Escolhas... Meu caminho fotojornalista!


É durante a caminhada que a gente dá uma parada pra descansar, senta em uma pedra e olha para o horizonte com pensamentos distantes do que se vê. Eu comecei uma estrada muito diferente desta que acabei chegando... pessoas foram, pessoas vieram, algumas ficaram independente da afinidade. Quando as pessoas se gostam elas dão jeito se serem amigas... elas ficam mesmo que uma ame e outra odeie futebol, como mero exemplo. Já empunhei todo tipo de ferramenta... de brinquedos a armas, mas um homem faz escolhas e descobre sozinho o que ele quer ser, ver ou fazer. Sempre soube que era um soldado, mas não quis servir ao exército no alistamento. Não havia um motivo, apenas considerei não fazer, e hoje faria, se 18 anos tivesse. Por algum motivo, cada coisa tem um momento e não era meu desejo naquele momento. Talvez eu não me achasse apto, talvez não fosse bem aquele tipo de soldado que eu deveria ser. Todo mundo nasce com alguma vocação... mas eu caminhei e estudei, olhava para os lados e não entendia o que era. Foi então depois dos trista que descobri... se tinha habilidades, e se pareciam ser de um soldado, talvez fossem, e eram! Quando empunhei a câmera em mãos e mirava procurando o algo, percebi que aquela era a minha arma. Uma arma que poderia definir muitas coisas, mudar pensamentos, garantir uma verdade e ainda me salvar. Eu escrevia, todo tipo de coisa, de asneiras à críticas... incansável! Era sim... um fotógrafo, mas descobri que era um jornalista. Sem a formação para isto, me vi muitas vezes coagido pelos que seriam meus colegas. Muitas vezes me fizeram pensar que eu não tinha o direito de escrever... mas toda vez que eu via estas pessoas escrevendo eu pensava: "É isto aí que me quer fora das páginas?" Escrever e tocar o mundo, informar, ou apenas acalmar o mundo é obrigação de todo mundo que consegue. Não é uma habilidade que deve ser descartada... escrever é um gesto de gentileza, é informar, proteger, dar calma ao pânico. Considero tão importante no jornalismo... isto de acalmar a população, para que pensem, para que decidam cientes! Vejo tanta coisa errada no jornalismo... e penso que se ele esta como se apresenta agora é justamente pelo fracasso que se tornou. Me tornei um fotojornalista por saber contar as coisas, mas por ter coragem de estar onde precisasse. Minha família me segurou muito, pois era realmente um perigo fazer o que fazia... aí bate na porta a escolha, viver ou fazer, quem sabe morrer fazendo? Que tal ir fazendo aquilo que acalma a alma e tentando entregar algum tipo de paz para as pessoas? Bom, escolhi ilustrar as histórias com o que eu via... por vezes escrevi. Por apoio de um grande editor que prefere se manter no anonimato por grande modéstia que possui, escrevi em momentos onde queriam me calar. Colegas queriam me calar... jornalistas, os mesmos que defendiam livre arbítrio. Então o editor dizia: "mas Roberto, se tu não fizer isto... quem vai fazer? Quero que tu faça!" Bom, então eu fiz, e fiz... até que cansei de fazer e mudei de foco. Percebi que a gente é assim... o vento é quem escolhe a direção, mas você pode recolher velas ou orçar para decidir para onde ir. Vento em popa é para quem tem muita sorte, nenhum destino (quer ver aonde chegar) ou prefere ser conduzido. Eu... bom, não sou melhor que ninguém, que sempre fique claro, mas gosto de escolher a direção e as paradas da minha grande trip. Eu prefiro ficar onde as pessoas são mais interessantes e boas, onde as fotografias ficam melhores, onde o contraste encanta. Seguirei contando o que meus olhos conquistaram... estou bem assim! Grato por tudo do caminho, pelos corações que conquistei... serenidade é entender-se!