terra. Quando adolescente, tive uma namorada, namorinho daqueles bem de gurizada, que olhava para a lua e olhava para mim dizendo coisas que não pareciam fazer sentido. Ela, a garota, estalava os olhos pra mim numa lua de janeiro e nunca mais me esqueci, embora, não tenha dado muito valor ou compreendido aquela ação. O tempo passou e nunca mais vi uma garota fazer aquilo novamente... acho que era algo raro mesmo. Imagino a sorte de quem vive isto que descrevi, pois a não ser que eu esteja errado, parecia um sentimento verdadeiro, independente da idade. Queria ter retribuído, mas era muito garoto para dizer ou fazer algo sobre aquele momento que vivi com ela por uma meia dúzia de vezes. Sei que ela gosta da lua até hoje, mas as coisas não são mais as mesmas, nem eu, nem ela, nem a estrada que nos acomodou um dia. Fiquei pensando nestas lembranças e percebi que era aquilo um golpe de sorte vivido precocemente. E espero que muitas pessoas tenham vivido coisas parecidas como esta que descrevo, pois aquilo, passou, mas mudou meu entendimento de relações. Buscar aprovação e reciprocidade na admiração da lua é um gesto inconsciente de carinho e, tal é uma evidência de alguma forma de amor. Fazemos coisas assim, de outras maneiras, com nossa família... buscamos aprovação de alguma forma, ou fugimos, sabendo que seremos, de alguma forma, aprovados ou reprovados. Tal importância desta aprovação, contamos ou não os assuntos para nossos familiares e amigos próximos. Eu nunca mais vivi um namoro de lua... sei que é raro, hoje sei! Se passaram 26 anos e eu ainda lembro... e lamento não ter vivido isto outra vez. Acho que o tempo só piora algumas coisas, não estou certo disto. É bom você ter alguém com quem realmente dividir coisas bem simples, como olhares, aprovações e oportunidades de "revidar o carinho", e o que me parece, vivendo e conversando com as pessoas, é que a maioria não entende, não sabe, não consegue viver coisas assim. É uma era de nudes por whatsapp e outras aventuras banalizadas... pouca gente entende o que é carinho, e quase ninguém da valor a isto. É sexo, drogas e rock and roll... e não pense que não gosto, mas eu gosto também disto tudo acompanhado de carinho. Se você quer saber... perdeu um pouco a graça ser adulto, ou talvez a culpa seja minha e eu nem entenda isto. Casamento se relaciona com poder aquisitivo e não com o que você pode oferecer de carinho. É um festival de gente incompreendida que jamais compreende o próximo, num ciclo de "ninguém me entende" mesmo que "eu não entendo ninguém". Quer saber... ao pensar, dá pra entender. Se você não se coloca no lugar do parceiro(a), derretendo o egoísmo, jamais saberá o que é isto. Compreender, ceder, fazer por alguém ainda é a única receita para ser compreendido e atendido. Não estou dizendo que será, mas quando isto acontecer, você vai saber. Como sei? Bom, certa vez ela me olhou nos olhos... a garota, e vi o reflexo da lua nos olhos dela.

Meus 20 e poucos minutos

Meu terceiro par de tênis pra correr em 9 meses. Com Galaxy J7, foto: Roberto Furtado. Direitos reservados.
              O tempo... tenho aprendido coisas importantes sobre o tempo. O tempo que tive, tenho e que talvez, terei. Um tempo pra usar comigo mesmo, um tempo para eu namorar minha família, meus amigos, minha realidade. Tenho aprendido coisas muito importantes sobre o tempo, desde que passei a ter tempo. Desde que aprendi a dizer não... desde que me tornei um só. Eu vivo solidão no tempo quase certo... pois errado ou certo é diferente para cada um. Então saio pra conversar com amigos, café, bar, muro do por do sol em frente ao Iberê Camargo. Por vezes dou uma escapada e vou até a praia com desculpa de pescar, mas eu vou mesmo é conversar com velhos amigos da pescaria. Aliás, como gosto daqueles caras. Recentemente resolvi correr... Eu corro... corro atrás de algo que nem sei explicar, mas tento detalhar para que não pareça raso. Vivo na cidade de Porto Alegre, pensando que não é bem o lugar que eu gostaria de morar, mas é nela que fui criado e aqui estão todos do meu convívio. Pedalei, fotografei, circulei como um turista, procurei por bares e cenários, situações que me trouxessem algum sentimento novo. Olhava para as pessoas e achava tão chato o modo como elas viviam... me incomodava aquilo, de ver as pessoas fazendo as mesmas coisas todos os dias, rotinas de trabalho. Sempre me achei diferente... imaginava que profissão seria aquela que me fizesse encantado, feliz! Então, me tornei fotógrafo... e o tempo, passou a ter significado diferente. As frações do tempo se transformavam em fotografias de alguma história, minha, de alguém, de algo. A minha vida fora do trabalho era chata... eu não gostava de como as coisas estavam se montando, se engessando. Então, comecei a planificar o que eu queria. E eu queria ser livre, pensar que podia escolher. Queria refletir, num tempo onde eu poderia ficar resguardado de tudo. A corrida me deu o direito de viajar no tempo e ficar isolado sem influências. Corro por 5 km, calado, pensativo, ouvindo minha música e sonhando acordado. Correm meus devaneios, minhas ideias! Em 20 e poucos minutos aprendi o valor do ferrolho, uma cápsula temporal que me faz valorizar o dia, também organizar algumas ideias. Eu corro... cada dia mais rápido, com dor, sem dor, mal estar nem abafa toda empolgação que tenho por correr. A energia da corrida é tão explosiva em mim que muitas vezes vou pra pista pensando em correr devagar... e quando vejo estou fazendo média de 14 km/h. Meu corpo nem condiz com meu desempenho... sou pesado, não tenho pernas longas, embora sejam muito fortes. Meu corpo reclama... dói, passa, torna a doer, nem me importo. Aprendi a conviver com a dor que vai e retorna... o prazer de correr é tanto que não sei dizer se é pelo bem estar físico do dia seguinte ou se é a psicologia dos 20 e poucos minutos. Ah... este terço de hora me deixa tão bem por 48 horas. É tão pouco que ofereço ao meu corpo por tanto benefício... meus 20 e poucos minutos são uma grande experiência. 

