Pouso do descanso...

BR-448, Canoas - Porto Alegre. 
É de um lugar mais alto que se observa de forma mais ampla... em um pouso demorado a gente consegue pensar em tudo. O trabalho é o algo que nos motiva na vida, principalmente se você fez escolhas que te levaram a uma vida de solteiro. Não sei se fiz estas escolhas ou se as coisas se escolheram para serem desta forma... acho pouco impreciso dizer que somos responsáveis pela vida que temos, uma vez que todo acontecimento não depende exclusivamente de nós. Não é como um fechar de torneira ou acender uma lâmpada acionando o interruptor. Neste momento queria tanto uns dias pra descansar e esquecer do tempo correndo... este lance do relógio que não descansa e faz questão de nos mostrar é um pouco assustador. E deixar o relógio em casa parece funcionar um pouco, mas o tempo passa de qualquer jeito. Não é o relógio que faz tudo andar, ele apenas mostra para nós que tudo voa se tratando do decorrer de um dia. Ser completo é saber produzir e lidar com tudo na vida... e nem tudo é dinheiro, mas a gente vê que as pessoas estão pensando que se tem dinheiro podem tudo. Como se o mundo estivesse aos pés delas apenas por possuírem números em uma conta de banco ou um carro no valor de um apartamento. Engraçado, e prefiro engraçado do que estranho, é olhar alguém tão poderoso com um carro super poderoso esperar o socorro para trocar o pneu quando fura. Na verdade a pessoa não tem poder nenhum... ela pensa que tem e o destino mostra para ela que vai depender de um outro alguém que tem menos dinheiro e que exerce uma função que é a solução. Acho que este post é sobre modéstia e noção de capacidade, não sobre descanso! O descanso, mesmo que seja de alguns minutos, é apenas uma possibilidade para olhar para dentro e para fora. Somos tão ligados no piloto automático que não percebemos quanto somos dependentes de mecânicos, carteiros, feirantes, agricultores, etc. Alguns de nós nem sabem ligar ou desligar um botão... ou fechar um registro. Vivemos a era do smartphone que promete fazer tudo, ensina tudo, capacita todos! No entanto, não temos tempo... somos ocupados e sempre vai ter alguém que serve a nós como se isto fosse uma obrigação! Quantas pessoas dizem: "Tenho o meu dinheiro, mando fazer... não preciso saber!" Espero que o dia depois de amanhã não chegue... somos, muitos de nós, verdadeiramente inúteis. Isto também nos faz patos para muitos prestadores de serviços... que cobram caro para realizar coisas banais ou nem fazem direito por saber que não entendemos. Este não é bem meu caso... tenho muitas limitações, mas fiz muitas coisas por querer, como ser técnico automotivo, marceneiro amador, fotógrafo profissional! Certamente cometo meus erros, com frequência, aliás... este post também parece ser sobre modéstia. Poderia ser tambem sobre o trato... no fim a gente observa que tudo se mistura. Tem dias que nada nos abala... as vezes só gostaria de ficar em casa, trabalhar, estudar e voltar pra casa. O só não me parece muito comodista na minha frase anterior, afinal, me parece mais do que muitos fazem. E sempre faço mais alguma coisa... me preocupo tambem com o todo que dirigi este ano. Por uma questão de me poupar, também por uma questão ambiental, certamente que por uma questão de tempo, me vejo como um motorista na prisão do ter que conduzir por obrigação. E há quem pense que dirigir é liberdade... só que liberdade é ter como escolher, em quais horários realizará. Acho que estou só cansado pelo final de ano... Não vejo a hora de dormir dois dias inteiros e pensar que não tenho nada no dia seguinte, então decidir pegar o carro sem nenhum planejamento e ir na direção de uma praia. O pouso do descanso é um post estranho... não sei se foi uma tentativa de desabafo, se foi uma alusão ou ilusão, um devaneio! Enquanto me distancio de montar minha barraca em algum lugar, me reservo o limite de trabalhar no meu canto... hoje, será mais um dia daqueles com horas a fio em frente ao computador e algumas horas de aula, sem esquecer das dezenas de quilômetros na direção do automóvel. Talvez eu faça uns cliques pelo caminho... tenho feito o meio do caminho, em algum lugar da estrada, parte do meu ferrolho. Parece que ali nada pode me perturbar... bendito quilômetro sem sinal de celular, com luzes de automóveis para ilustrar uma paisagem. Com fotografia de longa exposição... controlo parte do meu tempo.

