Eu, fotojornalista!

Zoomei ao clicar, intencionalmente, para causar o efeito que se apresenta na imagem. 

Me deu vontade de rever o que fiz até aqui... pra atualizar o saber do que eu sou! Os shows são meus preferidos, mas adorava os trabalhos de rua. Muitos trabalhos perdi naquele HD novo, num raio que atingiu o bairro. Não adianta lamentar, apenas lembrar. As fotos ficaram espalhadas no tempo e no espaço... Fotografei shows de todos os tamanhos... para agências, para patrocinadores, para bancos de imagens e, claro que para mim mesmo! Me pego olhando o que é feito hoje em dia... a direção da fotografia e fico pensando o que aprendi no Foto Cine Clube Gaúcho e me lembro que me achava um aprendiz bem fraquinho. Só que o tempo correu e aquela teimosia em melhorar... era de fato, a melhor das qualidades que eu podia ter, além da observação. Hoje, vejo os parâmetros da literatura da fotografia, todos quebrados, como se jamais existissem. É verdade que fotos de todo tipo entram no mercado com o argumento de que arte é arte... ainda que no jornalismo isto jamais pareça adentrar. Imagino um mundo onde todo mundo faz o que quer, sem estudar, sem persistir, sem embasamento técnico, sem agilidade, contando com todo tipo de automatismo e comodismo. Bom... mercado é mercado. Lá fora o treco fala alto... ou você faz, ou não te chamam de novo. Não tem chance pra errar... a selvageria é ácida. Entrar no mercado pode ser questão de sorte, mas manter-se nele é quanto tu aguenta... persistir fazendo o que se aprende por toda caminhada da vida profissional. Quanto suei... quanta dor senti nas costas fotografando esportes, nas ruas ou em eventos longos e quentes. Isto tudo é o sabor mais doce que um fotógrafo pode sentir... não tem nada que alguém faça ou diga, tu tem uma caminhada, ela ilustra todo passado do qual participou, teu nome estará lá... nos cantinhos do jornal, das revistas, e hoje em dia nos veículos online. E o sabor de tudo isto é quando tu escuta... "eles vão te chamar!" É o que muitos chamam de sorte... de tradicional da fotografia para "chama ele pq tá garantido!" Sou sim um fotojornalista... eu não mexo na cena, sou antiquado, sou sim! Sou também... um dos bem poucos que circulam por aí e aos quais tenho orgulho de chamar de colegas. Isto não é arrogância, nem nada disto... é saber exatamente a que lugar pertence, justamente por uma história bem comprida de erros e acertos! Aos meus colegas...

Canon 1D Mark IV

foto: https://www.dpreview.com/reviews/canoneos1dmarkiv/3

Experimentei muitas câmeras... sendo que a 7D, primeira versão, tive três unidades simultaneamente e acho que foi a câmera que mais usei. Depois... a 5D Mark III, tenho duas, foi a câmera que mais gostei em termos de nitidez. Confesso que já não percebo muita diferença de qualidade em fotografias de 5D Mark III e Mark IV, tenho tentado ler sobre e olhar as diferenças apresentadas. Acho que a 5D Mark IV veio pra trazer tecnologias extras que a 5D Mark III não possuia... tal como WIFI e outros recursos práticos. A velocidade da versão nova é uma boa vantagem, já que a nova é 25% mais rápida em relação a versão anterior. Alguns recursos perdem em favor de outros... a qualidade vs. velocidade das câmeras é e, possivelmente, sempre será o grande X da questão valor e tecnologia. Atualmente, com valor do dólar elevado, não vejo um motivo de trocar câmeras quando estão acima ou iguais a 1D Mark IV ou 5D Mark III. As câmeras produzem mais que o dobro de pixels desejados pelos clientes e estou tão familiarizado com estes modelos que levarei algum tempo para ficar novamente integrado com novos modelos. Não tenho nenhum interesse em migrar, por hora. Além do mais... o que mais vemos no mercado são profissionais trabalhando com modelos inferiores, que por mais que sejam atuais, como a 6D Mark II, ainda não chega aos pés da 5D Mark III, na minha opinião, é claro. 

Minha preferida... 1D Mark IV

Por mais que a 5D Mark III seja uma câmera melhor de operar, com qualidade de imagem superior por ser uma fullframe, prefiro a 1D Mark IV pra trabalhar. Se o trabalho for movimento na rua, nem penso duas vezes, vou direto com ela. Ela é uma devoradora de imagens... tem quase o dobro da velocidade da Canon 5D Mark III e 20% mais de velocidade que a 5D Mark IV. Se você parar pra pensar em uma câmera lançada em outubro de 2009, entenderá a proposta que faz 9 anos... o que muitos olham com pesar, penso que é um trunfo. Fazer 10 fotos por segundo é algo que a grande maioria das câmeras ainda não consegue... nas fullframes isto só é visto nas gerações recentes da 1D, como 1Dx Mark I e II. O fator de conversão de 1.3 da 1D Mark IV, deixa ela na frente da 7D Mark II, que também faz 10 fotos por segundo, mas tem sensor menor. Ainda com atributos tão interessantes... um corpo robusto, digno de uma câmera de guerra, perfeita para fotojornalismo, sem falar nos importantes slots para cartão SD e CF, gravando simultaneamente nos dois cards. A 1D Mark IV tem tantos atributos que para eu sair dela, dos pobres 16 MP para ir para uma Full Frame, deverá ter um apelo forte da baixa luminosidade. Só não saio com ela se não houver luz boa... porque aí acabo escolhendo a 5D Mark III. A sensação de ter uma câmera que foi topo de linha da marca em 2009 não significa nada para mim, mas o que ela me oferece... o crop de 1.3, multiplicado com teleconverter de 2X e uma lente 70-200mm, permite que eu tenha uma 520mm, quando seria uma 400mm em uma fullframe. O som de trabalho desta câmera é sensacional... se percebe que o mecanismo não é igual, talvez por isto a canon diga que este é feito para 300.000 clicks, quando nas demais é para 150.000 ou menos. Estamos a falar de uma guerreira indestrutível. A minha possui cerca de 120.000 clicks... nunca teve uma peça trocada. É um tanque de guerra do jornalismo... as demais? Cuide pra não derrubar, pois não suportarão! O ônus é o peso... é o peso do corpo e da bateria. A bateria... faz 1500 disparos com uma carga. Não é brincadeira... e vou dizer que se não fosse o fato de ser cropada e ter apenas 16 MP, seria a melhor câmera já fabricada pela Canon. As irmãs mais novas tem mais qualidade, mas perdem em outros atributos... eu fiz um teste comparativo do DPreview pra ver várias questões de desempenho: DPreview
Na hora de escolher uma câmera... pense, nem sempre a opção nova e mais recente é a melhor opção para o tipo de trabalho que vc faz. 

9 imagens para me representar... impossível!


A fotografia para mim é a expressão que escolhi. Ela é simples, calada, discreta, com seus limites e vantagens! Sou um fotojornalista, conto histórias que não se repetem, elas figuram revistas e jornais que cada vez mais dão lugar aos informativos online e redes sociais. Assim como a fotografia, sigo na direção do inevitável, me adapto, me transformo, me faço necessário! A fotografia é a minha conexão com as pessoas! Ofereço minha forma de ver o mundo, exponho minha versão silenciosa, pacífica! Por vezes me perco no tempo, em fragmentos do tempo e do espaço, uma física que se representa pelo que entendemos como fotografia. Sempre me pergunto: pelo que você quer ser lembrado? Faço um reset dos meus pensamentos e tento alimentar o novo no meu olhar, todos os dias! (Furtado, Roberto. 2018)