Velocidade... não brinque comigo!

BR-448, ao cair da noite. Foto: Roberto Furtado

               Nem percebemos... mas o tempo, passou! Me vi algumas vezes com medo, como todo mundo que se submete à vida. Ela corre, pede, oferece as cartas e, sabemos que pouco de tudo controlamos, outra parte apenas nos sujeitamos. Cheguei aqui sem receita de bolo pra viver... tive que aprender tudo do jeito que podia. Pessoas próximas, como meu avô, minha mãe, cuidaram para que eu tivesse algumas facilidades no caminho, outras vezes caí de cara no chão, inclusive, literalmente. Caminhei, arrumei uma profissão, depois de um tempo, mudei de profissão, também fui casado, também estudei e abandonei, tornei a estudar, abandonei, tornei a estudar, agora estou indo e possivelmente vá me formar. Os passos são engraçados... querem que acreditemos que mandamos nas coisas, mas são as letras pequenas que não lemos que decidem por nós. Ou de outra forma não seríamos surpreendidos nunca, jamais. Alguém diz que não vai mais morar contigo, ou você diz... Ou teu chefe oferece novas condições que no fundo é para tirar proveito ou te fazer ir embora. Ou outro motivo te faz mudar tudo. E tudo tem passado tão rápido como comer uma pizza, como o tempo que passou voando durante uma conversa com aquele amigo que tu queria que fosse teu irmão. Aquela garota, que tu chama de namorada, te disse: "Vamos dormir, já são duas da manhã!". 
O tempo voa... tem até uma letra de música, da Vera Loca que diz... "tá ruim demora, se tá bom vai embora!", chama-se velocidade. Eu juro que aos quase 42 anos, tentei, e tentei, e tentei encontrar um meio de controlar o tempo. E não consegui... depois entendi o que John Mayer quis dizer com a música "stop this train", pois era impossível. Talvez alguém consiga, por isto sigo tentando, porque se eu desistir jamais vou saber se é possível. Eu queria que meus amigos lessem isto... não por ser brilhante, mas para eles não esquecerem que o tempo é impiedoso. 
Tempo... só o que peço é que não brinque comigo, vivo na maior velocidade que posso, ainda que algumas vezes possa parecer insuficiente para tudo que gostaria. 

Sensibilidade... uma janela do sentir!

Janela do mundo, em Grêmio Esportivo Ferrinho, 2018. Foto: Roberto Furtado / Disciplina de Semiótica / CST Fotografia
             Uma nova onda de pensamentos, de curiosas conexões me surgem... eu, certamente, não sei mais do que somos. Talvez exista uma explicação para sermos como somos, talvez não. Acredito que o comportamento do ser humano segue também os padrões da evolução, que estudamos no colégio, também nos básicos acadêmicos das faculdades ligadas a biologia. Somos evolutivos, diferentes, por razões óbvias... nos adaptamos ao meio, para evoluir e, para isto, nascemos diferentes uns dos outros. Cada um com sua parcela de importância, perfazendo um todo! Quis ser muitas coisas no passado, embora ficasse evidente capacidade e até inadequação para certas atividades, sim, todos as temos. Me lembro de coisas que vi quando era criança... eu me lembro de coisas que meus amigos de infância não lembram, eu me lembro de coisas da minha jovem vida, de momentos que as pessoas geralmente não lembram. Eu me lembro de frames, cenas, quadros observados pelos meus olhos. Talvez não tivesse nem três anos, talvez dobro disto... fato é que colocamos estas memórias em caixas muito bem organizadas, de outra forma jamais lembraríamos. Eu me lembro muito bem... a minha memória é montada em imagens. Sou péssimo com palavras, até que as visualize escritas em algo... não as ditas, as escritas. Lembro de trechos de longos textos, lembro de faixas, placas, de muros pintados! Os meus olhos são a janela do meu mundo, se ligam com meu cérebro de uma estranha forma... tão ligados, parece que de alguma forma meus olhos não envelhecem, precisa o meu cérebro dos meus olhos, será? Talvez, mera suposição, apenas impressões... mas sim, somos diferentes. Sabemos como lidar com situações distintas, damos soluções! Aprendi a observar meus amigos, meus colegas, vejo o jeito que se mexem, vejo no que são bons, vejo os que sabem e os que não sabem tirar proveito de dons. E aliás, cada um faz e usa como quiser... nascemos com o livre arbítrio. Não sou bom em tantas coisas, mas como lamentar? Somos o que somos, somos bons em algo... e talvez leve o homem muito tempo para entender isso, talvez leve apenas tempo, tempo de cada um!


Janela

     Quando olho por uma janela tenho esperança... de que algo vai acontecer. Pode ser algo simples, algo complexo, algo novo. Outro dia, observei pela janela um pássaro, voava estranho em torno de galho, até que pousou e bicou algo que parecia ser uma lagarta, num passo tão rápido a engoliu. Ficou ali parecendo aguardar o cair no fundo do estômago, e partiu num planar perfeito. A beleza esta em arestas estranhas da razão, as vezes não as compreendemos, mas não estamos aqui para julgar, mas sim para entender!


Sentir

    Estranho... como definir o sentir, pois bem, acho que não posso. Quero apenas pensar nesta dificuldade, nesta inércia funcional do nascer. De dor para alegria, realizações! Uma amiga, muito querida, talvez uma forma de amor que todo homem deveria entender, me disse que eu era um dos homens mais sensíveis que ela conhecia. Talvez seja... mas tão natural para mim é sentir. Parece tão triste imaginar o mundo sem o sentir, tão impossível também. 
Ontem, uma outra amiga me disse: "O que sentes é uma dor boa!"