Perspectivas sobre o mercado fotográfico 20.11.2018

Disciplina de Fotografia em Cores 02/2018

Profª Elisabete Teixeira / Aluno Roberto Furtado

Pesquisa: Perspectivas sobre o mercado fotográfico

O segmento corporativo é uma aposta na continuidade, possuindo desafios de inovar e criar imagens que contem histórias das empresas através de revistas e jornais internos, também para utilizam em pautas externas sobre o investimento destas empresas em tecnologia e recursos humanos. Foto: Roberto Furtado / Revista Vide Bula

Renan Costantin aposta no mercado
da publicidade e no corporativo.
Foto: Roberto Furtado
O mercado de trabalho é visto com receio quando o assunto nas rodas de conversa entre os profissionais da fotografia. As variações do mercado são notadas pelos profissionais antigos e experientes, mas também são vistas com um grande desafio para os jovens e recém chegados ao mercado. A estrada do mercado da fotografia é marcada com bons e maus momentos, com o fechamento de grandes estúdios e abandono do ofício por parte de profissionais reconhecidos no mercado. Um mercado que sofreu com a crise mundial, também com a evolução do filme 35mm para o sistema digital. As crises econômicas atuam diretamente na decisão de investimento do consumidor aos trabalhos do profissionais, mas há formas de observar esta grande dificuldade. Enquanto alguns profissionais costumam manter uma linha de trabalho sem alterações, outros entendem que é preciso investir em si mesmos, inovar dentro da proposta de trabalho e gerar mudanças para cativar o cliente. Para Renan Costantin: 

"A fotografia é uma ferramenta de grande importância para as empresas, portanto é preciso adaptar-se e seguir as tendências de mercado, oferecendo algo sempre atual ao cliente. Não podemos passar 10 anos produzindo o mesmo resultado! Devemos observar, evoluir e surpreender o cliente com a intenção de alcançar não apenas o cliente, mas também o que ele busca com este investimento. Investir em fotografia é desejar um retorno para um negócio!" 

Observando a posição de Renan, entendemos como alguns profissionais perdem ou ganham mercado. Muitos profissionais esperam que a continuidade do trabalho seja suficiente para manter o mercado, mas isto não acontece. Assim como Renan, alguns fotógrafos interagem com a necessidade do cliente para que seus trabalhos sejam necessários e atuais, desta forma eles mantem o mercado e criam o interesse de outras empresas no trabalho. Enquanto outros apenas apostam na continuidade, sem inovar, reduzindo o fluxo de trabalho e o faturamento, profissionais como Renan encontram a luz no caminho, tão importante para a fotografia e para a sobrevivência neste mercado concorrido. E se falarmos em mercado concorrido, não podemos deixar de falar que as crises econômicas e a onda de demissões geram redirecionamento de parte de profissionais de outras áreas para a fotografia. Quem nunca ouviu antes as frases: "Comprarei um automóvel e farei uber!", "ou farei um cursinho de fotografia e fotografarei aniversários para fazer uma grana!" Questões como estas colocam profissionais no mercado e desafiam os antigos e dedicados. 