O ganhar do tempo


           Nós queremos mais minutos do que o dia nos oferece... aliás, queremos, sempre, mais! Procurei uma receita, um passo a passo para economizar e aproveitar melhor cada minuto, mas em algum momento parei de fazer isto por pensar que era impossível. Não havia como desenhar uma linha do tempo flexível em material elástico... o tempo não se comprime, não se expande, ele tem formato definitivo. Quando reencontrei alguém tomei novas lições sobre o tempo... e o tempo com ela tinha um andar diferente. Algumas vezes parecia mudar de velocidade aleatoriamente. Diz uma música da banda Vera Loca: "A velocidade de tudo que acontece depende de você... Tá ruim demora, se tá bom vai embora... e o tempo passa, sem a gente ver!" 
De alguma forma, tentamos controlar o tempo... mas o tempo depende do que cada um faz. Cada linha temporal possui uma trilha sonora e destas versões do tempo surgem as muitas formas de ver o tempo correr. Eu ainda procuro pelo ritmo, pois sou eterno aprendiz e me parece que o tempo não vai se encaixar em mim. Preciso me formatar ao que o sistema temporal me apresenta. Nem todo mundo sabe correr, ou usar melhor o tempo... e talvez este nem seja a causa das diferenças, talvez elas apenas sejam como são. É fato que não existe exatidão para vida, ela se apresenta como quer... mas quero ganhar do tempo, e ela quer mais ainda. Sei que a vida preparou nossos desenhos e que a folha de papel não se apaga no passar do tempo, riscamos por cima! Mudamos o traçado, a textura, o modo como seguramos o lápis e mudamos o tema sobre o que queremos desenhar. Me vi em uma diferente e natural experiência, querendo mais, mas sem saber como fazer. A gente tenta ser apenas a naturalidade... mas isto é como impressão digital, cada detalhe possui uma identidade própria. Não há como viver lembrando da aspereza ou achando que tudo vai ser igual, ou tudo diferente, ou perfeito! Há uma dificuldade que parte de nós mesmos na forma de controlar o tempo e o desejo... e me vi livre sendo orientado pelo tempo. Um tempo que não era meu apenas, um tempo compartilhado, fragmentado entre divididas fatias de outra vida. A parte que me cabe é sempre boa... diz respeito ao fundir de dois tempos, mesmo que seja por uma fração bem pequena. Talvez os pássaros sejam mais espertos que nós, pois na velocidade conseguem fazer com que o tempo se desloque para outro momento. Aí me parece que ela sabe como ganhar tempo melhor que eu... que fico mais preocupado em como fazer do que propriamente com o aproveitar. Eu me melhoro perto dela... me justifico, me oriento, me adapto, curto o fato de pensar que posso protege-la, embora ela nem precise. Ela gosta da sensação, mesmo que não precise. Isto diz respeito à ganhar do tempo... é esquecer que o tempo passa e ficar pensando só no que importa, que é viver. Volta e meia ela me surpreende, me ganha, me perde, me ganha outra vez. Ali vi que ganhar tempo é montar um quebra-cabeças com regras que se moldam ao sabor do vento... e precisamos de asas, para que assim, possamos dar a volta, pelo lado e construir um atalho, outro caminho, nova tentativa. Se tem como fazer? Eu não sei... mas não vou deixar o tempo passar, vou tentar. Se ela quiser pegar na minha mão... bom, vou gostar, ou vou corresponder, que seja o tempo que nos couber, que seja como for. Talvez a gente sincronize, talvez não... preciso conversar sobre o tempo com ela. Aprendo muito... de outra forma não queimaria tempo. Espero ganharmos tempo com o outro... ela, certamente, muito melhor que eu, mas eu... muito mais paciente que ela no ato de tentar. Cada um parece ser melhor em algo... como disse uma amiga virginiana: "a diferença faz bem, imagina que chato se fossemos iguais!"
Fiquei pensando que talvez eu seja muito bom em "dar um jeito" no tempo que tenho... porque ele passa e nem vejo. Quanto a minha virginiana... vou esperar ela na estação do trem, como sempre e num passo de tentar ganhar do tempo. E deixar tudo se acomodar sem pensar... pois me parece que pensar sobre pensar é que me faz errar no tempo. Então vou deixar a time line passar enquanto espero ela na estação.