É um blog...

     Se me faço entender, escrevo como quiser... uso, um cursor como reticências, e se sabes o que significa, uma sugestão de pensamento e de continuidade. O cursor, reticências, recursos velhos ou novos, fora de ordem, como eu quiser! Meu velho amigo, agora em outro plano, se chamava Zé, me ensinou uma coisa tão importante. Ele dizia: "Se a história é minha, conto do jeito que eu quiser!"
Num passo de, desde que a verdade seja contada, conta a história na ordem, forma, lucidez que eu quiser. Deixo meu adeus a ele... sentirei tua falta meu velho, mas aqui comigo sempre estará. Engraçado é ter sentimentos que brigam entre si, nas lembranças que tenho de ti... começo a rir de lembrar de vc, depois me dá um nó na garganta da tua falta, depois torno a sorrir. Disseram-me que isto se chama... S-A-U-D-A-D-E.


Caminhada

     Sigo na direção do inevitável... me deram prazo. Disseram: "Roberto, estamos te dando um presente... chama-se vida, pode ter longa duração, mas não é inquebrável. Terá que cuidar como se fosse tua, mas ela é também de outras pessoas, como o tempo entenderá. Aproveite para sentir tudo que puderes, evite dormir demais, mas não durma menos que o necessário. Mude dos erros para os acertos, ensine, compartilhe, principalmente amor. Pode acreditar no que quiser... evite machucar os outros e perdoe os que fizeram a ti, mesmo não sendo fácil. E lembre-se... o que se leva da vida é a vida que se leva!"

O som dos meus passos...

Fim de tarde no Guaíba, Porto Alegre, em frente ao Iberê Camargo. Com um celular Samsung J7, foto: Roberto Furtado.
           E chegou o final de domingo... e eu, pensando entre tarefas acadêmicas, uma pausa para o minha corrida. Já imagino que será praticamente impossível correr antes de quarta, pois esta semana tenho muitas atividades para conciliar. Eu... sou, possivelmente sempre serei, um eterno dependente de cenários para reiniciar meus ciclos, daí então, imagino, um motivo importante para ter me tornado um fotógrafo. Eu morreria se ficasse confinado em um lugar sem janelas, sem horizontes! Finais de tarde, ou amanhecer... estes, me cativam! Há tanta beleza em contra luz, também no dourado do sol, idem para as nuances de azul do infinito céu. É bem bom... e é barato, melhor... é de graça! "A vida é de graça, tem gente que paga pra viver..." (Vera Loca).
Fui para a orla da minha Porto Alegre... eu queria correr, bem de boa, tipo num ritmo para ir e voltar, sem estresse muscular, sem dores por correr no asfalto. Seja vagaroso, contínuo, sinta seus pés e sorria... impossível um corrida ser melhor! Saí correndo, primeiro de som alto... aí percebi que queria ouvir o som dos pés tocando o asfalto. Então, escutava aquele toque toque de cada pé, um ritmo, sereno, contínuo, pensando nas batidas do meu coração... é tão bom sentir, o vento, o calor suavizado pela brisa. As referências... nosso presente! Não sabemos e não conhecemos nada sem o que já existe... é disto que que comparamos e sentimos. Ter noção... de si mesmo, do mundo ao redor, ser o centro de um universo de forma responsável, afinal, somos temporários. Não perca tempo... isto aprendi e não posso mais deixar de pensar. E no som dos meus passos, bem, de agora em diante, sigo, sorrindo, cantando em inglês errado, pensando como é bom ir além sem pensar aquém. Os meus passos tem um som que aprendi a entender... antes tarde, do que depois. O som dos meus passos...

Acelere

Mono Lake... um bom lugar para refletir! 
                Os fatos, pensamentos, escolhas, não escolhas dos caminhos... andei muito sem orientação, muito com orientação, frágil e forte, algumas vezes desatento. Há uma condição em nós mesmos que nos motiva a caminhar sem que saibamos que estamos... deitado sobre a cama, logo após acordar, pensamentos mil como se um computador estivesse sendo iniciado para um novo dia. Tantos pensamentos em start buscando o passo seguinte... eu, muito tranquilo, pensando em TCC, fotografia e nos projetos que já devia ter terminado ou mesmo iniciado. Na grande esfera e na prática existência muito parece começar sem regras, normas que nos conduzem, mas ao longo nos encaixamos sobre trilhos que nos levam aos lugares que não tiveram outros aventureiros. Somos únicos... por isto, então isto! Cada oportunidade deve ser encarada com responsabilidade, sorriso e energia. Talvez a receita para viver seja apenas esta, como numa folha em branco, cujo autor se apodera de um lápis e liberdade para traçar o que bem entender, de mente aberta. Eu costumava pensar o que seria de uma fotografia se ela tivesse apenas dois tons de cores... imaginando que poderia nem existir. Agora, me parece que percebi que entre as minhas, como esta acima, surgem estranhas coincidências que mostram que algumas coisas já experimentamos sem saber ou lembrar. Azul e branco... um lago inteiro, de margens esbranquiçadas no meio do continente, salgado, sob um céu infinitamente azul. Caminhos... que te levam, que te buscam, que te envolvem em pensamentos. Não há uma segunda chance igual para algo... nunca, nada se repete, não se desloca ou se remonta da mesma forma, pois o pensamento é mais rápido do que os fatos e a cada experiência se recalculam as condições. Ao esperar se encontra uma nova condição com o passar dos segundos... ao enfrentar se vive o real! O tempo passará de qualquer forma e todo que tens não mudará... vive mais quem acelera a vida!