Rogério Silveira atua há muito tempo
no mercado da moda e publicidade e
observa as mudanças com atenção.
Foto: Roberto Furtado
Outra questão importante sobre estes desafios da fotografia e o mercado foi a mudança do sistema de filme fotográfico para arquivo digital que gerou impacto no mercado nos últimos anos. A verdade é que o mercado cresceu, mas também se popularizou, entregando ao mundo câmeras fotográficas digitais automáticas que apresentam bons resultados sem nenhum conhecimento. Assim, clientes em potencial desapareceram, aproveitando-se da qualidade das imagens e do baixo custo. A verdade é que este perfil de cliente não compreende tão bem a questão da qualidade profissional, que traz criatividade aos trabalhos, não apenas nitidez. Em muitos casos, também podemos observar que economizar é mais importante para uma grande maioria. A recordação e o resultado são percebidos e lamentos ao longo do tempo, mas isto é uma questão de construção deste olhar sobre a fotografia. É possível que em alguns anos as pessoas vejam estas faltas de fotografias através das imagens perdidas dos arquivos, levadas pelo tempo em algum dano de HD de servidor ou mesmo perdas de usuários em bancos de imagens (nuvens). Fotografias devem ser impressas... assim como negativos, arquivos digitais se perdem, provando que a fotografia impressa é a melhor garantia de uma recordação existir no futuro. 
O trabalho com fotografia é uma constante luta por conhecer, aprender e se relacionar com o meio que possa contratar o profissional. É praticamente impossível se manter em qualquer mercado sem que exista uma evolução do profissional em relação a evolução da tecnologia e tendências de mercado. É preciso ser especializado, mas é também preciso conhecer outros mercados. Rogério Silveira, fotógrafo de moda e publicidade, percebeu esta necessidade para crescer há muitos anos atrás:

"Em dado momento, percebi que era preciso experimentar e observar outras áreas. Foi então que tentei "resetar" o que eu entendia de fotografia, que era basicamente voltado para o fotojornalismo, e fui trabalhar em um grande estúdio especializado em publicidade. Lá, o fotógrafo chefe, me disse para esquecer tudo que eu via no jornal e ficar aberto para uma nova fotografia. Aprendi muito e passei a trabalhar neste segmento desde então!"

O interessante nos depoimento de Renan e de Rogério é que ambos estão no mercado há algum tempo, mas embora tenham encontrado condições de trabalho e momentos diferentes, perceberam que o caminho para crescer e superar estava em uma observação de como as coisas iam acontecendo. O mundo é dinâmico, prático, mas ao mesmo tempo exigente. Rogério é do tempo da fotografia com filme fotográfico, e Renan já começou na fotografia digital, ambos perceberam que a fotografia era um negócio, embora estivessem ligados a prática pelo amor a fotografia. Eles mantiveram o foco no trabalho, na necessidade de seus clientes e não no que eles entendiam sobre fotografia. Manter-se aberto, como eles fizeram, permite que o fotógrafo esteja preparado para encontrar todo tipo de mercado e adaptar-se ao novo.

Quando comecei a fotografar encontrei um mercado em mudança, era justamente o momento em que a fotografia com filme fotográfico sucumbia para o sistema digital. As grandes produções de moda ainda eram realizadas com câmeras de médio formato e/ou câmeras de grande qualidade para ampliações. A qualidade das digitais não profissionais ou semi profissionais era tão ruim que só era possível trabalhar com flash e ISO baixo. Então para trabalhar era preciso investir mais ou ficar girando em trabalhos de baixo valor. Aos poucos, as câmeras ficaram melhores e com propostas de valores mais de acordo com o mercado. O ISO melhorou muito nas profissionais, especialmente nas câmeras full frame, permitindo produzir alguns trabalhos com baixa luminosidade, que trouxe também uma boa forma de explorar luz e sombra sem ter tanto problema de ruído. Vantagens que a tecnologia vai apresentando no decorrer do tempo. Estas vantagens devem ser observadas, inclusive, para mudarmos a linha de trabalho. Toda inovação desperta interesse do público. Nos mercados existentes da fotografia, todos eles se percebe a necessidade de inovar e o resultado que se apresenta com esta mudança. Fixar-se no mercado é uma questão de olhar para o mundo e não pensar apenas em fotografia.


Referências

https://www.lightstalking.com

https://www.dpreview.com

https://fhox.com.br/