Comunicar-se

Um caminhante pela noite, sob o céu de Cambará, 2019.
O que há de mais notável na escrita é que a prática leva a gente a uma evolução, mas mesmo com este aperfeiçoamento ocorre a fixação da característica do autor... a evidência da personalidade. Quanto mais escrevemos, mas fácil é começar... um ponto de partida seria a maior dificuldade dos que se aventuram em expressar-se? Talvez, mas a prática parece permitir que adentremos nos assuntos com maior facilidade. Ao mesmo tempo que parece fácil falar desta forma, não seria tão simples assim ganhar a atenção do leitor. E aí surge a pergunta sobre para quem escrevemos... para quem? Bom, acho que na verdade escrevemos para nós mesmos, tentando ser claros para que ocorra uma conexão nossa aos demais possíveis leitores. Talvez estejamos procurando por afinidade com pessoas, algo que nos faça parecer mais sociáveis, pois autores vivem algum tipo de solidão ou solitude. A escrita é uma forma de comunicação, talvez a dificuldade em lançar palavras no tempo real seja driblada por autores através de linhas e conjuntos de palavras. Cada vivente encontra um caminho para ser "ouvido"... comunicar-se é uma questão de reconhecer-se e externalizar o conteúdo.

Olha pra ver...

Céu de Cambará, 2019.
Fazia algum tempo que eu não me aventurava por aqui... passei a escrever coisas curtas nos stories do instagram e, com isto reduzi as investidas do escrever aqui no blog. Também percebi que ando pensativo com certas coisas não tão importantes, e outras praticamente desapareceram do meu caminho. Talvez o blog fosse como uma válvula de escape para tudo que eu tinha na mente que ficava pulsando e tentando sair de dentro da cabeça. De alguma forma entendi muita coisa nos últimos três anos... não apenas conheci os meus valores, mas também me aprimorei numa velocidade muito maior de tudo que havia vivido antes. Muita coisa me fez bem... talvez, por isto, tenha escrito menos. Escrevo menos, mas ainda escrevo, como se estivesse com ideias mais limpas, mais direcionadas. Lutei muito pelas pessoas que queria ter na minha vida... hoje, aprendi uma coisa importante. Elas ficam se quiserem... não importa quanto esforço seja empregado. E vale pra gente também... a gente dá mais valor pra quem valoriza, mas isto também não segura a gente. É uma estrada com duas mãos, dois olhares, tem que procurar a outra perspectiva pra entender o outro... olha pra ver! Muitas coisas mudam, mudaram e mudarão... temos dificuldades em aceitar o fluxo de pessoas, mas a verdade é que elas pertencem ao fluxo. Vão e ficam de acordo com o vento e esforço delas para permanecerem próximas de vc... foi legal como muitas pessoas vieram, também é legal como muitas se vão, embora seja difícil sempre em aceitar a partida. A gente associa com perda... mas não é! Perda acontece quando as coisas acabam mal... aí fica aquele lance chato, de parecer que o afastamento tem motivo, um tipo de fracasso. Eu, depois de entender isto, sempre tento conversar... tento ser compreensivo, tento ser paciente, tento entender, tento dividir a responsabilidade. Dividir a responsabilidade é que faz a gente saber quanto é importante e quanto o outro importa... duas mãos, dois olhares, dois sentimentos, duas mentes, olha pra ver! Se o jeito é a partida... que seja, sempre valeu, sempre vai valer, cada momento compartilhado faz parte de uma bagagem do que somos!